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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Receitas inspiradas em Alice no País das Maravilhas e o que ela encontrou através do espelho

Através do espelho, o que esse jovem sapeca de cabelos negros encontraria por lá? Um mundo repleto de delícias, animais falantes, cartas armadas com lanças, pessoas loucas, reinos e rainhas, guerras e substâncias alucinógenas perigosas. Será que este é mesmo um livro infantil? Tenho minhas dúvidas.

Quando recebemos a proposta de um trabalho de montagem de um espelho decorado com preparações para a disciplina de Garde Manger, logo delineei a ideia de brincar com a metalinguagem do espelho. O conceito de enxergarmos a nós mesmos em um pedaço de vidro e metal é tema de criações artísticas desde a antiguidade, e, como o universo britânico faz parte da minha cultura desde pequena (tão pequena quanto a pequena Alice), optei por me inspirar no icônico livro de Lewis Caroll para desenvolver as receitas.




quarta-feira, 11 de junho de 2014

Criatividade e biscoitos Calipso falsários (Calipso copycat sables)

Não posso fazer afirmações generalizadas sobre a sociedade e possuindo uma necessidade intrínseca à minha pessoa de fazê-lo, dar-me-ei o direito de fazer algumas. Será que todas as pessoas sofrem dessas marés de criatividade como as que me atormentam com suas altas e baixas temperamentais? Fico procurando nos cantos do meu cérebro exemplos de grandes criadores, pensadores e filósofos que tenham sofrido com falta de criatividade e, então, percebo que sou uma completa iletrada em questão de ideias e teorias de filósofos, pensadores, físicos e criadores. Por que cargas d'água me preocupo se conheço ou não essas grandes ideias universais? E o meu alterego paladino da paz mundial responde, "Porque você quer saber tudo que há para saber, para poder aproveitar para si e doar para os outros tudo que o que há de bom na vida. E, principalmente, porque você é uma pessoa que se alimenta de conhecimento, seja empírico ou filosófico, e como de conhecimento empírico já basta a cozinha, falta-lhe o conhecimento filosófico". "Adoro essas nossas conversas, they shed such a light on myself".

Voltando à questão da criatividade. Quando nossos talentos de criação nos deixam desamparados por algum tempo, voltamo-nos às ideias de outros. A culinária é um exemplo perfeito de cópia e releitura, pois sempre buscamos receitas testadas e verificadas por outros para então aventurarmo-nos nas mesmas. É difícil, senão impossível, na culinária assim como em outras áreas de trabalho, que um item artístico seja original em sua totalidade. Sempre buscamos referência em outros trabalhos e essa busca e aplicação  pode ser descoberta, consciente ou não.

Assim surgiram estas cópias falsificadas, salafrárias, ordinárias, falsárias dos biscoitos Calipso, da Nestlé. A inspiração nasceu após comprar um pacote de biscoitos para fazer uma torta holandesa caseira e diga-se sorrateiramente que minha versão - apesar de derivada - fica muito mais saborosa. Às vezes, as cópias superam os originais. Todo mundo não acredita que é a Monalisa de Da Vinci lá no Louvre mesmo?

Obs.: Após algumas pesquisas, descobri que existem uns biscoitos Calypso nos EUA, de uma franquia de supermercados chamados Publix, que levam coco, nozes pecã e aveia - mas que não tem relação nenhuma com esta receita. Aqui está uma releitura dos biscoitos Calipso da Nestlé brasileira.


Biscoitos Calipso (tipo sablé)


2 gemas
80g açúcar refinado
80g manteiga (em ponto pomade)
120g farinha de trigo
4g fermento químico
1g sal
75g coco ralado seco
80g chocolate amargo

Peneire a farinha, o fermento e o sal. Branqueie as gemas com o açúcar com um fouet ou na batedeira, junte a manteiga pomade. À mão, junte a farinha e o coco seco e misture bem. Deixe descansar na geladeira por pelo menos 30 minutos. Forre uma assadeira com silpat ou papel manteiga. Abra a massa com um rolo até atingir 3mm de espessura, corte com o cortador desejado e disponha na assadeira com uma distância de 2 cm entre si. Deixe descansar por mais 30 minutos na geladeira,

enquanto isso pré-aqueça o forno a 170ºC. Asse por aproximadamente 15 minutos ou até as bordas começarem a dourar levemente. Não deixe dourar demais ou ficarão com sabor queimado.


Esfrie os biscoitos sobre uma grade. Derreta e tempere o chocolate (ou use chocolate tipo cobertura) e cubra os biscoitos sem deixar escorrer pelas laterais. Enquanto ainda não estiver cristalizado, use um palito de dente para fazer o desenho característico dos Calipso: faça três riscos de um lado, vire 90º e faça mais três riscos. Rende 25 biscoitos.





domingo, 16 de março de 2014

Delícias veganas - Cheesecake crudívoro de maracujá, Tagliarini de pupunha, Dahl de lentilha vermelha, Amanteigados veganos, Muffins de centeio e chocolate

Não me recordo se cheguei a comentar aqui, se sim me perdoem pela repetição. Estou trabalhando (quer dizer, estagiando) em um restaurante japonês aqui em Santos, chamado Okumura desde novembro do ano passado. Ando tão cheia de preocupações com faculdade e trabalho que mal resta tempo para cuidar de mim mesma, imaginem para escrever no blog...

Também ando desandando com a alimentação... comendo muitos doces, engordando, comendo laticínios que não me fazem bem. Tudo isso porque não tenho tempo de fazer os doces que posso comer, e acabo ficando tentada com outros quitutes (especialmente os da faculdade). Essa semana me mantive bem na dieta sem lactose, tive apenas um deslize ontem com um bolo do aniversário da minha cunhada que estava na geladeira clamando por ser mastigado por essa boca aqui. Os efeitos foram piores que os de costume, parece que minha intolerância anda mais agravada.

Estas lindas fotos abaixo foram o que fiz quando tive tempo. Sinto que cada vez me sinto mais inclinada à confeitaria vegana, a aprimorá-la e torná-la cada vez mais deliciosa para todos!

Cheesecake crudívoro de maracujá (Raw Passionfruit Cheesecake)
(nevermind the foil paper)

A base é de tâmaras, nozes e cacau, o creme do meio é de castanha de caju e baunilha, e o creme superior é de castanha de caju e geleia de maracujá caseira. O bom desse doce é que ele deve ser congelado e as sobras podem (e devem) ser mantidas no congelador, ou seja ele dura um bom tempo para saciar as lombrigas intolerantes dessa que vos escreve


Tagliarini de pupunha com molho de tomate e manjericão
(Heart of palm tagliarini with tomato basil sauce)


Comprei um pupunha outro dia, deveria ter 60 cm. A parte interna, mais macia, assei e servi com azeite e ervas. Com as partes um pouco mais dura, mas comestíveis, preparei esse taglarini. É só passar o pupunha no mandoline, branquear em água fervente com sal por uns 2 min e servir com o molho de sua preferência.


Bife vegetal, arroz integral, repolhos refogados com kümmel e dahl de lentilha vermelha com pasta de tamarindo
(Vegan steak, whole grain rice, cabbage with kümmel, and red lentil dahl with tamarind paste)


Parece uma mistura maluca, mas devo dizer que os preparos se complementaram tanto em cor quanto em sabor. Usei pela primeira o bife vegetal da marca Quebra-Cabeça e devo dizer que a textura não me agradou tanto quanto o sabor. Fica um tanto gelatinoso no centro, acho que é muita goma xantana, mas o sabor de feijão e pimenta-do-reino passa bem como carne.

O dahl de lentilha vermelha é um prato que está na minha listagem há tempos. Vou passar umas instruções básicas aqui: sue 1 cebola pequena e 2 dentes de alho em brunoise no azeite (ou no ghee), acrescente 1 colher de chá de cúrcuma, 1 colher de chá de cominho, 1 colher de chá de páprica, 1 colher de chá de coentro,1 colher de chá de gengibre em pó (ou um pedaço de 1 cm de gengibre descascado), uma pitada de pimenta caiena. Frite bem os temperos (sem queimar), adicione 1/2 xícara de lentilha vermelha, 1 tomate concassé, 80 mL de extrato de tomate e 2 xícaras de caldo de legumes caseiro. Cozinhe por 20 minutos com a panela tampada. Acrescente uma colher de sopa de pasta de tamarindo (aquela que é líquida, não é o tamarindo seco, nem a polpa, nem o concentrado). Deixe reduzir com a panela aberto por 10 minutos até ganhar uma consistência mais espessa. Corrija o sal e sirva.


Amanteigados veganos com lavanda e chocolate - método de pâte sucrée
(Vegan lavander butter cookies drizzled with chocolate)


Esses lindos biscoitinhos acima são segredo de estado, heheheh, ainda não acertei a receita como queria. Posso liberar a informação de que são feitos com uma manteiga batida vegana à base de óleo de coco extravirgem e azeite de oliva extravirgem (50/50).


Muffins de centeio e cacau - com gengibre cristalizado ou com pedaços de chocolate orgânico
(Chocolate rye muffins - with candied ginger or organic chocolate chunks)




A farinha de centeio combinada ao cacau é uma combinação inesperada que funciona perfeitamente, o amargor do centeio, do cacau e do azeite se complementam e não são sobrepujantes, casando com a maciez do bolinho. Quando encontrei essa receita, descobri que é costume nos países nórdicos comer uma fatia de pão de centeio com uma plaquinha de chocolate amargo finíssima vendida especialmente para esse propósito. Imaginem, essa plaquinha - chamada pålægschokolade - derretendo libertinosamente sobre o pão de centeio quente... omfg.

Omiti a flor de sal da receita original, não por não gostar de chocolate e sal, pelo contrário, eu adoro a combinação. No entanto, como a combinação de centeio e cacau já era algo novo, quis limitar as inovações gastronômicas para não confundir meu paladar heheh. A alguns muffins, adicionei fatias de gengibre cristalizado que conferiram um oomph diferenciado. Por sinal, não é uma receita vegana, apenas sem lactose. Aos muffins com pedaços de chocolate, usei o Chokolah 60% e, infelizmente, arrependi-me de usar essa marca de chocolate. Esse chocolate especificamente contém muitos traços de outros produtos que ficam notáveis no paladar, especialmente hortelã. Uma observação; se você quiser ver meu sorriso amarelo, dê-me uma mentinha de chocolate - urgh.

Por fim, umas fotos do meu bolo de aniversário - que em nada se assemelha aos preparos anteriores - repleto de ovos e creme de leite. Seguindo uma receita da Lenôtre, fiz uma Sachertorte divina. A massa do tipo biscuit levava marzipã e havia dois recheios, um ganache amargo e um purê de damascos. Essa também foi a minha primeira tentativa com glaçage, tudo correu bem. Decorei com uns desenhos de chocolate e corante dourado em pó.


Maçarico caseiro - aforma mais rápida de se acender velas de aniversário
Os brigadeiros também era brigadeiros comuns, hahah.
Ganhando uma máquina de abrir e cortar massas dos meus pais. É uma Atlas 150 da Marcato, uma das melhores que existem :D (eles receberam a dica da minha cunhada gourmet heheh)
Aguardem muitas receitas de massas! :)

domingo, 17 de março de 2013

Rosquinhas de cerveja for St. Paddy's

Inspirada pelo espírito alcoolico que permeia as festa de São Patrício, padroeiro da Irlanda que, coitado, creio que nada tinha a ver com tanta bebedeira, resolvi assar um biscoitos de cerveja. Como todo irlandês que se preze preza a bebida, a festa de São Patrício do dia 17 de março é regada a cerveja e receitas de assados com cerveja, tortas salgadas e bolos com cerveja stout inundaram a rede na última semana.

Quase que não me resta tempo, mas consegui entrar na onda verde heheh. Na verdade, esses biscoitinhos se chamam "Rosquinhas alemãs" no meu livro relíquia da Dona Benta, Comer Bem, de 1965. Questões terminológicas a parte, o que importa é o teor alcóolico. Usei uma Bohemia comum. Achei que o aroma da cerveja predominou no início, quando misturava a massa, mas foi se dissipando e, nos biscoitos prontos, ficou imperceptível. Na próxima tentativa, vou reduzir a cerveja para concentrá-la antes de incorporar à massa.



Rosquinhas de cerveja

400 g de farinha de trigo
200 g de manteiga amolecida
175 mL de cerveja pilsen
1 pitada de sal
Açúcar cristal demerara

Misture a farinha, a manteiga e a cerveja em uma vasilha. Adicione o sal. Se a massa parecer um pouco líquida demais, coloque mais farinha. Em meu caso, coloquei duas colheres de sopa de farinha de trigo integral por preguiça de abrir outro pacote de farinha. Despeje o açúcar num prato. Molde as rosquinhas, passe-as no açúcar e coloque para assar a 200º C por 15 a 20 minutos.

E só, é muito simples. Também pretendo testar essa receita com outros líquidos, raspas de limão, canela e por aí vai. Boa bebedeira para você que saiu de casa com uma Guinness na mão para ir colher shamrocks na terra dos leprechauns. Não é o meu caso.



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Biscoitos Recheados de Figo (com massa de chia e aveia)


Sou mentalmente inquieta, meus pensamentos não sossegam um segundo. Às vezes, tenho dificuldade para pregar o olho, porque há tantas coisas interessantes para ler e aprender e descobrir e me inteirar... Quem me conhece jamais diria isso, diria: “Não conheço garota mais sossegada, você é muito calma e zen”. E eu retrucaria com toda polidez: “Imagina, não sou calma, sou normal”. Obviamente, estaria mentindo, pois normal nunca fui, sempre fui inquieta na mente. É o que é ser normal, mesmo?

Bom, tudo isso para dizer que as receitas me atormentam, são como fantasmas arrastando correntes cujos ruídos não me deixam dormir e como diabinhos e anjinhos nos lóbulos de minhas orelhas atravancados num eterno bate-boca. “Mas e se substituísse por farinha de arroz?”, “Uhm, essa massa está muito líquida”, “Em que usar aquelas amêndoas lá no fundo da despensa?”, “Dá para fazer como naquela receita do Jamie, não é?”.

Certo, certo, chega de ladainha. Tudo isso para dizer que essa receita de biscoito recheado de figo com massa de chia e aveia (Ufa! Que comprido! Heheh) foi uma das que mais repercutiu nos côncavos do meu cérebro ultimamente e que estou completamente obcecada pelo blog da criadora dessa receita. Sarah Britton é uma nutricionista e chef holística, e o seu blog é o My New Roots. Também há um quê de ayurveda e todas as receitas são vegetarianas, sem açúcar refinado e outros produtos químicos e várias sem lactose e sem glúten. Ou seja, me ganhou.


Esses biscoitinhos recheados de figo são uma versão natureba dos biscoitos Fig Newtons da marca Nabisco, que por sua vez são uma versão americanizada e industrializada dos “fig rolls” do Egito Antigo, país que até hoje é o maior produtor mundial de figo.

A minha versão infelizmente não contém o chá rooibos (conhecido como chá vermelho na África), mas ainda pretendo comprá-lo para experimentar. Substitui por chá preto Darjeeling da Dilmah, que é delicioso, o melhor chá preto que já tomei. A receita rende pouco, cerca de 15 biscoitos.

Biscoitos Recheados de Figo

Massa:
1 xícara de aveia integral prensada
¼ de xícara de açúcar demerara (a original pede açúcar de palma)
¼ de colher de chá de bicarbonato de sódio
1/8 de colher de chá de sal
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de mel (original pede maple/ vegetarianos estritos podem substituir por melado)
1 colher de sopa de sementes de chia (servem como substitutas dos ovos em diversas preparações veganas, pois dão liga à massa)
4 colheres de sopa de chá preto forte
5 colheres de sopa de óleo de coco extravirgem
1 colher de chá de extrato de baunilha

Recheio:
1 xícara de figos secos picados
½ xícara de chá preto forte
½ fava de baunilha
2 colheres de chá de suco de limão
Uma pitada de sal

1. Prepare 1 xícara de chá preto bem forte. Leve uma xícara de chá de água ao fogo numa chaleira. Quando começar a ferver, acrescente uma colher de sopa de chá preto, ou despeje sobre dois saquinhos de chá preto. Deixe em infusão por 15 minutos e coe ou retire os saquinhos. Num pires, coloque a chia e 2 colheres de sopa do chá preto.



2. No processador, triture a aveia até obter uma farinha fina*. Acrescente o açúcar, o bicarbonato, o sal e a canela e processe para misturar. Em seguida, acrescente o mel, o óleo de coco, o extrato de baunilha, mais duas colheres de sopa de chá preto e as sementes de chia (que devem ter gelificado no líquido). Triture até a massa começar a formar uma bola. Enrole-a em plástico filme e deixe na geladeira enquanto prepara o recheio**.




3. Coloque os figos, o restante do chá preto (cerca de ¾ de xícara), o suco de limão e o sal numa panela pequena sobre fogo médio. Corte ao meio e raspe as sementes de meia fava de baunilha; adicione as sementes e a fava à panela. Cozinhe por aprox. 15 minutos mexendo de vez em quando até os figos derreterem e a mistura engrossar como uma geleia. Retire a fava, deixe esfriar um pouco e triture no processador até homogeneizar.


4. Sobre uma folha de papel manteiga ou plástico filme, abra a massa com um rolo no formato de um retângulo comprido. Divida visualmente em três tiras verticais e disponha o recheio na tira central. Dobre as tiras laterais sobre o recheio e aperte levemente para fechar. Corte em fatias e coloque sobre uma assadeira forrada com papel manteiga.


5. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 20 minutos ou até que estejam dourados. Deixe esfriar e guarde em potes herméticos.


Esses bebezinhos só ficam crocantes assim que saem do forno, mas não ficam menos apetitosos com o passar dos dias. Contudo, como é uma receita que rende pouco, recomendo consumi-los todos em um café da tarde com a família.

*Deveria ter triturado mais a minha aveia para não despedaçar na hora de abrir a massa.
**Acho que esse passo pode ser omitido, pois em meu caso não funcionou. A massa abriu melhor em temperatura ambiente.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Biscoitos de Gengibre (Gingerbread Cookies)

Está um pouco em cima da hora, mas creio que o que vale é a intenção. Talvez ainda haja tempo para você assar seus próprios biscoitos de gengibre para enfeitar sua mesa de natal ou presentear seus amigos. Embalados em saquinhos decorados e fechados com fita, são uma lembrancinha perfeita. Na verdade, estes não são bem biscoitos; devido à grande quantidade de mel e melado, eles não tem aquela crocância e acabam parecendo mais pães-de-mel. Bom, afinal, o gingerbread tradicional e o pão-de-mel são primos que seguiram por caminhos diferentes.

Fiz a receita triplicada para presentear e congelei uma parte dos biscoitos depois de cortados para assar mais próximo ao Natal e funcionou perfeitamente.

Biscoitos de Gengibre

3 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de chá de gengibre em pó
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/4 de colher de chá de noz moscada (cuidado que é alucinógeno, hein, minha gente)
1/4 de colher de chá de sal
3/4 de xícara de manteiga em temperatura ambiente (uns 100 g)
3/4 de xícara de açúcar mascavo
1/2 de xícara de melado de cana (substitua por mel se não tiver)
1 ovo
1 colher de chá de extrato de baunilha

Em uma vasilha, peneire farinha, gengibre, canela, bicarbonato, noz moscada, sal. Bata na batedeira a manteiga e o açúcar até ficar bem fofo e acrescente o melado, o ovo e a baunilha. Vá adicionando gradualmente os ingredientes secos e misture bem até se tornar uma massa homogênea. Cubra com plástico filme e deixe resfriar por 4 horas ou de um dia para o outro. Preaqueça o forno a 180º C e coloque papel manteiga em duas ou três assadeiras. Com um rolo, abra a massa gelada até alcançar 0,5 cm de espessura em uma superfície muito bem enfarinhada (não poupe farinha, porque isso te poupará trabalho) e a cada vez que abrir a massa coloque mais farinha para não grudar. Asse por 10-15 minutos até começar a corar nas bordas. Retire das assadeiras e deixe esfriar em grelhas. Confeite com glacê real, receita aqui, e decore à gosto.

E, é claro, não poderia faltar a minha casa de biscoitos, muito trabalhosa btw.

Ali do lado, uns biscoitinhos embalados para presente, um vidro com biscottis de pistache e cranberry e outro vidro com chutney de framboesa e maçã


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Biscoitos Açucarados com Glacê Real (Sugar Cookies with Royal Icing)

Um clássico norte-americano,  indispensável numa mesa de Natal bem servida. Os deliciosos biscoitinhos açucarados não ficam completos, entretanto, se não forem decorados. E não vamos negar que essa é a parte mais divertida (possivelmente também a mais cansativa) desse ritual para trazer os pequeninos à vida.

Existem inúmeros tipos de coberturas para deixar seus cookies mais atraentes, por exemplo, fondant (aquele de camafeu), chocolate derretido, glacê real, entre outros. Além disso, as possibilidades de decoração são infinitas se considerarmos as técnicas de decoração, as tonalidades de corantes e tipos de confeitos de açúcar e chocolate, além de marshmallows, coco ralado, geleias e tantos outros ingredientes que podem ser combinados. Aqui vão algumas ideias para criar uma bandeja de cookies de encher os olhos. As fotos foram retiradas dos meus sites de referência favoritos quando estou buscando inspiração biscoitística: The Sweet Adventures of Sugar Belle, Arty McGoo, Simply Sweets by Honeybee e Sweetopia (infelizmente estão todos em inglês, mas creio que as fotos e vídeos já ajudem bastante).
As florzinhas aqui são feitas com a técnica wet-on-wet
(vide explicação abaixo), e os detalhes da camisa são
feitos sobre a camada já seca. Ao lado, dividindo-s
um cookie redondo em oito partes dá para criar
uma deliciosa pizza doce.








Aqui dá para perceber bem o contorno feito o glacê mais grosso no ratinho, por exemplo, porque está em preto e o preenchimento em branco, o que dá uma característica de cartum. Todas as estampas dos cupcakes são wet-on-wet, os detalhes do rosto da menina e do boneco de neve podem ser feitos com canetas apropriadas.
Aqui, a artista utiliza pincéis e corantes alimentícios
para criar esse efeito de pintura sob uma camada
simples de glacê branco.
O pelo dos ursinhos mostra formas de se
empregar outros bicos além do clássico perlê.
E açúcar no rabo do esquilo é outra forma
de adicionar textura.

Para seguir a onda dos bigodinhos, diferentes modelos e
tons de bigodes com detalhes em relevo. Se quiser criar mais
um efeito cômico, espete palitos de pirulito ou de madeira nos
cookies antes de assar, assim você pode usar os bigodes como
se usam máscaras de carnaval.
Cupcakes novamente. A técnica wet-on-wet permite que você faça esses puxadinhos que dão um toque
especial a qualquer cookie.


De qualquer forma, não me aventurei tanto quanto os exemplos acima devido à minha falta de tempo e materiais. Portanto, já aviso os interessados que, se vocês não possuem muitos bicos, sacos e bisnagas, não misturem cores demais, porque vocês terão de lavá-los antes de poder partir para outro tom (foi exatamente o que aconteceu comigo, motivo pelo qual, no fim da sessão de decoração, acabei me limitando a apenas ao roxo e ao verde). E escolham um tema para os cookies. Pode parecer bobagem, mas ter um tema delimitado ajuda na hora da decoração, pois você saberá exatamente o que desenhar, em vez de ficar hesitante com o saco de confeiteiro nas mãos.

Porém, entretanto, contudo, todavia, temos de assar os danadinhos antes de tudo isso, certo? Então, lá vai a receita dos biscoitos açucarados, retirada do site da Martha Stewart, e alterada ao meu gosto, como sempre.



Biscoitos Açucarados

Meus biscoitinhos queridos. Dica: use o cortador de estrela para fazer uma linda raposinha!
2 xícaras de farinha de trigo
1/4 de colher de chá de sal
1/2 colher de chá de fermento
100 g  de manteiga sem sal
1 xícara de açúcar
1 ovo grande batido (ou dois pequenos)
2 colheres de sopa de licor de uísque (pode-se substituir por outro destilado ou por leite)
1/2 colher de chá de extrato de baunilha.


Misture a farinha, o sal e o fermento em uma vasilha e reserve. Em outra vasilha, bata a manteiga e o açúcar na batedeira até que se transforme num creme leve e fofinho e vá adicionando o ovo, o licor e a baunilha até que esteja bem misturado. Desligue a batedeira e acrescente a mistura de farinha a mão e aos poucos até que a massa fique homogênea. Disponha a massa em uma superfície enfarinhada e modele duas bolas, cubra-as com plástico filme e leve à geladeira por pelo menos uma hora.

Pré-aqueça o forno a 180ºC e coloque papel manteiga nas assadeiras. Retire uma das bolinhas da geladeira e, naquela mesma superfície com farinha, abra a massa com um rolo até atingir uma espessura de 3 mm. Corte com cortadores de cookies e coloque-os na assadeira deixando uns 2 cm entre eles, já que se espalham um pouco. Asse por 10 minutos até que estejam levemente dourados. Retire da assadeira e deixe esfriar em uma grade. Repita o mesmo processo com a segunda massa.

Rende cerca de duas dúzias de cookies, dependendo do tamanho dos cortadores. Podem ser preparados com antecedência, gosto de deixá-los descansar de um dia para outro em um pote hermético com camadas intercaladas de papel toalha antes de começar a decoração.




Quanto à cobertura, optei pelo glacê real (royal icing). Chamem-me de preguiçosa, mas não o preparei do zero. Passeando pela loja onde compro meus acessórios e ingredientes aqui em Santos, não pude resistir quando vi aquele pacote de glacê real pronto e a indolência do meu caráter falou mais alto. Comprei o Pó para Glacê Real Arcólor, que só precisa ser batido com água conforme as instruções da embalagem. Se você não encontrar esse produto na sua cidade, também pode preparar o glacê clássico, seja com claras ou com pó de merengue. Uma receita básica que rende duas xícaras e meia de cobertura:


Em homenagem à minha salsicha.

Glacê real

3 claras de ovos
1/2 kg de açúcar de confeiteiro
1 colher de sopa de suco de limão.

Bata levemente as claras com o suco de limão. Vá adicionando o açúcar e bata até o ponto em que o glacê não caia da colher.



Então, separei a mistura em várias partes para adicionar os corantes em gel (alteram menos a consistência do glacê) e coloquei nos sacos de confeiteiro. Utilizei o bico perlê nº 3 da Mago e o 301 da Wilton e confeitos variados para decoração. Também é interessante preparar uma mistura mais líquida para preencher os cookies (técnica de flooding) depois que o contorno já tiver secado . Para isso, adicione mais água ao glacê da cor escolhida, coloque em uma bisnaga (como aquelas de catchup) e preencha o desenho já contornado. Usar o flooding é mais trabalhoso do que preencher tudo com o glacê mais grosso (o que também é possível), mas na minha opinião ele dá um acabamento melhor aos biscoitos, com uma casquinha de glacê mais fina.

Outra técnica que você pode tentar é a wet-on-wet, que deixa um visual lindo e é bem simples. Em vez de esperar uma camada preenchida secar para adicionar detalhes (que dessa forma ficarão em relevo), é possível utilizar outra cor na camada ainda úmida. Se desejar, utilize um palito de dentes para puxar as cores e criar desenhos. Os palitos de dente também são úteis para estourar bolhinhas de ar que podem se formar.
Daí em diante, mon ami, deixe sua imaginação fluir junto ao glacê.

Só para finalizar, essas são duas fotos de biscoitos antigos que fiz. A maior foi para o Natal de 2008 e utilizei uma cobertura que levava gordura vegetal (shame on me). A foto acima são de biscoitos de gengibre (gingerbread cookies) muito mal decorados, mas deliciosos diga-se de passagem, do último Natal.

Biscoitos Açucarados com Glacê Real
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