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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Casa Mathilde, doçaria tradicional portuguesa e objeto do meu afeto

Existem amores que demoram a se desenrolar e a criar laços e raízes e que, mesmo então, parecem nunca ter conquistado nosso âmago. Por outro lado, e é certo que sempre há um outro lado, existem amores à primeira vista que chegam avassaladores varrendo tudo que havia antes... sim, sim, clichê é comigo mesmo.

Ontem pela manhã - saindo do metrô São Bento e revivendo o caminho que repeti durante quase um ano de trabalho em São Paulo - encontro, oras pois, um local inédito na esquina da Praça Antônio Padro, moderno e iluminado, com vidros que se estendem por dois andares, exibindo como joias raras nas vitrines seus charmosos pastéis de nata . Com tal ambiente convidativo, meu cérebro foi lento demais para pensar duas vezes ("Será que é muito caro, devo entrar?") e minhas pernas seguiram o caminho da minha vontade.

Fonte: Página da Casa Mathilde no Facebook
Posso afirmar que não me arrependi, na verdade fiquei encantada com esse recinto de doces portugueses - mistura de café, confeitaria, padaria. A loja é longa e levei uns cinco minutos para percorrê-la até o final, observando o balcão repleto de delícias. Primeiramente, há alguns salgados recheados como se encontra em um café, não tenho mais detalhes a dar porque realmente não prestei-lhes muita atenção. Depois, vêm os mais variados doces, biscoitos, bolos, rocamboles, pasteis, pães... ai ai. Em frente ao balcão, há mesas e bancos acolchoados para se sentar e também há um segundo andar com mais mesas e cadeiras. No fundo da loja, fica a cozinha que é visível aos clientes com um enorme vidro. E pelo que entendi, a fábrica própria fica no terceiro piso.

Uma das coisas que mais me cativou nessa loja - sem mencionar os doces incríveis - foi o tamanho. É simplório da minha parte, mas dá uma sensação de importância entrar num desses lugares grandes e arejados, iluminados, com teto alto. Os preços também foram essenciais para estabelecermos nosso amor. Não são absurdos, pelo contrário, senti que a qualidade do produto valeu o preço.

A Casa Mathilde é uma doçaria tradicional de Portugal fundada em 1850 em Sintra e que ficou famosa por se tornar a fornecedora oficial de queijadinhas à Casa Real depois que D. Fernando II se apaixonou pelo quitute em uma viagem à cidade. A doçaria portuguesa fechou em 1974 e agora veio ao Brasil pelas mãos de um dos herdeiros da Dona Mathilde. Segundo o Estadão, o investimento na loja foi de 5 milhões, e já pretendem abrir filiais em outros bairros paulistas. Além disso, teriam trazido da terra-mãe dois mestres pasteleiros a quem cabe o segredo dos cremes e recheios (que são preparados separadamente na "casa dos cremes" ou "casa dos segredos", pois nem os sócios podem entrar lá!).

Na minha visita, fui modesta e escolhi uma Noz de Galamares, um docinho de gemas e amêndoas coberto com caramelo e nozes. E tomei um cafézinho Segafredo, muito bem tirado por sinal. Trouxe para casa biscoitinhos de azeite e mel e biscoitinhos de canela, também aprovados!


Lembro-me de ver pastéis de nata, cones com recheio de chocolate, bolos de arroz, queques, torta de amêndoas, biscoitinhos variados, salaminhos (ou salamões, pois eram enormes!), croissants, bolas de Berlim (massa frita recheada com creme de confeiteiro), travesseiros de Sintra, paulmiers monstruosos cobertos com fondant, e queijadas (que me arrependo de não ter provado, já que ainda não conhecia a história). Ah, sim, e muitos suspiros, porque não só de gema se faz um ovo, minha gente...

Pastéis de Belém e Travesseiros de Sintra  - Fonte: Página da Casa Mathilde no Facebook
Só me arrependo de não haver tirado mais fotos, mas procurem pela rede que encontrarão diversas. Abertos há dois meses, já estão indicados ao prêmio Comer e Beber da Veja na categoria doceria. Funcionam das 9h às 19h30 durante a semana e das 9h Às 15h30 aos sábados. Confiram a Casa Mathilde - Doçaria Tradicional Portuguesa e sua página no Facebook.

sábado, 27 de julho de 2013

Pode pão sem farinha? O pão essênio diz que pode

A cada dia que voa, sinto com mais veemência que algo me impele com força em direção à pâtisserie. Sim, adoro a cozinha, adoro preparar refeições, principalmente asiáticas e vegetarianas, mas isso já é assunto para outros textos. O que mais preparo, no entanto, são pães e doces e não tenho muitas medidas a tomar com relação a isso. Adoro um bom doce, não posso negar, e, indubitavelmente, acabo preparando esse tipo de comida com mais frequência porque é o que mais sinto vontade de apreciar, mas será que também acabarei trabalhando com isso? Só o tempo dirá, não é mesmo? Ah, mas os sonhos têm inconsciência própria e decerto têm as ideias mais bem colocadas do que as nossas consciências atribuladas com insignificâncias cotidianas, e eles me pintam preparando massas numa boulangerie ou docinhos numa confeitaria... ai, ai.


Este ano fui ao Tanabata Matsuri de São Paulo no dia 7/7. Não sabíamos de nada e como havia ido visitar meu irmão e cunhada, acabamos dando uma passadinha na Liberdade à tarde antes de voltar ao território praiano. Lá nos deparamos com uma multidão de otakus assistindo a bandas cover desafinadas (produção, faça-me o favor de consertar isso?) e pessoas comuns como nós que tentavam caminhar desajeitadamente. A feirinha estava montada na praça e pode se imaginar a bagunça. Dificuldades a parte, a decoração estava muito graciosa com as lanternas e fitas coloridas e as tiras de papel com pedidos e desejos penduradas em árvores e bambus.

Singela pochete
Depois de visitar as lojas de sempre e encontrar a Itikiri Bakery como se houvesse sido saqueada (juro, não havia nada na vitrine), levei meus pais para tomar um bubble tea ou pobá, como queiram, na Tea Station Drinks ali na Rua da Glória. Também lá os otakus saqueadores haviam passado a rapa (no offense) e não havia mais pobá, portanto nada de bolinhas de tapioca nos nossos chás... :( Tomei um oolong com caramelo e gelatina de coco, se a memória não me falha.

Odeio cardápios complexos...

Bom, o que mais andou rolando e circulando e redondando por acá? Eu vos mostro:

Projeto de quilling inacabado, darei de presente atrasado de aniversário a meu maninho querido do coração s2 s2 
Uma moreninha americana suada e orgânica que veio do Mercadão
Frutas da semana: peras d'anjou, cerejas, limões, um kiwi solitário, pêssegos achatados do paraguai (adoráveis, não?) e maçãs pink lady (juro que não estourei a cor no photoshop, é natural)

E o que tudo esse asiatismo e exagero de fotos para compensar o post anterior tem que ver com a receita de hoje? Absolutamente nada. A receita-explicação de hoje é de um pão essênio, um pão das antigas, lá da época do nosso amigo Jesus, preparado com grãos de trigo brotados. Usem grãos de trigo orgânicos por favor, já que eles não serão cozidos e você vai consumir toda a casca. Eu fiz com 300 g de trigo e obtive um pão pequeno, não recomendo quantidade menor do que essa, mas não há medidas


Pão essênio

Lave os grãos e deixe de molho durante a noite com pelos menos o dobro de água filtrada. Lave novamente pela manhã, escorra e ponha para brotar em uma peneira ou em um vidro. Use um tipo de redinha para cobrir a boca do vidro ou a peneira, para que os grãos fiquem arejados. Durante o dia, deixe em local iluminado, mas não sob o sol direto. Repita o processo de lavagem (sempre escorrendo bem) a cada 4 horas aproximadamente, durante dois dias. Diminua ou aumente o intervalo conforme a temperatura ambiente: se estiver muito calor, lave mais frequentemente e vice-versa. Quando os narizinhos de broto começarem a despontar, triture os grãos no processador até formar uma massa. Cubra essa massa com plástico filme e deixe na geladeira durante 2 dias para desenvolver o sabor e a acidez. Molde como desejar, enfeite com as sementes preferidas (usei gergelim e umas folhinhas de manjericão) e seque ao sol (se o seu clima permitir) ou num forno baixinho em forma untada durante uma meia hora.

Narizinhos
Trança circular moldada

Pão prontinho, ficou com aquela textura granulosa de pão de centeio, adorei.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Gastos e andanças na Liberdade

Buenos dias, queridos leitores! Essa sucessão de feriados me deixou mais animada, dá para perceber, né? Devo dizer que também me deixou mais preguiçosa na cozinha, não andei fazendo muitas coisas. Logo mais, posto a receita de um pão de iogurte e ervas que está literalmente no forno. No entanto, tenho outra explicação sensata e plausível; estava escrevendo uma nova matéria para o Yahoo. Dessa vez, o tema foi a harmonização de cervejas e chocolate e pretendo publicar em breve uma receita de usando esses dois ingredientes (any guesses?).

Bom, vamos começar com os gastos e andanças. Como tive de trabalhar na última sexta-feira, 16 de novembro, aproveitei para ir à Liberdade. Até tentei me aventurar pela 25 de Março em busca de um xarope de romã, cheguei à metade da primeira quadra da Ladeira Porto Geral, vi um contínuo intransponível de pessoas como pinguins imperiais agrupados durante uma nevasca e desisti. Simples assim.

Já no bairro dos asiáticos, fui à Mercearia Towa, ótima para mim porque fica pertinho na praça e imbatível quando se procura itens tailandeses e da marca Lee Kum Kee (eles têm qualquer molho imaginável e inimaginável). Não me deixei influenciar pela perdição dos docinhos de anko e biscoitos de gergelim e passei obstinada em direção aos mantimentos. Consegui encontrar um funcionário para me ajudar (milagre), que na verdade era uma velhinha simpática e que entendia a minha língua ocidental (milagre nº 2). Ela me apontou na direção do ágar-ágar.

Bolo da lua chinês (mencionado abaixo), ágar-ágar e farinha de arroz
 O pacote de gelatina ágar-ágar que comprei vem com 100 g e custou R$ 5,00. Havia um pacote de outra marca que continha duas embalagens individuais de 5 g e custava R$ 2,40, custo benefício igual a zero obviamente. Há algum tempo estava querendo farinha de arroz para mochi, R$ 5,00 o pacote de meio quilo. Aguardem deliciosos mochis e daifuku mochi! (ps: comprei a farinha errada! hahah deveria ter comprado a farinha de arroz glutinoso)

Também havia uma versão triturada vendida em potes, mas preferi au naturel
Fui seduzida pelo açúcar de palma (R$ 5,00, oito torrões, 400 g), uma aquisição um pouco impulsiva, mas de que definitivamente não me arrependi. Não conhecia os benefícios do açúcar de palma, feito a partir da seiva da palmeira e muito utilizado na culinária tailandesa (must-have em curries com leite de coco). Ele não é refinado, por isso tem um tom mais amarelado. Lembra um pouco o açúcar mascavo, mas seu sabor é mais delicado e sua textura é de rapadura. É considerado uma das alternativas mais saudáveis ao açúcar branco, junto ao néctar de agave e outros, pois seu índice glicêmico é baixo. Ou seja, ele não ocasiona os altos picos no nível de açúcar no sangue como o açúcar refinado, consequentemente a queda da glicemia não é tão alta e você não sente uma fome insana passado algum tempo. O que não significa que possua menos calorias, na verdade a proporção de calorias é praticamente igual.

Mais um impulso, minha última aquisição na Liberdade foi um docinho chinês, o bolo da lua (mooncake), um doce indispensável no Festival da Lua ou Festival do Meio do Outono, em que se comemoram as colheitas do verão e a Lua está mais cheia do que nunca. Consiste numa massa em um molde clássico recheada geralmente com doce de anko (pasta de feijão azuki) ou pasta de semente de lótus com gemas. Sempre me deparo com ele em blogues chineses e tailandeses e fiquei curiosa para experimentar. Custou exorbitantes R$ 5,00 e me senti extorquida. Mais tarde, quando o comi, me senti ludibriada. A embalagem dizia que continha apenas anko, mas havia outras sementes e coisas indistinguíveis e o sabor parecia de algo estragado. Arrependi-me, mas continuarei na busca pelo verdadeiro bolo da lua.

Balas "Gelinda" com açúcar mascavo
Last but not least, um pacotinho de balinhas de gergelim muito boas da marca Istambul que encontrei no Godinho. Sou meio viciada em balas e chicletes. Ainda não aguentei um dia inteiro sem eles desde que comecei a trabalhar em São Paulo. São essas pequenas bobagens que alegram as tardes das sextas-feiras depois de feriados.