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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Brownies proteicos de feijão preto com cobertura de coco e nozes (Vegan German brownies)

Hoje não estou no ápice da inspiração, mas quero publicar essa receita porque o resultado foi satisfatório demais para que ficasse guardado por tantos dias longe dos olhos públicos.

Esses são brownies à base de feijão preto cozido. É uma receita vegana, sem glúten e sem açúcar refinado na massa (dei-me o direito de incluir açúcar na cobertura, mas sinta-se à vontade para retirá-lo). German brownies são uma variação de German chocolate cake, um bolo americano feito com chocolate alemão e coberto com um creme de nozes pecã e coco ralado, uma confusão não? O que importa é que é gostoso!





















sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sorbet de pitanga

A cada momento me sinto mais atraída pelas frutas brasileiras. Devo confessar que tive meus tempos de adoração pelas frutas vermelhas, maçãs, peras, limão siciliano, ameixas e uvas. Bom, qualquer fruta me exerce uma fascinação incrível, na realidade. Pensar que uma árvore depende da produção de uma carne doce que cresce em volta dos ovários das flores para atrair insetos, mamíferos e humanos que comam essa carne e disseminem suas sementes tem de ser fascinante. É incrível como a natureza pode ser engenhosa, ainda que a passos longos e lentos.

Voltando aos temas tupiniquins, parece-me tão mais natural abraçar o que é nosso, o que produzimos aqui. Ou melhor, o que a natureza produz aqui em nossas terras sem nossa intromissão, pois de fato nós cultivamos todos os tipos de produtos, tradicionalmente brasileiros ou não.

E, confessemos, as frutas brasileiras têm um apelo próprio: não se abrem como as outras, não cedem tão facilmente. Não raramente, são azedas, amargas, com cascas grossas e duras, espinhos, polpa escassa, em árvores altas, azedas, eu já disse azedas? Isso é apenas um dos vários truques da natureza, para dificultar e para nos enlaçar, para dar mais sabor ao prêmio.



Sorbet de pitanga (un hommage a Dom Pedro II)

500g de pitanga madura
100g de açúcar refinado
120mL de água
1/2 fava de baunilha
2 cm de casca de limão (taiti, siciliano, o que preferir - I won't judge)
15 mL de suco de limão
15 mL de cachaça

Retire os caroços das pitangas, bata a polpa no liquidificador e reserve. Faça uma calda de açúcar simples com o açúcar, a água, a baunilha e a casca do limão. Ferva a calda por 5 minutos. Junte entre 60ml - 100 ml da calda à polpa da pitanga e bata novamente. A quantidade de calda depende do gosto pessoal e a qualidade das pitangas, lembrando que a base deve sempre ficar mais doce do que o desejado antes de congelar. Peneire a polpa adoçada e junte o suco de limão e a cachaça. Resfrie essa base em geladeira por 12 horas, antes de processar na sorveteira. Tãdã!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Redescobrindo ingredientes brasileiros: Picolés de coco e cupuaçu e o Cupulate

O novo livro de Atala me prendeu pelas papilas e pela aparante, talvez real, simplicidade. O chef menciona que sua cozinha se despiu das técnicas e que as utiliza a fim de alcançar o ponto de sabor necessário, desvencilhando-se de etapas frívolas. Não sei como eram suas receitas anteriormente, mas estas me parecem simples, não as tomem por fáceis, de serem reproduzidas mesmo em ambiente e com equipamentos domésticos.

Um dos fatos que me saltou aos olhos é que o D.O.M. foi aberto em 1999 primeiramente para gerar bufunfa e não nasceu como um restaurante gastronômico (por mais absurda que essa denominação soe), essa sua característica brasileiríssima veio evoluindo ao longo dos anos. Agora percebo que o primeiro fato não deveria ter me espantado, pois esse é o objetivo primordial de qualquer comércio de alimentos. Além disso, descobri que o restaurante possui um menu degustação vegetariano para atender à demanda paulistana. Pensando bem, nada faz mais sentido em um país no qual parece haver mais frutas e hortaliças que qualquer outro alimento.

As fotos e imagens do nosso país são ricas e bem emolduradas, pergunto-me se ele realmente tirou algumas dessas fotos em suas inúmeras incursões como os Bandeirantes ou se todas são produto da treinada equipe por trás do homem. O livro é dividido por grupos de ingredientes como "Laticínios e carnes", "Peixes e frutos do mar", "Vegetais", etc. Em cada capítulo, são apresentados ingredientes brasileiros aos quais seguem as receitas que contém os tais ingredientes. Atala prega a relação entre o urbano e o rural, a valorização do pequeno produtor, o conhecimento de onde vem o nosso alimento, prega o frescor e a sustentabilidade, e todas as histórias que estamos acostumados a ouvir de cozinheiros ao redor do planeta.

As receitas, em geral, são simples, mas não para os não iniciados em gastronomia. Nota-se claramente a base de culinária europeia de Atala. Alguns ingredientes nunca serão encontrados no seu supermercado mais próximo, desista. Esse não é um livro para seguir as receitas tanto quanto é um livro para se deixar inspirar pelas receitas.

Não, não vou gastar um quilo de sal grosso para cozinhar 200 g de mandioquinha e não vou ficar enfiando lecitina de soja para fazer uma espuma de amendoim. Não, não vou comprar uma Thermomix, nem um desidratador. Mas a sua combinação de peixe com amendoim e mandioquinha muito me atraiu. Também quero sair catando umas saúvas para comer, depois que você me informou de que as ditas formiguinhas têm sabor de gengibre e capim-limão. Quero comer mangarito, priprioca, jambu, tucupi, pequi, bacuri, castanha do baru, jambo rosa e, ah, a baunilha brasileira... como te desejo. Devo confessar que a coxinha negra também atiçou essa lombriga irrequieta que dorme cá na minha barriga.

Concordo que os ingredientes brasileiros estão começando a mostrar seu apelo para os próprios brasileiros, que querem exaltar o que há de bom e saboroso em nossa terra, mas ainda é um grupo muito restrito. Às vezes, temo que nossa culinária com ingredientes um pouco bizarros jamais cairá no gosto da gastronomia mundial como a culinária japonesa, tailandesa, chilena, etc. 

O que vos trago não é receita, apenas algo que preparei nessa minha onda brasileira.

Picolés de coco e cupuaçu 

Rende 6 mini picolés 

Doce de cupuaçu:
200 g de polpa de cupuaçu
2 colheres de chá de açúcar refinado 
Picolé de coco:
4 colheres de chá de açúcar refinado
50 mL de água
75 mL de nata de coco (igual a creme de coco)
150 mL de leite de coco
15 mL de óleo de coco extravirgem 
Apure em fogo baixo o cupuaçu com o açúcar por 5 minutos, ou por mais tempo de acordo com seu gosto. Disponha o doce de cupuaçu na ponta dos moldes de picolé. Misture o açúcar e água em fogo médio e deixe ferver. Quando alcançar um ponto de calda rala, adicione a nata de coco e o leite de coco. Em seguida, acrescente o óleo de coco líquido e misture bem até homogeneizar (gotículas de óleo não devem ficar visíveis). Derrame nos moldes de picolé até preenchê-los, coloque os palitos e leve ao congelador por pelo menos 6 horas. Tadã, estão prontos. E são deliciosos.
Sugestão de finalização:
Triture um pouco de castanha-do-Pará e toste numa frigideira, reserve. Derreta um pouco de cupulate  80% Amma* e reserve. Desenforme os picolés, mergulhe no cupulate derretido e passe na castanha imediatamente. E, o mais importante, coma imediatamente.





O cupuaçu (Theobroma grandiflorum) é do mesmo gênero que o cacau (Theobroma cacao). As amêndoas do cupuaçu, quando passam pelo mesmo processo que o cacau, resultam no cupulate, um "chocolate de cupuaçu". O cupulate já era tradicional no Norte do país, mas agora pode ser encontrado sob forma industrializada nas grandes cidades e futuramente nas pequenas cidades também graças a Diego Badaró do Amma Chocolate. Esse cupulate é uma das minhas novas paixões, com um rico aroma frutado e floral completamente diferente de qualquer coisa, traz notas de cacau, não é tão amargo ou ácido, sentem-se pequenos grânulos, e o cupulate tem uma textura mais macia, derretendo com mais facilidade.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Um ano de bloguice e uma receita comemorativa: macarons de amendoim com creme de chocolate (peanut macarons with chocolate buttercream)

Quem poderia acreditar que esse blog duraria mais que algumas semanas? E que de fato eu publicaria textos com regularidade (ainda que tenha a periodicidade semanal original tenha desandado)? Desde que digitei aquelas primeiras palavras, já se passaram 73 posts, com uma média de 6,08 posts por mês. Dá um orgulho, sabe, ver seu filhinho, de quem você cuidou com tanto carinho e dedicação, bem crescido e saudável. Deixe-me enxugar as lágrimas...

Muitas coisas mudaram na minha vida nesse intervalo e posso dizer que foi para melhor. E saber que escrever nesse blog me auxiliou a limpar os pensamentos turbulentos e tomar uma das decisões mais importantes da minha vida, definindo qual seria o caminho futuro. Animada e com a mente aberta, posso afirmar com certeza que será um caminho com muitas facas e panelas!

E, para comemorar essa data tão importante, não poderia escolher uma receita menos complexa. Porque vocês sabem que quanto mais intimidadora a receita, mais me sinto tentada a testá-la. Venho travando batalhas com os macarons há algum tempo e, portanto, decidi comprar farinha de amendoim para fazer meus testes por ser incomparavelmente mais barata que a farinha de amêndoa. E não que os suspirinhos franceses ficaram bons? O amendoim confere muito mais sabor que a amêndoa, embora não seja um sabor tão delicado quanto o da amêndoa.

Essa daqui é uma adaptação da receita da École du Grand Chocolat Valrhona, feita com merengue italiano e que é muito parecida com a receita do Pierre Hermé. O creme de chocolate é um buttercream que leva chocolate derretido em vez de cacau em pó, uma dessas receitas obtidas pela internet que anotamos num caderno e depois não nos lembramos de onde a conseguimos.


Macarons de amendoim

125g de farinha de amendoim
75g de açúcar de confeiteiro
75g de açúcar impalpável
150g de açúcar refinado
50mL de água
100g de claras (50g + 50g) (aprox. 3 claras)
25g de amendoim torrado granulado (opcional)

Processe rapidamente a farinha de amendoim com o açúcar de confeiteiro e o açúcar impalpável, para que o amendoim não solte óleo. Peneire para retirar os pedaços maiores de amendoim. Em uma panela grossa, misture o açúcar refinado e a água. Leve ao fogo médio e, quando a calda se aproximar dos 80ºC, comece a bater metade das claras (50g) na batedeira. Quando a calda alcançar 110ºC, as claras deverão estar em ponto de neve. Desligue o fogo e despeje a calda em fio sobre as claras em neve com a batedeira ligada. Deixe esse "marshmallow" amornar até 45ºC, então acrescente o restante das claras não batidas (50g) e os ingredientes secos peneirados. Misture vigorosamente até atingir o ponto de fita (esse passo, conhecido como "macaronage" é o mais importante, uma misturada a mais ou a menos pode ser o fator determinante para seus macarons não saírem como deveriam).


Coloque a massa num saco de confeitar com bico redondo e disponha círculos de massa de aprox. 3 cm de diâmetro numa assadeira forrada com papel-manteiga ou silpat. Deixe um espaço bom entre seus macarons, lembrando que vão espalhar um pouco. Bata a assadeira com força na bancada e estoure bolhas visíveis. Se desejar, cubra metade das casquinhas com um pouco de amendoim granulado para decorar. Deixe os macarons secarem em temp. ambiente por 30 min a 1h (dependendo da umidade da sua cidade). Quando as casquinhas estiverem firmes, leve uma forma por vez ao forno pré-aquecido a 140ºC por aprox. 12 minutos. Tente não encher demais as formas se o seu forno estiver um pouco desregulado, pois isso pode fazer os macarons das pontas estourarem, por exemplo. É melhor fazer quantidades menores e várias fornadas.

Se usar papel-manteiga, nunca retire os macarons com as mãos, pois as bases vão grudar. Leve à geladeira por 30 minutos e retire com auxílio de uma espátula. Recheie as casquinhas com o creme de chocolate abaixo e reserve na geladeira. Os macarons ficam melhores consumidos no dia seguinte, pois os sabores se desenvolvem e o centro das casquinhas fica mais pegajoso.






Creme de chocolate

200g de manteiga em temperatura ambiente
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1/2 xícara de chocolate meio-amargo derretido
1 colher de sopa de extrato de baunilha

Derreta o chocolate no microondas ou em banho-maria. Bata a manteiga na batedeira até atingir uma textura cremosa de pomada. Acrescente o açúcar de confeiteiro e a baunilha e bata até homogeneizar. Cheque a temperatura do chocolate, pois ele deve estar levemente morno para não derreter a manteiga. Pare a batedeira, acrescente metade do chocolate e torne a bater. Pare novamente e coloque o chocolate restante. Bata até estar completamente homogêneo. Coloque num saco de confeitar e recheie.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Receita de Apfelstrudel

Depois de mais um hiato, eis que estou de volta. Dá uma ideia de entrada triunfal, certo? Heheh, não está para tanto. Ando cozinhando bastante, mas infelizmente continuo tendo um relacionamento enrolado com câmeras fotográficas. Na realidade, não tenho problema algum com câmeras, o detalhe é que não me lembro de usá-las para tirar fotos dos pratos. Seguem algumas fotos para lhes atualizar...

Ainda da última visita a sumpaulo: Lámen com nirá, ovo de pata no chá, carne, shitake e brotos. E o melhor guiozá de todos os tempos. Até me inspirei a fazer os guiozás (ou jiaozi, já que o restaurante era chinês) em casa, massa e tudo. Saíram muito bons, mas ficou faltando algum tempero... E ando meio obcecada com comida chinesa, alguém conhece um restaurante chinês decente em Santos? Não serve pasteleria, gente.
Mini éclairs recheadas com creme de confeiteiro e cobertas com glaçage de chocolate amargo.
Digo apenas que foram bombásticas.

Essa foi a primeira produção de nossas aulas de panificação. Cinnamon rolls e pãezinhos de festa (com presunto, queijo, tomate e orégano). Culpem o forno desregulado, e não as cozinheiras, pelos pães tostados na ponta! Heheh

Bom, vamos à receita do dia, strudel! Sim, eu sei que estou trapaceando quando uso massa filo pronta nessa receita. O correto seria preparar uma massa de strudel tradicional (se alguém estiver com tempo e paciência, esta aqui publicada no Guardian parece interessante) empregada nos países em que essa delícia se originou, Áustria, Hungria, República Tcheca, Alemanha e toda aquela banda da Europa Centro-Oriental. Outros apressadinhos como eu preferem usar massa folhada, mas escolhi a filo por considerá-la mais leve e também porque a massa do strudel supostamente derivou da massa árabe usada para preparar a baklava, ou seja a massa filo.

E por que maçã, quando existem tantos outros sabores interessantes? Para os novatos em termos de strudel, como eu mesma, as variações são infinitas, mas os recheios tradicionais são: maçã, creme, queijo topfen, cerejas azedas ou doces, nozes, damascos, ameixas, sementes de papoula, abóbora, espinafre, carne, chucrute e outros. Os recheios famosos e brasilíssimos incluem banana, palmito, requeijão e goiabada, calabresa, doce de leite. Já deu para entender por onde a imaginação pode fluir, certo? Por qualquer lugar. Não há e não devem haver restrições.

Se desejar se ater ao tradicional antes de navegar por águas mais turbulentas, comece com o queridinho apfelstrudel. Garanto que o aroma combinado de maçã com uvas passas, amêndoas, rum e canela completará o clima invernal.

Strudel de maçã

300 g de massa filo pronta
5 colheres de sopa de manteiga clarificada derretida
2 maçãs verde Granny Smith pequenas (pode misturar com maçãs mais doces, se preferir)
1/3 de xícara de açúcar refinado
1/3 de xícara de uvas passas
½ xícara de amêndoas trituradas
1 colher de sopa de farinha de trigo (ou pão amanhecido ralado)
½ colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de rum
Suco de limão
Açúcar demerara e manteiga


Descongele a massa filo conforme as instruções da embalagem. Unte um tabuleiro e corte as folhas em retângulos de 25 cm por 35 cm. Disponha uma folha na forma untada e pincele com a manteiga clarificada, cubra com outra folha e pincele com manteiga novamente. Repita essa operação até acabarem as folhas de massa e reserve.



Deixe as uvas passas de molho no rum. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Descasque e retire o miolo das maçãs e corte-as em fatias finas. Se necessário, use algumas gotas de limão sobre as fatias para que não escureçam enquanto você corta o restante. Misture as fatias de maçã com o açúcar, as uvas passas, o rum, as amêndoas, a canela em pó e a farinha de trigo. Se o recheio estiver soltando muito líquido, acrescente um pouco mais de farinha.

Coloque o recheio sobre metade do retângulo da massa filo, deixando uma borda com distância de três centímetros das laterais. Feche essas bordas sobre o recheio e enrole o strudel na direção da outra metade da massa. Centralize o strudel na assadeira, girando-o para esconder a borda da massa sob o strudel.

Pincele o topo com manteiga e polvilhe açúcar demerara. Se preferir, pincele com um ovo batido (nesse caso, sirva polvilhado com açúcar de confeiteiro). Asse a 200ºC por 10 minutos, abaixe a temperatura para 180ºC e asse por mais 30 minutos.




segunda-feira, 1 de julho de 2013

Cupcake de chocolate vegano e cobertura de abacate

Cada vez sinto que sei menos, mas deve ser um sentimento normal no decorrer da vida. Quando o nosso universo de conhecimento é restrito, cremos que sabemos tudo que há para se saber. Aliás não há tanta coisa assim para se saber, não é? Que engano reconfortante.

Adoro o conhecimento, vivo à base dele, mas ele também pode ser culpado por me deprimir. Sempre que vejo coisas novas, que leio mais, descubro mais, percebo o quanto sou ignorante, o quanto ainda tenho a aprender. Não sou a única assim, vocês também se sentem assim, certo? Então, seria melhor que não me deprimisse por esses motivos tolos, uma vez que a vida será uma constante atualização, repleta de descobertas e aprendizagem. É inútil (e ridículo) me deprimir por que não sabia disso ou ainda não havia aprendido aquilo.

Bom, para o dia de hoje, temos um cupcake de chocolate vegano. Desculpem se faltam receitas de pratos principais por aqui, mas é que sempre acabo preparando doces... fazer o quê. Gostaria de tentar diminuir o número de receitas neste blog, para que este não se torne um simples caderno de receitas ao qual as pessoas recorrem em momentos de fome, desejo e desespero, hahah. E torná-lo mais a respeito de reflexões sobre a comida e a alimentação. No entanto, isso será bem complicado, dada a quantidade de receitas que preparo e que me compelem a compartilhá-las.



A receita do cupcake de chocolate veio do blog Chubby Vegan da Naa Veggie, com algumas alterações pour moi. A massa fica com aquele gostinho de bolo de chocolate caseiro, uma delícia. O ovo realmente não faz falta e até preparei essa receita outras vezes para não-veganos, simplesmente porque estava sem  ovos, pela praticidade e pelo sabor.

Já a cobertura verde-gosma é de minha autoria mesmo. Tem um consistência mais mole, que não segura o formato dos bicos de confeitaria, algo entre buttercream e icing. Ela rendeu o dobro do necessário, por isso congelei o restante e utilizei quando preparei os bolinhos pela segunda vez. Portanto, pode ser congelada sem maiores problemas. Ando num clima de preparar coberturas coloridas sem corantes artificiais, vamos ver no que dá.


Cupcake de chocolate vegano
Adaptada de Chubby Vegan

1 e 1/2 xícara de leite vegetal (soja, amêndoa, aveia, arroz)
1/4 de xícara de óleo vegetal (coco, canola, soja, milho)
1/4 de colher de chá de essência de baunilha
3/4 de xícara de açúcar refinado
2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de sopa de chocolate em pó
2 colheres de sopa de cacau em pó
2 colher de sopa de fermento químico
1/4 de colher de chá de sal marinho
2 colheres de sopa de farinha de aveia ou aveia em flocos

Misture o leite vegetal com o óleo, o açúcar e a baunilha. Em uma vasilha separada, peneire a farinha com o chocolate, o cacau e o sal. Vá misturando os ingredientes secos aos líquidos aos poucos, misturando com uma espátula. Acrescente o fermento e a farinha de aveia. Se necessário, utilize um mixer para homogeneizar a massa. Divida em forma de metal de mini muffins com forminhas de papel adequadas até a metade. Asse a 180ºC por cerca de 20 minutos ou até um palito espetado sair limpo.


Cobertura de abacate

1 abacate hass
1 colher de chá de suco de limão
1/4 de colher de chá de essência de baunilha branca
1 e 1/2 xícara de açúcar de confeiteiro

Corte o abacate ao meio e remova o caroço. Raspe a polpa com uma colher e coloque na vasilha da batedeira com o suco de limão e a baunilha. Bata em velocidade alta até que não haja mais pedacinhos de abacate. Diminua a velocidade e vá acrescentando o açúcar de confeiteiro até atingir a consistência adequada.
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Se a cobertura de abacate não tocou o seu coração (hahah), experimente as tortinhas de cacau abaixo e prometo que você não vai se arrepender! Não tenho uma receita precisa, mas aqui vai, é muito simples. Para as casquinhas, triture grosseiramente algumas nozes ou castanhas que tiver à mão e acrescente algumas tâmaras secas (e mais as frutas secas que desejar, coco ralado, gergelim, etc.). Processe até obter uma massa boa de trabalhar e ponha mais frutas secas se não estiver dando liga. Nessa versão, creio que havia usado castanha-do-Pará, amêndoas e tâmaras Medjool. Coloque em formas (individuais ou não) de torta de fundo removível, fure com um garfo e leve ao forno a 180ºC por 10 minutos para secarem um pouco. Deixe esfriar e retire das formas. Para o recheio, processe o abacate com cacau em pó, um pouquinho de limão, agave ou mel, e baunilha. Se desejar, misture também chocolate derretido no recheio. Refrigere antes de servir e tãdããã. Divinas. Confie em mim.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Dias dos namorados e suflê afundado

Por que incumbimos tanto significado a datas? Se pararmos para pensar, muitos dos melhores momentos e recordações da vida não acontecem em datas que vêm marcadas em calendários comerciais. Acontecem pois tudo colaborou para que acontecessem em tal dia a tal horário e, a partir de então, aquela data se tornará especial. O momento especial determinou a data e não o inverso.

Essas datas de festas comerciais nos levam a criar muita expectativa pelos eventos do dia e já se sabe o que geralmente sucede as expectativas excessivas; decepção. Marcamos tudo com antecedência, embelezamo-nos, acertamos detalhes, tudo para garantir que a planilha milimétrica seja seguida. E quando é chegada a hora, parece que falta aquela magia da imprevisão e da imperfeição.

Não me entendam mal, meu dia dos namorados não foi tão desastroso quanto minhas divagações fazem parecer. Sim, os ânimos ficaram um pouco agitados no fim da noite, mas não posso culpar nosso relacionamento. Creio que assim seja menos preocupante. Porém, quando algo dá errado, parece que o resto do dia, em que tudo correu incrivelmente bem e sem planos, é esquecido. Então, esqueçamos as discussões e relembremos os 90% de maravilha restante. Incluo o suflê na contagem de maravilha, pois ficou magnífico em toda sua imperfeição. Talvez já fosse uma advertência do que se seguiria à noite.

Restaurantes foram abolidos das comemorações de dia dos namorados naquele dia. Recuso-me a pagar, ou deixar meu namorado pagar, a quantia exorbitante que os proprietários se vêem no direito de cobrar pela simples data de "dia dos namorados".

No almoço, preparei esse delicioso pho vietnamita com contrafilé, macarrão, moyashi, cebolinha, coentro e um caldo aromático divino. A receita sairá no Yahoo em breve.

A sobremesa acabou como lanche da tarde, pois não houve tempo. Fiz o suflê de chocolate com creme de arroz em vez do creme de leite. Fui a culpada pelo afundamento... confundi o tempo de forno... 

E uma cervejinha Sapporo para festejar com o meu amor.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Receitas da Arábia Saudita: kabsa, qatayef, muttabal, khiyar bi laban, gahwa arabiyah, atay bel nana, tumr bel nargine, harees

Influências de Fiona Apple à parte, título curto é bobagem. E link curto? Bobagem.

No dia 23 de maio, na faculdade, houve apresentações de trabalhos interdisciplinares sobre determinados países e regiões. Cada grupo tinha que preparar ao menos quatro pratos típicos do local escolhido e comentar sobre os costumes, além de entregar uma pesquisa acadêmica. França, Itália, México, Japão, Tailândia, Irlanda e Espanha deram o ar de suas graças, e eu e meu grupo nos aventuramos na Arábia Saudita.

As integrantes fantasiadas e os professores Valdete Stivanin e Rodrigo Anunciato

Culinária da Arábia Saudita
É um tanto difícil encontrar material em português sobre a culinária desse país, eu que o diga, por isso decidi ao menos compartilhar aqui as receitas que preparamos naquele dia e mais umas. Também deixo aqui nossa pesquisa para quem se interessar e quiser se aprofundar no assunto.

As receitas que escolhemos não foram as mais extravagantes que encontramos dentre a culinária saudita, mas certamente eram as menos complexas. Estávamos com medo que não conseguiríamos terminar tudo e éramos avaliados por isso. 


Tortinhas de cupuaçu

Adquiri o hábito, muito conveniente por sinal, de manter massas prontas no congelador. É muito reconfortante saber que quando bater aquela vontade de doce e a indolência for maior do que a proatividade, só preciso descongelar, assar e rechear com qualquer coisa que estiver dando sopa por aqui.

Tortinhas de cupuaçu
Essas tortinhas de cupuaçu com base de pâte sucreé são perfeitas para aqueles convidados de última hora em um café da tarde. A massa é a parte mais trabalhosa, por isso recomendo tirar um dia da semana para prepará-la e deixá-la estocada. O recheio pode ser uma geleia comprada pronta ou feita com a polpa congelada como é o caso dessa receita. Melhor ainda se usar a polpa da fruta fresca. Sirva com creme de ricota ou creme chantilly, ou cubra com um merengue e volte ao forno para dourar, ou decore com uma calda de chocolate, ou coloque flores comestíveis e folhas de hortelã. Certo, certo, já entenderam, o céu é o limite quanto à decoração ;)

Confira a receita aqui: "Receita simples de tortinhas de cupuaçu"

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Creme de coco batido: meu mais novo prazer vegano

Tenho meus dias de vegetariana e dias de carnívora. Às vezes, só quero um caldinho de legumes bem quentinho, um refogado de espinafre, um feijão e arroz. Noutros dias, quero atacar um bife bem suculento, quase mugindo de tanto sangue, quero enfiar minha cara num belo hambúrguer, e rechaço de forma preconceituosa tudo que é vegetal. Ontem foi um desses dias da carne e a noite acabou com um Canal 2 (vulgo x-salada) da Hamburgueria Santista, que é uma das poucas opções para quem procura um  hambúrguer artesanal na cidade.


Na sobremesa da hora do almoço, estava necessitada da gordura animal de um belo creme Chantilly, mas o creme de leite fresco não estando disponível aqui em casa, tive que improvisar. Havia nos fundos do armário uma lata de leite de coco tailandês da marca Pantai que comprei há meses, durante uma das minhas incursões aos mercadinhos da Liberdade na hora do almoço quando ainda trabalhava em Sampa City. Estava guardando o leite de coco para substituir o Chantilly em uma sobremesa requintada, mas já que a tal sobremesa requintada nunca saiu do papel, we might as well use it anyway.

Esse leite de coco enlatado tailandês é diferente do nosso porque a água e a nata do coco ficam separadas se a lata não for remexida. Creio que não deve conter algum estabilizante utilizado na indústria brasileira ou algo assim. A nata é muita usada em sobremesas e curries e como substituto vegano do creme de leite. Esse leite de coco é uma coisa de outro mundo, um creme com um delicado sabor de coco que te conquista sem perguntar se você queria ser conquistado em primeiro lugar.

Decidi fazer uma tapioca de abacaxi com cobertura de coco, imitando um parfait, ou pelo menos tentando. Ando meio rebelde e não tenho as quantidades da receita novamente. Só pode ser reflexo da faculdade e as exigências de medidas e anotações que fizeram meu lado displicente se voltar para a cozinha do lar. Desculpem, prometo receitas da próxima vez
  • Deixei o leite de coco tailandês no congelador (para facilitar a retirada da nata).
  • Hidratei a tapioca água e cozinhei com leite de coco comum, pedaços de abacaxi fresco (nada enlatado por favor), açúcar, cúrcuma em pó e gengibre fresco em cubinhos.
  • Fiz um mix de bolachas maisenas trituradas, castanha-do-pará em fatias, linhaça e aveia. Tostei esse mix com óleo de coco numa frigideira até dourar.
  • Fiz uma calda de açúcar mascavo e água.
  • Abri a lata de leite de coco tailandês, retirei apenas a nata do coco que fica na parte superior. Bati com um fuê com açúcar de confeiteiro e uma gota de baunilha branca.
  • Espalhei a calda de caramelo nas laterais dos copos, a farofa no fundo, a tapioca em seguida, mais farofa e colheradas de creme de coco batido por cima.

Obs.: Quando for fazer o creme batido, se um pouco da água do coco vier junto, não há problema. A mistura engrossará um pouco quando for batida. E depois que as taças estiverem prontas, deixe-as descobertas na geladeira: elas ressecarão um pouco e o creme ficará ainda mais parecido com la crème Chantilly traditionnel.

Eu sei, essa sobremesa parece um samba do criolo doido, mas juro que é uma das sobremesas mais deliciosas dos últimos tempos. Essa nata de coco é DIVINA e minha preferência pelo Chantilly animal ficou seriamente abalada. E abalou também a preferência do meu pai e do meu namorado - carnívoros assumidos que torcem o nariz a tudo que é de soja ou sem leite.


domingo, 19 de maio de 2013

Bolo de chocolate com damasco e gengibre (e marzipã)

A cada vez, sinto-me mais certa e segura para afirmar que a leitura e a escrita são indissociáveis. Bem, quero dizer que a boa leitura e a boa escrita andam juntas, assim como a má leitura e a má escrita, a falta de leitura e a falta de escrita, e por aí vai. Ora, pois, chegamos aonde eu pretendia. 

Não tenho quase lido, por isso não tenho tido a inclinação de escrever. Só me presto a pôr esses neurônios desgastados para funcionarem em textos exclusivamente relacionados à faculdade. E como me têm desgastado esses estudos... decerto tudo fica mais exaustivo quando temos de controlar tudo e todos e quando não se pode confiar nas funções delegadas aos outros. 

Então, falta-me inspiração e principalmente vontade e me sobra a preguiça aniquiladora da criação. Quase um mês sem escrever sobre o que me inspira, quase um mês sem dar aos meus neurônios o prazer de ruminar sobre um tema qualquer que não lhes foi imposto; de escolher as palavras com calma, sem uma data de entrega determinada; de pôr no papel outras palavras, visto que essas coisas escritas por obrigação tendem a sair numa linguagem débil e automática. 

Acabou o momento das lamentações, juro. Em breve, estarei livre para escrever o quanto quiser, aguardem! Hihih.

Para compartilhar com todos, trago uma receita que já fiz há alguns meses e pretendi repetir logo que conseguir fazer minha dieta voltar ao normal. Embora goste de bolos densos, esse bolo de chocolate é um pouco demais para meu gosto. As fatias têm que ser bem finas, pois senão não sobra espaço nem para o cafézinho. Creio que foi por causa da marzipã caseira que fiz e ficou um bom tempo armazenada na geladeira antes de usá-la no bolo. Quanto ao sabor, não posso negar que foi um dos melhores bolos de chocolate dos últimos tempo da última semana, heheh. Da próxima vez, vou usar uma marzipã fresquinha ou comprar pronta.

Retirei do livro "Chocolate Desserts" do Pierre Hermé. É a receita inaugural. Não vou passar a receita em xícaras como o original, porque as xícaras deles são de 240 mL enquanto as nossas são de 200 mL e isso pode causar uma confusão danada. Realmente, recomendo que invistam em balanças caseiras se gostam de preparar bolos e doces. Ou utilizem como referências de medidas padrões que se encontram na rede, como 1 xícara de farinha = 100 g e 1 xícara de cacau = 90 g. Prometo que, com meu tempo livre durante as férias, vou organizar uma relação de medidas confiáveis para colocar aqui.


Bolo de chocolate com gengibre e damasco

Apricot and Ginger Chocolate Loaf Cake (de "Chocolate Desserts", Pierre Hermé)


180 g de farinha de trigo
40 g de cacau em pó
1/2 colher de chá de fermento em pó (talvez eu aumente para 1 colher de chá na próxima tentativa)
125 g de damascos secos picados em cubos
165 g de açúcar
140 g de marzipã cortada em cubos
4 ovos grandes em temperatura ambiente
150 g de leite integral em temperatura ambiente
70 g de chocolate meio amargo em gotas ou partido em pedaços pequenos
55 g de gengibre seco (encontra-se em empórios)
180 g de manteiga sem sal derretida, em temperatura ambiente


Unte e enfarinhe uma forma de bolo inglês de 28cm e pré-aqueça o forno a 180ºC. Peneire a farinha, o cacau e o fermento juntos. Despeje um pouco de água fervente sobre os damascos, o suficiente para cobri-los, isso fará com que amaciem e liberem mais sabor. Deixe de molho por 1 minuto, escorra e seque os damascos.

Bata a marzipã em cubos com o açúcar na batedeira em velocidade média até que pareça areia. Então, adicione os ovos, um por vez, deixando bater por 2 minutos antes de adicionar o próximo ovo. Em seguida, bata por 8 a 10 minutos na velocidade alta até que alcance a textura de maionese.

Reduza a velocidade, acrescente o leite. À mão, junte os ingredientes secos e misture até homogeneizar. Acrescente a manteiga derretida, o gengibre, o chocolate e o damasco.

Despeje a massa na forma, coloque a forma de bolo inglês sobre outra forma maior e leve ao forno por aproximadamente 1 hora até estar completamente assado. Espere 10 minutos para desenformar e deixe esfriar sobre uma grade.

Damascos, gengibre e gotas de chocolate

A marzipã caseira



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Torta de Lemon Curd


Mais uma daquelas para riscar da minha lista de receitas que tenho que experimentar. Baseei-me na receita "Lime Meringue Tart" publicada por David Lebovitz, famoso blogueiro e escritor de gastronomia, que também foi chef pâtissier do Chez Panisse de Alice Waters.

Usei limões sicilianos no lemon curd (uma espécie de creme a base de ovos, manteiga e limão usado como recheio de bolos, tortas e como geleia), mas achei que ficou azedo demais, e vou diminuir a proporção de suco de limão na próxima tentativa. Talvez tente até colocar limão-cravo, pois me parece que o importante é que sejam limões bem perfumados. Os ovos caipiras deram essa cor amarelada linda e não tenho dúvidas de que usarei esse tipo de ovos sempre que fizer essa torta.

Tenho um sério problema com suspiros. Meu suspiro não ficou de perto tão sedoso quanto o do David, mas foi o melhor que já consegui fazer até agora. Não sei se devo culpar o tempo úmido dessa terra ou a minha inabilidade com claras de ovos.

A melhor parte dessa torta é que tudo pode ser feito com antecedência, exceto pelo suspiro italiano. 

Torta de Lemon Curd


Lemon Curd
125 mL xícara de suco de limão siciliano
65 g de açúcar
2 gemas grandes
2 ovos grandes
85 g de manteiga sem sal em cubos
Raspas do limão
Uma pitada de sal

Prepare uma peneira sobre um pote e deixe ao lado. Diretamente numa panela, bata levemente com um fouet as gemas, os ovos, o açúcar, o suco de limão e o sol. Leve ao fogo médio, adicione os cubos de manteiga e mexa constantemente até derreter toda a manteiga. Aumente o fogo e vá cozinhando, mexendo constantemente até a mistura engrossar. Passe imediatamente pela peneira, coloque em um vidro esterilizado e guarde na geladeira por até uma semana.


Pâte Sucrée

100 g de farinha50 g de manteiga sem sal20 g de açúcar de confeiteiro1 gemas1/4 de colher de chá de essência de baunilha(+ 1 colher de sopa de água gelada para dar liga se necessário)


Misture a farinha com a manteiga gelada cortada em cubinhos com os dedos. Junte o açúcar de confeiteiro. Bata levemente as gemas com a baunilha e despeje sobre a mistura. Misture com as mãos até tudo se unir. Se sua massar estiver esfarelando, tente acrescentar uma colher de sopa de água gelada. Molde uma bola e leve à geladeira por meia hora. Abra com um rolo e forre suas formas de torta de fundo removível. Fure os fundos e as laterais com um garfo. Asse a 190ºC por 20 minutos ou até as bordas ficarem levemente douradas. Espere esfriar e recheie com o lemon curd, asse por mais 10 minutos.


Suspiro italiano
2 claras grandes
75 g de açúcar
Uma pitada de sal
1/4 colher de chá de essência de baunilha

Bata levemente na batedeira as claras, o açúcar e o sal. Coloque a vasilha sobre banho maria e mexa constantemente com um batedor. Cheque a temperatura com um termômetro: quando alcançar 60ºC, leve à batedeira em velocidade alta e acrescente a baunilha. Depois de ficar fofo e alcançar temperatura ambiente, coloque o suspiro em um saco de confeitar com o bico que preferir e cubra o perímetro da torta recheada.
Leve ao forno a 150ºC para dourar o suspiro, se possível, na opção aquecimento superior. Um maçarico também dá conta do recado.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sorvete de banana crudívoro

Mais uma receita de sorvete no mesmo dia. Meus leitores devem imaginar o clima agradável que faz aqui na minha terrinha, heheh. E mais uma receita para os crudívoros, dessa vez um sorvete de banana que leva apenas dois ingredientes. Isso mesmo, minha gente, dois ingredientes. Quer algo mais fácil?



Sorvete de banana crudívoro

1 banana-nanica
2 colheres de sopa de néctar de agave (substitua por mel, se desejar)

Corte a banana em rodelas finas coloque em um prato e leve ao congelador. Depois de congeladas, coloque em um saquinho e deixe no congelador até utilizá-las. Então, coloque as fatias no processador e triture. Cuidado para não destruir seu processador, pois pode ser um pouco difícil batê-las no começo. Se houver dificuldade, espere mais cinco minutos para descongelarem um pouco e continue triturando. Adicione o agave e processe até formar uma pasta. Sirva logo em seguida.

Sorvete de coco verde

Ainda dá tempo de postar uma receita de sorvete para o verão? Bom, acho que o calor infernal dessa semana pede um sorvetinho. Essa delícia é feita com carne crua de coco verde, então imagino que possa ser difícil para algumas pessoas encontrarem o ingrediente. Eu fui tomar uma água de coco na barraca que fica a duas quadras aqui de casa, na praia da Ponta da Praia, e pedi para o rapaz abrir mais uns cocos e colocar a água numa garrafa e a carne num saquinho.


Fica com um sabor incrível e bem forte de coco, por isso não consigo comer mais que uma bolinha por vez. Creio que foi por causa do óleo de coco que estava usando, este novo que tenho agora não tem um aroma tão pronunciado e deve ficar mais suave no sorvete. Recomendo que deixem uns quinze minutos ou mais fora do congelador antes de servir, pois esse sorvete tende a ficar um pouco duro. Se tiverem uma máquina de sorvete, seus problemas estão resolvidos!


Sorvete de coco verde

1 e 1/2 xícara de chá de carne de coco verde
1 e 1/2 xícara de chá de água de coco
1/4 xícara de néctar de agave
3 colheres de sopa de óleo de coco
1/4 de colher de chá de sal
1 colher de chá de suco de limão
2 colheres de chá de extrato de baunilha

Triture tudo num processador (que difícil, não? heheh). Coloque em um pote e leve ao congelador. Depois de aproximadamente 45 minutos (dependerá do congelador), abra o pote e misture com uma colher para desfazer os cristais de gelo. Depois de mais 45 minutos, repita o procedimento. Deixe no congelador até servir.

Dica: Se preferir, coloque um pouco de uma bebida alcoólica e substitua o agave por açúcar refinado comum para ajudar a impedir a formação de cristais de gelo.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pâtes et Bananes

Eis que, a cada dia de aprendizado culinário em minhas navegações pela rede, surge uma pâte nova. Comecei aos poucos, sem nem saber que era pâte a massa que preparei para a primeira receita desse blog, a Galette de Pêssegos e Frutas Vermelhas. A massa era a clássica pâte brisée, a mais básica das massas de torta, também conhecida como "massa podre" no Brasil.

E já comecei errando para não fugir às raízes do meu espírito afobado. A receita que segui recomendava "1 stick of butter" e, confiante, meti um tablete de manteiga culinária sem hesitar. Já se imagina o resultado, obviamente "1 stick of butter" americano não corresponde a um tablete de manteiga do Brasil (o primeiro contém aproximadamente 120 g, ao passo que os nossos tabletes contêm 200 g).


Torta Banoffee tamanho família...

Não foi o fim do mundo, pois, como sabem, manteiga tem a habilidade intríseca de deixar tudo melhor. Então, o exagero só a aumenta a quantidade de gordura/gostosura da receita. Nada que uma dieta vegetariana durante o resto da semana não resolva.

...com creme e doce de leite comuns
Nesses últimos meses desde o primeiro contato com a temida pâte, descobri uma infinidade de outras pâtes, que, assim como a primeira, são precisas e intolerantes em seus ingredientes e indicações de preparação. Nada de manteiga derretida ou amolecida, a manteiga tem de estar gelada e cortada em cubinhos para se atingir a massa perfeita; entre outros. Typical french cooking.

Já estava, de certa forma, familiarizada com pâte brisée, pâte sucrée, pâte sablée, pâte feuilletée, pâte feuilletée inversée e pâte à choux (não que tenha preparado todas, me entendam). Contudo, escrevendo esse post, encontrei mais tipos cujo existência desconhecia, pâte phyllo, pâte à crêpe, pâte à pizza, pâte à pain. Vixi maria...

A última da vez foi a pâte sucrée para uma Torta Banoffee sem lactose. Adivinhem? Além de acasos do destino, o espírito afobado esteve presente novamente. Deixe-me contar do início.


Já estas individuais são para intolerantes a lactose
Aproveitando a ocasião do churras dos meus colegas de tradução (além da quantidade de pessoas, pois não havia como a consumirmos sozinhos na minha casa), preparei uma receita de Torta Banoffee para o Yahoo na semana retrasada (ainda não foi ao ar, logo mais posto o link com a receita mais detalhada e a origem da torta). Com doce de leite e creme de leite fresco batido, conforme manda o figurino, e com a massa de bolachas maisena que todos conhecem.

Foi um sucesso aparentemente, mas não provei um pedacinho sequer. As lombrigas e duendes que moram no meu estômago chiaram impacientes por uma semana. Então, lá fui eu, preparar uma torta segura para mim no último domingo, quando fizemos uma caranguejada por aqui.

As bolachas maisena Tostines da Nestlé contêm lactose, so that's a no (até então não havia descoberto que as da Triunfo não têm lactose). Já sei, uma pâte sucrée resolve, é perfeita para tortinhas doces, that's a bingo! Usei a receita do "Le Cordon Bleu: sobremesas e suas técnicas", só que ficou esfarelada. Levei à geladeira de qualquer forma e, para forrar as formas individuais, tive de apertar os farelos no fundo em vez de abrir com um rolo como deveria. Mais uma vez, o sabor agradou e elas não quebraram na hora de cortar, mas não ficaram perfeitas para mim pois sabia que o processo estava errado. Agora sei que deveria ter acrescentado um pouco de água para dar ligar.

Quem sabe na próxima eu acerto uma dessas pâtes da vida...


Pâte Sucrée

200 g de farinha
100 g de manteiga sem sal
40 g de açúcar de confeiteiro
2 gemas
1/4 de colher de chá de essência de baunilha
(+ duas colheres de sopa de água gelada para dar liga?)

Misture a farinha com a manteiga gelada cortada em cubinhos com os dedos. Junte o açúcar de confeiteiro. Bata levemente as gemas com a baunilha e despeje sobre a mistura. Misture com as mãos até tudo se unir. Se sua massar estiver esfarelando, tente acrescentar algumas colheres de sopa de água gelada. Molde uma bola e leve à geladeira por meia hora. Abra com um rolo e forre suas formas de torta de fundo removível. Fure os fundos e as laterais com um garfo. Asse a 190ºC por 20 minutos ou até as bordas ficarem levemente douradas.


Torta Banoffee

1 receita de pâte sucrée acima
340 g de doce de leite (usei de soja da Soymilke*)
3-4 bananas maduras de tamanho médio cortadas em fatias
200 mL de creme de leite fresco (usei chantilly vegetal Hulala*)
3 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro
3 colheres de sopa de licor de café (usei o Káhlua*)
Chocolate meio amargo em barra

Deixe esfriar as bases das tortinhas. Recheie com doce de leite de soja. Cubra com as fatias de banana. Bata o chantilly com o açúcar até ficar fofo e aumentar de volume e adicione o licor de café. Misture bem e coloque colheradas em cima das fatias de banana. Use uma faca ou outro instrumento para raspar lascas de chocolate e jogue por cima do chantilly. Deixe as tortinhas num recipiente hermético na geladeira até servir. Rende 10 tortinhas de 8 cm de diâmetro.

Nhac

*Comentários:

Doce de leite de soja Soymilke
Não é exatamente cremoso, tem alguns grânulos e é preciso dar uma boa misturada antes de usar. O sabor agradou e não é tão doce quanto doce de leite.

Chantilly Hulala
Gostei bastante, não abaixa depois de batido como o chantilly tradicional e traz quase as mesmas quantidades de gordura saturada que o tradicional.

Licor Káhlua
Amei, está entre os meus licores favoritos a partir de agora. Não o achei forte demais quanto ao álcool e é bem adocicado, com um sabor e aroma incríveis de café. Não sobressaiu tanto quanto gostaria na torta.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Gelatina de Chá Verde e Lichia com Ágar-Ágar

Uma sobremesa levinha e que realmente ajuda a alivar aquela sensação de peso depois de muitos dias de comedeira. Principalmente graças às propriedades do ágar-ágar, que é um laxante suave e ajuda a saciar a fome. Não deixem de dar uma passadinha no link!

Com framboesas então, mamãe do céu...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pêssegos em calda e Pêssegos Melba

Uma sobremesa deliciosa para o verão. Confira a receita para fazer seus próprios pêssegos em calda ou prepare os Pêssegos Melba com a versão industrializada.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mont Blanc aux Marrons (e Bolo Genoise)

Prepare-se para passar um dia enfurnada na cozinha se quiser preparar essa sobremesa. Não estou exagerando na medida, a minha manhã e tarde do último domingo foram completamente dedicados a esse delicado docinho de castanhas portuguesas.

Arquitetado na Itália por volta do século 15, o Mont Blanc aux Marrons se tornou popular na França no século seguinte, mas atualmente o seu local de maior popularidade é no Japão. Não há como negar, todos sabem que os japoneses têm uma queda por pâtisseries e boulangeries à moda francesa. Criado em homenagem à maior montanha dos Alpes e da União Europeia, o Mont Blanc também é vendido em versões que utilizam abóbora, inhame e frutas em vez das castanhas (marrons, em francês). Acabou-se a aula de história e geografia do dia.

A base do doce geralmente é feita a partir de um bolo genoise ou um pão-de-ló, porém também há receitas que indicam um suspiro de amêndoas. A estrela da cena é o recheio de creme de castanhas. Por último, o Mont Blanc é coberto com uma mistura de chantilly com o creme, enfeitado com uma castanha e polvilhado com açúcar de confeiteiro, que faz o papel das neves do Mont Blanc.

Agora, vamos por partes, como diria Jack, o estripador. Nossa, que piada ruim...

Bolo Genoise


4 ovos inteiros
120g de açúcar
120g de farinha
1 pitada de sal

Desastre iminente. Por favor,
untem corretamente (unlike me)
Unte uma assadeira de 30 por 25 cm com óleo e polvilhe com farinha. Com auxílio de um fuê, bata as claras, gemas e o açúcar e leve ao banho-maria. Mexa constantemente até que alcançar a consistência em que um “8” fique marcado na massa (“ribbon consistency”). Retire do fogo e vá peneirando e incorporando a farinha e o sal à massa delicadamente para não perder a maciez do bolo. Despeje na forma e leve ao forno a aproximadamente 160ºC por 15-20 min ou até que esteja assado. Deixe esfriar e corte com um aro cortador de 7,5 cm de diâmetro ou de outro tamanho desejado.

Obs.:
Bases já cortadinhas
O bolo genoise recebe esse nome em homenagem à cidade de Gênova, na Itália.
Essa massa é semelhante àquela de pão-de-ló ou pan di Spagna e também serve para fazer biscoitos champanhe (lady fingers). De fato, as bordas do meu bolo ficaram parecendo biscoitinhos, pois tive alguns problemas com a temperatura.
Eu carinhosamente o apelidei de bolo de três ingredientes, adivinha por quê? Não contei o sal, obviamente. Parece-me um bolo para situações extremas. Não tem leite? Não tem manteiga? Extrato de baunilha? Fermento? Não se preocupe, o bolo de três ingredientes está aqui para te socorrer.
Seguindo essas medidas, rendem 11 bolinhos de 1,5 cm de altura e 7,5 de diâmetro.
Não jogue fora as rebarbas de bolo, torre as no forno ou coma assim mesmo. São uma delícia!


Creme de castanhas

Para ter uma ideia da consistência

425 g de castanhas portuguesas (peso das castanhas já descascadas)
1/2 xícara de chá de açúcar
2 gemas
Baunilha (1 colher de chá de extrato e a própria vagem)
¾ de xícara de chá de creme de leite (quase uma caixinha inteira)

Ferva as castanhas na água com sal por 20 minutos até que estejam macias (se preferir, descasque-as e leve ao fogo novamente). Ainda mornas, descaque-as e reserve as seis melhores para decoração. Triture o resto em um processador até obter uma farinha bem fina. Quanto mais fina, melhor, pois não será necessário peneirar o purê depois.

Bases com o creme
Em banho-maria, misture o açúcar, as gemas, o creme de leite, o extrato de baunilha e as sementinhas raspadas e a vagem de baunilha até engrossar. Misture esse creme de gemas com a farinha de castanhas. Se ficar muito sólido, vá acrescentando o restinho do creme do leite.

Aproveite para espalhar o creme de castanha nos círculos de genoise, porque o chantilly a seguir não pode descansar depois de pronto. Tentei usar um saco de confeiteiro para distribuir o purê, mas não funcionou como esperava. No fim, recorri à boa e velha espátula.

Atenção:
O doce de castanhas original pode servir de substituto às castanhas cozidas e processadas.


Chantilly de castanhas


1/3 de xícara de chá do purê de castanhas acima
1 xícara de chá de creme de leite fresco (deixe no congelador por 20 min)
2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro

Bata o creme de leite fresco na batedeira em velocidade média alta por 4 min (não bata demais ou virará manteiga). Acrescente o açúcar e bata mais um pouco. Incorpore delicadamente o purê de castanhas para não perder a maciez untuosa do chantilly. Aqui sim, o saco de confeiteiro é indispensável para criar a textura clássica do Mont Blanc. Se tiver ou estiver disposta a comprar, um bico “chuveirinho” é recomendado. Na falta do mesmo, use um perlê, mas deve-se ter cuidado para não escolher um perlê pequeno demais. Dependendo do tamanho dos grânulos da sua farinha de castanhas, esses grânulos podem entupir o bico. Confeite rapidamente (o chantilly derrete dentro do saco com o calor das mãos) em formato circular ou reto.


Castanhas em calda


6 castanhas inteiras reservadas
Açúcar
Água
Essência de baunilha branca

Corte as castanhas longitudinalmente na metade. Faça uma calda simples com açúcar, água e essência de baunilha em fogo alto. Não contei as medidas, mas creio que foi algo em torno de 5 colheres de sopa de açúcar, ¼ de xícara de chá de água e 1 colher de chá de baunilha. Passe as metades na calda e as disponha no topo das suas montanhinhas.
  

C'est fini!

E partidas ao meio, para verem o resultado :)


Um tópico à parte, entretanto relacionado, que muito me incomoda: marrom glacê. O famoso doce, título de uma novela da Globo, refere-se a uma castanha glaceada servida como docinho de festa. Não, para vosso conhecimento, marrom glacê não é aquela pasta de batata doce enlatada vendida em supermercados. Um dia desses, farei a receita de marrom glacê que encontrei no livro de receitas da Dona Benta de 1965 (um dos meus valiosos achados em um sebo em São Paulo).