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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sorbet de pitanga

A cada momento me sinto mais atraída pelas frutas brasileiras. Devo confessar que tive meus tempos de adoração pelas frutas vermelhas, maçãs, peras, limão siciliano, ameixas e uvas. Bom, qualquer fruta me exerce uma fascinação incrível, na realidade. Pensar que uma árvore depende da produção de uma carne doce que cresce em volta dos ovários das flores para atrair insetos, mamíferos e humanos que comam essa carne e disseminem suas sementes tem de ser fascinante. É incrível como a natureza pode ser engenhosa, ainda que a passos longos e lentos.

Voltando aos temas tupiniquins, parece-me tão mais natural abraçar o que é nosso, o que produzimos aqui. Ou melhor, o que a natureza produz aqui em nossas terras sem nossa intromissão, pois de fato nós cultivamos todos os tipos de produtos, tradicionalmente brasileiros ou não.

E, confessemos, as frutas brasileiras têm um apelo próprio: não se abrem como as outras, não cedem tão facilmente. Não raramente, são azedas, amargas, com cascas grossas e duras, espinhos, polpa escassa, em árvores altas, azedas, eu já disse azedas? Isso é apenas um dos vários truques da natureza, para dificultar e para nos enlaçar, para dar mais sabor ao prêmio.



Sorbet de pitanga (un hommage a Dom Pedro II)

500g de pitanga madura
100g de açúcar refinado
120mL de água
1/2 fava de baunilha
2 cm de casca de limão (taiti, siciliano, o que preferir - I won't judge)
15 mL de suco de limão
15 mL de cachaça

Retire os caroços das pitangas, bata a polpa no liquidificador e reserve. Faça uma calda de açúcar simples com o açúcar, a água, a baunilha e a casca do limão. Ferva a calda por 5 minutos. Junte entre 60ml - 100 ml da calda à polpa da pitanga e bata novamente. A quantidade de calda depende do gosto pessoal e a qualidade das pitangas, lembrando que a base deve sempre ficar mais doce do que o desejado antes de congelar. Peneire a polpa adoçada e junte o suco de limão e a cachaça. Resfrie essa base em geladeira por 12 horas, antes de processar na sorveteira. Tãdã!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Redescobrindo ingredientes brasileiros: Picolés de coco e cupuaçu e o Cupulate

O novo livro de Atala me prendeu pelas papilas e pela aparante, talvez real, simplicidade. O chef menciona que sua cozinha se despiu das técnicas e que as utiliza a fim de alcançar o ponto de sabor necessário, desvencilhando-se de etapas frívolas. Não sei como eram suas receitas anteriormente, mas estas me parecem simples, não as tomem por fáceis, de serem reproduzidas mesmo em ambiente e com equipamentos domésticos.

Um dos fatos que me saltou aos olhos é que o D.O.M. foi aberto em 1999 primeiramente para gerar bufunfa e não nasceu como um restaurante gastronômico (por mais absurda que essa denominação soe), essa sua característica brasileiríssima veio evoluindo ao longo dos anos. Agora percebo que o primeiro fato não deveria ter me espantado, pois esse é o objetivo primordial de qualquer comércio de alimentos. Além disso, descobri que o restaurante possui um menu degustação vegetariano para atender à demanda paulistana. Pensando bem, nada faz mais sentido em um país no qual parece haver mais frutas e hortaliças que qualquer outro alimento.

As fotos e imagens do nosso país são ricas e bem emolduradas, pergunto-me se ele realmente tirou algumas dessas fotos em suas inúmeras incursões como os Bandeirantes ou se todas são produto da treinada equipe por trás do homem. O livro é dividido por grupos de ingredientes como "Laticínios e carnes", "Peixes e frutos do mar", "Vegetais", etc. Em cada capítulo, são apresentados ingredientes brasileiros aos quais seguem as receitas que contém os tais ingredientes. Atala prega a relação entre o urbano e o rural, a valorização do pequeno produtor, o conhecimento de onde vem o nosso alimento, prega o frescor e a sustentabilidade, e todas as histórias que estamos acostumados a ouvir de cozinheiros ao redor do planeta.

As receitas, em geral, são simples, mas não para os não iniciados em gastronomia. Nota-se claramente a base de culinária europeia de Atala. Alguns ingredientes nunca serão encontrados no seu supermercado mais próximo, desista. Esse não é um livro para seguir as receitas tanto quanto é um livro para se deixar inspirar pelas receitas.

Não, não vou gastar um quilo de sal grosso para cozinhar 200 g de mandioquinha e não vou ficar enfiando lecitina de soja para fazer uma espuma de amendoim. Não, não vou comprar uma Thermomix, nem um desidratador. Mas a sua combinação de peixe com amendoim e mandioquinha muito me atraiu. Também quero sair catando umas saúvas para comer, depois que você me informou de que as ditas formiguinhas têm sabor de gengibre e capim-limão. Quero comer mangarito, priprioca, jambu, tucupi, pequi, bacuri, castanha do baru, jambo rosa e, ah, a baunilha brasileira... como te desejo. Devo confessar que a coxinha negra também atiçou essa lombriga irrequieta que dorme cá na minha barriga.

Concordo que os ingredientes brasileiros estão começando a mostrar seu apelo para os próprios brasileiros, que querem exaltar o que há de bom e saboroso em nossa terra, mas ainda é um grupo muito restrito. Às vezes, temo que nossa culinária com ingredientes um pouco bizarros jamais cairá no gosto da gastronomia mundial como a culinária japonesa, tailandesa, chilena, etc. 

O que vos trago não é receita, apenas algo que preparei nessa minha onda brasileira.

Picolés de coco e cupuaçu 

Rende 6 mini picolés 

Doce de cupuaçu:
200 g de polpa de cupuaçu
2 colheres de chá de açúcar refinado 
Picolé de coco:
4 colheres de chá de açúcar refinado
50 mL de água
75 mL de nata de coco (igual a creme de coco)
150 mL de leite de coco
15 mL de óleo de coco extravirgem 
Apure em fogo baixo o cupuaçu com o açúcar por 5 minutos, ou por mais tempo de acordo com seu gosto. Disponha o doce de cupuaçu na ponta dos moldes de picolé. Misture o açúcar e água em fogo médio e deixe ferver. Quando alcançar um ponto de calda rala, adicione a nata de coco e o leite de coco. Em seguida, acrescente o óleo de coco líquido e misture bem até homogeneizar (gotículas de óleo não devem ficar visíveis). Derrame nos moldes de picolé até preenchê-los, coloque os palitos e leve ao congelador por pelo menos 6 horas. Tadã, estão prontos. E são deliciosos.
Sugestão de finalização:
Triture um pouco de castanha-do-Pará e toste numa frigideira, reserve. Derreta um pouco de cupulate  80% Amma* e reserve. Desenforme os picolés, mergulhe no cupulate derretido e passe na castanha imediatamente. E, o mais importante, coma imediatamente.





O cupuaçu (Theobroma grandiflorum) é do mesmo gênero que o cacau (Theobroma cacao). As amêndoas do cupuaçu, quando passam pelo mesmo processo que o cacau, resultam no cupulate, um "chocolate de cupuaçu". O cupulate já era tradicional no Norte do país, mas agora pode ser encontrado sob forma industrializada nas grandes cidades e futuramente nas pequenas cidades também graças a Diego Badaró do Amma Chocolate. Esse cupulate é uma das minhas novas paixões, com um rico aroma frutado e floral completamente diferente de qualquer coisa, traz notas de cacau, não é tão amargo ou ácido, sentem-se pequenos grânulos, e o cupulate tem uma textura mais macia, derretendo com mais facilidade.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Tortinhas de cupuaçu

Adquiri o hábito, muito conveniente por sinal, de manter massas prontas no congelador. É muito reconfortante saber que quando bater aquela vontade de doce e a indolência for maior do que a proatividade, só preciso descongelar, assar e rechear com qualquer coisa que estiver dando sopa por aqui.

Tortinhas de cupuaçu
Essas tortinhas de cupuaçu com base de pâte sucreé são perfeitas para aqueles convidados de última hora em um café da tarde. A massa é a parte mais trabalhosa, por isso recomendo tirar um dia da semana para prepará-la e deixá-la estocada. O recheio pode ser uma geleia comprada pronta ou feita com a polpa congelada como é o caso dessa receita. Melhor ainda se usar a polpa da fruta fresca. Sirva com creme de ricota ou creme chantilly, ou cubra com um merengue e volte ao forno para dourar, ou decore com uma calda de chocolate, ou coloque flores comestíveis e folhas de hortelã. Certo, certo, já entenderam, o céu é o limite quanto à decoração ;)

Confira a receita aqui: "Receita simples de tortinhas de cupuaçu"