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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Pão de bicarbonato, o famoso Irish Soda Bread (Daring Bakers)

Resolvi participar desse grupo da rede chamado The Daring Kitchen, que se divide em The Daring Bakers e The Daring Cooks. Lá eles postam desafios culinários (especificamente de confeitaria ou de cozinha) para prepararmos e postarmos fotos e comentários todos os meses.

 For the month of September Meredith from the Poco Loco Olsons challenged us to experiment with soda bread.


O meu primeiro desafio nesse mês de setembro foi o Irish Soda Bread, um pão de origem irlandesa que não leva fermento biológico. Ele depende da reação entre o bicarbonato de sódio e a acidez do buttermilk (leitelho, um tipo de leite azedo), para crescer. O leitelho é um produto comum nos mercados norteamericanos e ingleses, mas aqui nunca o vi em mercado algum. 

O pão de bicarbonatona categoria de quickbread, pães de preparo rápido, nossos famosos pães de minuto. Esse tipo de pão não precisa de descanso para fermentar. Depois que os ingredientes estão misturados, é só moldar e levar ao forno.

É a receita perfeita para um dia corrido. Fica delicioso recém saído do forno, com uma manteiga derretendo, como também têm uma durabilidade boa sem ficar ressecado. O Soda Bread original levava apenas 4 ingredientes, farinha de trigo, buttermilk, sal e bicarbonato. A minha versão é um pouco mais complexa, mas você pode adaptá-la sem problemas. Usei leite de coco e vinagre de cidra para substituir o leitelho, mas você pode e deve usar leite integral e vinagre para recriar o leitelho em casa se não tiver problemas com lactose.



Pão de bicarbonato sem lactose (Irish Soda Bread)

3/4 de xícara de leite de coco
1/2 xícara de água
1 colher de sopa de vinagre de cidra
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de farinha de trigo integral
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá sal
1 colher de chá de semente de cominho
1/3 de xícara de uva passa e tâmara

Pré-aqueça o forno a 180ºC, Misture o leite de coco, a água e o vinagre de cidra e deixe descansar 10 minutos. Pique as tâmaras, junte as uvas passas e deixe hidratando em água. Em um bowl, peneire as farinhas, o bicarbonato e o sal e acrescente as sementes de cominho. Escorra as frutas secas e junte às farinhas. Misture os líquidos aos secos até incorporar completamente. Molde em um círculo achatado e faça dois cortes perpendiculares de uns 2 cm de profundidade. Isso ajudará o pão a crescer por igual. Asse por cerca de 35 minutos até crescer e dourar.


*Para uma receita mais simples, use apenas:
1 e 1/4 xícara de leite integral
1 colher de sopa de vinagre de cidra
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá sal

terça-feira, 5 de maio de 2015

Estrada de pedregulhos, ou a minha versão adulta do rocky road inglês

Voltei de Londres inspirada. Esse receita poderia ser um simples manual de "Como transformar uma barra de chocolate e ingredientes jogados na despensa em uma sobremesa em 15 minutos". Também cabe na categoria "Como saciar sua vontade estúpida de comer doces de criança" e "Sobremesas que não requerem habilidade nem cozimento". Contudo, acho que a síntese perfeita seria "Como injetar glicose em seu filho e seus amiguinhos para correrem ininterruptamente nas festinhas infantis".

Rocky road é o nome desse doce, tradicional na Inglaterra e nos Estados Unidos. O nome, literalmente traduzido como estrada de pedregulhos, vem da aparência dos ingredientes acrescentados ao chocolate, que lembram um relevo acidentado. A versão inglesa leva chocolate ao leite, biscoitos, marshmallows e uvas-passas, enquanto a americana leva chocolate ao leite, marshmallows e nozes.


Não existe uma receita original, nem certo, nem errado. Você decide o que acrescentar ou o que retirar. E não se preocupe, a possibilidade de ficar ruim é nula. Em que galáxia distante poderia chocolate derretido misturado a porcarias açucaradas ficar ruim? Quando alguém obtiver uma resposta, por favor me avise para que eu possa desviar o trajeto da minha nave interestelar, beijos.

domingo, 16 de março de 2014

Delícias veganas - Cheesecake crudívoro de maracujá, Tagliarini de pupunha, Dahl de lentilha vermelha, Amanteigados veganos, Muffins de centeio e chocolate

Não me recordo se cheguei a comentar aqui, se sim me perdoem pela repetição. Estou trabalhando (quer dizer, estagiando) em um restaurante japonês aqui em Santos, chamado Okumura desde novembro do ano passado. Ando tão cheia de preocupações com faculdade e trabalho que mal resta tempo para cuidar de mim mesma, imaginem para escrever no blog...

Também ando desandando com a alimentação... comendo muitos doces, engordando, comendo laticínios que não me fazem bem. Tudo isso porque não tenho tempo de fazer os doces que posso comer, e acabo ficando tentada com outros quitutes (especialmente os da faculdade). Essa semana me mantive bem na dieta sem lactose, tive apenas um deslize ontem com um bolo do aniversário da minha cunhada que estava na geladeira clamando por ser mastigado por essa boca aqui. Os efeitos foram piores que os de costume, parece que minha intolerância anda mais agravada.

Estas lindas fotos abaixo foram o que fiz quando tive tempo. Sinto que cada vez me sinto mais inclinada à confeitaria vegana, a aprimorá-la e torná-la cada vez mais deliciosa para todos!

Cheesecake crudívoro de maracujá (Raw Passionfruit Cheesecake)
(nevermind the foil paper)

A base é de tâmaras, nozes e cacau, o creme do meio é de castanha de caju e baunilha, e o creme superior é de castanha de caju e geleia de maracujá caseira. O bom desse doce é que ele deve ser congelado e as sobras podem (e devem) ser mantidas no congelador, ou seja ele dura um bom tempo para saciar as lombrigas intolerantes dessa que vos escreve


Tagliarini de pupunha com molho de tomate e manjericão
(Heart of palm tagliarini with tomato basil sauce)


Comprei um pupunha outro dia, deveria ter 60 cm. A parte interna, mais macia, assei e servi com azeite e ervas. Com as partes um pouco mais dura, mas comestíveis, preparei esse taglarini. É só passar o pupunha no mandoline, branquear em água fervente com sal por uns 2 min e servir com o molho de sua preferência.


Bife vegetal, arroz integral, repolhos refogados com kümmel e dahl de lentilha vermelha com pasta de tamarindo
(Vegan steak, whole grain rice, cabbage with kümmel, and red lentil dahl with tamarind paste)


Parece uma mistura maluca, mas devo dizer que os preparos se complementaram tanto em cor quanto em sabor. Usei pela primeira o bife vegetal da marca Quebra-Cabeça e devo dizer que a textura não me agradou tanto quanto o sabor. Fica um tanto gelatinoso no centro, acho que é muita goma xantana, mas o sabor de feijão e pimenta-do-reino passa bem como carne.

O dahl de lentilha vermelha é um prato que está na minha listagem há tempos. Vou passar umas instruções básicas aqui: sue 1 cebola pequena e 2 dentes de alho em brunoise no azeite (ou no ghee), acrescente 1 colher de chá de cúrcuma, 1 colher de chá de cominho, 1 colher de chá de páprica, 1 colher de chá de coentro,1 colher de chá de gengibre em pó (ou um pedaço de 1 cm de gengibre descascado), uma pitada de pimenta caiena. Frite bem os temperos (sem queimar), adicione 1/2 xícara de lentilha vermelha, 1 tomate concassé, 80 mL de extrato de tomate e 2 xícaras de caldo de legumes caseiro. Cozinhe por 20 minutos com a panela tampada. Acrescente uma colher de sopa de pasta de tamarindo (aquela que é líquida, não é o tamarindo seco, nem a polpa, nem o concentrado). Deixe reduzir com a panela aberto por 10 minutos até ganhar uma consistência mais espessa. Corrija o sal e sirva.


Amanteigados veganos com lavanda e chocolate - método de pâte sucrée
(Vegan lavander butter cookies drizzled with chocolate)


Esses lindos biscoitinhos acima são segredo de estado, heheheh, ainda não acertei a receita como queria. Posso liberar a informação de que são feitos com uma manteiga batida vegana à base de óleo de coco extravirgem e azeite de oliva extravirgem (50/50).


Muffins de centeio e cacau - com gengibre cristalizado ou com pedaços de chocolate orgânico
(Chocolate rye muffins - with candied ginger or organic chocolate chunks)




A farinha de centeio combinada ao cacau é uma combinação inesperada que funciona perfeitamente, o amargor do centeio, do cacau e do azeite se complementam e não são sobrepujantes, casando com a maciez do bolinho. Quando encontrei essa receita, descobri que é costume nos países nórdicos comer uma fatia de pão de centeio com uma plaquinha de chocolate amargo finíssima vendida especialmente para esse propósito. Imaginem, essa plaquinha - chamada pålægschokolade - derretendo libertinosamente sobre o pão de centeio quente... omfg.

Omiti a flor de sal da receita original, não por não gostar de chocolate e sal, pelo contrário, eu adoro a combinação. No entanto, como a combinação de centeio e cacau já era algo novo, quis limitar as inovações gastronômicas para não confundir meu paladar heheh. A alguns muffins, adicionei fatias de gengibre cristalizado que conferiram um oomph diferenciado. Por sinal, não é uma receita vegana, apenas sem lactose. Aos muffins com pedaços de chocolate, usei o Chokolah 60% e, infelizmente, arrependi-me de usar essa marca de chocolate. Esse chocolate especificamente contém muitos traços de outros produtos que ficam notáveis no paladar, especialmente hortelã. Uma observação; se você quiser ver meu sorriso amarelo, dê-me uma mentinha de chocolate - urgh.

Por fim, umas fotos do meu bolo de aniversário - que em nada se assemelha aos preparos anteriores - repleto de ovos e creme de leite. Seguindo uma receita da Lenôtre, fiz uma Sachertorte divina. A massa do tipo biscuit levava marzipã e havia dois recheios, um ganache amargo e um purê de damascos. Essa também foi a minha primeira tentativa com glaçage, tudo correu bem. Decorei com uns desenhos de chocolate e corante dourado em pó.


Maçarico caseiro - aforma mais rápida de se acender velas de aniversário
Os brigadeiros também era brigadeiros comuns, hahah.
Ganhando uma máquina de abrir e cortar massas dos meus pais. É uma Atlas 150 da Marcato, uma das melhores que existem :D (eles receberam a dica da minha cunhada gourmet heheh)
Aguardem muitas receitas de massas! :)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Resoluções e uma ode à gordice natalina

Neste primeiro post do ano, trago para vocês, meus queridos, uma citação muito interessante de Jane Eyre. Acabei o livro há uns dois meses, mas havia me esquecido de compartilhar esse excerto que me é curioso, ao menos do ponto de vista gastronômico e também espiritual.

"Well had Solomon said, 'Better is a dinner of herbs where love is,  than a stalled ox and hatred therewith'" (EYRE, 1994, p. 76)

Carregando essa frase nos ombros, espero mudar minha relação com a comida no próximo ano. Eu e a comida sempre tivemos momentos de discórdia e de amor, uma relação conturbada e ambígua. Houve épocas em que me restringia muitos sabores e delícias - quando me sentia fisicamente ótima, com energia e bem disposta. Contudo, também houve épocas em que me esbanjava no prazer de comer, pouco me importando com saúde e bem estar.

No último ano, essa relação foi agravada com a descoberta da minha intolerância à lactose, com uma suposta alergia à soja (que foi negada pelos exames de sangue), uma definitiva alergia ao psyllium (não lhes contei sobre isso, desculpem), perambulações pelo vegetarianismo, retorno às carnes, empanturrações em aulas de gastronomia, descoberta de novos paladares, e momentos de mergulho no mundo lácteo (e um grande "foda-se" ao meu intestino) e conseguinte arrependimento. Ah, olvidei-me do colesterol nas alturas e do ganho de peso para completar o pacote, o laço do presente.

A conclusão que chega tardia é de que preciso me alimentar com mais consciência, sabendo o que devo limitar ou até excluir da minha dieta. Essas resoluções soam tão cristalinas quando lidas numa página da rede, tão fáceis de serem alcançadas e retidas, mas não tenho dúvidas de que tomarão boa quota de dedicação e empenho e força de vontade.

No início do ano, enchemo-nos de resoluções idealizadas, das quais sabemos que algumas são impossíveis de se alcançar. Seres esperançosos que somos, não desistimos de criar novas resoluções a cada ano passa, abandonadas sem remorsos por volta de dois meses depois. Parece estupidez, mas juro que essa não será só mais uma, essa será um novo modo de viver. Veremos no que dá esse grande falatório quando chegarmos a dezembro de 2014...

Por fim, uma despedida à gordice das festas natalinas:

Maamoul de tâmaras (com massa de semolina)
Semifreddo de pistache e framboesas com água de rosas e de flor de laranjeira com casquinha de chocolate
(Sintam a tensão)
Bûche de Noël: massa de cacau, recheio de castanhas portuguesas, cobertura de ganache, cogumelos de suspiro e terra de castanhas


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Minha versão do clássico Stollen

Mais um ano se passa e cá chego eu, na véspera do Natal, publicando receitas como se algum ser pensante fosse prepará-las a tempo da ceia de hoje ou fosse ter a divina paciência de colocar os pés na cozinha no dia de amanhã. Excetuando-se o fato de que eu me daria o trabalho de preparar algo amanhã - ou melhor de que vou de fato preparar algo amanhã -, sinto-me inclinada a afirmar que verdadeiros escritores nunca escreveram para agradar a algum possível público, escreveram porque queriam. Então, eu digo, publico porque quero. Fi-lo porque qui-lo (sim, sei que é gramaticalmente incorreto, mas a máxima de Jânio Quadros caiu tão bem no contexto...)

Quanto ao Stollen querido (a.k.a. Christollen), não me canso de repetir a todos os familiares a quem apresento ou presenteio com um pãozinho desses que o formato do pão doce alemão representa Cristo enrolado na sua manta. Quem lê, imagina-me uma católica fervorosa assando pães para presentear as suas comadres. Pelo contrário, apenas gosto de contar as histórias por trás da comida. Dá profundidade à experiência.


Fiquem à vontade para criar sua própria combinação de frutas secas ou cristalizadas, apenas não utilizem aquela mistura de frutas cristalizadas vendida pronta para panetones. E não ousem acrescentar essência de panetone, ou vocês não são merecedores dessa receita. Devo avisar que a receita rende muito, muito mesmo, 6 pães de 400 g cada. Se pretende preparar apenas para você e sua família, sugiro que  faça a terça parte. Segue a minha versão da receita do livro "Técnicas de Padaria Profissional" de Paulo Sebess.


Esse foi feito com 800 g de massa crua.

Stollen

Frutas secas maceradas durante a noite:
Uvas passas sultanas - 85 g
Uvas passas corintos - 85 g
Damasco seco - 50 g
Gengibre cristalizado - 40 g
Cranberries secas - 50 g
Laranja cristalizada - 10 g
Limão cristalizado - 10 g
Cidra cristalizada - 10 g
Conhaque - 100 mL
Licor de uísque Bailey's - 20 mL
Extrato de baunilha - 15 mL
Água de flor de laranjeira - 15 mL

Esponja:
Leite integral - 200 mL
Farinha de trigo - 200 g
Fermento seco - 8 g

Massa:
Farinha de trigo - 1 kg
Canela em pó - 10 g
Esponja - 408 g
Açúcar - 40 g
Sal - 10 g
Raspas de limão siciliano - 5 g
Raspas de laranja - 5 g
Ovos - 180 g (4 unidades)
Manteiga - 210 g
Água - 180 mL
Marzipã - 150 g

Cobertura:
Manteiga clarificada derretida - 100 g
Açúcar de confeiteiro - 100 g


Pique as frutas secas e cristalizadas e misture com o conhaque, o licor, a baunilha e água de flor. Conserve em um pote hermético na geladeira durante a noite.

Prepare a esponja dissolvendo o fermento seco no leite morno e acrescentando a farinha. Deixe fermentar em local aquecido por cerca de uma hora. Ela está boa para utilizar quando estiver desinflada.

Peneire a farinha com a canela, o açúcar e o sal. Bata na batedeira a esponja com os ovos, as raspas, a manteiga, e cerca de três colheres de sopa da mistura dos ingredientes secos. Depois que estiver homogêneo, vá acrescentado à mão a água e a farinha restante. Quando a massa estiver dura demais para mexer com o pão duro, vire em uma superfície limpa e seca. Incorpore toda a farinha restante enquanto sova. A massa poderá parecer um pouco dura, mas o líquido das frutas maceradas vai amaciá-la. Quando estiver bem sovada em ponto de véu, acrescente as frutas secas e sove para distribuí-las bem.

Divida em porções de 400 g ou 800 g. Boleie e deixe fermentar por uma segunda vez em local aquecido. Depois que dobrar de tamanho, abra com um rolo em formato oval, disponha um cilindro de marzipã do centro e dobre a massa sobre o cilindro. Deixe descansar mais 15 minutos e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 30 minutos.

Quando estiver dourado, retire o Stollen do forno, pincele com manteiga derretida e deixe esfriar sobre uma grade. Polvilhe com açúcar de confeiteiro antes de servir.


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Mais algumas fotos pré-Natal para vos alegrar.
Muita paz, saúde e felicidade neste dia especial entre as famílias, ho ho ho!

Arancini di riso :)
O que era um risoto de bacalhau, com um cubo de mussarela, e empanado numa farinha de rosca temperada com ervas, alho e cebola

"Iniciando os trabalhos de verão", repetindo as palavras de papai.
Poucas coisas são tão boas na vida quanto um pedaço de pão italiano mergulhado naquele caldinho de caranguejo.

Gingerbread cookies, não poderiam faltar, certo? Para mim, já são tradição.
Esse ano usei fava tonca, ou cumaru, entre as especiarias.

Esse é novo na área.
Marshmallows de chocolate com rodamoinhos (e sem ovos!).
Simplesmente impossível comer um só, juro.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Cupcake de chocolate vegano e cobertura de abacate

Cada vez sinto que sei menos, mas deve ser um sentimento normal no decorrer da vida. Quando o nosso universo de conhecimento é restrito, cremos que sabemos tudo que há para se saber. Aliás não há tanta coisa assim para se saber, não é? Que engano reconfortante.

Adoro o conhecimento, vivo à base dele, mas ele também pode ser culpado por me deprimir. Sempre que vejo coisas novas, que leio mais, descubro mais, percebo o quanto sou ignorante, o quanto ainda tenho a aprender. Não sou a única assim, vocês também se sentem assim, certo? Então, seria melhor que não me deprimisse por esses motivos tolos, uma vez que a vida será uma constante atualização, repleta de descobertas e aprendizagem. É inútil (e ridículo) me deprimir por que não sabia disso ou ainda não havia aprendido aquilo.

Bom, para o dia de hoje, temos um cupcake de chocolate vegano. Desculpem se faltam receitas de pratos principais por aqui, mas é que sempre acabo preparando doces... fazer o quê. Gostaria de tentar diminuir o número de receitas neste blog, para que este não se torne um simples caderno de receitas ao qual as pessoas recorrem em momentos de fome, desejo e desespero, hahah. E torná-lo mais a respeito de reflexões sobre a comida e a alimentação. No entanto, isso será bem complicado, dada a quantidade de receitas que preparo e que me compelem a compartilhá-las.



A receita do cupcake de chocolate veio do blog Chubby Vegan da Naa Veggie, com algumas alterações pour moi. A massa fica com aquele gostinho de bolo de chocolate caseiro, uma delícia. O ovo realmente não faz falta e até preparei essa receita outras vezes para não-veganos, simplesmente porque estava sem  ovos, pela praticidade e pelo sabor.

Já a cobertura verde-gosma é de minha autoria mesmo. Tem um consistência mais mole, que não segura o formato dos bicos de confeitaria, algo entre buttercream e icing. Ela rendeu o dobro do necessário, por isso congelei o restante e utilizei quando preparei os bolinhos pela segunda vez. Portanto, pode ser congelada sem maiores problemas. Ando num clima de preparar coberturas coloridas sem corantes artificiais, vamos ver no que dá.


Cupcake de chocolate vegano
Adaptada de Chubby Vegan

1 e 1/2 xícara de leite vegetal (soja, amêndoa, aveia, arroz)
1/4 de xícara de óleo vegetal (coco, canola, soja, milho)
1/4 de colher de chá de essência de baunilha
3/4 de xícara de açúcar refinado
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de sopa de chocolate em pó
2 colheres de sopa de cacau em pó
2 colher de sopa de fermento químico
1/4 de colher de chá de sal marinho
2 colheres de sopa de farinha de aveia ou aveia em flocos

Misture o leite vegetal com o óleo, o açúcar e a baunilha. Em uma vasilha separada, peneire a farinha com o chocolate, o cacau e o sal. Vá misturando os ingredientes secos aos líquidos aos poucos, misturando com uma espátula. Acrescente o fermento e a farinha de aveia. Se necessário, utilize um mixer para homogeneizar a massa. Divida em forma de metal de mini muffins com forminhas de papel adequadas até a metade. Asse a 180ºC por cerca de 20 minutos ou até um palito espetado sair limpo.


Cobertura de abacate

1 abacate hass
1 colher de chá de suco de limão
1/4 de colher de chá de essência de baunilha branca
1 e 1/2 xícara de açúcar de confeiteiro

Corte o abacate ao meio e remova o caroço. Raspe a polpa com uma colher e coloque na vasilha da batedeira com o suco de limão e a baunilha. Bata em velocidade alta até que não haja mais pedacinhos de abacate. Diminua a velocidade e vá acrescentando o açúcar de confeiteiro até atingir a consistência adequada.
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Se a cobertura de abacate não tocou o seu coração (hahah), experimente as tortinhas de cacau abaixo e prometo que você não vai se arrepender! Não tenho uma receita precisa, mas aqui vai, é muito simples. Para as casquinhas, triture grosseiramente algumas nozes ou castanhas que tiver à mão e acrescente algumas tâmaras secas (e mais as frutas secas que desejar, coco ralado, gergelim, etc.). Processe até obter uma massa boa de trabalhar e ponha mais frutas secas se não estiver dando liga. Nessa versão, creio que havia usado castanha-do-Pará, amêndoas e tâmaras Medjool. Coloque em formas (individuais ou não) de torta de fundo removível, fure com um garfo e leve ao forno a 180ºC por 10 minutos para secarem um pouco. Deixe esfriar e retire das formas. Para o recheio, processe o abacate com cacau em pó, um pouquinho de limão, agave ou mel, e baunilha. Se desejar, misture também chocolate derretido no recheio. Refrigere antes de servir e tãdããã. Divinas. Confie em mim.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Kheer de Jaca

Alguns meses atrás, comecei a me coçar, um formigamento que me inquietava de cima a baixo. Era cisma, cisma com jaca. Quando cismo com alguma fruta ou ingrediente desconhecido, não descanso até prová-lo. Ora pois, comprei a bendita jaca, provei e não me arrependi. Indubitavelmente, lembrou-me de banana, mas achei um tanto indigesta, por isso não consegui comer grandes quantidades e tive que arranjar-lhes um fim.


Encontrei várias receitas em português, nenhuma que me agradasse. Sorvete de jaca, pudim de jaca, doce de jaca, tudo muito brasileiro. Aquela jaca gritava especiarias e Ásia desesperadamente (e não descobri que a fruta é da Índia?). Escolhi o kheer, um tipo de mingau de arroz e leite, mas também existem versões com frutas e leite de coco no sul da Índia, como esse Chakka Pradhaman (pradhaman de jaca, kheer de jaca). 

Então, aqui vai um kheer de jaca, ótimo para substituir o mingau de aveia na manhã e para garantir energia para o resto do dia. Essa mistura de frutas frescas e secas, castanhas, leite e especiarias põe qualquer defunto de pé.

A despensa estava sem castanhas-de-caju...

Kheer de jaca

200g de jaca sem sementes
1 colher de sopa de ghee (manteiga clarificada)
1/3 de xícara de castanha-de-caju
1/2 xícara de uvas passas
1 e 1/2 xícara de leite integral
1/3 xícara de açúcar
1 colher de chá de cúrcuma (açafrão-da-terra)
1/4 de colher de café de pimento-do-reino preta moída na hora
1 colher de sopa de canela em pó ou 1 pau médio de canela
1 cravo
1 pitada de sal

Esquente a manteiga clarificada numa panela e frite a castanha-de-caju. Adicione a jaca e misture para cobrir bem com a gordura. Acrescente as uvas passas, o leite, o açúcar e as especiarias e deixe cozinhar  em fogo médio por cerca de 15 minutos. O kheer deverá ter reduzido um pouco e tomado uma textura pegajosa devido à polpa da jaca. Retire o cravo e a canela em pau, ajuste o açúcar se necessário e sirva quente.

Dicas:
  • Adicione pedaços de coco fresco ou coco seco ralado.
  • Experimente também substituir o leite por leite de coco.
  • Guarde as sementes e seque-as no forno, têm um sabor semelhante ao das castanhas portuguesas. Se desejar, sirva fatias das sementes secas sobre o kheer.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Floresta Negra: essencial no repertório da Dona Maria

Essa vida de faculdade é mais difícil do que aparenta. Todos dizem: "Ah, ela está só estudando. Agora que não trabalha mais, tem tempo para tudo". É, bem que queria horas e horas sobrando num dia para se fazer exata e somente o que quisesse, aí eu escolheria o fim mais estúpido e despropositado simplesmente porque posso. Se quisesse dedicar um dia ao ato de coçar minha redonda barriga e assistir episódios daquele seriado da loja de penhores no History Channel, eu o faria.

Contudo, não me sobram essas horas, na verdade parecem mais escassas do que quando trabalhava oito horas por dia... estranha matemática. Acho que boa parte se deve ao curso que escolhi, que por ser tecnólogo, é mais corrido e puxado que os outros. Comento mais sobre ele num post que logo segue, com fotos e mais fotos do que já se preparou nas aulas práticas.

Hoje, decidi falar sobre meu aniversário que já passou há mais de um mês, que vergonha. Foi no dia 21 de fevereiro, mas a comemoração foi no dia 24, domingo. Pela primeira vez, desde que a minha memória permite, não se comprou um bolo para um aniversário nessa residência. Tínhamos o costume de encomendar tudo - bolo, docinhos, salgadinhos -, mas com uma intolerante a lactose aniversariante, a estratégia mudou um pouco. Preparei o bolo e os docinhos, encomendamos apenas os salgados (dentre os quais alguns eram de fato sem leite, valeu, Dona Ondina! heheh).

Os docinhos foram trufas saudáveis, uma oportuna descoberta culinária. À base de tâmaras e ameixas, também levam sementes de linhaça, cacau em pó, leite de soja em pó (ou leite integral em pó) e amêndoas trituradas para uma crocância opcional. Ou seja, a receita é sem lactose, sem glúten, sem açúcar refinado, sem creme de leite e sem chocolate. Com todas essas exclusões, muitos hão de pensar que é insossa e posso responder-lhes antecipadamente que não, não são insossas. São deliciosamente saborosas, macias e doces, sem ter de recorrer a ingredientes que deprimem o organismo. A receita logo mais sairá no Yahoo e, então, compartilho aqui o link com todos já está no Yahoo, acessem Trufas saudáveis: sem creme de leite, chocolate ou açúcar refinado!
Encontrei essas tâmaras do tipo Medjoul de Israel no Sacolão Hayama. Muito utilizadas no exterior, são maiores, mais claras, carnudas e úmidas do que as que costumamos comprar por aqui.

A massa perfeita para enrolar. E não vai ao fogo!
Trufinhas prontas cobertas com cacau e coco ralado.




Mas a grande estrela da noite foi o bolo. Ah, sim, agora me lembro, o bolo. Foi um bolo Floresta Negra sem lactose, é claro.

É uma daquelas figurinhas carimbadas no repertório de qualquer confeiteira, doceira ou pâtissier. Mas também deveria ser essencial no repertório da Dona Maria! Ou, só porque é dona de casa, não pode fazer "bolo chique"? Há essa diferenciação entre doces de casa (como o bolo de brigadeiro, nega maluca, pudim de leite, bolo de coco) que são feitos pela Dona Maria e que ninguém faz tão bem quanto a Dona Maria - estejam certos disso! - e os bolos de festa, aqueles que encomendamos, com mousse e trufa e chantilly e raspas de chocolate e cerejas.

Pois tenho certeza de que, se a Dona Maria se pusesse a fazer um bolo de festa, o quitute ficaria mais delicioso do que aquele que ela encomenda na loja ou com a senhora do prédio da esquina que faz doce para fora.

A minha versão do Floresta Negra (bolo clássico nomeado pela Floresta Negra do sudoeste da Alemanha) é mais rústica e deixa à mostra as camadas, um bolo "pelado". Leva creme de chantilly Hulalá em vez de creme de leite fresco e creme de soja em vez de creme de leite para o ganache. Queria ter feito com cerejas amargas e licor Kirsch como manda o protocolo, mas o orçamento e tempo limitado me restringiram.

Ordem das camadas:
  1. Massa de bolo de cacau embebida em licor de cereja
  2. Chantilly (sem lactose da Hulalá)
  3. Mistura de geleia de cereja amarga com frutas vermelhas cozidas em calda
  4. Massa de bolo de cacau embebida em licor de cereja
  5. Ganache de chocolate amargo (com creme de soja)
  6. Frutas vermelhas sortidas (cerejas, morangos, framboesas, mirtilos e amoras)

O que passo aqui é a receita da massa de cacau, pois para o resto não tenho receita e assim vocês podem adaptar e criar suas próprias versões. Essa massa não é muito seca e pode servir como base para diversos outros bolos de chocolate. Apenas não recomendo que se façam bolos de várias camadas, porque não é muito sólida e resistente a peso excessivo.


Massa de cacau

5 ovos
5 colheres de sopa de açúcar
5 colheres de sopa de farinha
250 mL de água
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de fermento em pó
2 colheres de sopa de óleo vegetal

Unte uma forma redonda de 26 cm de diâmetro e fundo removível. Separe as claras e gemas. Bata as claras em neve, adicione as gemas e o açúcar e bata até homogeneizar. Em seguida, à mão, alterne colheradas de farinha e água, mexendo com um pão-duro. Acrescente o cacau, o óleo e, por último, o fermento. Misture bem e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 30 minutos.

Mon gâteau Fôret-Noire


Esse cara essa garota sou eu, não se deixem enganar pelo aspecto nada imponente e cara de pateta



Já havia feito essa massa de bolo no aniversário da minha mãe, mas numa forma menor e com uma cobertura de creme de manteiga (ou buttercream). Também fica incrível!

Agosto/2012
Agosto/2012

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Brownie de Tâmaras (sem glúten, açúcar, ovos ou lactose)

As sementinhas de chia dão uma crocância delicada
Já dá para ter uma ideia do que vem por aí, não? Ando sentindo compaixão pelas pessoas que sofrem de restrições alimentares como eu e agora quero criar tudo livre de tudo, deu para entender? Heheh. Livre de lactose, de açúcar, de glúten, de ovos, que mais? Só não posso dizer que esta receita de brownie se adapta ao crudivorismo, mas vou dar uma opção de modificação fácil para os crudívoros também (que, na verdade, é mais fácil do que a receita que fiz).

Esse brownie fica incrivelmente doce e o chocolate no nível exato, acompanhado do meu sorvete de coco fresco, uma tentação. Pena que não sobrou sorvete para tirar mais fotos. Vou torturá-los um pouco e deixá-los sem a receita do sorvete de coco (que leva carne, água e óleo de coco, agave, baunilha, sal e limão) até que tenha fotos para poder publicar tudo junto, receita e foto!

Até lá, o brownie de tâmaras se ocupará de distrair sua ânsia por doces!


Brownie de Tâmaras

300 g de tâmaras secas
100 g nozes chilenas
4 colheres de sopa de óleo de coco
1/2 xícara (50 g) de chocolate meio amargo em gotas (sem lactose, cheque os ingredientes do seu chocolate)

5 colheres de sopa de água (das tâmaras)
3 colheres de sopa de sementes de chia


1/4 de xícara de farinha de arroz integral
2 colheres de chá de fermento químico em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio em pó
2 colheres de sopa de cacau em pó

(Opcional:)
1 colher de sopa de guaraná em pó
1 colher de sopa de leite de soja em pó
1/2 colher de café de canela
1 colher de chá de mel (ou agave)


Ponha cerca de meio litro de água para ferver e utilize a água quente para cobrir as tâmaras e as nozes em vasilhas separadas. Isso servirá para amaciar as tâmaras e facilitar o trabalho do processador e para "acordar" as nozes, deixando-as inchadas. Ou, se preferir, deixe as nozes de molho por quatro horas antes de utilizá-las. Escorra as tâmaras e as nozes . Reserve cerca de 5 colheres de sopa da água das tâmaras e adicione as sementes de chia para "gelificarem".

Em um processador, triture as nozes (quase em ponto de pasta de nozes) e adicione as tâmaras e o óleo de coco. Não há problema em deixar alguns pedacinhos maiores de tâmaras, como fiz. Derreta o chocolate meio amargo em banho-maria ou no micro-ondas e adicione ao processador. Pulse para misturar.

Fora do processador, acrescente as sementes de chia hidratadas e misture bem, você verá como a massa ficará leve como se tivesse usado ovos ;) Peneire a farinha, o fermento, o bicarbonato e o cacau e misture vigorosamente. Adicione as especiarias e complementos que preferir. Utilizei guaraná, canela, leite de soja em pó e mel. Opções interessantes ao meu ver são gengibre em pó, cardamomo, raspas de laranjas, pimenta do reino, nozes e amêndoas picadas grosseiramente, entre outros.

A massa é bem sólida e não rende muito, cerca de 12 quadradinhos no tamanho em que fatiei. Não tinha uma forma no tamanho adequado, então simplesmente espalhei numa folha de papel manteiga. Asse a 180ºC por 40 minutos.





Versão crudivore-friendly com apenas quatro ingredientes: tâmaras secas, nozes chilenas, óleo de coco e cacau em pó. Como não preparei essa versão, posso apenas dar uma ideia de como eu faria:

Crudivore-Friendly Date Brownie (só para ficar tudo em inglês, heheh)

150 g de nozes chilenas (trituradas em pasta)
300 g de tâmaras secas
4 colheres de sopa de óleo de coco
5 colheres de sopa de cacau em pó

E jogue tudo no processador querido de todo dia. Se ficar muito sólido, adicione mais nozes em pasta ou óleo de coco. Se ficar muito líquido, mais cacau. Coloque numa assadeira forrada e deixe refrigerar bem antes de cortar. C'est fini. Bisou bisou.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Panetone Caseiro (Receita do Rogério Shimura)

Mais uma da série Yahoo. Dessa vez, aventurei-me na terra dos panetones. Depois da seguir a receira básica, assei mais um panetone com massa integral, gotas de chocolate, nozes e cascas de laranja cristalizadas. Diliça.