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terça-feira, 5 de maio de 2015

Estrada de pedregulhos, ou a minha versão adulta do rocky road inglês

Voltei de Londres inspirada. Esse receita poderia ser um simples manual de "Como transformar uma barra de chocolate e ingredientes jogados na despensa em uma sobremesa em 15 minutos". Também cabe na categoria "Como saciar sua vontade estúpida de comer doces de criança" e "Sobremesas que não requerem habilidade nem cozimento". Contudo, acho que a síntese perfeita seria "Como injetar glicose em seu filho e seus amiguinhos para correrem ininterruptamente nas festinhas infantis".

Rocky road é o nome desse doce, tradicional na Inglaterra e nos Estados Unidos. O nome, literalmente traduzido como estrada de pedregulhos, vem da aparência dos ingredientes acrescentados ao chocolate, que lembram um relevo acidentado. A versão inglesa leva chocolate ao leite, biscoitos, marshmallows e uvas-passas, enquanto a americana leva chocolate ao leite, marshmallows e nozes.


Não existe uma receita original, nem certo, nem errado. Você decide o que acrescentar ou o que retirar. E não se preocupe, a possibilidade de ficar ruim é nula. Em que galáxia distante poderia chocolate derretido misturado a porcarias açucaradas ficar ruim? Quando alguém obtiver uma resposta, por favor me avise para que eu possa desviar o trajeto da minha nave interestelar, beijos.

domingo, 16 de março de 2014

Delícias veganas - Cheesecake crudívoro de maracujá, Tagliarini de pupunha, Dahl de lentilha vermelha, Amanteigados veganos, Muffins de centeio e chocolate

Não me recordo se cheguei a comentar aqui, se sim me perdoem pela repetição. Estou trabalhando (quer dizer, estagiando) em um restaurante japonês aqui em Santos, chamado Okumura desde novembro do ano passado. Ando tão cheia de preocupações com faculdade e trabalho que mal resta tempo para cuidar de mim mesma, imaginem para escrever no blog...

Também ando desandando com a alimentação... comendo muitos doces, engordando, comendo laticínios que não me fazem bem. Tudo isso porque não tenho tempo de fazer os doces que posso comer, e acabo ficando tentada com outros quitutes (especialmente os da faculdade). Essa semana me mantive bem na dieta sem lactose, tive apenas um deslize ontem com um bolo do aniversário da minha cunhada que estava na geladeira clamando por ser mastigado por essa boca aqui. Os efeitos foram piores que os de costume, parece que minha intolerância anda mais agravada.

Estas lindas fotos abaixo foram o que fiz quando tive tempo. Sinto que cada vez me sinto mais inclinada à confeitaria vegana, a aprimorá-la e torná-la cada vez mais deliciosa para todos!

Cheesecake crudívoro de maracujá (Raw Passionfruit Cheesecake)
(nevermind the foil paper)

A base é de tâmaras, nozes e cacau, o creme do meio é de castanha de caju e baunilha, e o creme superior é de castanha de caju e geleia de maracujá caseira. O bom desse doce é que ele deve ser congelado e as sobras podem (e devem) ser mantidas no congelador, ou seja ele dura um bom tempo para saciar as lombrigas intolerantes dessa que vos escreve


Tagliarini de pupunha com molho de tomate e manjericão
(Heart of palm tagliarini with tomato basil sauce)


Comprei um pupunha outro dia, deveria ter 60 cm. A parte interna, mais macia, assei e servi com azeite e ervas. Com as partes um pouco mais dura, mas comestíveis, preparei esse taglarini. É só passar o pupunha no mandoline, branquear em água fervente com sal por uns 2 min e servir com o molho de sua preferência.


Bife vegetal, arroz integral, repolhos refogados com kümmel e dahl de lentilha vermelha com pasta de tamarindo
(Vegan steak, whole grain rice, cabbage with kümmel, and red lentil dahl with tamarind paste)


Parece uma mistura maluca, mas devo dizer que os preparos se complementaram tanto em cor quanto em sabor. Usei pela primeira o bife vegetal da marca Quebra-Cabeça e devo dizer que a textura não me agradou tanto quanto o sabor. Fica um tanto gelatinoso no centro, acho que é muita goma xantana, mas o sabor de feijão e pimenta-do-reino passa bem como carne.

O dahl de lentilha vermelha é um prato que está na minha listagem há tempos. Vou passar umas instruções básicas aqui: sue 1 cebola pequena e 2 dentes de alho em brunoise no azeite (ou no ghee), acrescente 1 colher de chá de cúrcuma, 1 colher de chá de cominho, 1 colher de chá de páprica, 1 colher de chá de coentro,1 colher de chá de gengibre em pó (ou um pedaço de 1 cm de gengibre descascado), uma pitada de pimenta caiena. Frite bem os temperos (sem queimar), adicione 1/2 xícara de lentilha vermelha, 1 tomate concassé, 80 mL de extrato de tomate e 2 xícaras de caldo de legumes caseiro. Cozinhe por 20 minutos com a panela tampada. Acrescente uma colher de sopa de pasta de tamarindo (aquela que é líquida, não é o tamarindo seco, nem a polpa, nem o concentrado). Deixe reduzir com a panela aberto por 10 minutos até ganhar uma consistência mais espessa. Corrija o sal e sirva.


Amanteigados veganos com lavanda e chocolate - método de pâte sucrée
(Vegan lavander butter cookies drizzled with chocolate)


Esses lindos biscoitinhos acima são segredo de estado, heheheh, ainda não acertei a receita como queria. Posso liberar a informação de que são feitos com uma manteiga batida vegana à base de óleo de coco extravirgem e azeite de oliva extravirgem (50/50).


Muffins de centeio e cacau - com gengibre cristalizado ou com pedaços de chocolate orgânico
(Chocolate rye muffins - with candied ginger or organic chocolate chunks)




A farinha de centeio combinada ao cacau é uma combinação inesperada que funciona perfeitamente, o amargor do centeio, do cacau e do azeite se complementam e não são sobrepujantes, casando com a maciez do bolinho. Quando encontrei essa receita, descobri que é costume nos países nórdicos comer uma fatia de pão de centeio com uma plaquinha de chocolate amargo finíssima vendida especialmente para esse propósito. Imaginem, essa plaquinha - chamada pålægschokolade - derretendo libertinosamente sobre o pão de centeio quente... omfg.

Omiti a flor de sal da receita original, não por não gostar de chocolate e sal, pelo contrário, eu adoro a combinação. No entanto, como a combinação de centeio e cacau já era algo novo, quis limitar as inovações gastronômicas para não confundir meu paladar heheh. A alguns muffins, adicionei fatias de gengibre cristalizado que conferiram um oomph diferenciado. Por sinal, não é uma receita vegana, apenas sem lactose. Aos muffins com pedaços de chocolate, usei o Chokolah 60% e, infelizmente, arrependi-me de usar essa marca de chocolate. Esse chocolate especificamente contém muitos traços de outros produtos que ficam notáveis no paladar, especialmente hortelã. Uma observação; se você quiser ver meu sorriso amarelo, dê-me uma mentinha de chocolate - urgh.

Por fim, umas fotos do meu bolo de aniversário - que em nada se assemelha aos preparos anteriores - repleto de ovos e creme de leite. Seguindo uma receita da Lenôtre, fiz uma Sachertorte divina. A massa do tipo biscuit levava marzipã e havia dois recheios, um ganache amargo e um purê de damascos. Essa também foi a minha primeira tentativa com glaçage, tudo correu bem. Decorei com uns desenhos de chocolate e corante dourado em pó.


Maçarico caseiro - aforma mais rápida de se acender velas de aniversário
Os brigadeiros também era brigadeiros comuns, hahah.
Ganhando uma máquina de abrir e cortar massas dos meus pais. É uma Atlas 150 da Marcato, uma das melhores que existem :D (eles receberam a dica da minha cunhada gourmet heheh)
Aguardem muitas receitas de massas! :)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Cupcake de chocolate vegano e cobertura de abacate

Cada vez sinto que sei menos, mas deve ser um sentimento normal no decorrer da vida. Quando o nosso universo de conhecimento é restrito, cremos que sabemos tudo que há para se saber. Aliás não há tanta coisa assim para se saber, não é? Que engano reconfortante.

Adoro o conhecimento, vivo à base dele, mas ele também pode ser culpado por me deprimir. Sempre que vejo coisas novas, que leio mais, descubro mais, percebo o quanto sou ignorante, o quanto ainda tenho a aprender. Não sou a única assim, vocês também se sentem assim, certo? Então, seria melhor que não me deprimisse por esses motivos tolos, uma vez que a vida será uma constante atualização, repleta de descobertas e aprendizagem. É inútil (e ridículo) me deprimir por que não sabia disso ou ainda não havia aprendido aquilo.

Bom, para o dia de hoje, temos um cupcake de chocolate vegano. Desculpem se faltam receitas de pratos principais por aqui, mas é que sempre acabo preparando doces... fazer o quê. Gostaria de tentar diminuir o número de receitas neste blog, para que este não se torne um simples caderno de receitas ao qual as pessoas recorrem em momentos de fome, desejo e desespero, hahah. E torná-lo mais a respeito de reflexões sobre a comida e a alimentação. No entanto, isso será bem complicado, dada a quantidade de receitas que preparo e que me compelem a compartilhá-las.



A receita do cupcake de chocolate veio do blog Chubby Vegan da Naa Veggie, com algumas alterações pour moi. A massa fica com aquele gostinho de bolo de chocolate caseiro, uma delícia. O ovo realmente não faz falta e até preparei essa receita outras vezes para não-veganos, simplesmente porque estava sem  ovos, pela praticidade e pelo sabor.

Já a cobertura verde-gosma é de minha autoria mesmo. Tem um consistência mais mole, que não segura o formato dos bicos de confeitaria, algo entre buttercream e icing. Ela rendeu o dobro do necessário, por isso congelei o restante e utilizei quando preparei os bolinhos pela segunda vez. Portanto, pode ser congelada sem maiores problemas. Ando num clima de preparar coberturas coloridas sem corantes artificiais, vamos ver no que dá.


Cupcake de chocolate vegano
Adaptada de Chubby Vegan

1 e 1/2 xícara de leite vegetal (soja, amêndoa, aveia, arroz)
1/4 de xícara de óleo vegetal (coco, canola, soja, milho)
1/4 de colher de chá de essência de baunilha
3/4 de xícara de açúcar refinado
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de sopa de chocolate em pó
2 colheres de sopa de cacau em pó
2 colher de sopa de fermento químico
1/4 de colher de chá de sal marinho
2 colheres de sopa de farinha de aveia ou aveia em flocos

Misture o leite vegetal com o óleo, o açúcar e a baunilha. Em uma vasilha separada, peneire a farinha com o chocolate, o cacau e o sal. Vá misturando os ingredientes secos aos líquidos aos poucos, misturando com uma espátula. Acrescente o fermento e a farinha de aveia. Se necessário, utilize um mixer para homogeneizar a massa. Divida em forma de metal de mini muffins com forminhas de papel adequadas até a metade. Asse a 180ºC por cerca de 20 minutos ou até um palito espetado sair limpo.


Cobertura de abacate

1 abacate hass
1 colher de chá de suco de limão
1/4 de colher de chá de essência de baunilha branca
1 e 1/2 xícara de açúcar de confeiteiro

Corte o abacate ao meio e remova o caroço. Raspe a polpa com uma colher e coloque na vasilha da batedeira com o suco de limão e a baunilha. Bata em velocidade alta até que não haja mais pedacinhos de abacate. Diminua a velocidade e vá acrescentando o açúcar de confeiteiro até atingir a consistência adequada.
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Se a cobertura de abacate não tocou o seu coração (hahah), experimente as tortinhas de cacau abaixo e prometo que você não vai se arrepender! Não tenho uma receita precisa, mas aqui vai, é muito simples. Para as casquinhas, triture grosseiramente algumas nozes ou castanhas que tiver à mão e acrescente algumas tâmaras secas (e mais as frutas secas que desejar, coco ralado, gergelim, etc.). Processe até obter uma massa boa de trabalhar e ponha mais frutas secas se não estiver dando liga. Nessa versão, creio que havia usado castanha-do-Pará, amêndoas e tâmaras Medjool. Coloque em formas (individuais ou não) de torta de fundo removível, fure com um garfo e leve ao forno a 180ºC por 10 minutos para secarem um pouco. Deixe esfriar e retire das formas. Para o recheio, processe o abacate com cacau em pó, um pouquinho de limão, agave ou mel, e baunilha. Se desejar, misture também chocolate derretido no recheio. Refrigere antes de servir e tãdããã. Divinas. Confie em mim.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Kheer de Jaca

Alguns meses atrás, comecei a me coçar, um formigamento que me inquietava de cima a baixo. Era cisma, cisma com jaca. Quando cismo com alguma fruta ou ingrediente desconhecido, não descanso até prová-lo. Ora pois, comprei a bendita jaca, provei e não me arrependi. Indubitavelmente, lembrou-me de banana, mas achei um tanto indigesta, por isso não consegui comer grandes quantidades e tive que arranjar-lhes um fim.


Encontrei várias receitas em português, nenhuma que me agradasse. Sorvete de jaca, pudim de jaca, doce de jaca, tudo muito brasileiro. Aquela jaca gritava especiarias e Ásia desesperadamente (e não descobri que a fruta é da Índia?). Escolhi o kheer, um tipo de mingau de arroz e leite, mas também existem versões com frutas e leite de coco no sul da Índia, como esse Chakka Pradhaman (pradhaman de jaca, kheer de jaca). 

Então, aqui vai um kheer de jaca, ótimo para substituir o mingau de aveia na manhã e para garantir energia para o resto do dia. Essa mistura de frutas frescas e secas, castanhas, leite e especiarias põe qualquer defunto de pé.

A despensa estava sem castanhas-de-caju...

Kheer de jaca

200g de jaca sem sementes
1 colher de sopa de ghee (manteiga clarificada)
1/3 de xícara de castanha-de-caju
1/2 xícara de uvas passas
1 e 1/2 xícara de leite integral
1/3 xícara de açúcar
1 colher de chá de cúrcuma (açafrão-da-terra)
1/4 de colher de café de pimento-do-reino preta moída na hora
1 colher de sopa de canela em pó ou 1 pau médio de canela
1 cravo
1 pitada de sal

Esquente a manteiga clarificada numa panela e frite a castanha-de-caju. Adicione a jaca e misture para cobrir bem com a gordura. Acrescente as uvas passas, o leite, o açúcar e as especiarias e deixe cozinhar  em fogo médio por cerca de 15 minutos. O kheer deverá ter reduzido um pouco e tomado uma textura pegajosa devido à polpa da jaca. Retire o cravo e a canela em pau, ajuste o açúcar se necessário e sirva quente.

Dicas:
  • Adicione pedaços de coco fresco ou coco seco ralado.
  • Experimente também substituir o leite por leite de coco.
  • Guarde as sementes e seque-as no forno, têm um sabor semelhante ao das castanhas portuguesas. Se desejar, sirva fatias das sementes secas sobre o kheer.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mont Blanc aux Marrons (e Bolo Genoise)

Prepare-se para passar um dia enfurnada na cozinha se quiser preparar essa sobremesa. Não estou exagerando na medida, a minha manhã e tarde do último domingo foram completamente dedicados a esse delicado docinho de castanhas portuguesas.

Arquitetado na Itália por volta do século 15, o Mont Blanc aux Marrons se tornou popular na França no século seguinte, mas atualmente o seu local de maior popularidade é no Japão. Não há como negar, todos sabem que os japoneses têm uma queda por pâtisseries e boulangeries à moda francesa. Criado em homenagem à maior montanha dos Alpes e da União Europeia, o Mont Blanc também é vendido em versões que utilizam abóbora, inhame e frutas em vez das castanhas (marrons, em francês). Acabou-se a aula de história e geografia do dia.

A base do doce geralmente é feita a partir de um bolo genoise ou um pão-de-ló, porém também há receitas que indicam um suspiro de amêndoas. A estrela da cena é o recheio de creme de castanhas. Por último, o Mont Blanc é coberto com uma mistura de chantilly com o creme, enfeitado com uma castanha e polvilhado com açúcar de confeiteiro, que faz o papel das neves do Mont Blanc.

Agora, vamos por partes, como diria Jack, o estripador. Nossa, que piada ruim...

Bolo Genoise


4 ovos inteiros
120g de açúcar
120g de farinha
1 pitada de sal

Desastre iminente. Por favor,
untem corretamente (unlike me)
Unte uma assadeira de 30 por 25 cm com óleo e polvilhe com farinha. Com auxílio de um fuê, bata as claras, gemas e o açúcar e leve ao banho-maria. Mexa constantemente até que alcançar a consistência em que um “8” fique marcado na massa (“ribbon consistency”). Retire do fogo e vá peneirando e incorporando a farinha e o sal à massa delicadamente para não perder a maciez do bolo. Despeje na forma e leve ao forno a aproximadamente 160ºC por 15-20 min ou até que esteja assado. Deixe esfriar e corte com um aro cortador de 7,5 cm de diâmetro ou de outro tamanho desejado.

Obs.:
Bases já cortadinhas
O bolo genoise recebe esse nome em homenagem à cidade de Gênova, na Itália.
Essa massa é semelhante àquela de pão-de-ló ou pan di Spagna e também serve para fazer biscoitos champanhe (lady fingers). De fato, as bordas do meu bolo ficaram parecendo biscoitinhos, pois tive alguns problemas com a temperatura.
Eu carinhosamente o apelidei de bolo de três ingredientes, adivinha por quê? Não contei o sal, obviamente. Parece-me um bolo para situações extremas. Não tem leite? Não tem manteiga? Extrato de baunilha? Fermento? Não se preocupe, o bolo de três ingredientes está aqui para te socorrer.
Seguindo essas medidas, rendem 11 bolinhos de 1,5 cm de altura e 7,5 de diâmetro.
Não jogue fora as rebarbas de bolo, torre as no forno ou coma assim mesmo. São uma delícia!


Creme de castanhas

Para ter uma ideia da consistência

425 g de castanhas portuguesas (peso das castanhas já descascadas)
1/2 xícara de chá de açúcar
2 gemas
Baunilha (1 colher de chá de extrato e a própria vagem)
¾ de xícara de chá de creme de leite (quase uma caixinha inteira)

Ferva as castanhas na água com sal por 20 minutos até que estejam macias (se preferir, descasque-as e leve ao fogo novamente). Ainda mornas, descaque-as e reserve as seis melhores para decoração. Triture o resto em um processador até obter uma farinha bem fina. Quanto mais fina, melhor, pois não será necessário peneirar o purê depois.

Bases com o creme
Em banho-maria, misture o açúcar, as gemas, o creme de leite, o extrato de baunilha e as sementinhas raspadas e a vagem de baunilha até engrossar. Misture esse creme de gemas com a farinha de castanhas. Se ficar muito sólido, vá acrescentando o restinho do creme do leite.

Aproveite para espalhar o creme de castanha nos círculos de genoise, porque o chantilly a seguir não pode descansar depois de pronto. Tentei usar um saco de confeiteiro para distribuir o purê, mas não funcionou como esperava. No fim, recorri à boa e velha espátula.

Atenção:
O doce de castanhas original pode servir de substituto às castanhas cozidas e processadas.


Chantilly de castanhas


1/3 de xícara de chá do purê de castanhas acima
1 xícara de chá de creme de leite fresco (deixe no congelador por 20 min)
2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro

Bata o creme de leite fresco na batedeira em velocidade média alta por 4 min (não bata demais ou virará manteiga). Acrescente o açúcar e bata mais um pouco. Incorpore delicadamente o purê de castanhas para não perder a maciez untuosa do chantilly. Aqui sim, o saco de confeiteiro é indispensável para criar a textura clássica do Mont Blanc. Se tiver ou estiver disposta a comprar, um bico “chuveirinho” é recomendado. Na falta do mesmo, use um perlê, mas deve-se ter cuidado para não escolher um perlê pequeno demais. Dependendo do tamanho dos grânulos da sua farinha de castanhas, esses grânulos podem entupir o bico. Confeite rapidamente (o chantilly derrete dentro do saco com o calor das mãos) em formato circular ou reto.


Castanhas em calda


6 castanhas inteiras reservadas
Açúcar
Água
Essência de baunilha branca

Corte as castanhas longitudinalmente na metade. Faça uma calda simples com açúcar, água e essência de baunilha em fogo alto. Não contei as medidas, mas creio que foi algo em torno de 5 colheres de sopa de açúcar, ¼ de xícara de chá de água e 1 colher de chá de baunilha. Passe as metades na calda e as disponha no topo das suas montanhinhas.
  

C'est fini!

E partidas ao meio, para verem o resultado :)


Um tópico à parte, entretanto relacionado, que muito me incomoda: marrom glacê. O famoso doce, título de uma novela da Globo, refere-se a uma castanha glaceada servida como docinho de festa. Não, para vosso conhecimento, marrom glacê não é aquela pasta de batata doce enlatada vendida em supermercados. Um dia desses, farei a receita de marrom glacê que encontrei no livro de receitas da Dona Benta de 1965 (um dos meus valiosos achados em um sebo em São Paulo).