quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Bolo Prestígio Vegano

Essa postagem vai ser apenas uma receitinha, sem grandes ladainhas. Eu estava afastada do universo saudável/vegetariano/vegan há algum tempo, mas me aguardem porque agora estou retornando às raízes. Esse bolo prestígio foi o primeiro bolo totalmente vegano e confeitado que fiz. Já havia feito bolos veganos simples e bolos confeitados sem lactose (e também tradicionais, é claro), mas nunca completamente vegano e confeitado, com camadas, etc.

Devo dizer que foi um sucesso entre um público de não veggies! Por isso, senti-me na obrigação de publicar essa receitinha, ou melhor, receitão. Pode parecer um pouco complexa, mas juro, é um dos bolos mais simples que já fiz. A massa tem uma textura boa para cortar e montar camadas. E os recheios tem uma textura perfeita para espalhar e cobrir. Como sempre, uso medidas em gramas e mililitros para evitar erros, e colheres medidoras apenas para quantidades menores. Ah, e a melhor parte, esse bolo é sem a famigerada soja, creme de soja ou leite condensado de soja, especialmente para nós alérgicos! ;)


Bolo Prestígio Vegano


Ingredientes para o bolo:
225g farinha de trigo
72g farinha de coco*
150g açúcar refinado
35g cacau em pó
1 1/2 colher sopa de amido de milho
1 1/2 colher sopa bicarbonato de sódio
1/2 colher chá sal
380g leite vegetal de sua preferência
1 colher sopa vinagre de maçã (sim, é essencial)
85g óleo de coco
1 colher sopa essência baunilha

Ingredientes para o 'beijinho':
150g castanha de caju crua (deixar 8 horas de molho)
300g coco ralado fresco
1 1/2 xícara açúcar refinado
2 colheres sopa amido de milho
1 colher chá canela em pó
1/4 colher chá cravo em pó

Ingredientes para o ganache:
400g de chocolate meio amargo vegano (checar nos ingredientes se não leva subprodutos de leite)
250mL leite de coco
1 colher sopa de óleo de coco
1 colher de sopa de uísque (ou outra bebida alcóolica de preferência)

Ingredientes para a calda:
1/3 xícara mel
1/4 xícara leite vegetal
3 colheres sopa água
3 colheres sopa uísque


Modo de preparo:
Pré-aqueça o forno a 180ºC e unte uma forma de 25cm de diâmetro com óleo e cacau em pó (ou chocolate em pó), para seu bolo não ficar branco de farinha quando desenformar.
Para o bolo, peneire todos os ingredientes secos juntos, farinhas, açúcar, cacau, bicarbonato, amido e sal. Misture separadamente os líquidos: o leite, o vinagre, o óleo de coco e a baunilha. Adicione os líquidos aos sólidos e misture bem com um fouet até obter uma massa homogênea. Despeje na forma untada e asse por cerca de 40 a 50 minutos até o centro esteja bem assado (faça o teste do palito). Deixe esfriar completamente antes de desenformar.

Escorra o líquido da castanha que estava de molho, coloque as castanhas no liquidificador e bata com 1/2 xícara de água até obter um creme liso e reserve. Coloque o açúcar em uma panela e faça um caramelo seco, adicione o coco ralado, misture. Acrescente um pouco de água caso empelote e deixe secar novamente. Acrescente então o creme de castanha e deixe ferver. Dilua o amido de milho em água gelada, acrescente à panela e misture bem. O beijinho deve estar soltando do fundo da panela. Se não, engrosse mais ou cozinhe mais. Desligue o fogo, acrescente a canela e o cravo e misture.

Pique o chocolate em pedaços pequenos. Ferva o leite de coco e desligue o fogo. Acrescente o chocolate picado ao leite e deixe a mistura parada por um minuto. Então comece a misturar, o chocolate deve derreter completamente no leite de coco. Quando estiver tudo bem incorporado, acrescente o óleo de coco e o uísque. Misture bem e leve à geladeira até firmar.

Ferva os ingredientes da calda rapidamente até se misturarem.

Fatie o bolo em quatro camadas iguais e escolha o prato onde pretende servir. Use a parte superior do bolo invertida para se tornar a camada de base. Molhe a camada com a calda e recheie com metade do beijinho. Coloque outra camada e molhe com a calda, recheie com uma parte do ganache firme. Outra camada de massa, molhe com a calda, recheie com o restante do beijinho. A última camada de bolo e molhe com a calda. Use o que sobrou do ganache para cobrir as laterais e a parte de cima. Decore como preferir, eu usei chips de coco dourados rapidamente no forno.

Sim, foi o bolo dos meus temidos 27 anos

*Pode substituir por outra farinha, de amêndoa, de amendoim, de avelã. Ou até mesmo completar com farinha de trigo comum, creio que deve funcionar.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A volta dos que não foram e uma receita de quibe de ervilha

Durante os últimos meses, estive em São Paulo cobrindo as férias da uma querida amiga de faculdade que atualmente trabalha no centro da cidade, cozinhando para um grupo de empresários de descendência armênia. Nesse tempo que cobri suas férias, adentrei uma onda de cozinha de oriente médio sem precedentes na minha história pessoal, heheh. Muitos quibes, tabules, fatoush, tâmaras, hortelã, homus, muhamadra, melaço de romã, pão, azeite e pescados, muitos pescados (por preferência pessoal dos chefes).

O quibe de ervilha foi uma grande descoberta casual. Num dia em que preparei um quibe de abóbora cabotiá, um dos comensais me disse que sua mãe costumava preparar um quibe de ervilha muito bom. Fui procurar e descobri que o quibe de ervilha é uma receita tradicional armênia servida durante a quaresma, quando não se consome carne de nenhum tipo.

E eu que sempre tive um pé no vegetarianismo me aventurei a prepará-la com base em alguns outros blogs que consultei, como a Cozinha da Matilde e o VegVida. E que bela surpresa com essa receita, a combinação dos sabores da ervilha e do trigo com os temperos do quibe é incrível, e o aroma do vinagrete exalta tudo. Além disso, temos aí uma combinação de proteínas e carboidratos para saciar vegetarianos e onívoros alike e uma opção de almoço leve para esses dias de verão infindável.

Mais uma notícia bombástica para meus queridos leitores. Cá estou eu mais uma vez, de novo, novamente, tentando seguir uma dieta vegetariana, ou seria ovovegetariana. Estou há dois meses firmes e fortes sem sofrer dos problemas que me assolaram da última tentativa. Em breve, marcarei uma consulta com uma nutricionista para checar sobre vitaminas e suplementos. E isso é tudo.

Ah, estou de volta à terrinha (com seus 35ºC numa noite de abril). Por isso, o título. 



Quibe "cru" de ervilha com vinagrete de laranja

Ingredientes para o quibe:
1 xícara de trigo tipo bulgur (para quibe)
1 xícara de ervilha seca partida verde
1 cebola grande, em brunoise
1 dente de alho, em brunoise (sem o grelo central)
2 colheres de sopa de manteiga
Hortelã e salsinha picadas
Pimenta síria
Sal
Suco de 1  limão
Azeite
Sumac e hortelã para decorar

Ingredientes para o molho vinagrete:
1/2 unidade de cebola roxa, brunoise
1 unidade de tomate italiano, sem semente, brunoise
Suco de 1 laranja pera
Azeite
Za'atar
Sal
1/4 colher de chá de água de flor de laranjeira

Modo de preparo:
Lave a ervilha seca em bastante água e ponha para cozinhar com 5 xícaras de água mineral. Quando estiver macia, coe e reserve o líquido de cocção. Amasse levemente as ervilhas como um amassador de feijão, ainda deixando alguns grãos inteiros. No líquido de cocção ainda fervente (mas fora do fogo), hidrate o trigo para quibe já lavado durante meia a uma hora. Pique a cebola em brunoise e caramelize com a manteiga em uma panela em fogo baixo. Escorra o trigo para quibe, pressionando em uma peneira ou etamine para tirar o excesso de líquido. Junte o trigo à ervilha e tempere com a cebola caramelizada, as ervas picadas, pimenta síria, sal, suco de limão e azeite. Prove e corrija o tempero. Ajeite num prato como se fosse um quibe cru de carne, com desenhos de losangos, salpique sumac e decora com folhas de hortelã. Sirva gelado com o vinagrete de laranja,
Para o vinagrete, misture o suco de laranja com a cebola roxa e o tomate picados e tempere com azeite, sal, za'atar e água de flor de laranjeira. Caso não esteja ácido o suficiente, acrescente um pouco de suco de limão ou vinagre,

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Cheesecake de maracujá crudívoro (sem lactose, glúten, açúcar ou ovo)

Boa tarde de mais um dia de verão infernal para todos! Essa publicação é apenas para passar uma receitinha que já foi comentada neste blog. E que, convenhamos, atiça o interesse porque é gelada. Não consigo sequer cogitar ligar o forno ou ficar à beira de um fogão quando o Sol está a pino como hoje.

Uma leitora querida viu a foto do meu cheesecake de maracujá no post Delícias veganas e pediu que eu passasse a receita, pois aqui vai. Eu peço desculpas por nunca tê-la compartilhado antes, mas não tinha fotos boas o suficiente para fazer uma publicação individual da receita. Bom, que isso não me impeça no futuro! Heheh. Estou com planos de fazer uma geleia de ameixas caseira e vou ver se reservo um pouco para fazer um cheesecake desses neste fim de ano. E tiro umas fotos decentes! :p

Essa é uma daquelas receitas incríveis que não leva leite ou derivados, não contém glúten, nem ovo, nem açúcar e ainda assim fica divina. E o que faz ela ficar tão divina? A mãe natureza in all her might, já que nada aqui é industrializado ou processado.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Pão de bicarbonato, o famoso Irish Soda Bread (Daring Bakers)

Resolvi participar desse grupo da rede chamado The Daring Kitchen, que se divide em The Daring Bakers e The Daring Cooks. Lá eles postam desafios culinários (especificamente de confeitaria ou de cozinha) para prepararmos e postarmos fotos e comentários todos os meses.

 For the month of September Meredith from the Poco Loco Olsons challenged us to experiment with soda bread.


O meu primeiro desafio nesse mês de setembro foi o Irish Soda Bread, um pão de origem irlandesa que não leva fermento biológico. Ele depende da reação entre o bicarbonato de sódio e a acidez do buttermilk (leitelho, um tipo de leite azedo), para crescer. O leitelho é um produto comum nos mercados norteamericanos e ingleses, mas aqui nunca o vi em mercado algum. 

O pão de bicarbonatona categoria de quickbread, pães de preparo rápido, nossos famosos pães de minuto. Esse tipo de pão não precisa de descanso para fermentar. Depois que os ingredientes estão misturados, é só moldar e levar ao forno.

É a receita perfeita para um dia corrido. Fica delicioso recém saído do forno, com uma manteiga derretendo, como também têm uma durabilidade boa sem ficar ressecado. O Soda Bread original levava apenas 4 ingredientes, farinha de trigo, buttermilk, sal e bicarbonato. A minha versão é um pouco mais complexa, mas você pode adaptá-la sem problemas. Usei leite de coco e vinagre de cidra para substituir o leitelho, mas você pode e deve usar leite integral e vinagre para recriar o leitelho em casa se não tiver problemas com lactose.



Pão de bicarbonato sem lactose (Irish Soda Bread)

3/4 de xícara de leite de coco
1/2 xícara de água
1 colher de sopa de vinagre de cidra
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de farinha de trigo integral
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá sal
1 colher de chá de semente de cominho
1/3 de xícara de uva passa e tâmara

Pré-aqueça o forno a 180ºC, Misture o leite de coco, a água e o vinagre de cidra e deixe descansar 10 minutos. Pique as tâmaras, junte as uvas passas e deixe hidratando em água. Em um bowl, peneire as farinhas, o bicarbonato e o sal e acrescente as sementes de cominho. Escorra as frutas secas e junte às farinhas. Misture os líquidos aos secos até incorporar completamente. Molde em um círculo achatado e faça dois cortes perpendiculares de uns 2 cm de profundidade. Isso ajudará o pão a crescer por igual. Asse por cerca de 35 minutos até crescer e dourar.


*Para uma receita mais simples, use apenas:
1 e 1/4 xícara de leite integral
1 colher de sopa de vinagre de cidra
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá sal

sábado, 12 de setembro de 2015

Bolo italiano de laranja e azeite

Conforme prometido, aqui segue uma receita doce utilizando o azeite de oliva. Na minha busca por uma receita desse tipo, sabia que podia delegar essa tarefa aos italianos. Eles têm uma tradição forte de acrescentar o azeite a bolos, biscoitos, gelattos, chocolates e tudo o que é doce. Pode parecer um pouco estranho para nós brasileiros acostumados com óleo e manteiga, mas confiem, se não em mim, nos italianos que manjam de confeitaria há alguns séculos a mais que os tupis desse lado do Atlântico.


Resolvi-me por uma receita tradicional com menos probabilidade de desagradar: um bolo de laranja. É quase o bom e velho bolo de laranja da vovó, só mais saudável. Utilizei uma base de receita do bolo 1-2-3-4, alterando um pouco as proporções pois utilizei medidores brasileiros (200mL) e não americanos (240mL). Como a receita é da vovó, não temos peso em gramas nem líquidos em mililitros. É tudo na base da xícara.

Substitui parte da farinha de trigo por amido para dar ainda mais leveza à receita, porém uma boa ideia seria utilizar farinha de amêndoas para criar uma textura diferente. Cobri com açúcar de confeiteiro polvilhado e lascas de amêndoas, mas isso fica a critério da sua criatividade: glacê de limão, calda de açúcar, casca de laranja cristalizada, cobertura de cream cheese, etc.


Só uma última observação, é "o bolo" para o café da tarde: leve, macio, sem esfarelar, úmido, doce na medida, com uma casquinha mais dura na parte superior, derretendo na boca, com o aroma da laranja na primeira mordida e o sabor final do azeite na língua. Não precisa de coberturas complicadas ou caldas. É perfeito por si só. Daqueles que uma só fatia não basta.


Bolo italiano de laranja e azeite (Em xícaras de 200mL)


4 ovos
1 e 1/2 xícara de açúcar refinado
3/4 xícara de azeite de oliva virgem (ou extravirgem, caso queira um sabor mais destacado)
2 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
1/2 xícara de amido de milho
Raspas e suco de 1 laranja-baía e 1 limão-taiti
Água para completar
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de fermento químico
Açúcar de confeiteiro e lascas de amêndoas para polvilhar


Pré-aqueça o forno a 175ºC. Unte e enfarinhe uma forma redonda de 28 cm. Peneire a farinha, amido, bicarbonato e fermento. Meça o suco da laranja e do limão e acrescente água suficiente para completar 1 xícara de líquido. Bata os ovos em temperatura ambiente na batedeira planetária até o ponto de fita. Vá acrescentando o açúcar as poucos enquanto continua a bater. Junte as raspas de laranja e limão e a baunilha e misture. Continue batendo na batedeira e vá adicionando o azeite em fio. Depois de todo incorporado, alterne os secos peneirados e os líquidos, misturando à mão com uma espátula. Despeje na forma preparada e asse no forno aquecido por aproximadamente 1 hora.
Deixe esfriar antes de desenformar e decorar.

sábado, 5 de setembro de 2015

Salada de lula, tomates cereja e vinagre balsâmico - receita de Le Cordon Bleu

Essa receitinha veio direto do Le Cordon Bleu de Londres para meus queridos leitores, do curso de Fish and Shellfish do qual participei durante minhas férias na metrópole britânica. Essa salada de lulas deve ser resfriada antes de ser consumida, mas devo dizer que também é deliciosa assim que sai da panela. Leva bastante azeite de oliva, em homenagem ao post anterior.

Os tomatinhos são praticamente confitados no azeite e sua polpa serve para dar corpo ao molho de azeite, assim como o vinagre balsâmico, que também traz estrutura, acidez e doçura. Os pinoles balanceiam com a gordura e crocância. E o alho potencializa tudo com sua pungência.



Nessa versão, em vez do dente de alho seco, utilizamos o alho verde ou alho fresco, que ainda não passou pelo processo de secagem no escuro. Era um produto muito abundante na primavera inglesa e relativamente barato. Ele tem um sabor mais potente e o talo verde também pode ser utilizado para cozinhar, vale a pena testar!





Salada de lula, tomates cereja e vinagre balsâmico

Ingredientes:
8 lulas médias
50mL de azeite
4 dentes de alho, brunoise
50g de tomate cereja, cortado na metade
50g de tomate cereja amarelo, cortado na metade
20mL de vinagre balsâmico
30g de pinole tostado
Sal

Limpe as lulas, retire a pele, a pena e as nadadeiras. Reserve o corpo e os calamares (tentáculos). Corte a lula em anéis de 1cm, Sue o alho com o azeite numa frigideira quente. Acrescente os tomates cereja à panela e cozinhe até ficarem macios. Deglaceie com o vinagre. Tempere com sal e retire da frigideira, reserve. Sauteie rapidamente os anéis de lula e os calamares. Junte a lula aos tomates e tempere com sal. Acrescente o pinole tostado. Sirva gelado. Serve 4 pessoas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A polêmica do azeite de oliva, aquecer ou não aquecer?

Nos últimos tempos, nossas televisões e computadores estão repletas de discussões quanto à utilização do azeite de oliva sob altas temperaturas. Todos já vimos como alguns alimentos podem ser endemonizados pela mídia em um ano e se tornarem os queridinhos da alimentação saudável no próximo. O azeite sofre dos mesmos problemas, uns nutricionistas afirmam uma coisa, uns pesquisadores descobrem outras, e nós ficamos sem saber quais escolhas tomar com relação à nossa saúde.

Depois de um pouco de pesquisa online, cheguei à conclusão pessoal (digo pessoal porque não sou nutricionista para fazer essas afirmações) de que o azeite é seguro para ser submetido a temperaturas de cozinhar, fritar, grelhar, ou o que seja.

Primeiramente, vamos comentar o ponto de fumaça, que é a temperatura a partir da qual os componentes não-graxos, moléculas de gordura e ácidos graxos livres de um óleo começam a se desnaturar continuamente (e não é precisamente a temperatura a partir da qual ele 'solta fumaça'). Óleos e gorduras menos refinados possuem pontos de fumaça mais baixos pois têm mais componentes não-graxos, por exemplo, os antioxidantes do azeite de oliva.

A partir do ponto de fumaça, todo e qualquer óleo produz compostos oxidativos, como aldeídos, que podem aumentar o risco de doenças cardíacas e câncer, sejam por ingestão ou inalação. O azeite de oliva possui um ponto de fumaça numa temperatura mediana, considerando que a temperatura mais utilizada em frituras varia entre 160-180ºC.

Ponto de fumaça de alguns óleos:
Óleo de coco: 175ºC
Azeite de oliva extravirgem: 195ºC
Óleo de girassol: 212ºC
Óleo de canola: 237ºC

O que devemos destacar nos óleos é a proporção de ácidos graxos saturados, ácidos graxos polinsaturados e ácidos graxos monoinsaturados. Todos os óleos que normalmente usamos para cozinhar possuem os três tipos de ácidos graxos (ou gorduras). Não vamos entrar em muitos detalhes das aulas de química do colegial, mas as gorduras insaturadas possuem uma ligação dupla entre dois átomos de carbono. As polinsaturadas possuem mais de uma ligação dupla, enquanto as monoinsaturadas possuem apenas uma ligação dupla e as saturadas não possuem ligação dupla entre átomos de carbono.

A partir de uma pesquisa realizada no Reino Unido por Martin Grootveld, professor de química bioanalítica e patologia química na universidade De Montfort em Leicester, descobriu-se que óleos que contém mais gorduras polinsaturadas produziram uma maior proporção de aldeídos sob seu determinado ponto de fumaça do que outros óleos.

A segunda coluna da tabela abaixo mostra a porcentagem de gorduras polinsaturadas de cada óleo de cozinha. Adivinha quais óleos produziram mais desses subprodutos tóxicos sob altas temperaturas? Nossos queridinhos óleo de milho e óleo de girassol, utilizados banalmente em qualquer tipo de fritura de imersão. O azeite de oliva possui apenas 10% de polinsaturadas e a manteiga apenas 3%! Claro que ambos possuem quantidades altas de gorduras saturadas, então devemos ingerir em quantidades adequadas a uma dieta saudável.

Composition of some common oils (coloured for degree of stability when cooking)

Fonte: BBC. Trust Me, I'm a Doctor: Which oils are best to cook with? Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/programmes/articles/3t902pqt3C7nGN99hVRFc1y/which-oils-are-best-to-cook-with>

Além disso, devo notar que muitas das substâncias saudáveis do azeite extravirgem se perdem durante o aquecimento, como a vitamina E e os antioxidantes. E ele também traz um sabor característico aos alimentos. Por isso, se você aprecia seu sabor em frituras, use azeite virgem para fritar. O azeite virgem custará menos e você não desperdiçará os nutrientes e o sabor único do azeite extravirgem, que idealmente deve ser usado em vinagretes, finalização, saladas e molhos frios. Claro, nada lhe impede de usar o extravirgem para frituras também.

Resumindo, coma pouca fritura. Se for fritar, frite em manteiga, azeite, banha, gordura de ganso ou óleo de coco.

Logo mais, compartilho duas receitinhas deliciosas com azeite! 

Fontes:
Attya M, Benabdelkamel H, Perri E, et al. Effects of conventional heating on the stability of major olive oil phenolic compounds by tandem mass spectrometry and isotope dilution assay. Molecules. 2010 Dec 1;15(12):8734-46.
Cicerale S, Conlan XA, Barnett NW, et al. Influence of heat on biological activity and concentration of oleocanthal--a natural anti-inflammatory agent in virgin olive oil. J Agric Food Chem 2009;57:1326-30.
BBC. Trust Me, I'm a Doctor: Which oils are best to cook with? Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/programmes/articles/3t902pqt3C7nGN99hVRFc1y/which-oils-are-best-to-cook-with>

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Bolo branco vegano com calda de kinkan

Nos meus últimos meses na cozinha, pude chegar à conclusão certeira de que a confeitaria é uma arte de tentativa e erro. As receitas têm de passar por diversas adaptações de proporções e ingredientes conforme os equipamentos disponíveis, a temperatura e umidade ambientes, a qualidades dos produtos utilizados, entre muitas outras variáveis. Portanto, queridos colegas cozinheiros, não se deixem desanimar por um bolo solado, o ingrediente mais importante da sua receita é a perseverança! Analise, corrija, adapte e tente novamente!


 Os bolos veganos são uma área de expertise completamente nova para mim. Nunca havia preparado bolos que fossem simples e veganos, fofos e saborosos. Um bolo tradicional abrange uma ampla gama de variedades, métodos de preparo e ingredientes, mas geralmente será composto por ovos, farinha e açúcar e eventualmente por aditivos como manteiga ou óleo, leite ou suco, fermento, creme de leite, entre outros.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Brownies proteicos de feijão preto com cobertura de coco e nozes (Vegan German brownies)

Hoje não estou no ápice da inspiração, mas quero publicar essa receita porque o resultado foi satisfatório demais para que ficasse guardado por tantos dias longe dos olhos públicos.

Esses são brownies à base de feijão preto cozido. É uma receita vegana, sem glúten e sem açúcar refinado na massa (dei-me o direito de incluir açúcar na cobertura, mas sinta-se à vontade para retirá-lo). German brownies são uma variação de German chocolate cake, um bolo americano feito com chocolate alemão e coberto com um creme de nozes pecã e coco ralado, uma confusão não? O que importa é que é gostoso!





















terça-feira, 5 de maio de 2015

Estrada de pedregulhos, ou a minha versão adulta do rocky road inglês

Voltei de Londres inspirada. Esse receita poderia ser um simples manual de "Como transformar uma barra de chocolate e ingredientes jogados na despensa em uma sobremesa em 15 minutos". Também cabe na categoria "Como saciar sua vontade estúpida de comer doces de criança" e "Sobremesas que não requerem habilidade nem cozimento". Contudo, acho que a síntese perfeita seria "Como injetar glicose em seu filho e seus amiguinhos para correrem ininterruptamente nas festinhas infantis".

Rocky road é o nome desse doce, tradicional na Inglaterra e nos Estados Unidos. O nome, literalmente traduzido como estrada de pedregulhos, vem da aparência dos ingredientes acrescentados ao chocolate, que lembram um relevo acidentado. A versão inglesa leva chocolate ao leite, biscoitos, marshmallows e uvas-passas, enquanto a americana leva chocolate ao leite, marshmallows e nozes.


Não existe uma receita original, nem certo, nem errado. Você decide o que acrescentar ou o que retirar. E não se preocupe, a possibilidade de ficar ruim é nula. Em que galáxia distante poderia chocolate derretido misturado a porcarias açucaradas ficar ruim? Quando alguém obtiver uma resposta, por favor me avise para que eu possa desviar o trajeto da minha nave interestelar, beijos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sorbet de pitanga

A cada momento me sinto mais atraída pelas frutas brasileiras. Devo confessar que tive meus tempos de adoração pelas frutas vermelhas, maçãs, peras, limão siciliano, ameixas e uvas. Bom, qualquer fruta me exerce uma fascinação incrível, na realidade. Pensar que uma árvore depende da produção de uma carne doce que cresce em volta dos ovários das flores para atrair insetos, mamíferos e humanos que comam essa carne e disseminem suas sementes tem de ser fascinante. É incrível como a natureza pode ser engenhosa, ainda que a passos longos e lentos.

Voltando aos temas tupiniquins, parece-me tão mais natural abraçar o que é nosso, o que produzimos aqui. Ou melhor, o que a natureza produz aqui em nossas terras sem nossa intromissão, pois de fato nós cultivamos todos os tipos de produtos, tradicionalmente brasileiros ou não.

E, confessemos, as frutas brasileiras têm um apelo próprio: não se abrem como as outras, não cedem tão facilmente. Não raramente, são azedas, amargas, com cascas grossas e duras, espinhos, polpa escassa, em árvores altas, azedas, eu já disse azedas? Isso é apenas um dos vários truques da natureza, para dificultar e para nos enlaçar, para dar mais sabor ao prêmio.



Sorbet de pitanga (un hommage a Dom Pedro II)

500g de pitanga madura
100g de açúcar refinado
120mL de água
1/2 fava de baunilha
2 cm de casca de limão (taiti, siciliano, o que preferir - I won't judge)
15 mL de suco de limão
15 mL de cachaça

Retire os caroços das pitangas, bata a polpa no liquidificador e reserve. Faça uma calda de açúcar simples com o açúcar, a água, a baunilha e a casca do limão. Ferva a calda por 5 minutos. Junte entre 60ml - 100 ml da calda à polpa da pitanga e bata novamente. A quantidade de calda depende do gosto pessoal e a qualidade das pitangas, lembrando que a base deve sempre ficar mais doce do que o desejado antes de congelar. Peneire a polpa adoçada e junte o suco de limão e a cachaça. Resfrie essa base em geladeira por 12 horas, antes de processar na sorveteira. Tãdã!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Cuscuz paulista vegetariano e o futuro das algas

Essa receita é um tanto trabalhosa, e é composta por diversos passos para se chegar ao produto final. Há o caldo, os legumes para decoração, os legumes do refogado, os temperos, as ervas, bom, já deu para entender, certo? Espero que isso não configure um fator desmotivador para o leitor, longe de mim! Que seja um prenúncio da qualidade dos sabores envolvidos, capazes de agradar aos mais exigentes carnívoros convictos da família, daqueles que rejeitam qualquer indício de verdura, que abandonam a farofa quando veem pedacinhos de salsinha.





















quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Receitas inspiradas em Alice no País das Maravilhas e o que ela encontrou através do espelho

Através do espelho, o que esse jovem sapeca de cabelos negros encontraria por lá? Um mundo repleto de delícias, animais falantes, cartas armadas com lanças, pessoas loucas, reinos e rainhas, guerras e substâncias alucinógenas perigosas. Será que este é mesmo um livro infantil? Tenho minhas dúvidas.

Quando recebemos a proposta de um trabalho de montagem de um espelho decorado com preparações para a disciplina de Garde Manger, logo delineei a ideia de brincar com a metalinguagem do espelho. O conceito de enxergarmos a nós mesmos em um pedaço de vidro e metal é tema de criações artísticas desde a antiguidade, e, como o universo britânico faz parte da minha cultura desde pequena (tão pequena quanto a pequena Alice), optei por me inspirar no icônico livro de Lewis Caroll para desenvolver as receitas.




sábado, 2 de agosto de 2014

Indulgência de férias, revisitada

Está aí uma palavra com que vinha brincando nos últimos tempos, mas que me enganou sorrateiramente como um falso cognato. Em inglês, "indulge" seria se permitir o prazer de provar algo, de experimentar algo, de se deliciar com algo. Enquanto que, em português, indulgência remete à atitude passiva de perdoar, da disposição de tolerar ou apreciar algo. Porque a vida não poderia ser mais fácil? Palavras semelhantes poderiam ter seguido os mesmos caminhos, sem divergir de sentidos em idiomas distintos.

Mesmo após esse momento de relapso, ainda considero que essa publicação será composta de momentos de indulgência, quando me permiti prazeres oclusos e quando tolerei minha própria atitude oposta aos meus ideais. Será que ficou claro? Se não, as fotos explicam tudo.


Strawberry lava fudge cupcakes (tive um pequeno problema com a cobertura, never mind)

Eu e o Nicholas, meu parceiro de aventuras no Okumura (hahah), colocamos em nossas cabeças a ideia de fazer cupcakes no início das férias. Depois de considerar centenas de sabores, nos decidimos pelo strawberry lava fudge da DC cupcakes. Encontrei a receita exata da loja DC na rede, apenas mudei a cobertura de um simples buttercream americano para um swiss meringue buttercream. Devo dizer que fica muito mais saboroso e menos doce em excesso. O mishap foi que bati novamente o buttercream enquanto estava gelado, não deixei chegar à temperatura ambiente... erro tosco, eu sei. De qualquer forma, foi um dia muito divertido, com compras, preparo e degustação, heheh. Também fiz um risoto de cogumelos para almoçarmos.

Nhoque de cenoura do Guaiao, com castanha de cajú, iogurte, rapadura, um molhinho ácido de cenoura.
Raviolão aberto de frutos do mar com uma emulsão de manjericão

Costelinha de porco ao shoyu, com canjiquinha e shimeji
Outro momento indulgência foi um jantar no Guaiaó, que fazia parte de um evento da cidade chamado Menu Seleção, com menus de preço fechado em diversos restaurantes de Santos durante as semanas da copa. Não poderia perder a oportunidade, é claro. Estava tudo delicioso como sempre. Já conhecia o nhoque de cenoura e não me arrependi de prová-lo novamente, mas o raviolão era uma novidade para mim e surpreendeu meu paladar. Meu amor querido optou pela costelinha com canjiquinha e ambos comemos a cocada com creme de abóbora e raspadinha de graviola de sobremesa. Foi uma das melhores sobremesas que já provei no restaurante, mas esqueci-me de tirar uma foto, a vontade era muito grande, heheh.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Refúgio

Quantas vezes não nos deparamos com mil debates nos aguardando, mil questões a serem minuciosamente levantadas e analisadas,  mas tudo o que buscamos é um refúgio omisso? E seguro, untuoso, úmido, quente, onde todas as possibilidades e respostas se encontram at arm's reach. Lá, nenhum companheiro precisa se debater num mar de confusão e insegurança, com correntes frias que te puxam para baixo. Tudo é simples, o universo é simples, a vida é simples. Espero que um dia você possa encontrar essa compreensão, esse seu refúgio quente.

Massa vegana para pastel integral  assado (ou para tortas)

250g de farinha de trigo integral
1 colher de chá de sal marinha
1/4 colher de chá de fermento químico
60mL azeite
120mL água gelada

Misture a farinha com o sal e o fermento. Despeje o azeite sobre os ingrediente secos e misture com os dedos até que pareça uma farofa úmida. Junte a água gelada e sove bem. Deixe descansar antes de abrir e rechear. Para pasteis assados, abra a uma espessura bem fina, até que se consiga ver sua mão através da massa. Recheie com o que preferir e passe água nas bordas antes de selar o pastel, retirando todo o ar interno. Asse a 180ºC por 20 minutos.

Essa massa também pode ser usada para tortas, nesse caso mantenha a espessura entre 0,3cm e 1cm, dependendo do diâmetro e do peso do recheio. 


Recheio de ricota de amêndoas.


No meu caso, preparei um recheio a base de legumes variados caramelizados lentamente (cebola, alho, cenoura, ervilhas), ricota de amêndoas, rúcula, ervas e figo seco. Parece mistura demais, mas ficaram deliciosos. A ricota de amêndoas é um ingrediente chave, pois deixa o recheio seco o suficiente para não molhar a massa, porém macio o suficiente para ser moldado quando pressionado.


Ps.: Essa é a postagem mais nonsense de toda a história do blog, não me importo. Fico feliz que possa me conceder a hábito de escrever assim, a meu bel-prazer.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Sazonalidade e aspargos malcheirosos

Neste fatídico dia, sinto que devo compartilhar meus sentimentos com vocês. Não me deem importância, só estou me sentindo um tanto poética (da forma menos poética que um ser humano de raciocínio médio poderia se sentir). Queria discutir algumas indignações, mas são tão diversas e incoesas que não sei se devo listá-las todas e metralhá-los, meus leitores, com esses projéteis indignados ou se devo tentar selecioná-las... Dúvidas de escritor principiante. Bom, vou comentando sobre alguns fatos do último semestre e lhes passando minhas observações.

A falta de sazonalidade de maneira geral de produtos de hortifruti me deixa perplexa. Não podemos negar que alguns produtos realmente só estão disponíveis em determinadas épocas do ano, mas outros estão disponíveis o ano todo independentemente de sazonalidade. Refiro-me principalmente a frutas, mas acho que isso poderia se aplicar a outros itens também. Será que sazonalidade é apenas uma forma de dizer, "nós temos o produto, mas está ruim e com baixa quantidade, por isso cobramos mais"? Na minha humilde concepção, sazonalidade se referia ao fato das árvores florarem em diferentes estações do ano, serem polinizadas e darem frutos em suas devidas épocas.

Vim checar uma tabela simples da Ceagesp e, por exemplo, a uva itália está em um período "fraco" neste mês de junho. Inobstante, posso encontrá-la gorda e suculenta em qualquer mercado num raio de 5km. Então, não seria uma questão de qualidade, apenas de quantidade produzida? Que questão mais difícil. Gostaria de saber o que outras pessoas têm a dizer sobre isso...

Após constatar um odor malcheiroso na minha urina durante alguns dias, descobri que tenho os genes de olfato para aspargos. Não se assustem, heheh, foi isso mesmo que vocês leram e essa frase faz todo o sentido do mundo e é de extrema relevância para o tema. O aspargo contém uma substância que altera a essência da nossa urina, mas nem todas as pessoas conseguem sentir essa mudança de odor. Isso aconteceria porque apenas algumas pessoas possuem o gene que as permite sentir o odor diferente provocado pour ma chère asperge.  

Conta a lenda que as limpíssimas ruas de Londres nos séculos passados ficavam empesteadas com o odor da urina aspargada dos seus cidadãos durante a época dos aspargos, que tinham o belo costume de mijar pelos cantos (que hábito condizente com sua civilidade, não, ingleses?). Não é uma bela historinha? Agora me digam se haveria uma história tão redonda a ser contada se não houvesse sazonalidade dos aspargos? Se pudessem encontrar o aspargo durante todos os meses do ano, como é o caso?

Não posso deixar de pensar que parte da culpa é nossa, les restauranteurs bresiliens. A dona de casa não precisa do mesmo produto todo dia, o restaurante precisa. O fictício restaurante francês tem que oferecer o salmão grelhado com aspargos sautée e sauce hollandaise de janeiro a dezembro. Imagina se o cliente chegar lá e não encontrar o bendito salmão com aspargos? Ora, imagino que vá comer outra coisa ou vá embora.

Porque não podemos criar uma cultura de prato do dia, como é comum em países europeus, e abolir os menus de trinta páginas? Assim, não se é obrigado a comprar um produto que não está bom, ou que está caro, ou que não se encontra. Assim, o produtor não é obrigado a utilizar estufas climatizadas, a utilizar mais aditivos químicos e fertilizantes para o legume crescer como se estivesse na época, a cobrar mais do seu comprador.

São tantas as variáveis envolvidas nessa realidade estabelecida que não veja uma solução transformadora no horizonte. Bem, tentem se lembrar disso quando forem ao sacolão nas próximas vezes. O pinhão está bonito hoje, não é?

Peludinhos, laranjinhas, com rosáceas



























Delicioso plumcots, como devo chamá-los amascos ou dameixas?

R$28, 500g.
É, eu sei...


Achei tão linda que tive que compartilhá-la.
Nada de corantes artificiais, este veludo vermelho é natural (confeiteiras que me entendam...)

E um prato feito com aspargos, só para ilustrar mesmo.
Quinua, legumes sauté ao hoisin e aspargos no vapor com hollandaise.


terça-feira, 24 de junho de 2014

Queijo vegetal de pinhão e semente de girassol (Pine nut and sunflower seed vegan cheese)





Aqui vai minha terceira desventura no reino encantado dos queijos vegetais. Um reino tão cheio de passagens secretas e combinações de segredos para suas portas trancadas que, às vezes, é mais fácil recorrer aos queijos animais, mesmo que tragam malefícios à sua saúde.
Como veio a calhar, vou lhes contar que, nos últimos dias, tenho conseguido manter uma dieta 90% livre de lactose e isso se deve ao fato de que minhas aulas já acabaram, não há mais tentações debaixo do meu nariz. Assim, consigo preparar meus substitutos vegetais e não sentir falta dos outros alimentos.
Meu primeiro queijo vegetal foi um queijo cremoso de castanha-de-caju, à base de rejuvelac e mal-sucedido - preciso de novas tentativas com esse caldo fermentado de trigo. O segundo foi de macadâmias, à base de ágar-ágar, textura boa, mas de sabor um pouco decepcionante.
Já este terceiro me conquistou, é o único que não se baseia somente em oleaginosas. Este queijo vegetal é essencialmente produzido a partir de sementes, isto é, a semente seca da flor de girassol e a semente cozida da araucária. Portanto, é um queijo nut-free e que possui um custo de produção menor (nem vou comparar os preços dessas sementes aos da castanha e da macadâmia).
E o que faz esse queijo tão especial? O seu sabor final me traz lembranças da maravilhosa cozinha árabe e do oriente médio com o alho cru, o azeite, o limão, etc. Se quiser exaltar essas características árabes, sinta-se livre para acrescentar um pouco de tahine orgânico. A textura do queijo é um tanto ambígua; firme o suficiente para cortar em fatias, mas cremoso o bastante para espalhar no pão. Deu para entender? Heheh.
Outras adições interessantes a meu ver: pimenta calabresa em flocos, azeitonas, cebolinha, coentro, curry, páprica, sumac, zattar, ervas finas, orégano, tomilho, óleo de gergelim. A receita original, publicada por Bia Gonzaga, contém fumaça líquida (obtida da condensação de vapores da queima de madeira), mas isso me parece mais um ingrediente para caldeirão de bruxa, por isso omiti.


Queijo vegetal de pinhão e semente de girassol

250g de pinhão cozido e descascado
100g de semente de girassol
2 dentes de alho
3 ramos de salsinha (folhas e talos)
1 colher de sopa de linhaça
2 colheres de sopa de missô
1 colher de sopa de sopa de cebola em pó
4 colheres de sopa de azeite extravirgem
1 limão
1/4 colher de chá de sal marinho
1 colher de sopa de molho inglês
1 colher de chá de gengibre em pó
Pimenta-do-reino preta moída
Pimenta tabasco

No dia anterior, cozinhe o pinhão na pressão com bastante água até que fique macio. Deixe a semente de girassol de molho até a manhã seguinte. Descasque os pinhões e escorras sementes de girassol. Em um processador, coloque o pinhão, a semente de girassol, o alho, os talos de salsinha e a linhaça. Processe até virar uma massa. Quando a mistura parecer muito seca e não processar mais, desligue o aparelho e acrescente o misso, o azeite, o suco do limão e a sopa de cebola em pó. Processe até ficar cremoso e homogêneo. Por último, junte as folhas de salsinha, o molho inglês, o gengibre, as pimentas e um pouco de sal se achar necessário. Processe novamente. Coloque num recipiente untado com azeite e aperte bem, evitando deixar bolhas de ar dentro da massa. Reserve na geladeira por 2 horas, desenforme. Guarde tampado, sob refrigeração.



quarta-feira, 11 de junho de 2014

Criatividade e biscoitos Calipso falsários (Calipso copycat sables)

Não posso fazer afirmações generalizadas sobre a sociedade e possuindo uma necessidade intrínseca à minha pessoa de fazê-lo, dar-me-ei o direito de fazer algumas. Será que todas as pessoas sofrem dessas marés de criatividade como as que me atormentam com suas altas e baixas temperamentais? Fico procurando nos cantos do meu cérebro exemplos de grandes criadores, pensadores e filósofos que tenham sofrido com falta de criatividade e, então, percebo que sou uma completa iletrada em questão de ideias e teorias de filósofos, pensadores, físicos e criadores. Por que cargas d'água me preocupo se conheço ou não essas grandes ideias universais? E o meu alterego paladino da paz mundial responde, "Porque você quer saber tudo que há para saber, para poder aproveitar para si e doar para os outros tudo que o que há de bom na vida. E, principalmente, porque você é uma pessoa que se alimenta de conhecimento, seja empírico ou filosófico, e como de conhecimento empírico já basta a cozinha, falta-lhe o conhecimento filosófico". "Adoro essas nossas conversas, they shed such a light on myself".

Voltando à questão da criatividade. Quando nossos talentos de criação nos deixam desamparados por algum tempo, voltamo-nos às ideias de outros. A culinária é um exemplo perfeito de cópia e releitura, pois sempre buscamos receitas testadas e verificadas por outros para então aventurarmo-nos nas mesmas. É difícil, senão impossível, na culinária assim como em outras áreas de trabalho, que um item artístico seja original em sua totalidade. Sempre buscamos referência em outros trabalhos e essa busca e aplicação  pode ser descoberta, consciente ou não.

Assim surgiram estas cópias falsificadas, salafrárias, ordinárias, falsárias dos biscoitos Calipso, da Nestlé. A inspiração nasceu após comprar um pacote de biscoitos para fazer uma torta holandesa caseira e diga-se sorrateiramente que minha versão - apesar de derivada - fica muito mais saborosa. Às vezes, as cópias superam os originais. Todo mundo não acredita que é a Monalisa de Da Vinci lá no Louvre mesmo?

Obs.: Após algumas pesquisas, descobri que existem uns biscoitos Calypso nos EUA, de uma franquia de supermercados chamados Publix, que levam coco, nozes pecã e aveia - mas que não tem relação nenhuma com esta receita. Aqui está uma releitura dos biscoitos Calipso da Nestlé brasileira.


Biscoitos Calipso (tipo sablé)


2 gemas
80g açúcar refinado
80g manteiga (em ponto pomade)
120g farinha de trigo
4g fermento químico
1g sal
75g coco ralado seco
80g chocolate amargo

Peneire a farinha, o fermento e o sal. Branqueie as gemas com o açúcar com um fouet ou na batedeira, junte a manteiga pomade. À mão, junte a farinha e o coco seco e misture bem. Deixe descansar na geladeira por pelo menos 30 minutos. Forre uma assadeira com silpat ou papel manteiga. Abra a massa com um rolo até atingir 3mm de espessura, corte com o cortador desejado e disponha na assadeira com uma distância de 2 cm entre si. Deixe descansar por mais 30 minutos na geladeira,

enquanto isso pré-aqueça o forno a 170ºC. Asse por aproximadamente 15 minutos ou até as bordas começarem a dourar levemente. Não deixe dourar demais ou ficarão com sabor queimado.


Esfrie os biscoitos sobre uma grade. Derreta e tempere o chocolate (ou use chocolate tipo cobertura) e cubra os biscoitos sem deixar escorrer pelas laterais. Enquanto ainda não estiver cristalizado, use um palito de dente para fazer o desenho característico dos Calipso: faça três riscos de um lado, vire 90º e faça mais três riscos. Rende 25 biscoitos.





domingo, 16 de março de 2014

Delícias veganas - Cheesecake crudívoro de maracujá, Tagliarini de pupunha, Dahl de lentilha vermelha, Amanteigados veganos, Muffins de centeio e chocolate

Não me recordo se cheguei a comentar aqui, se sim me perdoem pela repetição. Estou trabalhando (quer dizer, estagiando) em um restaurante japonês aqui em Santos, chamado Okumura desde novembro do ano passado. Ando tão cheia de preocupações com faculdade e trabalho que mal resta tempo para cuidar de mim mesma, imaginem para escrever no blog...

Também ando desandando com a alimentação... comendo muitos doces, engordando, comendo laticínios que não me fazem bem. Tudo isso porque não tenho tempo de fazer os doces que posso comer, e acabo ficando tentada com outros quitutes (especialmente os da faculdade). Essa semana me mantive bem na dieta sem lactose, tive apenas um deslize ontem com um bolo do aniversário da minha cunhada que estava na geladeira clamando por ser mastigado por essa boca aqui. Os efeitos foram piores que os de costume, parece que minha intolerância anda mais agravada.

Estas lindas fotos abaixo foram o que fiz quando tive tempo. Sinto que cada vez me sinto mais inclinada à confeitaria vegana, a aprimorá-la e torná-la cada vez mais deliciosa para todos!

Cheesecake crudívoro de maracujá (Raw Passionfruit Cheesecake)
(nevermind the foil paper)

A base é de tâmaras, nozes e cacau, o creme do meio é de castanha de caju e baunilha, e o creme superior é de castanha de caju e geleia de maracujá caseira. O bom desse doce é que ele deve ser congelado e as sobras podem (e devem) ser mantidas no congelador, ou seja ele dura um bom tempo para saciar as lombrigas intolerantes dessa que vos escreve


Tagliarini de pupunha com molho de tomate e manjericão
(Heart of palm tagliarini with tomato basil sauce)


Comprei um pupunha outro dia, deveria ter 60 cm. A parte interna, mais macia, assei e servi com azeite e ervas. Com as partes um pouco mais dura, mas comestíveis, preparei esse taglarini. É só passar o pupunha no mandoline, branquear em água fervente com sal por uns 2 min e servir com o molho de sua preferência.


Bife vegetal, arroz integral, repolhos refogados com kümmel e dahl de lentilha vermelha com pasta de tamarindo
(Vegan steak, whole grain rice, cabbage with kümmel, and red lentil dahl with tamarind paste)


Parece uma mistura maluca, mas devo dizer que os preparos se complementaram tanto em cor quanto em sabor. Usei pela primeira o bife vegetal da marca Quebra-Cabeça e devo dizer que a textura não me agradou tanto quanto o sabor. Fica um tanto gelatinoso no centro, acho que é muita goma xantana, mas o sabor de feijão e pimenta-do-reino passa bem como carne.

O dahl de lentilha vermelha é um prato que está na minha listagem há tempos. Vou passar umas instruções básicas aqui: sue 1 cebola pequena e 2 dentes de alho em brunoise no azeite (ou no ghee), acrescente 1 colher de chá de cúrcuma, 1 colher de chá de cominho, 1 colher de chá de páprica, 1 colher de chá de coentro,1 colher de chá de gengibre em pó (ou um pedaço de 1 cm de gengibre descascado), uma pitada de pimenta caiena. Frite bem os temperos (sem queimar), adicione 1/2 xícara de lentilha vermelha, 1 tomate concassé, 80 mL de extrato de tomate e 2 xícaras de caldo de legumes caseiro. Cozinhe por 20 minutos com a panela tampada. Acrescente uma colher de sopa de pasta de tamarindo (aquela que é líquida, não é o tamarindo seco, nem a polpa, nem o concentrado). Deixe reduzir com a panela aberto por 10 minutos até ganhar uma consistência mais espessa. Corrija o sal e sirva.


Amanteigados veganos com lavanda e chocolate - método de pâte sucrée
(Vegan lavander butter cookies drizzled with chocolate)


Esses lindos biscoitinhos acima são segredo de estado, heheheh, ainda não acertei a receita como queria. Posso liberar a informação de que são feitos com uma manteiga batida vegana à base de óleo de coco extravirgem e azeite de oliva extravirgem (50/50).


Muffins de centeio e cacau - com gengibre cristalizado ou com pedaços de chocolate orgânico
(Chocolate rye muffins - with candied ginger or organic chocolate chunks)




A farinha de centeio combinada ao cacau é uma combinação inesperada que funciona perfeitamente, o amargor do centeio, do cacau e do azeite se complementam e não são sobrepujantes, casando com a maciez do bolinho. Quando encontrei essa receita, descobri que é costume nos países nórdicos comer uma fatia de pão de centeio com uma plaquinha de chocolate amargo finíssima vendida especialmente para esse propósito. Imaginem, essa plaquinha - chamada pålægschokolade - derretendo libertinosamente sobre o pão de centeio quente... omfg.

Omiti a flor de sal da receita original, não por não gostar de chocolate e sal, pelo contrário, eu adoro a combinação. No entanto, como a combinação de centeio e cacau já era algo novo, quis limitar as inovações gastronômicas para não confundir meu paladar heheh. A alguns muffins, adicionei fatias de gengibre cristalizado que conferiram um oomph diferenciado. Por sinal, não é uma receita vegana, apenas sem lactose. Aos muffins com pedaços de chocolate, usei o Chokolah 60% e, infelizmente, arrependi-me de usar essa marca de chocolate. Esse chocolate especificamente contém muitos traços de outros produtos que ficam notáveis no paladar, especialmente hortelã. Uma observação; se você quiser ver meu sorriso amarelo, dê-me uma mentinha de chocolate - urgh.

Por fim, umas fotos do meu bolo de aniversário - que em nada se assemelha aos preparos anteriores - repleto de ovos e creme de leite. Seguindo uma receita da Lenôtre, fiz uma Sachertorte divina. A massa do tipo biscuit levava marzipã e havia dois recheios, um ganache amargo e um purê de damascos. Essa também foi a minha primeira tentativa com glaçage, tudo correu bem. Decorei com uns desenhos de chocolate e corante dourado em pó.


Maçarico caseiro - aforma mais rápida de se acender velas de aniversário
Os brigadeiros também era brigadeiros comuns, hahah.
Ganhando uma máquina de abrir e cortar massas dos meus pais. É uma Atlas 150 da Marcato, uma das melhores que existem :D (eles receberam a dica da minha cunhada gourmet heheh)
Aguardem muitas receitas de massas! :)