segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Bolo de Chocolate e Cerveja Stout com Cobertura de Cream Cheese

Uhu, mais uma matéria publicada no Yahoo! Dessa vez, escrevi sobre a harmonização de cervejas e chocolates. Para mais detalhes, dê um pulinho lá em "Cerveja e chocolate: uma dupla surpreendente". Essa é uma ocasião para celebrar, assim como foi o aniversário do meu pai no último domingo, e nesses casos nada  é melhor que um belo bolo de chocolate, daquele tipo denso, suntuoso, com sabores que surgem a cada dentada e uma cobertura contrastante tanto em cor quanto em textura.

Eu diria que chocolate não está entre os favoritos do meu pai (também conhecido como o fotógrafo da casa), mas cerveja e sobremesas definitivamente estão. O mais interessante desse bolo é brincar com seus convidados num jogo de adivinhações pelo ingrediente secreto do bolo. Não haverá dúvidas entre aqueles que comerem este bolo de que há algo de especial nele, um amargor diferenciado e um certo aroma que requererão mais fatias para que se chegue a uma resposta (não que esse pretexto seja necessário, os convidados pedirão mais fatias de qualquer forma!).

O aniversariante posando para a foto e assoprando o bolo de forma espontânea
Além disso, a cobertura de cream cheese não é demasiadamente doce, o que pode ser uma tentação, ao menos para mim. Afinal, quando o bolo é estupidamente açucarado, ninguém consegue comer mais de um pedaço e sente uma sede de acabar com qualquer garrafão de água de 20 litros. No caso contrário, as fatias vão descendo fáceis junto a algumas xícaras de chá e, quando se percebe, lá se foi metade do bolo!


Bolo de Chocolate com Cerveja Stout

Decorado com nozes pecã
250 mL de cerveja stout (usei a Young's, mas qualquer outra serve, como a Guinness)
200 g de manteiga sem sal
75 g de cacau em pó
3 xícaras de açúcar
150 mL de creme de leite misturado a 1 colher de de sopa de suco de limão (a.k.a., sour cream)
2 ovos
1 colher de sopa de extrato de baunilha
2 e 1/3 xícaras de farinha de trigo
2,5 colheres de chá de bicarbonato*

Leve ao fogo médio a cerveja e a manteiga até que esteja derretida. Acrescente o cacau e o açúcar, misture bem e deixe esfriar um pouco. Bata separadamente os ovos, o sour cream e a baunilha e vá acrescentando a mistura de cervejas. Por último, peneire a farinha e o bicarbonato e incorpore aos poucos à massa (que é bem líquida mesmo). Unte e polvilhe com farinha uma assadeira redonda de 25 cm, despeje a massa e e asse no forno pré-aquecido a 180º C por 45 minutos ou 1 hora.

A bacia erodida do bolo
*Consegui apenas uma colher de bicarbonato, já que o meu acabou, completei o resto com fermento químico.
P.s.: Na verdade, esse bolo estava com cara de desastre, porque o centro ficou afundado e as laterais iam começar a queimar. Mas quando espetei o centro, descobri que já estava assado e não estava cru, como parecia. Independentemente disso, ficou maravilhoso. Não sei o que aconteceu, vou testar a receita novamente e lhes trago um veredito no futuro. Se testarem por si próprios, por favor comentem e me contem a sua experiência.


Cobertura de Cream Cheese

Nada que não possa ser nivelado por uma bela camada de argamassa, ops, cream cheese
150 g de cream cheese
1/2 xícara de creme de leite fresco
1 xícara de açúcar de confeiteiro

Na batedeira, bata o creme de leite fresco, mas não deixe chegar ao ponto de chantilly. Adicione o cream cheese e bata novamente. Acrescente o açúcar até que esteja bem incorporado. Se sua cobertura ficar muito sólida, ponha mais creme de leite. Se ficar muito líquida, mais cream cheese ou açúcar, depende do seu gosto.

domingo, 25 de novembro de 2012

Pão de Tomate e Manjericão

E lá vem mais uma ode ao carboidrato, acho que ando meio metida à boulangère ultimamente. Também ando totalmente sem inspiração para escrever, ou pelo menos sem paciência para deixá-la fluir. Talvez devesse esperar para escrever esse texto quando minha mente estivesse mais calma, ao menos daria mais atenção aos detalhes. Não me importo, só quero despachar essa receita seca e rudemente. Sim, eu sei ir direto ao ponto quando vem a calhar.

Novamente, receita adaptada. Isso não faz de mim uma pessoa muito criativa, certo? Pensando bem, sou criativa porque geralmente altero alguns pormenores das receitas. Diria que o que me falta é a segurança de alçar grandes voos na panificação, o que é totalmente compreensível, pois não tenho uma base teórica para tal. Que seja.

Retirei a receita de nada mais nada menos que o site do Le Cordon Bleu. Preciso dizer que meu sonho seria estudar num lugar desses? Eles têm várias escolas culinárias pelo mundo e eu me contentaria em pisar com meus pés calejados em qualquer uma, ao menos para um curso curto. Julia Child que se cuide. Infelizmente, este mundo capitalista em que vivemos me impede disso. Afinal, o que importa é a bufanfa. Tem dinheiro para pagar o curso? Não? Então, cai fora. Calma, calma, nós, do Le Cordon Bleu britânico, não seremos tão radicais e presentearemos um jovem de baixa renda sortudo com um curso completo (mas somente jovens britânicos podem se inscrever, não queremos estrangeiros por aqui, beleza?).

Retiro o que disse, não sei ser direta, sou prolixa para cacete. Sei criticar, isso sei. A falta de paciência, as adaptações, o Le Cordon Bleu. Nossa, esse provavelmente é o post mais revoltado já publicado por mim até o momento (não posso me responsabilizar pelo que virá no futuro... suspense).

Tentei modelar uma bolinhas, mas não saiu como esperado :p

Essa receita rende um pão pequeno numa forma de bolo inglês de uns 20 cm (fiz numa de 25 cm). A massa é um pouco pegajosa para se trabalhar, mas a textura fica incrível depois de assada (esqueci de tirar uma foto do pão fatiado, uma pena). A combinação clássica de tomate e manjericão não desaponta, it's worth a try.


Pão de Tomate e Manjericão




1/2 tablete de fermento biológico fresco
2 colheres de chá de açúcar
1 colher de sopa de extrato de tomate (molho comum não serve, porque é muito ralo)
100 mL de água gelada
1 xícara de chá de farinha
1 e 1/2 colher de chá de sal
25 g de manteiga amolecida
1 colher de sopa (bem cheia) de manjericão seco
1 ovo batido para pincelar
Folhas de manjericão fresco para decorar

Dissolva o fermento, o açúcar e o extrato de tomate na água gelada. Peneire e incopore a farinha aos poucos, misture bem por uns 10 minutos. Se utilizar a batedeira, velocidade média por 10 minutos. Adicione o sal, a manteiga e o manjericão seco e misture novamente. Deixe crescer em um local aquecido por uma hora. Coloque a massa na forma untada e enfarinhada, pincele com o ovo batido e deixe crescer mais vinte minutos. Coloque as folhinhas de manjericão para decorar e pincele com o ovo pela segunda vez. Leve ao forno preaquecido a 180º C por 30 min (ou até que o pão esteja douradinho e um palito espetado no centro saia limpinho, sem pedaços de massa)

sábado, 24 de novembro de 2012

Pão de Ervas e Iogurte

Essa receita é ótima para utilizar aquelas ervas e sementes que você comprou numa incursão pelo mercadão, mas que ficaram esquecidas no fundo de sua gaveta de temperos da geladeira. Sem esquecer aqueles potes de iogurte natural integral comprados num momento de foco em dieta que acabaram menosprezados ao lado de seus companheiros adoçados e com pedaços de frutas.

Não estou no clima de composição, mas preciso passar essa receitinha para não encavalar com outras qiue já estão em mente. Sabem como é, esses pessoas dosha vata não conseguem parar por um minuto.

El pán grande
Adaptei a receita da Nestlé e, por favor, sintam-se à vontade para customizar os temperos e ervas conforme o que têm disponível. A massa traz muitos ingredientes líquidos, por isso a grande quantidade de farinha. Rende um pão de forma grande ou três pequenos em forminhas de 20 cm de comprimento. Assei-os em formas pequenas para presentear e acabei descobrindo que assim ficam melhores. Parece-me que a massa cresce mais e fica mais bem assada.

Até pensei que deveria então aumentar a temperatura para o pão grande ou que deveria deixá-lo mais tempo no forno, que isso era o que havia determinado a qualidade melhor dos pequenos. No entanto, os grandes já começavam a queimar um pouco nas laterais e nenhuma das duas opções seria possível. De qualquer forma, a diferença é irrisória e seu pão ficará delicioso de qualquer maneira.


Los pancitos

Pão de Ervas e Iogurte


1 tablete de fermento biológico fresco (15 g)
1 colher de sopa de açúcar
1/2 xícara de leite morno (não esquente muito ou matará as bactérias do fermento)
2 potes de iogurte natural integral
1/2 xícara de óleo
1 ovo
1/2 xícara de parmesão ralado
1 colher de sopa de orégano
1 colher de café de sementes de cominho esmagadas
2 colheres de sopa de cebola desidratada (faz toda a diferença!)
1/2 colher de sopa de sal
4 xícaras de farinha de trigo

Misture o fermento e o açúcar até se tornarem líquidos. Acrescente leite, iogurte, óleo, ovo, queijo, orégano, sementes de cominho, cebola desidratada e sal. Vá peneirando a farinha aos poucos e despeje a massa numa assadeira de bolo inglês untada e enfarinhada ou coberta com papel manteiga (é mais fácil para retirar). Deixe crescer em local aquecido por uma hora. Polvilhe com mais parmesão e orégano e leve ao forno médio (180ºC) por aproximadamente 30-45 minutos ou até que a parte superior fique dourada.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Gastos e andanças na Liberdade

Buenos dias, queridos leitores! Essa sucessão de feriados me deixou mais animada, dá para perceber, né? Devo dizer que também me deixou mais preguiçosa na cozinha, não andei fazendo muitas coisas. Logo mais, posto a receita de um pão de iogurte e ervas que está literalmente no forno. No entanto, tenho outra explicação sensata e plausível; estava escrevendo uma nova matéria para o Yahoo. Dessa vez, o tema foi a harmonização de cervejas e chocolate e pretendo publicar em breve uma receita de usando esses dois ingredientes (any guesses?).

Bom, vamos começar com os gastos e andanças. Como tive de trabalhar na última sexta-feira, 16 de novembro, aproveitei para ir à Liberdade. Até tentei me aventurar pela 25 de Março em busca de um xarope de romã, cheguei à metade da primeira quadra da Ladeira Porto Geral, vi um contínuo intransponível de pessoas como pinguins imperiais agrupados durante uma nevasca e desisti. Simples assim.

Já no bairro dos asiáticos, fui à Mercearia Towa, ótima para mim porque fica pertinho na praça e imbatível quando se procura itens tailandeses e da marca Lee Kum Kee (eles têm qualquer molho imaginável e inimaginável). Não me deixei influenciar pela perdição dos docinhos de anko e biscoitos de gergelim e passei obstinada em direção aos mantimentos. Consegui encontrar um funcionário para me ajudar (milagre), que na verdade era uma velhinha simpática e que entendia a minha língua ocidental (milagre nº 2). Ela me apontou na direção do ágar-ágar.

Bolo da lua chinês (mencionado abaixo), ágar-ágar e farinha de arroz
 O pacote de gelatina ágar-ágar que comprei vem com 100 g e custou R$ 5,00. Havia um pacote de outra marca que continha duas embalagens individuais de 5 g e custava R$ 2,40, custo benefício igual a zero obviamente. Há algum tempo estava querendo farinha de arroz para mochi, R$ 5,00 o pacote de meio quilo. Aguardem deliciosos mochis e daifuku mochi! (ps: comprei a farinha errada! hahah deveria ter comprado a farinha de arroz glutinoso)

Também havia uma versão triturada vendida em potes, mas preferi au naturel
Fui seduzida pelo açúcar de palma (R$ 5,00, oito torrões, 400 g), uma aquisição um pouco impulsiva, mas de que definitivamente não me arrependi. Não conhecia os benefícios do açúcar de palma, feito a partir da seiva da palmeira e muito utilizado na culinária tailandesa (must-have em curries com leite de coco). Ele não é refinado, por isso tem um tom mais amarelado. Lembra um pouco o açúcar mascavo, mas seu sabor é mais delicado e sua textura é de rapadura. É considerado uma das alternativas mais saudáveis ao açúcar branco, junto ao néctar de agave e outros, pois seu índice glicêmico é baixo. Ou seja, ele não ocasiona os altos picos no nível de açúcar no sangue como o açúcar refinado, consequentemente a queda da glicemia não é tão alta e você não sente uma fome insana passado algum tempo. O que não significa que possua menos calorias, na verdade a proporção de calorias é praticamente igual.

Mais um impulso, minha última aquisição na Liberdade foi um docinho chinês, o bolo da lua (mooncake), um doce indispensável no Festival da Lua ou Festival do Meio do Outono, em que se comemoram as colheitas do verão e a Lua está mais cheia do que nunca. Consiste numa massa em um molde clássico recheada geralmente com doce de anko (pasta de feijão azuki) ou pasta de semente de lótus com gemas. Sempre me deparo com ele em blogues chineses e tailandeses e fiquei curiosa para experimentar. Custou exorbitantes R$ 5,00 e me senti extorquida. Mais tarde, quando o comi, me senti ludibriada. A embalagem dizia que continha apenas anko, mas havia outras sementes e coisas indistinguíveis e o sabor parecia de algo estragado. Arrependi-me, mas continuarei na busca pelo verdadeiro bolo da lua.

Balas "Gelinda" com açúcar mascavo
Last but not least, um pacotinho de balinhas de gergelim muito boas da marca Istambul que encontrei no Godinho. Sou meio viciada em balas e chicletes. Ainda não aguentei um dia inteiro sem eles desde que comecei a trabalhar em São Paulo. São essas pequenas bobagens que alegram as tardes das sextas-feiras depois de feriados.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mont Blanc aux Marrons (e Bolo Genoise)

Prepare-se para passar um dia enfurnada na cozinha se quiser preparar essa sobremesa. Não estou exagerando na medida, a minha manhã e tarde do último domingo foram completamente dedicados a esse delicado docinho de castanhas portuguesas.

Arquitetado na Itália por volta do século 15, o Mont Blanc aux Marrons se tornou popular na França no século seguinte, mas atualmente o seu local de maior popularidade é no Japão. Não há como negar, todos sabem que os japoneses têm uma queda por pâtisseries e boulangeries à moda francesa. Criado em homenagem à maior montanha dos Alpes e da União Europeia, o Mont Blanc também é vendido em versões que utilizam abóbora, inhame e frutas em vez das castanhas (marrons, em francês). Acabou-se a aula de história e geografia do dia.

A base do doce geralmente é feita a partir de um bolo genoise ou um pão-de-ló, porém também há receitas que indicam um suspiro de amêndoas. A estrela da cena é o recheio de creme de castanhas. Por último, o Mont Blanc é coberto com uma mistura de chantilly com o creme, enfeitado com uma castanha e polvilhado com açúcar de confeiteiro, que faz o papel das neves do Mont Blanc.

Agora, vamos por partes, como diria Jack, o estripador. Nossa, que piada ruim...

Bolo Genoise


4 ovos inteiros
120g de açúcar
120g de farinha
1 pitada de sal

Desastre iminente. Por favor,
untem corretamente (unlike me)
Unte uma assadeira de 30 por 25 cm com óleo e polvilhe com farinha. Com auxílio de um fuê, bata as claras, gemas e o açúcar e leve ao banho-maria. Mexa constantemente até que alcançar a consistência em que um “8” fique marcado na massa (“ribbon consistency”). Retire do fogo e vá peneirando e incorporando a farinha e o sal à massa delicadamente para não perder a maciez do bolo. Despeje na forma e leve ao forno a aproximadamente 160ºC por 15-20 min ou até que esteja assado. Deixe esfriar e corte com um aro cortador de 7,5 cm de diâmetro ou de outro tamanho desejado.

Obs.:
Bases já cortadinhas
O bolo genoise recebe esse nome em homenagem à cidade de Gênova, na Itália.
Essa massa é semelhante àquela de pão-de-ló ou pan di Spagna e também serve para fazer biscoitos champanhe (lady fingers). De fato, as bordas do meu bolo ficaram parecendo biscoitinhos, pois tive alguns problemas com a temperatura.
Eu carinhosamente o apelidei de bolo de três ingredientes, adivinha por quê? Não contei o sal, obviamente. Parece-me um bolo para situações extremas. Não tem leite? Não tem manteiga? Extrato de baunilha? Fermento? Não se preocupe, o bolo de três ingredientes está aqui para te socorrer.
Seguindo essas medidas, rendem 11 bolinhos de 1,5 cm de altura e 7,5 de diâmetro.
Não jogue fora as rebarbas de bolo, torre as no forno ou coma assim mesmo. São uma delícia!


Creme de castanhas

Para ter uma ideia da consistência

425 g de castanhas portuguesas (peso das castanhas já descascadas)
1/2 xícara de chá de açúcar
2 gemas
Baunilha (1 colher de chá de extrato e a própria vagem)
¾ de xícara de chá de creme de leite (quase uma caixinha inteira)

Ferva as castanhas na água com sal por 20 minutos até que estejam macias (se preferir, descasque-as e leve ao fogo novamente). Ainda mornas, descaque-as e reserve as seis melhores para decoração. Triture o resto em um processador até obter uma farinha bem fina. Quanto mais fina, melhor, pois não será necessário peneirar o purê depois.

Bases com o creme
Em banho-maria, misture o açúcar, as gemas, o creme de leite, o extrato de baunilha e as sementinhas raspadas e a vagem de baunilha até engrossar. Misture esse creme de gemas com a farinha de castanhas. Se ficar muito sólido, vá acrescentando o restinho do creme do leite.

Aproveite para espalhar o creme de castanha nos círculos de genoise, porque o chantilly a seguir não pode descansar depois de pronto. Tentei usar um saco de confeiteiro para distribuir o purê, mas não funcionou como esperava. No fim, recorri à boa e velha espátula.

Atenção:
O doce de castanhas original pode servir de substituto às castanhas cozidas e processadas.


Chantilly de castanhas


1/3 de xícara de chá do purê de castanhas acima
1 xícara de chá de creme de leite fresco (deixe no congelador por 20 min)
2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro

Bata o creme de leite fresco na batedeira em velocidade média alta por 4 min (não bata demais ou virará manteiga). Acrescente o açúcar e bata mais um pouco. Incorpore delicadamente o purê de castanhas para não perder a maciez untuosa do chantilly. Aqui sim, o saco de confeiteiro é indispensável para criar a textura clássica do Mont Blanc. Se tiver ou estiver disposta a comprar, um bico “chuveirinho” é recomendado. Na falta do mesmo, use um perlê, mas deve-se ter cuidado para não escolher um perlê pequeno demais. Dependendo do tamanho dos grânulos da sua farinha de castanhas, esses grânulos podem entupir o bico. Confeite rapidamente (o chantilly derrete dentro do saco com o calor das mãos) em formato circular ou reto.


Castanhas em calda


6 castanhas inteiras reservadas
Açúcar
Água
Essência de baunilha branca

Corte as castanhas longitudinalmente na metade. Faça uma calda simples com açúcar, água e essência de baunilha em fogo alto. Não contei as medidas, mas creio que foi algo em torno de 5 colheres de sopa de açúcar, ¼ de xícara de chá de água e 1 colher de chá de baunilha. Passe as metades na calda e as disponha no topo das suas montanhinhas.
  

C'est fini!

E partidas ao meio, para verem o resultado :)


Um tópico à parte, entretanto relacionado, que muito me incomoda: marrom glacê. O famoso doce, título de uma novela da Globo, refere-se a uma castanha glaceada servida como docinho de festa. Não, para vosso conhecimento, marrom glacê não é aquela pasta de batata doce enlatada vendida em supermercados. Um dia desses, farei a receita de marrom glacê que encontrei no livro de receitas da Dona Benta de 1965 (um dos meus valiosos achados em um sebo em São Paulo).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Pasta de amendoim e Sanduíche do Elvis

Acho que cheguei a um padrão que devo seguir em minhas postagens. Como costumo fazer receitas no fim de semana, tenho de escrevê-las no próprio fim de semana ou durante a semana para não acumularem com as receitas do próximo fim de semana. Se acumular, certamente estou ferrada. As palavras e ideias vão fugindo e quando tiver de escrever um texto, mal me lembrarei do que queria falar. Esse post ficou esquecido, então talvez isso aconteça com ele. Não deveria sequer comentar, mas tenho quatro posts esperando para serem escritos há alguns meses e não vejo previsão de serem escritos tão cedo, um bolo indiano de canela e anis, um pão-de-ló de chocolate com cobertura buttercream, um post sobre chás e outros sobre chocolates, ai, ai... De qualquer forma, vamos aos assuntos práticos. O que tem para hoje é pasta de amendoim (ou manteiga de amendoim, como preferir) e o sanduíche favorito de nosso querido ídolo Elvis Presley.

Tenho uma tara por amendoim. Sou aquela pessoa que devora o potinho de amendoins enquanto os outros se focam na cerveja e na conversa, aquela que coloca amendoins no prato do restaurante por quilo quando ele figura junto aos temperos (sim, guilty as charged). Também sou viciada em bananas, bananas assadas, fritas, bolos de banana, banana empanada com caramelo, banana desidratada, banana-passa, chips de banana, farofa de banana, bananinhas, balas de banana, deu para ter uma ideia, certo? Só não me venha com produtos industrializados sabor banana que eu tenho um surto nervoso. Então, imagine só minha alegria quando me deparei com esses dois ingredientes à mão em minha cozinha, a primeira ideia que me veio à mente foram sanduíches do Elvis.

A pasta de amendoim é provavelmente uma das coisas mais fáceis de se fazer em casa. Tudo o que é preciso é um bom processador de alimentos, além amendoim, açúcar e sal, é claro. Minha mãe havia comprado por engano um pacote de amendoim torrado triturado sem sal, aquele para comer com sorvete. Cerca de 200g por R$ 2,40, se não me engano. Considerando que um potinho de Amendocrem está uns R$ 7,00 no mercadinho aqui perto, acho que vale a pena.


Com os dias, a pasta tende a ressecar um pouco.

Pasta de amendoim

200g de amendoim torrado e triturado sem sal (não precisa ser triturado, desde que seja torrado e sem sal)
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de chá de açúcar

Triture o amendoim torrado e triturado no processador de alimentos até obter um pasta. Viu que difícil? Ele vai passar por um estágio de paçoca, mas é só ter fé e paciência que o amendoim virará pasta por causa dos seus óleos. Acrescente sal e açúcar a gosto, coloquei as quantidades apenas para referência.
Se preferir, reserve um pouco do amendoim triturado e adicione ao final para obter uma pasta de amendoim crocante. Fica ótimo em qualquer pão e bolacha, sem se esquecer de sanduíches clássicos americanos como o de geleia e pasta de amendoim (peanut butter & jam) e o "Sanduba do Elvis".



Parece queijo, mas é banana.

Sanduíche do Elvis

2 fatias de pão de forma
1 banana-maçã (qualquer outra serve, mas o tamanho dessa é mais adequado)
Pasta de amendoim

Passe a pasta de amendoim em uma fatia do pão. Corte a banana em fatias longitudinais para faciltar a montagem. Disponha a banana em cima da pasta de amendoim e feche com a outra fatia de pão. Em uma frigideira quente, coloque o sanduíche e amasse com um peso de ferro para chapa. Vire o sanduíche, deixe tostar o outro lado e sirva imediatamente.
Esse era um dos lanchinhos noturnos favoritos do rei do rock, Elvis Presley, o que talvez explique a sua circunferência diminuta. Existe uma versão que circula por aí que também leva bacon, mas não há nenhum comprovação de que havia bacon na receita original e isso me parece mania de americano de sorrateiramente incorporar bacon e queijo em todas as receitas.
Vi uma versão da Nigella em que ela fritava os sanduíches na manteiga, em vez de simplesmente tostá-los, porém creio que banana e amendoim já são calóricos o bastante e não precisam de mais gordura para realçar seu sabor.

Pão pita e iogurte grego caseiro



Trago para vocês mais um post da série almoços de domingo, apesar de que esse aconteceu no feriado da última sexta-feira, um detalhe irrelevante a meu ver. Não sei por que, mas os ventos do Olimpo vieram soprar aqui na porta de casa na última semana e fiquei decidida a apresentar uma mesa digna da terra de ateniense e espartanos. Acho que grande parte dessa inspiração veio do blog da Cozinha da Grega que li de cabo a rabo e cujas receitas me ensinaram muito sobre a cultura grega, não deixem de conferir!

A ideia inicial do churrasquinho grego (döner kebab/ gyros) acabou saindo pela tangente. O menu não foi completamente grego e acabou com molhando a ponta dos pés nos mares árabes, afinal a Grécia também teve sua cota de influências árabes. Da esquerda para a direita:

  • Berinjela, abobrinha e cebola grelhadas
  • Salada grega (tomate, pepino, azeitona, queijo feta, orégano e azeite)
  • Hortelã picada
  • Iogurte grego caseiro temperado
  • Homus (comprado pronto, shame on me)
  • Carne assada de panela com cebolas
  • Pão pita caseiro


Iogurte grego caseiro

2 litros de leite de cabra (se não encontrar, o de vaca também pode ser usado)
2 potinhos de iogurte natural integral
1 pitada de sal
3 colheres de sopa de leite de cabra em pó (opcional)

Leve o leite de cabra ao fogo com uma pitada de sal até começar a ferver e desligue o fogo. Transfira o líquido para uma bacia plástica e, quando estiver morno (na temperatura do corpo), acrescente o iogurte natural e o leite em pó. É muito importante que o leite esteja na temperatura correta; se estiver quente demais, matará os lactobacilos do iogurte e, se estiver frio, essas bactérias não fermentarão. Cubra com um pano e deixe fermentar em um local aquecido da sua cozinha (dentro de um forno desligado, por exemplo) até que toda a mistura fique densa como iogurte. A minha ficou aproximadamente um dia inteiro.
Agora vamos à parte especial do iogurte grego, também conhecido como iogurte "coado" ("strained yogurt"). Coloque o iogurte em uma peneira sobre um pote adequado e use uma colher de pau para pressionar a mistura e ajudar a coar o líquido. Se preferir, forre a peneira com um véu bem fininho. Mantenha-o escorrendo na geladeira coberto com outro véu até alcançar a textura desejada. Não jogue fora o caldo que restar, ele pode servir para dissolver o iogurte caso fique muito denso e também ser empregado como substituto da água em receitas de pães.
O iogurte fica ótimo servido com nozes, mel, granola e frutas picadas. O bom dessa receita é que esse iogurte não é adoçado como essas versões comerciais da Nestlé e Vigor que estão na moda por aí (e que de grego só têm o nome), então cai bem em receitas salgadas.



A minha intenção era fazer tzatiki, mas como a salada grega já levava pepinos, decidi riscá-los da receita e simplesmente temperar o iogurte com azeite, pimenta-do-reino, sal e alho picado. A berinjela, a abobrinha e a cebola foram grelhadas com azeite. E a preparação da salada não tem nada de especial, apenas corte tomates, pepinos e o queijo feta em cubinhos e misture com azeitonas pretas, azeite e orégano (ou tomilho).

Por insistência da minha mãe, compramos o homus de um restaurante árabe muito famoso aqui em Santos chamado Beduíno, e não posso negar que foi uma ótima sugestão, porque combinou maravilhosamente com a crocância da salada, a acidez do iogurte, as fibras desmanchando da carne e o pão quentinho.

Para a carne assada (preparada por mamãe), o corte usado foi lombinho da paleta. Segundo informações passadas por ela neste momento, ela apenas temperou os dois lombinhos com sal e assou na panela, adicionando água quente e girando a carne em um processo que levou umas 4h. Para os mais apressados, apenas deixe a carne corar e leve à pressão para um cozimento mais acelerado. Retiradas as peças da panela, foram adicionadas cebolas picadas, pimenta e alecrim ao caldo do cozimento da carne. Depois que o caldo tiver reduzido, junte a carne desfiada e voilá.

Por último, aqui vai a receita do pão pita caseiro:


Pão pita caseiro

3 xícaras de farinha de trigo
1/3 de um pacotinho de 10g de fermento biológico seco
2 colheres de chá de sal
4 colheres de chá de açúcar
4 colheres de sopa de azeite extravirgem
1 xícara de chá de soro do iogurte (ou de água ou leite)

Misture bem todos os ingredientes e sove a massa vigorosamente por cerca de 15 minutos. Esse é o momento de desestressar, não tenha medo de socá-la com vontade. A massa é um pouco seca e pode parecer que não vingará, mas não se preocupe porque no final dá tudo certo. Coloque para descansar por uma hora em um local aquecido coberta com um pano.

Separe a massa em bolinhas e abra-as em uma superfície lisa com um rolo de macarrão. Vá ajustando o tamanho das bolinhas conforme seu gosto e deixe as massas abertas descansarem mais meia hora. Aqueça uma frigideira com um fio de azeite comum e frite os pães pita dos dois lados até ficaram dourados (gosto dos meus quase queimados) e criarem bolhas de ar internas. É muito importante que você não fure as pitas com um garfo antes de fritar, senão o pão não criará essas bolhas e não será possível abri-lo para rechear.
A melhor parte desse pão é rasgá-lo e abocanhá-lo assim que sai da frigideira, ninguém liga para dedos queimados nessa hora.