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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Cheesecake de maracujá crudívoro (sem lactose, glúten, açúcar ou ovo)

Boa tarde de mais um dia de verão infernal para todos! Essa publicação é apenas para passar uma receitinha que já foi comentada neste blog. E que, convenhamos, atiça o interesse porque é gelada. Não consigo sequer cogitar ligar o forno ou ficar à beira de um fogão quando o Sol está a pino como hoje.

Uma leitora querida viu a foto do meu cheesecake de maracujá no post Delícias veganas e pediu que eu passasse a receita, pois aqui vai. Eu peço desculpas por nunca tê-la compartilhado antes, mas não tinha fotos boas o suficiente para fazer uma publicação individual da receita. Bom, que isso não me impeça no futuro! Heheh. Estou com planos de fazer uma geleia de ameixas caseira e vou ver se reservo um pouco para fazer um cheesecake desses neste fim de ano. E tiro umas fotos decentes! :p

Essa é uma daquelas receitas incríveis que não leva leite ou derivados, não contém glúten, nem ovo, nem açúcar e ainda assim fica divina. E o que faz ela ficar tão divina? A mãe natureza in all her might, já que nada aqui é industrializado ou processado.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Pão de bicarbonato, o famoso Irish Soda Bread (Daring Bakers)

Resolvi participar desse grupo da rede chamado The Daring Kitchen, que se divide em The Daring Bakers e The Daring Cooks. Lá eles postam desafios culinários (especificamente de confeitaria ou de cozinha) para prepararmos e postarmos fotos e comentários todos os meses.

 For the month of September Meredith from the Poco Loco Olsons challenged us to experiment with soda bread.


O meu primeiro desafio nesse mês de setembro foi o Irish Soda Bread, um pão de origem irlandesa que não leva fermento biológico. Ele depende da reação entre o bicarbonato de sódio e a acidez do buttermilk (leitelho, um tipo de leite azedo), para crescer. O leitelho é um produto comum nos mercados norteamericanos e ingleses, mas aqui nunca o vi em mercado algum. 

O pão de bicarbonatona categoria de quickbread, pães de preparo rápido, nossos famosos pães de minuto. Esse tipo de pão não precisa de descanso para fermentar. Depois que os ingredientes estão misturados, é só moldar e levar ao forno.

É a receita perfeita para um dia corrido. Fica delicioso recém saído do forno, com uma manteiga derretendo, como também têm uma durabilidade boa sem ficar ressecado. O Soda Bread original levava apenas 4 ingredientes, farinha de trigo, buttermilk, sal e bicarbonato. A minha versão é um pouco mais complexa, mas você pode adaptá-la sem problemas. Usei leite de coco e vinagre de cidra para substituir o leitelho, mas você pode e deve usar leite integral e vinagre para recriar o leitelho em casa se não tiver problemas com lactose.



Pão de bicarbonato sem lactose (Irish Soda Bread)

3/4 de xícara de leite de coco
1/2 xícara de água
1 colher de sopa de vinagre de cidra
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de farinha de trigo integral
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá sal
1 colher de chá de semente de cominho
1/3 de xícara de uva passa e tâmara

Pré-aqueça o forno a 180ºC, Misture o leite de coco, a água e o vinagre de cidra e deixe descansar 10 minutos. Pique as tâmaras, junte as uvas passas e deixe hidratando em água. Em um bowl, peneire as farinhas, o bicarbonato e o sal e acrescente as sementes de cominho. Escorra as frutas secas e junte às farinhas. Misture os líquidos aos secos até incorporar completamente. Molde em um círculo achatado e faça dois cortes perpendiculares de uns 2 cm de profundidade. Isso ajudará o pão a crescer por igual. Asse por cerca de 35 minutos até crescer e dourar.


*Para uma receita mais simples, use apenas:
1 e 1/4 xícara de leite integral
1 colher de sopa de vinagre de cidra
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá sal

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Bolo branco vegano com calda de kinkan

Nos meus últimos meses na cozinha, pude chegar à conclusão certeira de que a confeitaria é uma arte de tentativa e erro. As receitas têm de passar por diversas adaptações de proporções e ingredientes conforme os equipamentos disponíveis, a temperatura e umidade ambientes, a qualidades dos produtos utilizados, entre muitas outras variáveis. Portanto, queridos colegas cozinheiros, não se deixem desanimar por um bolo solado, o ingrediente mais importante da sua receita é a perseverança! Analise, corrija, adapte e tente novamente!


 Os bolos veganos são uma área de expertise completamente nova para mim. Nunca havia preparado bolos que fossem simples e veganos, fofos e saborosos. Um bolo tradicional abrange uma ampla gama de variedades, métodos de preparo e ingredientes, mas geralmente será composto por ovos, farinha e açúcar e eventualmente por aditivos como manteiga ou óleo, leite ou suco, fermento, creme de leite, entre outros.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Brownies proteicos de feijão preto com cobertura de coco e nozes (Vegan German brownies)

Hoje não estou no ápice da inspiração, mas quero publicar essa receita porque o resultado foi satisfatório demais para que ficasse guardado por tantos dias longe dos olhos públicos.

Esses são brownies à base de feijão preto cozido. É uma receita vegana, sem glúten e sem açúcar refinado na massa (dei-me o direito de incluir açúcar na cobertura, mas sinta-se à vontade para retirá-lo). German brownies são uma variação de German chocolate cake, um bolo americano feito com chocolate alemão e coberto com um creme de nozes pecã e coco ralado, uma confusão não? O que importa é que é gostoso!





















terça-feira, 24 de junho de 2014

Queijo vegetal de pinhão e semente de girassol (Pine nut and sunflower seed vegan cheese)





Aqui vai minha terceira desventura no reino encantado dos queijos vegetais. Um reino tão cheio de passagens secretas e combinações de segredos para suas portas trancadas que, às vezes, é mais fácil recorrer aos queijos animais, mesmo que tragam malefícios à sua saúde.
Como veio a calhar, vou lhes contar que, nos últimos dias, tenho conseguido manter uma dieta 90% livre de lactose e isso se deve ao fato de que minhas aulas já acabaram, não há mais tentações debaixo do meu nariz. Assim, consigo preparar meus substitutos vegetais e não sentir falta dos outros alimentos.
Meu primeiro queijo vegetal foi um queijo cremoso de castanha-de-caju, à base de rejuvelac e mal-sucedido - preciso de novas tentativas com esse caldo fermentado de trigo. O segundo foi de macadâmias, à base de ágar-ágar, textura boa, mas de sabor um pouco decepcionante.
Já este terceiro me conquistou, é o único que não se baseia somente em oleaginosas. Este queijo vegetal é essencialmente produzido a partir de sementes, isto é, a semente seca da flor de girassol e a semente cozida da araucária. Portanto, é um queijo nut-free e que possui um custo de produção menor (nem vou comparar os preços dessas sementes aos da castanha e da macadâmia).
E o que faz esse queijo tão especial? O seu sabor final me traz lembranças da maravilhosa cozinha árabe e do oriente médio com o alho cru, o azeite, o limão, etc. Se quiser exaltar essas características árabes, sinta-se livre para acrescentar um pouco de tahine orgânico. A textura do queijo é um tanto ambígua; firme o suficiente para cortar em fatias, mas cremoso o bastante para espalhar no pão. Deu para entender? Heheh.
Outras adições interessantes a meu ver: pimenta calabresa em flocos, azeitonas, cebolinha, coentro, curry, páprica, sumac, zattar, ervas finas, orégano, tomilho, óleo de gergelim. A receita original, publicada por Bia Gonzaga, contém fumaça líquida (obtida da condensação de vapores da queima de madeira), mas isso me parece mais um ingrediente para caldeirão de bruxa, por isso omiti.


Queijo vegetal de pinhão e semente de girassol

250g de pinhão cozido e descascado
100g de semente de girassol
2 dentes de alho
3 ramos de salsinha (folhas e talos)
1 colher de sopa de linhaça
2 colheres de sopa de missô
1 colher de sopa de sopa de cebola em pó
4 colheres de sopa de azeite extravirgem
1 limão
1/4 colher de chá de sal marinho
1 colher de sopa de molho inglês
1 colher de chá de gengibre em pó
Pimenta-do-reino preta moída
Pimenta tabasco

No dia anterior, cozinhe o pinhão na pressão com bastante água até que fique macio. Deixe a semente de girassol de molho até a manhã seguinte. Descasque os pinhões e escorras sementes de girassol. Em um processador, coloque o pinhão, a semente de girassol, o alho, os talos de salsinha e a linhaça. Processe até virar uma massa. Quando a mistura parecer muito seca e não processar mais, desligue o aparelho e acrescente o misso, o azeite, o suco do limão e a sopa de cebola em pó. Processe até ficar cremoso e homogêneo. Por último, junte as folhas de salsinha, o molho inglês, o gengibre, as pimentas e um pouco de sal se achar necessário. Processe novamente. Coloque num recipiente untado com azeite e aperte bem, evitando deixar bolhas de ar dentro da massa. Reserve na geladeira por 2 horas, desenforme. Guarde tampado, sob refrigeração.



domingo, 16 de março de 2014

Delícias veganas - Cheesecake crudívoro de maracujá, Tagliarini de pupunha, Dahl de lentilha vermelha, Amanteigados veganos, Muffins de centeio e chocolate

Não me recordo se cheguei a comentar aqui, se sim me perdoem pela repetição. Estou trabalhando (quer dizer, estagiando) em um restaurante japonês aqui em Santos, chamado Okumura desde novembro do ano passado. Ando tão cheia de preocupações com faculdade e trabalho que mal resta tempo para cuidar de mim mesma, imaginem para escrever no blog...

Também ando desandando com a alimentação... comendo muitos doces, engordando, comendo laticínios que não me fazem bem. Tudo isso porque não tenho tempo de fazer os doces que posso comer, e acabo ficando tentada com outros quitutes (especialmente os da faculdade). Essa semana me mantive bem na dieta sem lactose, tive apenas um deslize ontem com um bolo do aniversário da minha cunhada que estava na geladeira clamando por ser mastigado por essa boca aqui. Os efeitos foram piores que os de costume, parece que minha intolerância anda mais agravada.

Estas lindas fotos abaixo foram o que fiz quando tive tempo. Sinto que cada vez me sinto mais inclinada à confeitaria vegana, a aprimorá-la e torná-la cada vez mais deliciosa para todos!

Cheesecake crudívoro de maracujá (Raw Passionfruit Cheesecake)
(nevermind the foil paper)

A base é de tâmaras, nozes e cacau, o creme do meio é de castanha de caju e baunilha, e o creme superior é de castanha de caju e geleia de maracujá caseira. O bom desse doce é que ele deve ser congelado e as sobras podem (e devem) ser mantidas no congelador, ou seja ele dura um bom tempo para saciar as lombrigas intolerantes dessa que vos escreve


Tagliarini de pupunha com molho de tomate e manjericão
(Heart of palm tagliarini with tomato basil sauce)


Comprei um pupunha outro dia, deveria ter 60 cm. A parte interna, mais macia, assei e servi com azeite e ervas. Com as partes um pouco mais dura, mas comestíveis, preparei esse taglarini. É só passar o pupunha no mandoline, branquear em água fervente com sal por uns 2 min e servir com o molho de sua preferência.


Bife vegetal, arroz integral, repolhos refogados com kümmel e dahl de lentilha vermelha com pasta de tamarindo
(Vegan steak, whole grain rice, cabbage with kümmel, and red lentil dahl with tamarind paste)


Parece uma mistura maluca, mas devo dizer que os preparos se complementaram tanto em cor quanto em sabor. Usei pela primeira o bife vegetal da marca Quebra-Cabeça e devo dizer que a textura não me agradou tanto quanto o sabor. Fica um tanto gelatinoso no centro, acho que é muita goma xantana, mas o sabor de feijão e pimenta-do-reino passa bem como carne.

O dahl de lentilha vermelha é um prato que está na minha listagem há tempos. Vou passar umas instruções básicas aqui: sue 1 cebola pequena e 2 dentes de alho em brunoise no azeite (ou no ghee), acrescente 1 colher de chá de cúrcuma, 1 colher de chá de cominho, 1 colher de chá de páprica, 1 colher de chá de coentro,1 colher de chá de gengibre em pó (ou um pedaço de 1 cm de gengibre descascado), uma pitada de pimenta caiena. Frite bem os temperos (sem queimar), adicione 1/2 xícara de lentilha vermelha, 1 tomate concassé, 80 mL de extrato de tomate e 2 xícaras de caldo de legumes caseiro. Cozinhe por 20 minutos com a panela tampada. Acrescente uma colher de sopa de pasta de tamarindo (aquela que é líquida, não é o tamarindo seco, nem a polpa, nem o concentrado). Deixe reduzir com a panela aberto por 10 minutos até ganhar uma consistência mais espessa. Corrija o sal e sirva.


Amanteigados veganos com lavanda e chocolate - método de pâte sucrée
(Vegan lavander butter cookies drizzled with chocolate)


Esses lindos biscoitinhos acima são segredo de estado, heheheh, ainda não acertei a receita como queria. Posso liberar a informação de que são feitos com uma manteiga batida vegana à base de óleo de coco extravirgem e azeite de oliva extravirgem (50/50).


Muffins de centeio e cacau - com gengibre cristalizado ou com pedaços de chocolate orgânico
(Chocolate rye muffins - with candied ginger or organic chocolate chunks)




A farinha de centeio combinada ao cacau é uma combinação inesperada que funciona perfeitamente, o amargor do centeio, do cacau e do azeite se complementam e não são sobrepujantes, casando com a maciez do bolinho. Quando encontrei essa receita, descobri que é costume nos países nórdicos comer uma fatia de pão de centeio com uma plaquinha de chocolate amargo finíssima vendida especialmente para esse propósito. Imaginem, essa plaquinha - chamada pålægschokolade - derretendo libertinosamente sobre o pão de centeio quente... omfg.

Omiti a flor de sal da receita original, não por não gostar de chocolate e sal, pelo contrário, eu adoro a combinação. No entanto, como a combinação de centeio e cacau já era algo novo, quis limitar as inovações gastronômicas para não confundir meu paladar heheh. A alguns muffins, adicionei fatias de gengibre cristalizado que conferiram um oomph diferenciado. Por sinal, não é uma receita vegana, apenas sem lactose. Aos muffins com pedaços de chocolate, usei o Chokolah 60% e, infelizmente, arrependi-me de usar essa marca de chocolate. Esse chocolate especificamente contém muitos traços de outros produtos que ficam notáveis no paladar, especialmente hortelã. Uma observação; se você quiser ver meu sorriso amarelo, dê-me uma mentinha de chocolate - urgh.

Por fim, umas fotos do meu bolo de aniversário - que em nada se assemelha aos preparos anteriores - repleto de ovos e creme de leite. Seguindo uma receita da Lenôtre, fiz uma Sachertorte divina. A massa do tipo biscuit levava marzipã e havia dois recheios, um ganache amargo e um purê de damascos. Essa também foi a minha primeira tentativa com glaçage, tudo correu bem. Decorei com uns desenhos de chocolate e corante dourado em pó.


Maçarico caseiro - aforma mais rápida de se acender velas de aniversário
Os brigadeiros também era brigadeiros comuns, hahah.
Ganhando uma máquina de abrir e cortar massas dos meus pais. É uma Atlas 150 da Marcato, uma das melhores que existem :D (eles receberam a dica da minha cunhada gourmet heheh)
Aguardem muitas receitas de massas! :)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Redescobrindo ingredientes brasileiros: Picolés de coco e cupuaçu e o Cupulate

O novo livro de Atala me prendeu pelas papilas e pela aparante, talvez real, simplicidade. O chef menciona que sua cozinha se despiu das técnicas e que as utiliza a fim de alcançar o ponto de sabor necessário, desvencilhando-se de etapas frívolas. Não sei como eram suas receitas anteriormente, mas estas me parecem simples, não as tomem por fáceis, de serem reproduzidas mesmo em ambiente e com equipamentos domésticos.

Um dos fatos que me saltou aos olhos é que o D.O.M. foi aberto em 1999 primeiramente para gerar bufunfa e não nasceu como um restaurante gastronômico (por mais absurda que essa denominação soe), essa sua característica brasileiríssima veio evoluindo ao longo dos anos. Agora percebo que o primeiro fato não deveria ter me espantado, pois esse é o objetivo primordial de qualquer comércio de alimentos. Além disso, descobri que o restaurante possui um menu degustação vegetariano para atender à demanda paulistana. Pensando bem, nada faz mais sentido em um país no qual parece haver mais frutas e hortaliças que qualquer outro alimento.

As fotos e imagens do nosso país são ricas e bem emolduradas, pergunto-me se ele realmente tirou algumas dessas fotos em suas inúmeras incursões como os Bandeirantes ou se todas são produto da treinada equipe por trás do homem. O livro é dividido por grupos de ingredientes como "Laticínios e carnes", "Peixes e frutos do mar", "Vegetais", etc. Em cada capítulo, são apresentados ingredientes brasileiros aos quais seguem as receitas que contém os tais ingredientes. Atala prega a relação entre o urbano e o rural, a valorização do pequeno produtor, o conhecimento de onde vem o nosso alimento, prega o frescor e a sustentabilidade, e todas as histórias que estamos acostumados a ouvir de cozinheiros ao redor do planeta.

As receitas, em geral, são simples, mas não para os não iniciados em gastronomia. Nota-se claramente a base de culinária europeia de Atala. Alguns ingredientes nunca serão encontrados no seu supermercado mais próximo, desista. Esse não é um livro para seguir as receitas tanto quanto é um livro para se deixar inspirar pelas receitas.

Não, não vou gastar um quilo de sal grosso para cozinhar 200 g de mandioquinha e não vou ficar enfiando lecitina de soja para fazer uma espuma de amendoim. Não, não vou comprar uma Thermomix, nem um desidratador. Mas a sua combinação de peixe com amendoim e mandioquinha muito me atraiu. Também quero sair catando umas saúvas para comer, depois que você me informou de que as ditas formiguinhas têm sabor de gengibre e capim-limão. Quero comer mangarito, priprioca, jambu, tucupi, pequi, bacuri, castanha do baru, jambo rosa e, ah, a baunilha brasileira... como te desejo. Devo confessar que a coxinha negra também atiçou essa lombriga irrequieta que dorme cá na minha barriga.

Concordo que os ingredientes brasileiros estão começando a mostrar seu apelo para os próprios brasileiros, que querem exaltar o que há de bom e saboroso em nossa terra, mas ainda é um grupo muito restrito. Às vezes, temo que nossa culinária com ingredientes um pouco bizarros jamais cairá no gosto da gastronomia mundial como a culinária japonesa, tailandesa, chilena, etc. 

O que vos trago não é receita, apenas algo que preparei nessa minha onda brasileira.

Picolés de coco e cupuaçu 

Rende 6 mini picolés 

Doce de cupuaçu:
200 g de polpa de cupuaçu
2 colheres de chá de açúcar refinado 
Picolé de coco:
4 colheres de chá de açúcar refinado
50 mL de água
75 mL de nata de coco (igual a creme de coco)
150 mL de leite de coco
15 mL de óleo de coco extravirgem 
Apure em fogo baixo o cupuaçu com o açúcar por 5 minutos, ou por mais tempo de acordo com seu gosto. Disponha o doce de cupuaçu na ponta dos moldes de picolé. Misture o açúcar e água em fogo médio e deixe ferver. Quando alcançar um ponto de calda rala, adicione a nata de coco e o leite de coco. Em seguida, acrescente o óleo de coco líquido e misture bem até homogeneizar (gotículas de óleo não devem ficar visíveis). Derrame nos moldes de picolé até preenchê-los, coloque os palitos e leve ao congelador por pelo menos 6 horas. Tadã, estão prontos. E são deliciosos.
Sugestão de finalização:
Triture um pouco de castanha-do-Pará e toste numa frigideira, reserve. Derreta um pouco de cupulate  80% Amma* e reserve. Desenforme os picolés, mergulhe no cupulate derretido e passe na castanha imediatamente. E, o mais importante, coma imediatamente.





O cupuaçu (Theobroma grandiflorum) é do mesmo gênero que o cacau (Theobroma cacao). As amêndoas do cupuaçu, quando passam pelo mesmo processo que o cacau, resultam no cupulate, um "chocolate de cupuaçu". O cupulate já era tradicional no Norte do país, mas agora pode ser encontrado sob forma industrializada nas grandes cidades e futuramente nas pequenas cidades também graças a Diego Badaró do Amma Chocolate. Esse cupulate é uma das minhas novas paixões, com um rico aroma frutado e floral completamente diferente de qualquer coisa, traz notas de cacau, não é tão amargo ou ácido, sentem-se pequenos grânulos, e o cupulate tem uma textura mais macia, derretendo com mais facilidade.

domingo, 17 de novembro de 2013

Dois ingredientes e uma mousse

Todo ano a repetição reconfortante chega precisa, sem tardar. As estações que mudam, as frutas que amadurecem, a chuva que fertiliza e os humores que acompanham, subindo e descendo com a maré e as luas. Contudo, nem tudo são flores (não poderia prescindir de um habitual cliché), também vem chegando sutilmente a repetição enfadonha, igualmente pontual. Provas, pesquisas e trabalhos se acumulam, assim como a fadiga de final de ano. Ah, como anseio outra repetição, a do descanso e de reposição de energias das reuniões e festas com família e amigos no final do último mês do ano. Não liguem para essa melancolia e esse estilo romântico suspirado, acabei Jane Eyre há poucos dias e, uma vez que não tenho escrito nada além de textos acadêmicos, meu estilo próprio ainda está mergulhado e encilhado nas algas profundas do romantismo meio gótico e sobrenatural de Charlotte Brontë.

Em toda essa triste turbulência anual, nada melhor que um doce para suprir suas necessidades com poucos ingredientes e em poucos minutos. E a isso, devemos agradecer ao senhor pai da gastronomia molecular, o francês Hervé This. Creiam quando vos digo que, para essa deliciosa mousse, utilizaremos apenas água e chocolate! Eu mesma não acreditei que funcionaria, but there's a catch: use o melhor chocolate que tiver, uns 60% ou 70% cacau, preferencialmente importado e sem gordura vegetal na composição. Eu usei meu Callebaut 60% em gotas que tinha por aqui.


Mousse de chocolate de dois ingredientes (molecular, vegano)


200mL de água
225g de chocolate amargo (60%)

Coloque a água e o chocolate numa panela em fogo médio e vá misturando até o chocolate derreter completamente e homogeneizar. Prepare um recipiente maior que sua panela, encha com água e gelo. Coloque a panela dentro do recipiente e utilize um mixer para bater a mistura. Enquanto vai esfriando, a mistura vai engrossando e incorporando bolhas de ar que dão a textura de mousse. Passe para taças individuais, cubra com plástico filme e conserve em geladeira até servir. Se desejar, sirva com creme batido e frutas vermelhas. Yum.

Se o mousse ficar muito ralo, derreta novamente, adicione mais chocolate e repita os passos seguintes. Se o mousse ficar muito pesado, derreta novamente, adicione mais água e repita os passos seguintes. Se ficar granuloso, o mousse foi batido demais, derreta novamente e repita os passos seguintes.


sábado, 27 de julho de 2013

Pode pão sem farinha? O pão essênio diz que pode

A cada dia que voa, sinto com mais veemência que algo me impele com força em direção à pâtisserie. Sim, adoro a cozinha, adoro preparar refeições, principalmente asiáticas e vegetarianas, mas isso já é assunto para outros textos. O que mais preparo, no entanto, são pães e doces e não tenho muitas medidas a tomar com relação a isso. Adoro um bom doce, não posso negar, e, indubitavelmente, acabo preparando esse tipo de comida com mais frequência porque é o que mais sinto vontade de apreciar, mas será que também acabarei trabalhando com isso? Só o tempo dirá, não é mesmo? Ah, mas os sonhos têm inconsciência própria e decerto têm as ideias mais bem colocadas do que as nossas consciências atribuladas com insignificâncias cotidianas, e eles me pintam preparando massas numa boulangerie ou docinhos numa confeitaria... ai, ai.


Este ano fui ao Tanabata Matsuri de São Paulo no dia 7/7. Não sabíamos de nada e como havia ido visitar meu irmão e cunhada, acabamos dando uma passadinha na Liberdade à tarde antes de voltar ao território praiano. Lá nos deparamos com uma multidão de otakus assistindo a bandas cover desafinadas (produção, faça-me o favor de consertar isso?) e pessoas comuns como nós que tentavam caminhar desajeitadamente. A feirinha estava montada na praça e pode se imaginar a bagunça. Dificuldades a parte, a decoração estava muito graciosa com as lanternas e fitas coloridas e as tiras de papel com pedidos e desejos penduradas em árvores e bambus.

Singela pochete
Depois de visitar as lojas de sempre e encontrar a Itikiri Bakery como se houvesse sido saqueada (juro, não havia nada na vitrine), levei meus pais para tomar um bubble tea ou pobá, como queiram, na Tea Station Drinks ali na Rua da Glória. Também lá os otakus saqueadores haviam passado a rapa (no offense) e não havia mais pobá, portanto nada de bolinhas de tapioca nos nossos chás... :( Tomei um oolong com caramelo e gelatina de coco, se a memória não me falha.

Odeio cardápios complexos...

Bom, o que mais andou rolando e circulando e redondando por acá? Eu vos mostro:

Projeto de quilling inacabado, darei de presente atrasado de aniversário a meu maninho querido do coração s2 s2 
Uma moreninha americana suada e orgânica que veio do Mercadão
Frutas da semana: peras d'anjou, cerejas, limões, um kiwi solitário, pêssegos achatados do paraguai (adoráveis, não?) e maçãs pink lady (juro que não estourei a cor no photoshop, é natural)

E o que tudo esse asiatismo e exagero de fotos para compensar o post anterior tem que ver com a receita de hoje? Absolutamente nada. A receita-explicação de hoje é de um pão essênio, um pão das antigas, lá da época do nosso amigo Jesus, preparado com grãos de trigo brotados. Usem grãos de trigo orgânicos por favor, já que eles não serão cozidos e você vai consumir toda a casca. Eu fiz com 300 g de trigo e obtive um pão pequeno, não recomendo quantidade menor do que essa, mas não há medidas


Pão essênio

Lave os grãos e deixe de molho durante a noite com pelos menos o dobro de água filtrada. Lave novamente pela manhã, escorra e ponha para brotar em uma peneira ou em um vidro. Use um tipo de redinha para cobrir a boca do vidro ou a peneira, para que os grãos fiquem arejados. Durante o dia, deixe em local iluminado, mas não sob o sol direto. Repita o processo de lavagem (sempre escorrendo bem) a cada 4 horas aproximadamente, durante dois dias. Diminua ou aumente o intervalo conforme a temperatura ambiente: se estiver muito calor, lave mais frequentemente e vice-versa. Quando os narizinhos de broto começarem a despontar, triture os grãos no processador até formar uma massa. Cubra essa massa com plástico filme e deixe na geladeira durante 2 dias para desenvolver o sabor e a acidez. Molde como desejar, enfeite com as sementes preferidas (usei gergelim e umas folhinhas de manjericão) e seque ao sol (se o seu clima permitir) ou num forno baixinho em forma untada durante uma meia hora.

Narizinhos
Trança circular moldada

Pão prontinho, ficou com aquela textura granulosa de pão de centeio, adorei.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Coursera e relatos salivantes

Nessas férias, estou tomando um tempo para me desvirtuar da culinária. Isso não vai implicar um abandono da cozinha, não se preocupem, queridos leitores. Embora, devido à minha mente leve como pluma, abster-se de um atividade seja perigoso, pois posso me deixar levar por outros ares. Mas, não, não. Estou me mantendo ocupada com atividades familiares e seguras como leitura, desenho, filigranas, filmes, dança, patinação (e culinária, claro!), sem aprofundar-me por regiões artísticas obscuras e tentadoras.

Na última semana, iniciei um curso no Coursera, uma organização que faz parcerias com universidades e faculdades reconhecidas para trazer à rede gratuitamente cursos à distância das mais diversas áreas de estudo. Recomendo que espiem o site e se encontrarem algo que lhes chame a atenção, inscrevam-se.Os cursos relacionados à gastronomia são um pouco restritos e escassos, mas pelo menos estão lá. Se se interessar por administração ou algo assim, cursos para atender às suas necessidades não faltarão.

Os cursos são compostos por vídeo-aulas e lições a serem entregues nas datas especificadas e toda a comunicação é em inglês. Além disso, há fóruns para discussão com outros alunos e recebe-se nota pelas entregas e certificado ao final do curso. Atualmente, estou cursando "The Science of Gastronomy" pela The Hong Kong University of Science and Technology. Passou apenas uma semana (1/6), mas estou adorando! Já aprendemos sobre transferência de energia por condução, convexão e radiação e sobre como funciona a conexão entre cérebro e aparelho digestivo, como o inconsciente influencia a apreciação de um prato, etc.

Esses cursos me animaram e acabei por me inscrever em outros dois, heheh. Também no Coursera farei "The New Nordic Diet - from Gastronomy to Health" da University of Copenhagen. E no edX, participarei de "SPU27x Science and Cooking: From Haute Cuisine to Soft Matter Science" da Harvard. É, vocês leram direito, Harvard! Que divertido! Hihihih

Não pretendia, mas vou contar o que andou rolando aqui em chez Marcela para deixá-los com gostinho na boca.

Assado de sobrecoxas de frango com alecrim, couve-de-Bruxelas, mandioquinha, abóbora japonesa, tomates, dentes de alho e cebolas-pérola
Digo apenas "apetitoso".

Sauerkraut
Me joguei no chucrute e parece que deu certo. Depois de uns dois dias, o sabor da fermentação estava bom para mim, então o enfiei na geladeira. Incrementei-o com umas cebolas-pérolas, cominho, mostarda, sementes de anis e acho que só.

Bolo de chocolate com azeite (sem glúten) e Sorvete de café
Tudo da Nigelissima. Vi o episódio em que prepara essas duas guloseimas na sexta-feira. Não me aguentei e sábado fui preparar os benditos. O bolo (aqui está a receita) é delicioso, mas achei muito oleoso e pouco doce. Ficou perfeito servido com uma compota de kumquat ou com morangos assados. A Nigella (e creio que eu também) anda com essas manias de bolo sem lactose e sem glúten, sempre com bastante ovos, gordura e farinha de amêndoa (vide Bolo de fubá com calda de limão siciliano).
Alterei a receita do sorvete (link para a receita), pois não iria usar creme de leite fresco e queria descobrir se o creme de soja comum batia em ponto de Chantilly. E descobri que não bate. Mas o sorvete ficou delicioso, a diferença é que tive de tirá-lo da geladeira repetidamente para quebrar os cristais de gelo. Só faltou comê-lo como um sanduíche em pão de brioche para completar a experiência italiana heheh.

Somen em caldo de especiarias com fatias de fraldinha, shitake, acelga chinesa, brotos de feijão e cebolinha
Foi uma versão mistureba Japão/Vietnã, utilizando o caldo congelado daquele pho do mês passado.

Brigadeirão de soja
1 lata de leite condensado de soja, 2 ovos, 1 xícara de chocolate em pó, 1/2 xícara de leite de soja, 3 colheres de sopa de manteiga, 4 colheres de chá de amido de milho. Bater tudo no liquidificador, assar em forma untada em banho-maria a 120ºC por 20 minutos e aumentar para 180ºC por mais 20 minutos. Deixer esfriar, levar à geladeira, desenformar e cobrir com granulado.
Tãdã! A receita mais rápida da minha vida. E é um brigadeirão falso, pois não queria abrir uma lata de creme de soja.

Cupcakes de baunilha com morangos assados com cobertura de cream cheese e geléia de morango
Preparei-os ontem à tarde para que meu pai os levasse para meu irmão, hoje é aniversário dele. Parabéns, Gu! ;)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Cupcake de chocolate vegano e cobertura de abacate

Cada vez sinto que sei menos, mas deve ser um sentimento normal no decorrer da vida. Quando o nosso universo de conhecimento é restrito, cremos que sabemos tudo que há para se saber. Aliás não há tanta coisa assim para se saber, não é? Que engano reconfortante.

Adoro o conhecimento, vivo à base dele, mas ele também pode ser culpado por me deprimir. Sempre que vejo coisas novas, que leio mais, descubro mais, percebo o quanto sou ignorante, o quanto ainda tenho a aprender. Não sou a única assim, vocês também se sentem assim, certo? Então, seria melhor que não me deprimisse por esses motivos tolos, uma vez que a vida será uma constante atualização, repleta de descobertas e aprendizagem. É inútil (e ridículo) me deprimir por que não sabia disso ou ainda não havia aprendido aquilo.

Bom, para o dia de hoje, temos um cupcake de chocolate vegano. Desculpem se faltam receitas de pratos principais por aqui, mas é que sempre acabo preparando doces... fazer o quê. Gostaria de tentar diminuir o número de receitas neste blog, para que este não se torne um simples caderno de receitas ao qual as pessoas recorrem em momentos de fome, desejo e desespero, hahah. E torná-lo mais a respeito de reflexões sobre a comida e a alimentação. No entanto, isso será bem complicado, dada a quantidade de receitas que preparo e que me compelem a compartilhá-las.



A receita do cupcake de chocolate veio do blog Chubby Vegan da Naa Veggie, com algumas alterações pour moi. A massa fica com aquele gostinho de bolo de chocolate caseiro, uma delícia. O ovo realmente não faz falta e até preparei essa receita outras vezes para não-veganos, simplesmente porque estava sem  ovos, pela praticidade e pelo sabor.

Já a cobertura verde-gosma é de minha autoria mesmo. Tem um consistência mais mole, que não segura o formato dos bicos de confeitaria, algo entre buttercream e icing. Ela rendeu o dobro do necessário, por isso congelei o restante e utilizei quando preparei os bolinhos pela segunda vez. Portanto, pode ser congelada sem maiores problemas. Ando num clima de preparar coberturas coloridas sem corantes artificiais, vamos ver no que dá.


Cupcake de chocolate vegano
Adaptada de Chubby Vegan

1 e 1/2 xícara de leite vegetal (soja, amêndoa, aveia, arroz)
1/4 de xícara de óleo vegetal (coco, canola, soja, milho)
1/4 de colher de chá de essência de baunilha
3/4 de xícara de açúcar refinado
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de sopa de chocolate em pó
2 colheres de sopa de cacau em pó
2 colher de sopa de fermento químico
1/4 de colher de chá de sal marinho
2 colheres de sopa de farinha de aveia ou aveia em flocos

Misture o leite vegetal com o óleo, o açúcar e a baunilha. Em uma vasilha separada, peneire a farinha com o chocolate, o cacau e o sal. Vá misturando os ingredientes secos aos líquidos aos poucos, misturando com uma espátula. Acrescente o fermento e a farinha de aveia. Se necessário, utilize um mixer para homogeneizar a massa. Divida em forma de metal de mini muffins com forminhas de papel adequadas até a metade. Asse a 180ºC por cerca de 20 minutos ou até um palito espetado sair limpo.


Cobertura de abacate

1 abacate hass
1 colher de chá de suco de limão
1/4 de colher de chá de essência de baunilha branca
1 e 1/2 xícara de açúcar de confeiteiro

Corte o abacate ao meio e remova o caroço. Raspe a polpa com uma colher e coloque na vasilha da batedeira com o suco de limão e a baunilha. Bata em velocidade alta até que não haja mais pedacinhos de abacate. Diminua a velocidade e vá acrescentando o açúcar de confeiteiro até atingir a consistência adequada.
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Se a cobertura de abacate não tocou o seu coração (hahah), experimente as tortinhas de cacau abaixo e prometo que você não vai se arrepender! Não tenho uma receita precisa, mas aqui vai, é muito simples. Para as casquinhas, triture grosseiramente algumas nozes ou castanhas que tiver à mão e acrescente algumas tâmaras secas (e mais as frutas secas que desejar, coco ralado, gergelim, etc.). Processe até obter uma massa boa de trabalhar e ponha mais frutas secas se não estiver dando liga. Nessa versão, creio que havia usado castanha-do-Pará, amêndoas e tâmaras Medjool. Coloque em formas (individuais ou não) de torta de fundo removível, fure com um garfo e leve ao forno a 180ºC por 10 minutos para secarem um pouco. Deixe esfriar e retire das formas. Para o recheio, processe o abacate com cacau em pó, um pouquinho de limão, agave ou mel, e baunilha. Se desejar, misture também chocolate derretido no recheio. Refrigere antes de servir e tãdããã. Divinas. Confie em mim.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Bolo de fubá com calda de limão siciliano, a.k.a. Nigella's Lemon Polenta Cake

Conhece aquela sensação de que há alguém te observando por trás das cortinas? Alguém que não percebe que deixou as pontas dos pés para fora da barra da cortina, um rato escondido de rabo para fora. Então, desistindo da árdua tarefa de se esconder, persegue-te descaradamente e a cada esquina que se dobra, lá está! É quando a rixa vai para o lado pessoal e você decide arregaçar as mangas. "É hoje, hoje vamos resolver essa encrenca".

Pois bem, uma receita me perseguia há algum tempo. E não era como se a encontrasse em versões diferentes, em revistas, em um programa de culinarista de televisão aberta às 11h da manhã, em outros sites, etc. Era especificamente essa receita da dona Nigella que vinha me perseguindo há algum tempo. Nosso primeiro encontro foi quando assisti a um episódio de sua série no computador. Depois, acabamos nos conhecendo melhor quando essa inglesa, a simpatia em pessoa, veio ao Brasil e decidiu prepará-la no programa da Angélica. Encontramo-nos novamente numa reprise do GNT. Quando bati os olhos nela no livro "Na Cozinha com Nigella" (uma das minhas últimas aquisições culinárias), eu já estava caidinha por ela. Ou ela por mim, quem sabe dizer...

Aconteceu assim tão de repente, tão profunda e espiritualmente. Agora, já nos chamamos por nomes mais íntimos. E devo dizer, sem me gabar das minhas habilidades no jogo da conquista, que ela se achegou mais a mim do que à sua própria criadora. Meu lindo bolinho não afundou como o original, ficou fofo e crescido (embora não se veja pelas fotos). E tô me gabando sim, so what?!

Coincidência ou não, hoje é dia de Santo Antônio e recomendo testar essa receita aí no seu doce lar. Quem sabe você também se apaixona por ela ou vice-versa...


Bolo de fubá com calda de limão siciliano

Adaptado de "Kitchen", de Nigella Lawson




Massa:
200g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
200g açúcar refinado
200g de farinha de amêndoas
100g de fubá
1 e 1/2 colher de chá de fermento químico
3 ovos
Raspas de 2 limões sicilianos

Calda:
1 xícara de açúcar cristal granulado
Suco dos 2 limões sicilianos
Água
1 colher de chá de água de flor-de-laranjeira

Utilize a embalagem de manteiga para untar uma forma de fundo removível de 23 cm de diâmetro. Bata a manteiga em temperatura ambiente com o açúcar e as raspas de limão até ficar leve. Noutra vasilha, misture a farinha de amêndoas, o fubá e o fermento. Acrescente à mistura de manteiga e açúcar os ingredientes secos e os ovos, alternando os dois. Despeje na forma e leve ao forno a 180ºC por 40 minutos até estar completamente assado, já dourando nas bordas. Deixe esfriar numa grade.

Prepare a calda, fervendo o açúcar com o suco dos limões. Se a calda ficar muito grossa, adicione o quanto precisar de água para afiná-la, deve ser uma calda fina. Por último, desligue o fogo e acrescente a água de flor de laranjeira. Fure o bolo com um palito e despeje a calda fria sobre o bolo. Sirva em seguida.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Creme de coco batido: meu mais novo prazer vegano

Tenho meus dias de vegetariana e dias de carnívora. Às vezes, só quero um caldinho de legumes bem quentinho, um refogado de espinafre, um feijão e arroz. Noutros dias, quero atacar um bife bem suculento, quase mugindo de tanto sangue, quero enfiar minha cara num belo hambúrguer, e rechaço de forma preconceituosa tudo que é vegetal. Ontem foi um desses dias da carne e a noite acabou com um Canal 2 (vulgo x-salada) da Hamburgueria Santista, que é uma das poucas opções para quem procura um  hambúrguer artesanal na cidade.


Na sobremesa da hora do almoço, estava necessitada da gordura animal de um belo creme Chantilly, mas o creme de leite fresco não estando disponível aqui em casa, tive que improvisar. Havia nos fundos do armário uma lata de leite de coco tailandês da marca Pantai que comprei há meses, durante uma das minhas incursões aos mercadinhos da Liberdade na hora do almoço quando ainda trabalhava em Sampa City. Estava guardando o leite de coco para substituir o Chantilly em uma sobremesa requintada, mas já que a tal sobremesa requintada nunca saiu do papel, we might as well use it anyway.

Esse leite de coco enlatado tailandês é diferente do nosso porque a água e a nata do coco ficam separadas se a lata não for remexida. Creio que não deve conter algum estabilizante utilizado na indústria brasileira ou algo assim. A nata é muita usada em sobremesas e curries e como substituto vegano do creme de leite. Esse leite de coco é uma coisa de outro mundo, um creme com um delicado sabor de coco que te conquista sem perguntar se você queria ser conquistado em primeiro lugar.

Decidi fazer uma tapioca de abacaxi com cobertura de coco, imitando um parfait, ou pelo menos tentando. Ando meio rebelde e não tenho as quantidades da receita novamente. Só pode ser reflexo da faculdade e as exigências de medidas e anotações que fizeram meu lado displicente se voltar para a cozinha do lar. Desculpem, prometo receitas da próxima vez
  • Deixei o leite de coco tailandês no congelador (para facilitar a retirada da nata).
  • Hidratei a tapioca água e cozinhei com leite de coco comum, pedaços de abacaxi fresco (nada enlatado por favor), açúcar, cúrcuma em pó e gengibre fresco em cubinhos.
  • Fiz um mix de bolachas maisenas trituradas, castanha-do-pará em fatias, linhaça e aveia. Tostei esse mix com óleo de coco numa frigideira até dourar.
  • Fiz uma calda de açúcar mascavo e água.
  • Abri a lata de leite de coco tailandês, retirei apenas a nata do coco que fica na parte superior. Bati com um fuê com açúcar de confeiteiro e uma gota de baunilha branca.
  • Espalhei a calda de caramelo nas laterais dos copos, a farofa no fundo, a tapioca em seguida, mais farofa e colheradas de creme de coco batido por cima.

Obs.: Quando for fazer o creme batido, se um pouco da água do coco vier junto, não há problema. A mistura engrossará um pouco quando for batida. E depois que as taças estiverem prontas, deixe-as descobertas na geladeira: elas ressecarão um pouco e o creme ficará ainda mais parecido com la crème Chantilly traditionnel.

Eu sei, essa sobremesa parece um samba do criolo doido, mas juro que é uma das sobremesas mais deliciosas dos últimos tempos. Essa nata de coco é DIVINA e minha preferência pelo Chantilly animal ficou seriamente abalada. E abalou também a preferência do meu pai e do meu namorado - carnívoros assumidos que torcem o nariz a tudo que é de soja ou sem leite.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Floresta Negra: essencial no repertório da Dona Maria

Essa vida de faculdade é mais difícil do que aparenta. Todos dizem: "Ah, ela está só estudando. Agora que não trabalha mais, tem tempo para tudo". É, bem que queria horas e horas sobrando num dia para se fazer exata e somente o que quisesse, aí eu escolheria o fim mais estúpido e despropositado simplesmente porque posso. Se quisesse dedicar um dia ao ato de coçar minha redonda barriga e assistir episódios daquele seriado da loja de penhores no History Channel, eu o faria.

Contudo, não me sobram essas horas, na verdade parecem mais escassas do que quando trabalhava oito horas por dia... estranha matemática. Acho que boa parte se deve ao curso que escolhi, que por ser tecnólogo, é mais corrido e puxado que os outros. Comento mais sobre ele num post que logo segue, com fotos e mais fotos do que já se preparou nas aulas práticas.

Hoje, decidi falar sobre meu aniversário que já passou há mais de um mês, que vergonha. Foi no dia 21 de fevereiro, mas a comemoração foi no dia 24, domingo. Pela primeira vez, desde que a minha memória permite, não se comprou um bolo para um aniversário nessa residência. Tínhamos o costume de encomendar tudo - bolo, docinhos, salgadinhos -, mas com uma intolerante a lactose aniversariante, a estratégia mudou um pouco. Preparei o bolo e os docinhos, encomendamos apenas os salgados (dentre os quais alguns eram de fato sem leite, valeu, Dona Ondina! heheh).

Os docinhos foram trufas saudáveis, uma oportuna descoberta culinária. À base de tâmaras e ameixas, também levam sementes de linhaça, cacau em pó, leite de soja em pó (ou leite integral em pó) e amêndoas trituradas para uma crocância opcional. Ou seja, a receita é sem lactose, sem glúten, sem açúcar refinado, sem creme de leite e sem chocolate. Com todas essas exclusões, muitos hão de pensar que é insossa e posso responder-lhes antecipadamente que não, não são insossas. São deliciosamente saborosas, macias e doces, sem ter de recorrer a ingredientes que deprimem o organismo. A receita logo mais sairá no Yahoo e, então, compartilho aqui o link com todos já está no Yahoo, acessem Trufas saudáveis: sem creme de leite, chocolate ou açúcar refinado!
Encontrei essas tâmaras do tipo Medjoul de Israel no Sacolão Hayama. Muito utilizadas no exterior, são maiores, mais claras, carnudas e úmidas do que as que costumamos comprar por aqui.

A massa perfeita para enrolar. E não vai ao fogo!
Trufinhas prontas cobertas com cacau e coco ralado.




Mas a grande estrela da noite foi o bolo. Ah, sim, agora me lembro, o bolo. Foi um bolo Floresta Negra sem lactose, é claro.

É uma daquelas figurinhas carimbadas no repertório de qualquer confeiteira, doceira ou pâtissier. Mas também deveria ser essencial no repertório da Dona Maria! Ou, só porque é dona de casa, não pode fazer "bolo chique"? Há essa diferenciação entre doces de casa (como o bolo de brigadeiro, nega maluca, pudim de leite, bolo de coco) que são feitos pela Dona Maria e que ninguém faz tão bem quanto a Dona Maria - estejam certos disso! - e os bolos de festa, aqueles que encomendamos, com mousse e trufa e chantilly e raspas de chocolate e cerejas.

Pois tenho certeza de que, se a Dona Maria se pusesse a fazer um bolo de festa, o quitute ficaria mais delicioso do que aquele que ela encomenda na loja ou com a senhora do prédio da esquina que faz doce para fora.

A minha versão do Floresta Negra (bolo clássico nomeado pela Floresta Negra do sudoeste da Alemanha) é mais rústica e deixa à mostra as camadas, um bolo "pelado". Leva creme de chantilly Hulalá em vez de creme de leite fresco e creme de soja em vez de creme de leite para o ganache. Queria ter feito com cerejas amargas e licor Kirsch como manda o protocolo, mas o orçamento e tempo limitado me restringiram.

Ordem das camadas:
  1. Massa de bolo de cacau embebida em licor de cereja
  2. Chantilly (sem lactose da Hulalá)
  3. Mistura de geleia de cereja amarga com frutas vermelhas cozidas em calda
  4. Massa de bolo de cacau embebida em licor de cereja
  5. Ganache de chocolate amargo (com creme de soja)
  6. Frutas vermelhas sortidas (cerejas, morangos, framboesas, mirtilos e amoras)

O que passo aqui é a receita da massa de cacau, pois para o resto não tenho receita e assim vocês podem adaptar e criar suas próprias versões. Essa massa não é muito seca e pode servir como base para diversos outros bolos de chocolate. Apenas não recomendo que se façam bolos de várias camadas, porque não é muito sólida e resistente a peso excessivo.


Massa de cacau

5 ovos
5 colheres de sopa de açúcar
5 colheres de sopa de farinha
250 mL de água
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de fermento em pó
2 colheres de sopa de óleo vegetal

Unte uma forma redonda de 26 cm de diâmetro e fundo removível. Separe as claras e gemas. Bata as claras em neve, adicione as gemas e o açúcar e bata até homogeneizar. Em seguida, à mão, alterne colheradas de farinha e água, mexendo com um pão-duro. Acrescente o cacau, o óleo e, por último, o fermento. Misture bem e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 30 minutos.

Mon gâteau Fôret-Noire


Esse cara essa garota sou eu, não se deixem enganar pelo aspecto nada imponente e cara de pateta



Já havia feito essa massa de bolo no aniversário da minha mãe, mas numa forma menor e com uma cobertura de creme de manteiga (ou buttercream). Também fica incrível!

Agosto/2012
Agosto/2012

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Vamos falar de coisa boa, vamos falar de Top Therm - Iogurte de soja caseiro (com BioRich)

Meu doce lar anda parecendo uma loja de animais, a única diferença é que meus adoráveis bichinhos são microscópicos e criados para nos nutrir. É levain para lá, iogurte para cá e ainda venho pensando em me aventurar a terras distantes da fermentação: chá kombucha, acelga fermentada em estilo coreano - o famoso kimchi -, picles, chucrute e outros.

Não preciso repetir as propriedades dos alimentos probióticos a todos vocês, que já cansaram de ouvir e ver as propagandas da iogurteira Top Therm, heheh. Bom, só para reiterar, essas bactérias do bem essencialmente auxiliam na digestão e manutenção de uma flora intestinal saudável e aumentam as barreiras do nosso sistema imunológico, além de “produzirem antixoxidantes, normalizarem problemas de pele, reduzirem o colesterol, manterem os osso fortes e controlarem os níveis de açúcar no sangue” (My New Roots). Uau.

Agora percebo que os esforços conjuntos de algumas de minhas blogueiras favoritas em sua “Fabulous Fermentation Week” me influenciaram nesse post..

Preparei minha colônia inicial de iogurte a partir do fermento lácteo da marca Bio Rich, que contém culturas de Lactobacilus acidophilus, Bifidobactrium e S. thermophilus. Esse produto pode ser usado tanto para fabricar iogurtes de leite comum quanto de leite de soja. Paguei R$12,60 numa farmácia de manipulação aqui perto, mas já vi por 16 por aí. A embalagem vem com três sachês e tecnicamente cada um rende 1 litro de iogurte.

Na primeira vez, preparei com leite adoçado Naturis, seguindo as instruções de aquecer o leite, misturar com uma parte de leite em temperatura ambiente ou gelado para então dissolver o conteúdo em pó do sachê. O odor desse pó não é nada agradável, mas de qualquer forma não se nota no sabor final.

A temperatura ideal para as bactérias se reproduzirem é de 37-40ºC e, se você tiver um termômetro culinário, a vida fica bem mais fácil. Depois, há de se deixar por cerca de seis horas numa iogurteira (afinal, quem compra essas iogurteiras?) ou numa bolsa térmica (o que eu fiz) até atingir a consistência desejada e levar à geladeira.

Meu iogurte, mesmo depois de um bom tempo na bolsa térmica, ficou líquido demais para o meu gosto. Então, decidi fazer como com um iogurte grego e coá-lo para separar o soro. Aí sim, estava mais apetitoso, com aquela textura espessa e cremosa. Dura uma semana na geladeira, mas note que ele vai soltando soro conforme os dias passam.

O que interessa é que ficou delicioso e acredito que é uma alternativa mais saudável se você está cansado dos iogurtes de soja disponíveis no mercado. Usando-se leite de soja sem açúcar, dá para preparar molhos como o tzatziki, servir com cordeiro num estilo marroquin, e o que sua imaginação permitir.

Esses grânulos são só porque raspei as laterais que estavam mais secas

Por que cada sachê tecnicamente rende um litro de iogurte?
Porque, desde que sobre parte da primeira leva de iogurte que você preparou, você tem uma base para preparar iogurte infinitamente. Embora o fabricante da Bio Rich afirme que “fazendo a reprodução de Bio Rich, o produto final perderá as propriedades probióticas”, isso não me parece verdade.

Na minha segunda leva de iogurte, fiz um teste a partir de meio litro de leite de soja Yoki com duas colheres de sopa de iogurte (coado e concentrado) que restavam da primeira vez, seguindo o mesmo método de preparação. E funcionou, as bactérias (a.k.a., os probióticos) se reproduziram fervorosamente numa noite de núpcias abafada. O produto final foi exatamente igual.

Obs.:
Encontrei no site da marca que a formação de soro é uma das principais diferenças da utilização do leite de soja em vez do leite comum na preparação do iogurte a partir do fermento lácteo Bio Rich. Recomendam que se adicione 1 colher de sopa de amido de milho antes de aquecer o leite.

Links: