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terça-feira, 15 de julho de 2014

Refúgio

Quantas vezes não nos deparamos com mil debates nos aguardando, mil questões a serem minuciosamente levantadas e analisadas,  mas tudo o que buscamos é um refúgio omisso? E seguro, untuoso, úmido, quente, onde todas as possibilidades e respostas se encontram at arm's reach. Lá, nenhum companheiro precisa se debater num mar de confusão e insegurança, com correntes frias que te puxam para baixo. Tudo é simples, o universo é simples, a vida é simples. Espero que um dia você possa encontrar essa compreensão, esse seu refúgio quente.

Massa vegana para pastel integral  assado (ou para tortas)

250g de farinha de trigo integral
1 colher de chá de sal marinha
1/4 colher de chá de fermento químico
60mL azeite
120mL água gelada

Misture a farinha com o sal e o fermento. Despeje o azeite sobre os ingrediente secos e misture com os dedos até que pareça uma farofa úmida. Junte a água gelada e sove bem. Deixe descansar antes de abrir e rechear. Para pasteis assados, abra a uma espessura bem fina, até que se consiga ver sua mão através da massa. Recheie com o que preferir e passe água nas bordas antes de selar o pastel, retirando todo o ar interno. Asse a 180ºC por 20 minutos.

Essa massa também pode ser usada para tortas, nesse caso mantenha a espessura entre 0,3cm e 1cm, dependendo do diâmetro e do peso do recheio. 


Recheio de ricota de amêndoas.


No meu caso, preparei um recheio a base de legumes variados caramelizados lentamente (cebola, alho, cenoura, ervilhas), ricota de amêndoas, rúcula, ervas e figo seco. Parece mistura demais, mas ficaram deliciosos. A ricota de amêndoas é um ingrediente chave, pois deixa o recheio seco o suficiente para não molhar a massa, porém macio o suficiente para ser moldado quando pressionado.


Ps.: Essa é a postagem mais nonsense de toda a história do blog, não me importo. Fico feliz que possa me conceder a hábito de escrever assim, a meu bel-prazer.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O constante aprimoramento do bolo de aniversário - Floresta Negra, Kit-Kat, Cerveja, Ópera

Cheguei tardiamente à conclusão de que estou acostando-me no cômodo errado da casa. Um quarto é o local onde você dorme, onde guarda seus pertences, onde lê seus livros, onde passa a maior parte do seu tempo, correto? E quando passamos mais tempo na cozinha que em qualquer outro lugar, o que isso faz da cozinha? Nosso cômodo mais querido, relegando o quarto a "second best". Não existe lugar da casa que seja mais convidativo, com aromas que nos atraem como ratazanas em busca do saco de lixo mais oloroso da quadra. Nem mais abrangente, englobando todos na conversa. Nem mais ofensivo, pois qualquer detalhe vira controvérsia. Não, não se preocupe... tenha certeza de que as contendas serão resolvidas quando os talheres subirem às bocas.

Tenho cozinhado bastante, tirado poucas fotos e anotado poucas receitas, perdoem-me. O que tenho para mostrar-lhes são alguns bolos de aniversário, que têm sido o enfoco do meu eterno aprimoramento culinário. O ponto mais interessante é que sempre há um aniversário na família e você sempre terá a chance de praticar suas habilidades de mestre confeiteira. Isso é, desde que o dono da festa deposite confiança nessas suas ditas habilidades...

Bolo Floresta Negra


Este foi para o aniversário da minha progenitora (que delicadeza, hahah) em agosto, e foi feito às pressas como sempre. A massa era um pão-de-ló de chocolate (que não me agradou por sua insipidez) regado com calda ao marrasquino. O recheio era creme Chantilly com cerejas ao marrasquino picadas e a cobertura era um buttercream de chocolate ao leite (muito bom!).


Bolo Kit-Kat


Este bolo-gordice-máster-foda-se-eu-gosto-de-kit-kat-mesmo foi para o aniversário de 16 aninhos da minha priminha neste mês. Resolvi experimentar uma massa nova de bolo chiffon de chocolate (com fermento, pois há chiffons sem fermento), vulgarmente conhecido como bolo maionese. Um recheio de morango inventado e que nunca vou conseguir repetir, iniciei com uma base de cream cheese frosting de morangos à qual adicionei chocolate branco, sorbet de morango e ágar-ágar para firmar.


Bolo de Cerveja


Este bolo de proporções gigantescas foi para o aniversário do amigo do meu namorado em maio. Um bolo macho, digamos. A massa branca era de cerveja, com recheio de brigadeiro de cerveja e ganache de chocolate ao leite (que também era a cobertura).


Bolo Ópera







Não comentem a qualidade das fotos, eu sei. O bolo ópera tradicional é feito com um biscuit joconde de amêndoas em vez de camadas de bolo, fica numa altura de uns 5 centímetros, e é cortado em retâgulos para ser servido. Essa é a versão bolo ópera de aniversário para a minha avó. A massa é a mesma do bolo kit-kat, mas com cacau, regada com calda de café. Os recheios são ganache de chocolate ao leite e chantilly de chocolate branco com café e licor Káhlua. Além disso fiz aquelas decorações de chocolate, que podem parecer raspas, mas não o são.


As tortinhas de limão também foram para vovó, com pâte sucrée que você encontra aqui (Pâtes et Bananes) e o recheio clássico de leite condensado e creme de leite que você encontra aqui (Torta rápida de limão com biscoitos e o primeiro desastre). Nossa, pode intralinkar meu próprio blog me dá orgulho, sabe?

Para terminar o post, uma foto graciosa da árvore em frente à casa da minha avó aqui em Santos. Não sei o nome da árvore, mas também há uma aqui perto de casa. Ela floresce por uma semana e depois deixa um tapete de pétalas rosadas na calçada. Para qualquer uma se sentir uma rainha passando por entre pétalas que caem.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Receita de Apfelstrudel

Depois de mais um hiato, eis que estou de volta. Dá uma ideia de entrada triunfal, certo? Heheh, não está para tanto. Ando cozinhando bastante, mas infelizmente continuo tendo um relacionamento enrolado com câmeras fotográficas. Na realidade, não tenho problema algum com câmeras, o detalhe é que não me lembro de usá-las para tirar fotos dos pratos. Seguem algumas fotos para lhes atualizar...

Ainda da última visita a sumpaulo: Lámen com nirá, ovo de pata no chá, carne, shitake e brotos. E o melhor guiozá de todos os tempos. Até me inspirei a fazer os guiozás (ou jiaozi, já que o restaurante era chinês) em casa, massa e tudo. Saíram muito bons, mas ficou faltando algum tempero... E ando meio obcecada com comida chinesa, alguém conhece um restaurante chinês decente em Santos? Não serve pasteleria, gente.
Mini éclairs recheadas com creme de confeiteiro e cobertas com glaçage de chocolate amargo.
Digo apenas que foram bombásticas.

Essa foi a primeira produção de nossas aulas de panificação. Cinnamon rolls e pãezinhos de festa (com presunto, queijo, tomate e orégano). Culpem o forno desregulado, e não as cozinheiras, pelos pães tostados na ponta! Heheh

Bom, vamos à receita do dia, strudel! Sim, eu sei que estou trapaceando quando uso massa filo pronta nessa receita. O correto seria preparar uma massa de strudel tradicional (se alguém estiver com tempo e paciência, esta aqui publicada no Guardian parece interessante) empregada nos países em que essa delícia se originou, Áustria, Hungria, República Tcheca, Alemanha e toda aquela banda da Europa Centro-Oriental. Outros apressadinhos como eu preferem usar massa folhada, mas escolhi a filo por considerá-la mais leve e também porque a massa do strudel supostamente derivou da massa árabe usada para preparar a baklava, ou seja a massa filo.

E por que maçã, quando existem tantos outros sabores interessantes? Para os novatos em termos de strudel, como eu mesma, as variações são infinitas, mas os recheios tradicionais são: maçã, creme, queijo topfen, cerejas azedas ou doces, nozes, damascos, ameixas, sementes de papoula, abóbora, espinafre, carne, chucrute e outros. Os recheios famosos e brasilíssimos incluem banana, palmito, requeijão e goiabada, calabresa, doce de leite. Já deu para entender por onde a imaginação pode fluir, certo? Por qualquer lugar. Não há e não devem haver restrições.

Se desejar se ater ao tradicional antes de navegar por águas mais turbulentas, comece com o queridinho apfelstrudel. Garanto que o aroma combinado de maçã com uvas passas, amêndoas, rum e canela completará o clima invernal.

Strudel de maçã

300 g de massa filo pronta
5 colheres de sopa de manteiga clarificada derretida
2 maçãs verde Granny Smith pequenas (pode misturar com maçãs mais doces, se preferir)
1/3 de xícara de açúcar refinado
1/3 de xícara de uvas passas
½ xícara de amêndoas trituradas
1 colher de sopa de farinha de trigo (ou pão amanhecido ralado)
½ colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de rum
Suco de limão
Açúcar demerara e manteiga


Descongele a massa filo conforme as instruções da embalagem. Unte um tabuleiro e corte as folhas em retângulos de 25 cm por 35 cm. Disponha uma folha na forma untada e pincele com a manteiga clarificada, cubra com outra folha e pincele com manteiga novamente. Repita essa operação até acabarem as folhas de massa e reserve.



Deixe as uvas passas de molho no rum. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Descasque e retire o miolo das maçãs e corte-as em fatias finas. Se necessário, use algumas gotas de limão sobre as fatias para que não escureçam enquanto você corta o restante. Misture as fatias de maçã com o açúcar, as uvas passas, o rum, as amêndoas, a canela em pó e a farinha de trigo. Se o recheio estiver soltando muito líquido, acrescente um pouco mais de farinha.

Coloque o recheio sobre metade do retângulo da massa filo, deixando uma borda com distância de três centímetros das laterais. Feche essas bordas sobre o recheio e enrole o strudel na direção da outra metade da massa. Centralize o strudel na assadeira, girando-o para esconder a borda da massa sob o strudel.

Pincele o topo com manteiga e polvilhe açúcar demerara. Se preferir, pincele com um ovo batido (nesse caso, sirva polvilhado com açúcar de confeiteiro). Asse a 200ºC por 10 minutos, abaixe a temperatura para 180ºC e asse por mais 30 minutos.




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pâtes et Bananes

Eis que, a cada dia de aprendizado culinário em minhas navegações pela rede, surge uma pâte nova. Comecei aos poucos, sem nem saber que era pâte a massa que preparei para a primeira receita desse blog, a Galette de Pêssegos e Frutas Vermelhas. A massa era a clássica pâte brisée, a mais básica das massas de torta, também conhecida como "massa podre" no Brasil.

E já comecei errando para não fugir às raízes do meu espírito afobado. A receita que segui recomendava "1 stick of butter" e, confiante, meti um tablete de manteiga culinária sem hesitar. Já se imagina o resultado, obviamente "1 stick of butter" americano não corresponde a um tablete de manteiga do Brasil (o primeiro contém aproximadamente 120 g, ao passo que os nossos tabletes contêm 200 g).


Torta Banoffee tamanho família...

Não foi o fim do mundo, pois, como sabem, manteiga tem a habilidade intríseca de deixar tudo melhor. Então, o exagero só a aumenta a quantidade de gordura/gostosura da receita. Nada que uma dieta vegetariana durante o resto da semana não resolva.

...com creme e doce de leite comuns
Nesses últimos meses desde o primeiro contato com a temida pâte, descobri uma infinidade de outras pâtes, que, assim como a primeira, são precisas e intolerantes em seus ingredientes e indicações de preparação. Nada de manteiga derretida ou amolecida, a manteiga tem de estar gelada e cortada em cubinhos para se atingir a massa perfeita; entre outros. Typical french cooking.

Já estava, de certa forma, familiarizada com pâte brisée, pâte sucrée, pâte sablée, pâte feuilletée, pâte feuilletée inversée e pâte à choux (não que tenha preparado todas, me entendam). Contudo, escrevendo esse post, encontrei mais tipos cujo existência desconhecia, pâte phyllo, pâte à crêpe, pâte à pizza, pâte à pain. Vixi maria...

A última da vez foi a pâte sucrée para uma Torta Banoffee sem lactose. Adivinhem? Além de acasos do destino, o espírito afobado esteve presente novamente. Deixe-me contar do início.


Já estas individuais são para intolerantes a lactose
Aproveitando a ocasião do churras dos meus colegas de tradução (além da quantidade de pessoas, pois não havia como a consumirmos sozinhos na minha casa), preparei uma receita de Torta Banoffee para o Yahoo na semana retrasada (ainda não foi ao ar, logo mais posto o link com a receita mais detalhada e a origem da torta). Com doce de leite e creme de leite fresco batido, conforme manda o figurino, e com a massa de bolachas maisena que todos conhecem.

Foi um sucesso aparentemente, mas não provei um pedacinho sequer. As lombrigas e duendes que moram no meu estômago chiaram impacientes por uma semana. Então, lá fui eu, preparar uma torta segura para mim no último domingo, quando fizemos uma caranguejada por aqui.

As bolachas maisena Tostines da Nestlé contêm lactose, so that's a no (até então não havia descoberto que as da Triunfo não têm lactose). Já sei, uma pâte sucrée resolve, é perfeita para tortinhas doces, that's a bingo! Usei a receita do "Le Cordon Bleu: sobremesas e suas técnicas", só que ficou esfarelada. Levei à geladeira de qualquer forma e, para forrar as formas individuais, tive de apertar os farelos no fundo em vez de abrir com um rolo como deveria. Mais uma vez, o sabor agradou e elas não quebraram na hora de cortar, mas não ficaram perfeitas para mim pois sabia que o processo estava errado. Agora sei que deveria ter acrescentado um pouco de água para dar ligar.

Quem sabe na próxima eu acerto uma dessas pâtes da vida...


Pâte Sucrée

200 g de farinha
100 g de manteiga sem sal
40 g de açúcar de confeiteiro
2 gemas
1/4 de colher de chá de essência de baunilha
(+ duas colheres de sopa de água gelada para dar liga?)

Misture a farinha com a manteiga gelada cortada em cubinhos com os dedos. Junte o açúcar de confeiteiro. Bata levemente as gemas com a baunilha e despeje sobre a mistura. Misture com as mãos até tudo se unir. Se sua massar estiver esfarelando, tente acrescentar algumas colheres de sopa de água gelada. Molde uma bola e leve à geladeira por meia hora. Abra com um rolo e forre suas formas de torta de fundo removível. Fure os fundos e as laterais com um garfo. Asse a 190ºC por 20 minutos ou até as bordas ficarem levemente douradas.


Torta Banoffee

1 receita de pâte sucrée acima
340 g de doce de leite (usei de soja da Soymilke*)
3-4 bananas maduras de tamanho médio cortadas em fatias
200 mL de creme de leite fresco (usei chantilly vegetal Hulala*)
3 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
3 colheres de sopa de licor de café (usei o Káhlua*)
Chocolate meio amargo em barra

Deixe esfriar as bases das tortinhas. Recheie com doce de leite de soja. Cubra com as fatias de banana. Bata o chantilly com o açúcar até ficar fofo e aumentar de volume e adicione o licor de café. Misture bem e coloque colheradas em cima das fatias de banana. Use uma faca ou outro instrumento para raspar lascas de chocolate e jogue por cima do chantilly. Deixe as tortinhas num recipiente hermético na geladeira até servir. Rende 10 tortinhas de 8 cm de diâmetro.

Nhac

*Comentários:

Doce de leite de soja Soymilke
Não é exatamente cremoso, tem alguns grânulos e é preciso dar uma boa misturada antes de usar. O sabor agradou e não é tão doce quanto doce de leite.

Chantilly Hulala
Gostei bastante, não abaixa depois de batido como o chantilly tradicional e traz quase as mesmas quantidades de gordura saturada que o tradicional.

Licor Káhlua
Amei, está entre os meus licores favoritos a partir de agora. Não o achei forte demais quanto ao álcool e é bem adocicado, com um sabor e aroma incríveis de café. Não sobressaiu tanto quanto gostaria na torta.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mont Blanc aux Marrons (e Bolo Genoise)

Prepare-se para passar um dia enfurnada na cozinha se quiser preparar essa sobremesa. Não estou exagerando na medida, a minha manhã e tarde do último domingo foram completamente dedicados a esse delicado docinho de castanhas portuguesas.

Arquitetado na Itália por volta do século 15, o Mont Blanc aux Marrons se tornou popular na França no século seguinte, mas atualmente o seu local de maior popularidade é no Japão. Não há como negar, todos sabem que os japoneses têm uma queda por pâtisseries e boulangeries à moda francesa. Criado em homenagem à maior montanha dos Alpes e da União Europeia, o Mont Blanc também é vendido em versões que utilizam abóbora, inhame e frutas em vez das castanhas (marrons, em francês). Acabou-se a aula de história e geografia do dia.

A base do doce geralmente é feita a partir de um bolo genoise ou um pão-de-ló, porém também há receitas que indicam um suspiro de amêndoas. A estrela da cena é o recheio de creme de castanhas. Por último, o Mont Blanc é coberto com uma mistura de chantilly com o creme, enfeitado com uma castanha e polvilhado com açúcar de confeiteiro, que faz o papel das neves do Mont Blanc.

Agora, vamos por partes, como diria Jack, o estripador. Nossa, que piada ruim...

Bolo Genoise


4 ovos inteiros
120g de açúcar
120g de farinha
1 pitada de sal

Desastre iminente. Por favor,
untem corretamente (unlike me)
Unte uma assadeira de 30 por 25 cm com óleo e polvilhe com farinha. Com auxílio de um fuê, bata as claras, gemas e o açúcar e leve ao banho-maria. Mexa constantemente até que alcançar a consistência em que um “8” fique marcado na massa (“ribbon consistency”). Retire do fogo e vá peneirando e incorporando a farinha e o sal à massa delicadamente para não perder a maciez do bolo. Despeje na forma e leve ao forno a aproximadamente 160ºC por 15-20 min ou até que esteja assado. Deixe esfriar e corte com um aro cortador de 7,5 cm de diâmetro ou de outro tamanho desejado.

Obs.:
Bases já cortadinhas
O bolo genoise recebe esse nome em homenagem à cidade de Gênova, na Itália.
Essa massa é semelhante àquela de pão-de-ló ou pan di Spagna e também serve para fazer biscoitos champanhe (lady fingers). De fato, as bordas do meu bolo ficaram parecendo biscoitinhos, pois tive alguns problemas com a temperatura.
Eu carinhosamente o apelidei de bolo de três ingredientes, adivinha por quê? Não contei o sal, obviamente. Parece-me um bolo para situações extremas. Não tem leite? Não tem manteiga? Extrato de baunilha? Fermento? Não se preocupe, o bolo de três ingredientes está aqui para te socorrer.
Seguindo essas medidas, rendem 11 bolinhos de 1,5 cm de altura e 7,5 de diâmetro.
Não jogue fora as rebarbas de bolo, torre as no forno ou coma assim mesmo. São uma delícia!


Creme de castanhas

Para ter uma ideia da consistência

425 g de castanhas portuguesas (peso das castanhas já descascadas)
1/2 xícara de chá de açúcar
2 gemas
Baunilha (1 colher de chá de extrato e a própria vagem)
¾ de xícara de chá de creme de leite (quase uma caixinha inteira)

Ferva as castanhas na água com sal por 20 minutos até que estejam macias (se preferir, descasque-as e leve ao fogo novamente). Ainda mornas, descaque-as e reserve as seis melhores para decoração. Triture o resto em um processador até obter uma farinha bem fina. Quanto mais fina, melhor, pois não será necessário peneirar o purê depois.

Bases com o creme
Em banho-maria, misture o açúcar, as gemas, o creme de leite, o extrato de baunilha e as sementinhas raspadas e a vagem de baunilha até engrossar. Misture esse creme de gemas com a farinha de castanhas. Se ficar muito sólido, vá acrescentando o restinho do creme do leite.

Aproveite para espalhar o creme de castanha nos círculos de genoise, porque o chantilly a seguir não pode descansar depois de pronto. Tentei usar um saco de confeiteiro para distribuir o purê, mas não funcionou como esperava. No fim, recorri à boa e velha espátula.

Atenção:
O doce de castanhas original pode servir de substituto às castanhas cozidas e processadas.


Chantilly de castanhas


1/3 de xícara de chá do purê de castanhas acima
1 xícara de chá de creme de leite fresco (deixe no congelador por 20 min)
2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro

Bata o creme de leite fresco na batedeira em velocidade média alta por 4 min (não bata demais ou virará manteiga). Acrescente o açúcar e bata mais um pouco. Incorpore delicadamente o purê de castanhas para não perder a maciez untuosa do chantilly. Aqui sim, o saco de confeiteiro é indispensável para criar a textura clássica do Mont Blanc. Se tiver ou estiver disposta a comprar, um bico “chuveirinho” é recomendado. Na falta do mesmo, use um perlê, mas deve-se ter cuidado para não escolher um perlê pequeno demais. Dependendo do tamanho dos grânulos da sua farinha de castanhas, esses grânulos podem entupir o bico. Confeite rapidamente (o chantilly derrete dentro do saco com o calor das mãos) em formato circular ou reto.


Castanhas em calda


6 castanhas inteiras reservadas
Açúcar
Água
Essência de baunilha branca

Corte as castanhas longitudinalmente na metade. Faça uma calda simples com açúcar, água e essência de baunilha em fogo alto. Não contei as medidas, mas creio que foi algo em torno de 5 colheres de sopa de açúcar, ¼ de xícara de chá de água e 1 colher de chá de baunilha. Passe as metades na calda e as disponha no topo das suas montanhinhas.
  

C'est fini!

E partidas ao meio, para verem o resultado :)


Um tópico à parte, entretanto relacionado, que muito me incomoda: marrom glacê. O famoso doce, título de uma novela da Globo, refere-se a uma castanha glaceada servida como docinho de festa. Não, para vosso conhecimento, marrom glacê não é aquela pasta de batata doce enlatada vendida em supermercados. Um dia desses, farei a receita de marrom glacê que encontrei no livro de receitas da Dona Benta de 1965 (um dos meus valiosos achados em um sebo em São Paulo).

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Brownies

O cardápio do clássico almoço em família deste domingo deu uma acenada para as nossas raízes italianas e também para a agora constante influência norte-americana na cozinha brasileira. Como prato principal, massa com almôndegas, que ficou sob responsabilidade da minha mãe. Aqui vão algumas fotos. A massa foi o talharim com ovos da marca DE. As porpetas de patinho levaram orégano, cebola desidratada, tempero pronto granulado (Meu Segredo), sal, pão amanhecido molhado no leite e uma colher de chá de vinagre (nada de ovos para não endurecerem). A fim de não desmancharem no molho, foram assadas no microondas por 3-4 minutos em potência máxima. Isso obviamente varia de acordo com a potência do seu microondas e com o tamanho das porpetas (essas tinham uns 2-3 cm de diâmetro).



A toalha de mesa não foi posta para
compor cenário, juro.



É claro que não poderia faltar o parmigiano reggiano ralado e um vinho tinto para harmonizar. Já para agradar ao paladar moderno do meu namorado que recentemente se descobriu hipster, a bebida de escolha foi esse guaraná que encontrei no Pão de Açúcar. É produzido em Leme, no interior de São Paulo, e a garrafinha de 600 ml custando mero R$ 1,99 prendeu a minha atenção, hipster que (também) sou. Sim, há um pouco de Boça dentro de cada um de nós. O refrigerante é bem adocicado, talvez um pouco demais para meu gosto, mas o sabor é interessante, pareceu-me mais pronunciado que o das marcas usuais.

Bom, mas em toda a preparação do prato principal, não tomei parte. Estava em meu treino de roller derby, hell yeah!, no time das Jellyfish Girls, aqui em Santos. Eu contribui com a sobremesa que havia assado no sábado. E lá vem a influência estadounidense. Brownies.

Infeliz e novamente, sou preguiçosa demais com fotos. A foto abaixo foi tirada pela minha mãe, que, ao contrário de mim, adora tirar fotos. O marronzinho está decerto fazendo papel de coadjuvante na foto em meio a tanto sorvete. E eu descartaria os sabores de chocolate e morango do napolitano (era o único disponível) para não interferirem com o aroma do brownie; nesse doce, apenas o de creme já me satisfaz. De qualquer forma, dá para perceber o aspecto da casquinha superior crocante. O recheio é bem cremoso para contrastar com a crocância das nozes. Também adoro esquentá-lo no microondas por uns 15 segundos antes de servir com o sorvete, para experimentar o contraste de temperaturas.

Brownies

Courtesy of Martha Stewart

A casquinha fica levemente folhada.

6 colheres de sopa de manteiga sem sal
200 g de chocolate meio amargo
1/4 de xícara de cacau em pó
3/4 de xícara de farinha de trigo
1/4 de colher de chá de fermento químico
1/4 de colher de chá de sal
1 xícara de açúcar
2 ovos grandes
2 colheres de chá de extrato de baunilha
3/4 de xícara de nozes picadas grosseiramente

Derreta em banho-maria o chocolate, o cacau e a manteiga até homogeneizar e deixe esfriar um pouco. Em outro recipiente, peneire a farinha, o fermento e o sal, reserve. Em outra vasilha, adicione o açúcar, os ovos e a baunilha e bata com um fuê. Adicione o chocolate derretido aos ovos batidos e misture bem. Por último, vá acrescentendo a mistura de farinha. Quando chegar ao final da farinha, jogue as nozes na farinha apenas para cobri-las e adicione tudo à massa de chocolate. Forre uma assadeira pequena com papel manteiga e leve ao forno médio (entre 180 e 200º C) por aproximadamente 35 minutos. Esperer esfriar antes de cortar e desenformar. Très facile!

Dicas:
Dependendo da porcentagem do chocolate em barra utilizado, a quantidade de açúcar pode ser reduzida ou aumentada. Senti que com o Hershey's 50% talvez não fosse necessário tanto açúcar.

Só para constar, eu abominava Hershey's. Havia provado uma vez e achei péssimo. No entanto, quando vi que o meio amargo dessas barras novas de 130 g não continha gordura vegetal (o que é raro em um chocolate mais barato como esse - paguei R$3,30 na barra), resolvi experimentar mais uma vez. O sabor do chocolate é satisfatório, nada a reclamar. Só acho que, devido ao meu Barry-Callebaut Extra Brute, poderia ter investido em um chocolate de qualidade semelhante. Anyway, dinheiro não cresce em árvores, minha gente.


Brownies