quinta-feira, 30 de julho de 2015

Bolo branco vegano com calda de kinkan

Nos meus últimos meses na cozinha, pude chegar à conclusão certeira de que a confeitaria é uma arte de tentativa e erro. As receitas têm de passar por diversas adaptações de proporções e ingredientes conforme os equipamentos disponíveis, a temperatura e umidade ambientes, a qualidades dos produtos utilizados, entre muitas outras variáveis. Portanto, queridos colegas cozinheiros, não se deixem desanimar por um bolo solado, o ingrediente mais importante da sua receita é a perseverança! Analise, corrija, adapte e tente novamente!


 Os bolos veganos são uma área de expertise completamente nova para mim. Nunca havia preparado bolos que fossem simples e veganos, fofos e saborosos. Um bolo tradicional abrange uma ampla gama de variedades, métodos de preparo e ingredientes, mas geralmente será composto por ovos, farinha e açúcar e eventualmente por aditivos como manteiga ou óleo, leite ou suco, fermento, creme de leite, entre outros.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Brownies proteicos de feijão preto com cobertura de coco e nozes (Vegan German brownies)

Hoje não estou no ápice da inspiração, mas quero publicar essa receita porque o resultado foi satisfatório demais para que ficasse guardado por tantos dias longe dos olhos públicos.

Esses são brownies à base de feijão preto cozido. É uma receita vegana, sem glúten e sem açúcar refinado na massa (dei-me o direito de incluir açúcar na cobertura, mas sinta-se à vontade para retirá-lo). German brownies são uma variação de German chocolate cake, um bolo americano feito com chocolate alemão e coberto com um creme de nozes pecã e coco ralado, uma confusão não? O que importa é que é gostoso!





















terça-feira, 5 de maio de 2015

Estrada de pedregulhos, ou a minha versão adulta do rocky road inglês

Voltei de Londres inspirada. Esse receita poderia ser um simples manual de "Como transformar uma barra de chocolate e ingredientes jogados na despensa em uma sobremesa em 15 minutos". Também cabe na categoria "Como saciar sua vontade estúpida de comer doces de criança" e "Sobremesas que não requerem habilidade nem cozimento". Contudo, acho que a síntese perfeita seria "Como injetar glicose em seu filho e seus amiguinhos para correrem ininterruptamente nas festinhas infantis".

Rocky road é o nome desse doce, tradicional na Inglaterra e nos Estados Unidos. O nome, literalmente traduzido como estrada de pedregulhos, vem da aparência dos ingredientes acrescentados ao chocolate, que lembram um relevo acidentado. A versão inglesa leva chocolate ao leite, biscoitos, marshmallows e uvas-passas, enquanto a americana leva chocolate ao leite, marshmallows e nozes.


Não existe uma receita original, nem certo, nem errado. Você decide o que acrescentar ou o que retirar. E não se preocupe, a possibilidade de ficar ruim é nula. Em que galáxia distante poderia chocolate derretido misturado a porcarias açucaradas ficar ruim? Quando alguém obtiver uma resposta, por favor me avise para que eu possa desviar o trajeto da minha nave interestelar, beijos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sorbet de pitanga

A cada momento me sinto mais atraída pelas frutas brasileiras. Devo confessar que tive meus tempos de adoração pelas frutas vermelhas, maçãs, peras, limão siciliano, ameixas e uvas. Bom, qualquer fruta me exerce uma fascinação incrível, na realidade. Pensar que uma árvore depende da produção de uma carne doce que cresce em volta dos ovários das flores para atrair insetos, mamíferos e humanos que comam essa carne e disseminem suas sementes tem de ser fascinante. É incrível como a natureza pode ser engenhosa, ainda que a passos longos e lentos.

Voltando aos temas tupiniquins, parece-me tão mais natural abraçar o que é nosso, o que produzimos aqui. Ou melhor, o que a natureza produz aqui em nossas terras sem nossa intromissão, pois de fato nós cultivamos todos os tipos de produtos, tradicionalmente brasileiros ou não.

E, confessemos, as frutas brasileiras têm um apelo próprio: não se abrem como as outras, não cedem tão facilmente. Não raramente, são azedas, amargas, com cascas grossas e duras, espinhos, polpa escassa, em árvores altas, azedas, eu já disse azedas? Isso é apenas um dos vários truques da natureza, para dificultar e para nos enlaçar, para dar mais sabor ao prêmio.



Sorbet de pitanga (un hommage a Dom Pedro II)

500g de pitanga madura
100g de açúcar refinado
120mL de água
1/2 fava de baunilha
2 cm de casca de limão (taiti, siciliano, o que preferir - I won't judge)
15 mL de suco de limão
15 mL de cachaça

Retire os caroços das pitangas, bata a polpa no liquidificador e reserve. Faça uma calda de açúcar simples com o açúcar, a água, a baunilha e a casca do limão. Ferva a calda por 5 minutos. Junte entre 60ml - 100 ml da calda à polpa da pitanga e bata novamente. A quantidade de calda depende do gosto pessoal e a qualidade das pitangas, lembrando que a base deve sempre ficar mais doce do que o desejado antes de congelar. Peneire a polpa adoçada e junte o suco de limão e a cachaça. Resfrie essa base em geladeira por 12 horas, antes de processar na sorveteira. Tãdã!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Cuscuz paulista vegetariano e o futuro das algas

Essa receita é um tanto trabalhosa, e é composta por diversos passos para se chegar ao produto final. Há o caldo, os legumes para decoração, os legumes do refogado, os temperos, as ervas, bom, já deu para entender, certo? Espero que isso não configure um fator desmotivador para o leitor, longe de mim! Que seja um prenúncio da qualidade dos sabores envolvidos, capazes de agradar aos mais exigentes carnívoros convictos da família, daqueles que rejeitam qualquer indício de verdura, que abandonam a farofa quando veem pedacinhos de salsinha.





















quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Receitas inspiradas em Alice no País das Maravilhas e o que ela encontrou através do espelho

Através do espelho, o que esse jovem sapeca de cabelos negros encontraria por lá? Um mundo repleto de delícias, animais falantes, cartas armadas com lanças, pessoas loucas, reinos e rainhas, guerras e substâncias alucinógenas perigosas. Será que este é mesmo um livro infantil? Tenho minhas dúvidas.

Quando recebemos a proposta de um trabalho de montagem de um espelho decorado com preparações para a disciplina de Garde Manger, logo delineei a ideia de brincar com a metalinguagem do espelho. O conceito de enxergarmos a nós mesmos em um pedaço de vidro e metal é tema de criações artísticas desde a antiguidade, e, como o universo britânico faz parte da minha cultura desde pequena (tão pequena quanto a pequena Alice), optei por me inspirar no icônico livro de Lewis Caroll para desenvolver as receitas.




sábado, 2 de agosto de 2014

Indulgência de férias, revisitada

Está aí uma palavra com que vinha brincando nos últimos tempos, mas que me enganou sorrateiramente como um falso cognato. Em inglês, "indulge" seria se permitir o prazer de provar algo, de experimentar algo, de se deliciar com algo. Enquanto que, em português, indulgência remete à atitude passiva de perdoar, da disposição de tolerar ou apreciar algo. Porque a vida não poderia ser mais fácil? Palavras semelhantes poderiam ter seguido os mesmos caminhos, sem divergir de sentidos em idiomas distintos.

Mesmo após esse momento de relapso, ainda considero que essa publicação será composta de momentos de indulgência, quando me permiti prazeres oclusos e quando tolerei minha própria atitude oposta aos meus ideais. Será que ficou claro? Se não, as fotos explicam tudo.


Strawberry lava fudge cupcakes (tive um pequeno problema com a cobertura, never mind)

Eu e o Nicholas, meu parceiro de aventuras no Okumura (hahah), colocamos em nossas cabeças a ideia de fazer cupcakes no início das férias. Depois de considerar centenas de sabores, nos decidimos pelo strawberry lava fudge da DC cupcakes. Encontrei a receita exata da loja DC na rede, apenas mudei a cobertura de um simples buttercream americano para um swiss meringue buttercream. Devo dizer que fica muito mais saboroso e menos doce em excesso. O mishap foi que bati novamente o buttercream enquanto estava gelado, não deixei chegar à temperatura ambiente... erro tosco, eu sei. De qualquer forma, foi um dia muito divertido, com compras, preparo e degustação, heheh. Também fiz um risoto de cogumelos para almoçarmos.

Nhoque de cenoura do Guaiao, com castanha de cajú, iogurte, rapadura, um molhinho ácido de cenoura.
Raviolão aberto de frutos do mar com uma emulsão de manjericão

Costelinha de porco ao shoyu, com canjiquinha e shimeji
Outro momento indulgência foi um jantar no Guaiaó, que fazia parte de um evento da cidade chamado Menu Seleção, com menus de preço fechado em diversos restaurantes de Santos durante as semanas da copa. Não poderia perder a oportunidade, é claro. Estava tudo delicioso como sempre. Já conhecia o nhoque de cenoura e não me arrependi de prová-lo novamente, mas o raviolão era uma novidade para mim e surpreendeu meu paladar. Meu amor querido optou pela costelinha com canjiquinha e ambos comemos a cocada com creme de abóbora e raspadinha de graviola de sobremesa. Foi uma das melhores sobremesas que já provei no restaurante, mas esqueci-me de tirar uma foto, a vontade era muito grande, heheh.