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domingo, 22 de dezembro de 2013

Panificação, como te adoro, eu como e eu te adoro

Pão é uma coisa dos deuses, essa frase poderia resumir o que penso sobre a panificação. Muitos ingredientes têm recepção negativa pelo público em geral, não o pão. Nunca conheci alguém que desgostasse de pão e creio que nunca conhecerei tal pessoa. De certa forma, o pão é um alimento que nos une como humanos, pois em qualquer parte do planeta a que for, da comunidade mais isolada de um deserto africano ao epicentro do capitalismo em Nova Iorque, o pão está presente. Obviamente, em um curso de gastronomia não poderia faltar a disciplina de Panificação, embora eu pense que os temas deveriam ter sido melhor explorados.

Aqui vão as fotos da avaliação prática final, em que cada grupo apresentou pães tradicionais de um país específico. Seguem também as receitas dos pães que meu grupo preparou, o Nikuman e o Melon Pan, do Japão. O Nikuman é um pãozinho no vapor com recheio de carne de porco moída com shiitake, cebolinha, e gengibre, lembra bastante um guioza. Geralmente consomem esses pães no café da manhã e são muito populares também na China. Já o Melon Pan é um pão doce simples que recebe esse nome porque a camada de biscoito que reveste o pão craquela enquanto assa e fica parecida com um melão.

Itália - Bruschettas e Grissini

Argentina - Empanadas doces e salgadas

Brasil - Pão de queijo e pão recheado com doce de banana

Portugal - Broas de milho e bolinhos de arroz

Líbano - Esfihas fechadas de carne, esfihas abertas com zaatar, Baba ganoush e Homus
Estava tudo delicioso, foi o melhor grupo, sem dúvidas!

Hungria - Não me lembro o nome dos doces, mas eram uns pães recheados com nozes, chocolate e coco

Espanha - Os pães salgados eram a Coca Salada, um tipo de pizza. O doce não apareceu na foto, era a Tarta de Santiago
Os docinhos de tâmara que aparecem na frente são do Líbano, chamados Mamul




Japão - Melon pan de chá verde e com gotas de chocolate e Nikuman

Melon Pan

Pão de leite com cobertura de biscoito
(ZOJIRUSHI. Breadmakers recipe: Melon-pan)


Massa:
Fermento biológico seco: 5 g
Leite integral: 210 mL
Ovo: 1 unidade
Manteiga: 28 g
Açúcar refinado: 46 g
Sal: 5 g
Farinha de trigo 3 : 425 g

Biscoito:
Farinha de trigo : 280 g
Fermento químico: 3,5 g
Manteiga: 115 g
Açúcar refinado: 100 g
Ovo: 1 unidade
Essência de baunilha: 5 mL
•Opcionais:
Chá verde em pó (matchá): 4,5 g, ou
Mini gotas de chocolate: 80 g

Modo de preparo do biscoito
Combine a farinha e o fermento (opcional: e o matchá) e reserve. Na batedeira, bata a manteiga com o açúcar até ficar cremoso. Adicione o ovo e a baunilha e bata novamente. Incorpore os ingredientes secos (opcional: e as mini gotas de chocolate) com uma espátula. Molde em formato de tronco, cubra com plástico filme e leve à geladeira por 30 minutos.
Modo de preparo da massa
Dissolva o fermento no leite morno e junte o açúcar, o ovo, a manteiga em ponto pomada. Misture bem e vá acrescentando a farinha de trigo. Por último, adicione o sal. Sove bem até atingir o ponto de véu. Transfira para um bowl untado, cubra e deixe fermentar até dobrar de tamanho. Divida a massa em 16 pedaços de peso idêntico. Boleie e reserve. Divida a massa do biscoito em 16 partes iguais e, com um rolo, abra em círculos que cubram o tamanho do pão. Cubra cada pão com o círculo de biscoito e faça cortes rasos para imitar uma rede. Disponha em forma untada e deixe fermentar por mais 30 minutos. Salpique açúcar por cima dos biscoitos e leve ao forno a 175ºC por 15 minutos.

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Nikuman

Pão no vapor com recheio de carne de porco


Massa:
Água morna: 180 mL
Fermento biológico seco: 10 g
Açúcar refinado: 35 g
Farinha de trigo: 300 g
Óleo vegetal: 15 mL
Sal: 2 g

Recheio:
Coxão mole suíno moído: 250 g
Molho de soja: 45 mL
Molho de ostra: 5 mL
Saquê: 15 mL
Pimenta-do-reino preta: q.b.
Sal: 2 g
Açúcar: 5 g
Óleo de gergelim: 30 mL
Cogumelos shiitake desidratado: 3-5 unidades
Gengibre ralado: 1 colher de sopa
Cebolinha: q.b.
Amido de milho: 1 colher de sopa
•Opcional: Acelga picada: 100 g

Molho:
Molho de soja: 15 mL
Vinagre de arroz: 30 mL
Gengibre ralado: ¼ de colher de chá


Modo de preparo da massa
Dissolva o fermento na água morna e junte o açúcar e duas colheres de sopa da farinha. Deixe fermentar em local aquecido por 15 minutos ou até espumar. Peneire a farinha restante numa tigela e sobre ela vá despejando a esponja, trabalhando a massa. Quando toda a farinha estiver incorporada, acrescente o óleo e o sal e sove bem. Transfira para um bowl untado, cubra e deixe fermentar até dobrar de tamanho. Divida a massa em duas partes e divida cada metade em 6 pedaços. Boleie, abra com um rolo, recheie e feche as pontas, apertando bem. Deixe fermentar novamente e cozinhe no vapor por 15 minutos sobre folhas de papel manteiga.
Modo de preparo da massa
Reidrate os cogumelos em água morna por 25 minutos. Escorra bem e corte em brunoise. Rale o gengibre e corte a cebolinha em brunoise. Misture a carne com os molhos de soja e de ostra, o saquê, a pimenta, o sal, o açúcar, o óleo de gergelim e o gengibre. Junte os cogumelos, a cebolinha e o amido (opcional: e a acelga picada) e misture bem. Reserve.
Modo de preparo do molho
Misture o molho de soja, o vinagre e o gengibre.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Vamos falar de coisa boa, vamos falar de Top Therm - Iogurte de soja caseiro (com BioRich)

Meu doce lar anda parecendo uma loja de animais, a única diferença é que meus adoráveis bichinhos são microscópicos e criados para nos nutrir. É levain para lá, iogurte para cá e ainda venho pensando em me aventurar a terras distantes da fermentação: chá kombucha, acelga fermentada em estilo coreano - o famoso kimchi -, picles, chucrute e outros.

Não preciso repetir as propriedades dos alimentos probióticos a todos vocês, que já cansaram de ouvir e ver as propagandas da iogurteira Top Therm, heheh. Bom, só para reiterar, essas bactérias do bem essencialmente auxiliam na digestão e manutenção de uma flora intestinal saudável e aumentam as barreiras do nosso sistema imunológico, além de “produzirem antixoxidantes, normalizarem problemas de pele, reduzirem o colesterol, manterem os osso fortes e controlarem os níveis de açúcar no sangue” (My New Roots). Uau.

Agora percebo que os esforços conjuntos de algumas de minhas blogueiras favoritas em sua “Fabulous Fermentation Week” me influenciaram nesse post..

Preparei minha colônia inicial de iogurte a partir do fermento lácteo da marca Bio Rich, que contém culturas de Lactobacilus acidophilusBifidobactrium e S. thermophilus. Esse produto pode ser usado tanto para fabricar iogurtes de leite comum quanto de leite de soja. Paguei R$12,60 numa farmácia de manipulação aqui perto, mas já vi por 16 por aí. A embalagem vem com três sachês e tecnicamente cada um rende 1 litro de iogurte.

Na primeira vez, preparei com leite adoçado Naturis, seguindo as instruções de aquecer o leite, misturar com uma parte de leite em temperatura ambiente ou gelado para então dissolver o conteúdo em pó do sachê. O odor desse pó não é nada agradável, mas de qualquer forma não se nota no sabor final.

A temperatura ideal para as bactérias se reproduzirem é de 37-40ºC e, se você tiver um termômetro culinário, a vida fica bem mais fácil. Depois, há de se deixar por cerca de seis horas numa iogurteira (afinal, quem compra essas iogurteiras?) ou numa bolsa térmica (o que eu fiz) até atingir a consistência desejada e levar à geladeira.

Meu iogurte, mesmo depois de um bom tempo na bolsa térmica, ficou líquido demais para o meu gosto. Então, decidi fazer como com um iogurte grego e coá-lo para separar o soro. Aí sim, estava mais apetitoso, com aquela textura espessa e cremosa. Dura uma semana na geladeira, mas note que ele vai soltando soro conforme os dias passam.

O que interessa é que ficou delicioso e acredito que é uma alternativa mais saudável se você está cansado dos iogurtes de soja disponíveis no mercado. Usando-se leite de soja sem açúcar, dá para preparar molhos como o tzatziki, servir com cordeiro num estilo marroquin, e o que sua imaginação permitir.

Esses grânulos são só porque raspei as laterais que estavam mais secas

Por que cada sachê tecnicamente rende um litro de iogurte?
Porque, desde que sobre parte da primeira leva de iogurte que você preparou, você tem uma base para preparar iogurte infinitamente. Embora o fabricante da Bio Rich afirme que “fazendo a reprodução de Bio Rich, o produto final perderá as propriedades probióticas”, isso não me parece verdade.

Na minha segunda leva de iogurte, fiz um teste a partir de meio litro de leite de soja Yoki com duas colheres de sopa de iogurte (coado e concentrado) que restavam da primeira vez, seguindo o mesmo método de preparação. E funcionou, as bactérias (a.k.a., os probióticos) se reproduziram fervorosamente numa noite de núpcias abafada. O produto final foi exatamente igual.

Obs.:
Encontrei no site da marca que a formação de soro é uma das principais diferenças da utilização do leite de soja em vez do leite comum na preparação do iogurte a partir do fermento lácteo Bio Rich. Recomendam que se adicione 1 colher de sopa de amido de milho antes de aquecer o leite.

Links:

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Pumpernickel Americano

Essa é aquela receita maravilhosa que mencionei no último post. Este não é um pumpernickel alemão tradicional, e sim uma versão americanizada mais areada e mais simples para fazermos em casa. Fica um tanto parecida com pão australiano.


O original não contém ingredientes para conferir tons escuros, como o café e o cacau em pó desta receita, e sua cor se deve ao tempo extremamente longo que demora para assar (em uma temperatura bem baixa). Além disso, leva grãos de centeio e farelos de pães antigos. Também vi muitas receitas que pedem por purê de batata, mas não sei se o original é assim.

O que a versão americana tem em comum com a original é o levain, que confere uma das características mais importantes do pumpernickel, a acidez. O levain também é essencial na preservação do pão, podem reparar nas versões desse pão à venda em supermercados que a data de validade é muito prolongada. Encontrei umas citações interessantes sobre isso:

"Packaged sliced rye bread has to be protected against molds by using preservative agents in the formulation. The use of sourdough in rye bread production postpones mold formation by 1-2 days, but the reason for this phenomenon has not so far been fully explained (Seibel and Brümmer, 1991)". Em "Handbook of Dough Fementations" de Karel Kulp e Klaus Lorenz. "A major advantage of sourdough rye bread is that it retains its moisture and gets better with age for several weeks (no kidding). The crust can become hard and dry, but slice through it with a sharp serrated knife to find soft, moist, delicious, sour bread". Em "Wild Fermentation" de Sandor Ellix Katz.
Fica incrível só com uma manteiguinha derretida, mas aqui em casa fizemos duas noites do cachorro-quente com esse pão. E juro que minha paixão por hot-dog de rua, aquele completo com milho, ervilha e batata-palha da "melhor" qualidade (sim, sou culpada), arranjou um novo objeto de obsessão. Provem esse pão com uma passada de mostarda de Dijon, salsicha viena aberta ao meio e tostada e um ketchup Heinz dos bons... ah, perfeito :)




Pão Pumpernickel Sourdough (com levain e fermento biológico)

1 xícara de chá de levain (com 60% de hidratação)
1 xícara de chá de farinha de centeio
1 xícara de chá de café coado forte em temperatura ambiente
2 xícaras de farinha de trigo comum
½ xícara de farinha de trigo integral
2 colheres de sopa de açúcar mascavo
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 e ¼ colher de chá de fermento biológico seco
2 colheres de sopa de óleo vegetal
1 e ¼ xícara de água
1 colher de sopa de semente de cominho
1 e ½ colher de chá de sal
Óleo vegetal
Farinha de milho

Em uma vasilha grande, misture o levain, a farinha de centeio e o café coado em uma vasilha grande e deixe fermentar tampado em temperatura ambiente por pelo menos 6 horas ou até começar a borbulhar.

Então, acrescente a farinha comum e a integral, o açúcar mascavo, o cacau em pó, o fermento biológico, o óleo, a água e as sementes de cominho amassadas (menos o sal). Misture com uma espátula. Quando estiver homogêneo, despeje sobre uma superfície polvilhada com farinha e sove com as mãos bem enfarinhadas. A massa é bem mole e vai absorver a farinha rapidamente. Não se preocupe, vá adicionando farinha à superfície conforme necessário. Sove vigorosamente por 10 minutos para desenvolver o glúten. Adicione o sal e sove apenas o necessário para incorporá-lo.

Noutra vasilha grande e untada com bastante óleo, coloque a massa e cubra com plástico filme. A partir daqui, você pode proceder de duas maneiras diferentes, eu segui a primeira:
  1. Colocar na geladeira por 12h, desacelerando a fermentação, e assar no dia seguinte. Durante a manhã, retire da geladeira e deixe chegar à temperatura ambiente (por aprox. 2 horas) antes de continuar; ou
  2. Deixar crescer em temperatura ambiente por umas 3 horas ou até dobrar de tamanho;


Polvilhe farinha de milho na maior assadeira que tiver. Numa superfície enfarinhada, sove novamente a massa por 5 minutos e a divida em duas partes iguais. Molde no formato desejado. Polvilhe farinha de milho na superfície e passe todos os lados dos pães moldados para revesti-los com a farinha de milho. Coloque-os na assadeira. Como a massa é bem mole, tenha cuidado com as dimensões da assadeira, pois eles espalham bastante (os meus grudaram um no outro! heheh).

Faça cortes na superfície dos pães e deixe crescer por mais uma hora. Pré-aqueça o forno a 190ºC e asse por 50 minutos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Meu bichinho de estimação

Não lhes contei, mas há um novo membro na família. Ainda sem nome, pobre coitado, mas estou aberta a sugestões! Ele é o meu levain, fermento natural, sourdough, como queiram chamar. Nasceu de uma maçã vermelha em meados de dezembro. Vejam como sou uma mãe desnaturada, sequer sei sua data de aniversário! Heheheh.

Seus dois irmãozinhos mais velhos morreram por total inépcia da mãe. O primeiro havia me esquecido de alimentar por alguns dias, e por isso achei que estava estragado e o joguei fora! Agora sei que levain não estraga tão facilmente e que ele deveria estar perfeitamente saudável, uma pena. Se o seu fermento natural estiver com cheiro de álcool ou líquido por cima, ele não está estragado! Apenas misture o líquido de volta à massa e alimente normalmente. Provavelmente, só estará estragado se você vir mofo procriando por cima, aí sim, jogue fora.

Maçã fermentando: a primeira tentativa
O segundo nem chegou à fase da farinha. Esqueci o pote com a maçã fermentando no armário por uma semana e ficou com um cheiro horrível (era de vinagre? não me lembro muito bem). Fora mais uma vez.

Third time’s the charm. O terceiro desembuchou e está feliz e saudável na geladeira, com gostinho e cheirinho azedo deliciosos. Alimentado umas duas vezes por semana conforme a necessidade (já peguei o jeito da coisa) e rendendo pãezinhos aos fins de semana.

Numa dessas semanas, troquei a “ração” dele. Em vez de alimentar/refrescar com a farinha Dona Benta Especial (que tinha acabado), usei a Renata. Foi uma tristeza, não crescia, estava murchinho, mas foi só voltar à Dona Benta que tudo voltou ao normal, ufa.

Ouvi da minha tia-avó que mora em Imbituba em Santa Catarina que minha bisavó Ana Maia costumava preparar um fermento natural quando ainda moravam em Laguna, cidade natal da minha avó, creio que lá pela década de 1930. Terezinha, minha avó barriga verde, que é mais nova, não se lembra disso, mas minha tia-avó Antonina sim. Ela disse que o fermento que faziam era a partir de batata, ficava guardado em uma garrafa com rolha e sabiam que estava “no ponto” quando a rolha estourava sozinha. Interessante, não? :D

Segui a receita do Rogério Shimura para preparar, mas como acho as indicações dele um pouco confusas às vezes, vou passar aqui para todos:

bolhas, bolhas, muitas bolhas

Fermento natural/ Levain/ Sourdough

1 maçã Fuji madura
50 g de açúcar demerara
200 mL de água filtrada

Lave bem a casca da maçã e seque. Rale a fruta no ralo grosso e misture com o açúcar dentro de um pote de vidro limpo com tampa. Deixe a tampa desencaixada (para o ar poder sair) em um local escuro e fechado, não muito quente nem muito frio, por cerca de três dias até estar cheirando a álcool. Vá checar o aroma da maçã de vez em quando para saber se está chegando lá.

Em seguida, despeje a água dentro desse pote, feche a tampa e chacoalhe bem. Coe num pano de algodão e reserve o líquido. A esse líquido, adicione 300 g de farinha. A massa não deve ficar nem muito sólida nem muito líquida, se preciso, coloque mais farinha. Cubra com um pano umedecido e deixe no mesmo local em que estava a maçã por três dias ou até começar a borbulhar. Fique com apenas 100 g desse fermento e jogue fora o resto. Alimente com 200 g de farinha e 100 mL de água.

Por três dias, repita o processo de descartar e alimentar a cada 6 horas. Depois, passe uma semana alimentando a cada 12 horas (para que sua linda colônia de bactérias e leveduras se estabilize antes de poder usá-la). A partir daí, pode deixar na geladeira, alimentar umas duas vezes por semana e deixar ficar umas três horinhas fora antes de retorná-la ao refrigerador.

Se 200 g de farinha parecer muito para você, depois dos três primeiros dias troque por 100 g de farinha e 50 mL de água, ou siga essa proporção de 50%.
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Algumas horas depois de alimentar (depende da temperatura ambiente), seu levain deve estar alto, com formato de abóbada e cheio de bolhinhas (way to go!). Quando perceber pelas laterais do pote ou vidro que a abóbada já abaixou, está na hora de alimentar novamente.

No processo de alimentar ou refrescar o fermento, geralmente jogamos fora uma parte antes de alimentá-lo. Por exemplo, jogo fora 200 g de levain e alimento com 130 g de farinha e 65 mL de água. Isso serve para não criar um monstro gigante que vai ocupar um espaço enorme na sua cozinha e geladeira.

Só não descarto quando quero aumentar o volume do levain alguns dias antes de preparar um pão. Outra opção é alimentar bem pouquinho, assim o volume não fica muito grande. Ando alimentando o meu com 50 g de farinha e 20 mL de água (60%).

Você vão perceber que há diferentes níveis de hidratação de levain. Esse que passei é 50%, ou seja a quantidade de água é 50% do total de farinha. Os americanos geralmente usam levain (ou sourdough, como chamam) com hidratação 100%. Então, provavelmente terão de adaptar a quantidade de água quando prepararem receitas de origem americana.

Pão 1
Pão 3
Pão 2

Já fiz dois pães simples com meu levain e um pumpernickel americanizado que leva uma quantidade mínima de fermento biológico. Esqueci de cortar a parte de cima do primeiro, ele quase explodiu e ficou um pouco embatumado. Já o sabor estava delicioso e foi muito bem aproveitado para umas bruschettas. O segundo foi feito quando a “ração” tinha sido trocada para a farinha Renata, então já se imagina o resultado...

Third time’s the charm (x2). O terceiro, o pumpernickel, saiu maravilhosamente incrível, mas não posso contabilizá-lo, já que leva fermento biológico seco. Vou tentar mais uma vez o pão simples e conto os detalhes para vocês. Enquanto isso, aguardem a receita do pumpernickel em breve! Hihih