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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Bolo Prestígio Vegano

Essa postagem vai ser apenas uma receitinha, sem grandes ladainhas. Eu estava afastada do universo saudável/vegetariano/vegan há algum tempo, mas me aguardem porque agora estou retornando às raízes. Esse bolo prestígio foi o primeiro bolo totalmente vegano e confeitado que fiz. Já havia feito bolos veganos simples e bolos confeitados sem lactose (e também tradicionais, é claro), mas nunca completamente vegano e confeitado, com camadas, etc.

Devo dizer que foi um sucesso entre um público de não veggies! Por isso, senti-me na obrigação de publicar essa receitinha, ou melhor, receitão. Pode parecer um pouco complexa, mas juro, é um dos bolos mais simples que já fiz. A massa tem uma textura boa para cortar e montar camadas. E os recheios tem uma textura perfeita para espalhar e cobrir. Como sempre, uso medidas em gramas e mililitros para evitar erros, e colheres medidoras apenas para quantidades menores. Ah, e a melhor parte, esse bolo é sem a famigerada soja, creme de soja ou leite condensado de soja, especialmente para nós alérgicos! ;)


Bolo Prestígio Vegano


Ingredientes para o bolo:
225g farinha de trigo
72g farinha de coco*
150g açúcar refinado
35g cacau em pó
1 1/2 colher sopa de amido de milho
1 1/2 colher sopa bicarbonato de sódio
1/2 colher chá sal
380g leite vegetal de sua preferência
1 colher sopa vinagre de maçã (sim, é essencial)
85g óleo de coco
1 colher sopa essência baunilha

Ingredientes para o 'beijinho':
150g castanha de caju crua (deixar 8 horas de molho)
300g coco ralado fresco
1 1/2 xícara açúcar refinado
2 colheres sopa amido de milho
1 colher chá canela em pó
1/4 colher chá cravo em pó

Ingredientes para o ganache:
400g de chocolate meio amargo vegano (checar nos ingredientes se não leva subprodutos de leite)
250mL leite de coco
1 colher sopa de óleo de coco
1 colher de sopa de uísque (ou outra bebida alcóolica de preferência)

Ingredientes para a calda:
1/3 xícara mel
1/4 xícara leite vegetal
3 colheres sopa água
3 colheres sopa uísque


Modo de preparo:
Pré-aqueça o forno a 180ºC e unte uma forma de 25cm de diâmetro com óleo e cacau em pó (ou chocolate em pó), para seu bolo não ficar branco de farinha quando desenformar.
Para o bolo, peneire todos os ingredientes secos juntos, farinhas, açúcar, cacau, bicarbonato, amido e sal. Misture separadamente os líquidos: o leite, o vinagre, o óleo de coco e a baunilha. Adicione os líquidos aos sólidos e misture bem com um fouet até obter uma massa homogênea. Despeje na forma untada e asse por cerca de 40 a 50 minutos até o centro esteja bem assado (faça o teste do palito). Deixe esfriar completamente antes de desenformar.

Escorra o líquido da castanha que estava de molho, coloque as castanhas no liquidificador e bata com 1/2 xícara de água até obter um creme liso e reserve. Coloque o açúcar em uma panela e faça um caramelo seco, adicione o coco ralado, misture. Acrescente um pouco de água caso empelote e deixe secar novamente. Acrescente então o creme de castanha e deixe ferver. Dilua o amido de milho em água gelada, acrescente à panela e misture bem. O beijinho deve estar soltando do fundo da panela. Se não, engrosse mais ou cozinhe mais. Desligue o fogo, acrescente a canela e o cravo e misture.

Pique o chocolate em pedaços pequenos. Ferva o leite de coco e desligue o fogo. Acrescente o chocolate picado ao leite e deixe a mistura parada por um minuto. Então comece a misturar, o chocolate deve derreter completamente no leite de coco. Quando estiver tudo bem incorporado, acrescente o óleo de coco e o uísque. Misture bem e leve à geladeira até firmar.

Ferva os ingredientes da calda rapidamente até se misturarem.

Fatie o bolo em quatro camadas iguais e escolha o prato onde pretende servir. Use a parte superior do bolo invertida para se tornar a camada de base. Molhe a camada com a calda e recheie com metade do beijinho. Coloque outra camada e molhe com a calda, recheie com uma parte do ganache firme. Outra camada de massa, molhe com a calda, recheie com o restante do beijinho. A última camada de bolo e molhe com a calda. Use o que sobrou do ganache para cobrir as laterais e a parte de cima. Decore como preferir, eu usei chips de coco dourados rapidamente no forno.

Sim, foi o bolo dos meus temidos 27 anos

*Pode substituir por outra farinha, de amêndoa, de amendoim, de avelã. Ou até mesmo completar com farinha de trigo comum, creio que deve funcionar.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Brownies proteicos de feijão preto com cobertura de coco e nozes (Vegan German brownies)

Hoje não estou no ápice da inspiração, mas quero publicar essa receita porque o resultado foi satisfatório demais para que ficasse guardado por tantos dias longe dos olhos públicos.

Esses são brownies à base de feijão preto cozido. É uma receita vegana, sem glúten e sem açúcar refinado na massa (dei-me o direito de incluir açúcar na cobertura, mas sinta-se à vontade para retirá-lo). German brownies são uma variação de German chocolate cake, um bolo americano feito com chocolate alemão e coberto com um creme de nozes pecã e coco ralado, uma confusão não? O que importa é que é gostoso!





















terça-feira, 5 de maio de 2015

Estrada de pedregulhos, ou a minha versão adulta do rocky road inglês

Voltei de Londres inspirada. Esse receita poderia ser um simples manual de "Como transformar uma barra de chocolate e ingredientes jogados na despensa em uma sobremesa em 15 minutos". Também cabe na categoria "Como saciar sua vontade estúpida de comer doces de criança" e "Sobremesas que não requerem habilidade nem cozimento". Contudo, acho que a síntese perfeita seria "Como injetar glicose em seu filho e seus amiguinhos para correrem ininterruptamente nas festinhas infantis".

Rocky road é o nome desse doce, tradicional na Inglaterra e nos Estados Unidos. O nome, literalmente traduzido como estrada de pedregulhos, vem da aparência dos ingredientes acrescentados ao chocolate, que lembram um relevo acidentado. A versão inglesa leva chocolate ao leite, biscoitos, marshmallows e uvas-passas, enquanto a americana leva chocolate ao leite, marshmallows e nozes.


Não existe uma receita original, nem certo, nem errado. Você decide o que acrescentar ou o que retirar. E não se preocupe, a possibilidade de ficar ruim é nula. Em que galáxia distante poderia chocolate derretido misturado a porcarias açucaradas ficar ruim? Quando alguém obtiver uma resposta, por favor me avise para que eu possa desviar o trajeto da minha nave interestelar, beijos.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Criatividade e biscoitos Calipso falsários (Calipso copycat sables)

Não posso fazer afirmações generalizadas sobre a sociedade e possuindo uma necessidade intrínseca à minha pessoa de fazê-lo, dar-me-ei o direito de fazer algumas. Será que todas as pessoas sofrem dessas marés de criatividade como as que me atormentam com suas altas e baixas temperamentais? Fico procurando nos cantos do meu cérebro exemplos de grandes criadores, pensadores e filósofos que tenham sofrido com falta de criatividade e, então, percebo que sou uma completa iletrada em questão de ideias e teorias de filósofos, pensadores, físicos e criadores. Por que cargas d'água me preocupo se conheço ou não essas grandes ideias universais? E o meu alterego paladino da paz mundial responde, "Porque você quer saber tudo que há para saber, para poder aproveitar para si e doar para os outros tudo que o que há de bom na vida. E, principalmente, porque você é uma pessoa que se alimenta de conhecimento, seja empírico ou filosófico, e como de conhecimento empírico já basta a cozinha, falta-lhe o conhecimento filosófico". "Adoro essas nossas conversas, they shed such a light on myself".

Voltando à questão da criatividade. Quando nossos talentos de criação nos deixam desamparados por algum tempo, voltamo-nos às ideias de outros. A culinária é um exemplo perfeito de cópia e releitura, pois sempre buscamos receitas testadas e verificadas por outros para então aventurarmo-nos nas mesmas. É difícil, senão impossível, na culinária assim como em outras áreas de trabalho, que um item artístico seja original em sua totalidade. Sempre buscamos referência em outros trabalhos e essa busca e aplicação  pode ser descoberta, consciente ou não.

Assim surgiram estas cópias falsificadas, salafrárias, ordinárias, falsárias dos biscoitos Calipso, da Nestlé. A inspiração nasceu após comprar um pacote de biscoitos para fazer uma torta holandesa caseira e diga-se sorrateiramente que minha versão - apesar de derivada - fica muito mais saborosa. Às vezes, as cópias superam os originais. Todo mundo não acredita que é a Monalisa de Da Vinci lá no Louvre mesmo?

Obs.: Após algumas pesquisas, descobri que existem uns biscoitos Calypso nos EUA, de uma franquia de supermercados chamados Publix, que levam coco, nozes pecã e aveia - mas que não tem relação nenhuma com esta receita. Aqui está uma releitura dos biscoitos Calipso da Nestlé brasileira.


Biscoitos Calipso (tipo sablé)


2 gemas
80g açúcar refinado
80g manteiga (em ponto pomade)
120g farinha de trigo
4g fermento químico
1g sal
75g coco ralado seco
80g chocolate amargo

Peneire a farinha, o fermento e o sal. Branqueie as gemas com o açúcar com um fouet ou na batedeira, junte a manteiga pomade. À mão, junte a farinha e o coco seco e misture bem. Deixe descansar na geladeira por pelo menos 30 minutos. Forre uma assadeira com silpat ou papel manteiga. Abra a massa com um rolo até atingir 3mm de espessura, corte com o cortador desejado e disponha na assadeira com uma distância de 2 cm entre si. Deixe descansar por mais 30 minutos na geladeira,

enquanto isso pré-aqueça o forno a 170ºC. Asse por aproximadamente 15 minutos ou até as bordas começarem a dourar levemente. Não deixe dourar demais ou ficarão com sabor queimado.


Esfrie os biscoitos sobre uma grade. Derreta e tempere o chocolate (ou use chocolate tipo cobertura) e cubra os biscoitos sem deixar escorrer pelas laterais. Enquanto ainda não estiver cristalizado, use um palito de dente para fazer o desenho característico dos Calipso: faça três riscos de um lado, vire 90º e faça mais três riscos. Rende 25 biscoitos.





domingo, 16 de março de 2014

Delícias veganas - Cheesecake crudívoro de maracujá, Tagliarini de pupunha, Dahl de lentilha vermelha, Amanteigados veganos, Muffins de centeio e chocolate

Não me recordo se cheguei a comentar aqui, se sim me perdoem pela repetição. Estou trabalhando (quer dizer, estagiando) em um restaurante japonês aqui em Santos, chamado Okumura desde novembro do ano passado. Ando tão cheia de preocupações com faculdade e trabalho que mal resta tempo para cuidar de mim mesma, imaginem para escrever no blog...

Também ando desandando com a alimentação... comendo muitos doces, engordando, comendo laticínios que não me fazem bem. Tudo isso porque não tenho tempo de fazer os doces que posso comer, e acabo ficando tentada com outros quitutes (especialmente os da faculdade). Essa semana me mantive bem na dieta sem lactose, tive apenas um deslize ontem com um bolo do aniversário da minha cunhada que estava na geladeira clamando por ser mastigado por essa boca aqui. Os efeitos foram piores que os de costume, parece que minha intolerância anda mais agravada.

Estas lindas fotos abaixo foram o que fiz quando tive tempo. Sinto que cada vez me sinto mais inclinada à confeitaria vegana, a aprimorá-la e torná-la cada vez mais deliciosa para todos!

Cheesecake crudívoro de maracujá (Raw Passionfruit Cheesecake)
(nevermind the foil paper)

A base é de tâmaras, nozes e cacau, o creme do meio é de castanha de caju e baunilha, e o creme superior é de castanha de caju e geleia de maracujá caseira. O bom desse doce é que ele deve ser congelado e as sobras podem (e devem) ser mantidas no congelador, ou seja ele dura um bom tempo para saciar as lombrigas intolerantes dessa que vos escreve


Tagliarini de pupunha com molho de tomate e manjericão
(Heart of palm tagliarini with tomato basil sauce)


Comprei um pupunha outro dia, deveria ter 60 cm. A parte interna, mais macia, assei e servi com azeite e ervas. Com as partes um pouco mais dura, mas comestíveis, preparei esse taglarini. É só passar o pupunha no mandoline, branquear em água fervente com sal por uns 2 min e servir com o molho de sua preferência.


Bife vegetal, arroz integral, repolhos refogados com kümmel e dahl de lentilha vermelha com pasta de tamarindo
(Vegan steak, whole grain rice, cabbage with kümmel, and red lentil dahl with tamarind paste)


Parece uma mistura maluca, mas devo dizer que os preparos se complementaram tanto em cor quanto em sabor. Usei pela primeira o bife vegetal da marca Quebra-Cabeça e devo dizer que a textura não me agradou tanto quanto o sabor. Fica um tanto gelatinoso no centro, acho que é muita goma xantana, mas o sabor de feijão e pimenta-do-reino passa bem como carne.

O dahl de lentilha vermelha é um prato que está na minha listagem há tempos. Vou passar umas instruções básicas aqui: sue 1 cebola pequena e 2 dentes de alho em brunoise no azeite (ou no ghee), acrescente 1 colher de chá de cúrcuma, 1 colher de chá de cominho, 1 colher de chá de páprica, 1 colher de chá de coentro,1 colher de chá de gengibre em pó (ou um pedaço de 1 cm de gengibre descascado), uma pitada de pimenta caiena. Frite bem os temperos (sem queimar), adicione 1/2 xícara de lentilha vermelha, 1 tomate concassé, 80 mL de extrato de tomate e 2 xícaras de caldo de legumes caseiro. Cozinhe por 20 minutos com a panela tampada. Acrescente uma colher de sopa de pasta de tamarindo (aquela que é líquida, não é o tamarindo seco, nem a polpa, nem o concentrado). Deixe reduzir com a panela aberto por 10 minutos até ganhar uma consistência mais espessa. Corrija o sal e sirva.


Amanteigados veganos com lavanda e chocolate - método de pâte sucrée
(Vegan lavander butter cookies drizzled with chocolate)


Esses lindos biscoitinhos acima são segredo de estado, heheheh, ainda não acertei a receita como queria. Posso liberar a informação de que são feitos com uma manteiga batida vegana à base de óleo de coco extravirgem e azeite de oliva extravirgem (50/50).


Muffins de centeio e cacau - com gengibre cristalizado ou com pedaços de chocolate orgânico
(Chocolate rye muffins - with candied ginger or organic chocolate chunks)




A farinha de centeio combinada ao cacau é uma combinação inesperada que funciona perfeitamente, o amargor do centeio, do cacau e do azeite se complementam e não são sobrepujantes, casando com a maciez do bolinho. Quando encontrei essa receita, descobri que é costume nos países nórdicos comer uma fatia de pão de centeio com uma plaquinha de chocolate amargo finíssima vendida especialmente para esse propósito. Imaginem, essa plaquinha - chamada pålægschokolade - derretendo libertinosamente sobre o pão de centeio quente... omfg.

Omiti a flor de sal da receita original, não por não gostar de chocolate e sal, pelo contrário, eu adoro a combinação. No entanto, como a combinação de centeio e cacau já era algo novo, quis limitar as inovações gastronômicas para não confundir meu paladar heheh. A alguns muffins, adicionei fatias de gengibre cristalizado que conferiram um oomph diferenciado. Por sinal, não é uma receita vegana, apenas sem lactose. Aos muffins com pedaços de chocolate, usei o Chokolah 60% e, infelizmente, arrependi-me de usar essa marca de chocolate. Esse chocolate especificamente contém muitos traços de outros produtos que ficam notáveis no paladar, especialmente hortelã. Uma observação; se você quiser ver meu sorriso amarelo, dê-me uma mentinha de chocolate - urgh.

Por fim, umas fotos do meu bolo de aniversário - que em nada se assemelha aos preparos anteriores - repleto de ovos e creme de leite. Seguindo uma receita da Lenôtre, fiz uma Sachertorte divina. A massa do tipo biscuit levava marzipã e havia dois recheios, um ganache amargo e um purê de damascos. Essa também foi a minha primeira tentativa com glaçage, tudo correu bem. Decorei com uns desenhos de chocolate e corante dourado em pó.


Maçarico caseiro - aforma mais rápida de se acender velas de aniversário
Os brigadeiros também era brigadeiros comuns, hahah.
Ganhando uma máquina de abrir e cortar massas dos meus pais. É uma Atlas 150 da Marcato, uma das melhores que existem :D (eles receberam a dica da minha cunhada gourmet heheh)
Aguardem muitas receitas de massas! :)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Resoluções e uma ode à gordice natalina

Neste primeiro post do ano, trago para vocês, meus queridos, uma citação muito interessante de Jane Eyre. Acabei o livro há uns dois meses, mas havia me esquecido de compartilhar esse excerto que me é curioso, ao menos do ponto de vista gastronômico e também espiritual.

"Well had Solomon said, 'Better is a dinner of herbs where love is,  than a stalled ox and hatred therewith'" (EYRE, 1994, p. 76)

Carregando essa frase nos ombros, espero mudar minha relação com a comida no próximo ano. Eu e a comida sempre tivemos momentos de discórdia e de amor, uma relação conturbada e ambígua. Houve épocas em que me restringia muitos sabores e delícias - quando me sentia fisicamente ótima, com energia e bem disposta. Contudo, também houve épocas em que me esbanjava no prazer de comer, pouco me importando com saúde e bem estar.

No último ano, essa relação foi agravada com a descoberta da minha intolerância à lactose, com uma suposta alergia à soja (que foi negada pelos exames de sangue), uma definitiva alergia ao psyllium (não lhes contei sobre isso, desculpem), perambulações pelo vegetarianismo, retorno às carnes, empanturrações em aulas de gastronomia, descoberta de novos paladares, e momentos de mergulho no mundo lácteo (e um grande "foda-se" ao meu intestino) e conseguinte arrependimento. Ah, olvidei-me do colesterol nas alturas e do ganho de peso para completar o pacote, o laço do presente.

A conclusão que chega tardia é de que preciso me alimentar com mais consciência, sabendo o que devo limitar ou até excluir da minha dieta. Essas resoluções soam tão cristalinas quando lidas numa página da rede, tão fáceis de serem alcançadas e retidas, mas não tenho dúvidas de que tomarão boa quota de dedicação e empenho e força de vontade.

No início do ano, enchemo-nos de resoluções idealizadas, das quais sabemos que algumas são impossíveis de se alcançar. Seres esperançosos que somos, não desistimos de criar novas resoluções a cada ano passa, abandonadas sem remorsos por volta de dois meses depois. Parece estupidez, mas juro que essa não será só mais uma, essa será um novo modo de viver. Veremos no que dá esse grande falatório quando chegarmos a dezembro de 2014...

Por fim, uma despedida à gordice das festas natalinas:

Maamoul de tâmaras (com massa de semolina)
Semifreddo de pistache e framboesas com água de rosas e de flor de laranjeira com casquinha de chocolate
(Sintam a tensão)
Bûche de Noël: massa de cacau, recheio de castanhas portuguesas, cobertura de ganache, cogumelos de suspiro e terra de castanhas


domingo, 17 de novembro de 2013

Dois ingredientes e uma mousse

Todo ano a repetição reconfortante chega precisa, sem tardar. As estações que mudam, as frutas que amadurecem, a chuva que fertiliza e os humores que acompanham, subindo e descendo com a maré e as luas. Contudo, nem tudo são flores (não poderia prescindir de um habitual cliché), também vem chegando sutilmente a repetição enfadonha, igualmente pontual. Provas, pesquisas e trabalhos se acumulam, assim como a fadiga de final de ano. Ah, como anseio outra repetição, a do descanso e de reposição de energias das reuniões e festas com família e amigos no final do último mês do ano. Não liguem para essa melancolia e esse estilo romântico suspirado, acabei Jane Eyre há poucos dias e, uma vez que não tenho escrito nada além de textos acadêmicos, meu estilo próprio ainda está mergulhado e encilhado nas algas profundas do romantismo meio gótico e sobrenatural de Charlotte Brontë.

Em toda essa triste turbulência anual, nada melhor que um doce para suprir suas necessidades com poucos ingredientes e em poucos minutos. E a isso, devemos agradecer ao senhor pai da gastronomia molecular, o francês Hervé This. Creiam quando vos digo que, para essa deliciosa mousse, utilizaremos apenas água e chocolate! Eu mesma não acreditei que funcionaria, but there's a catch: use o melhor chocolate que tiver, uns 60% ou 70% cacau, preferencialmente importado e sem gordura vegetal na composição. Eu usei meu Callebaut 60% em gotas que tinha por aqui.


Mousse de chocolate de dois ingredientes (molecular, vegano)


200mL de água
225g de chocolate amargo (60%)

Coloque a água e o chocolate numa panela em fogo médio e vá misturando até o chocolate derreter completamente e homogeneizar. Prepare um recipiente maior que sua panela, encha com água e gelo. Coloque a panela dentro do recipiente e utilize um mixer para bater a mistura. Enquanto vai esfriando, a mistura vai engrossando e incorporando bolhas de ar que dão a textura de mousse. Passe para taças individuais, cubra com plástico filme e conserve em geladeira até servir. Se desejar, sirva com creme batido e frutas vermelhas. Yum.

Se o mousse ficar muito ralo, derreta novamente, adicione mais chocolate e repita os passos seguintes. Se o mousse ficar muito pesado, derreta novamente, adicione mais água e repita os passos seguintes. Se ficar granuloso, o mousse foi batido demais, derreta novamente e repita os passos seguintes.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O constante aprimoramento do bolo de aniversário - Floresta Negra, Kit-Kat, Cerveja, Ópera

Cheguei tardiamente à conclusão de que estou acostando-me no cômodo errado da casa. Um quarto é o local onde você dorme, onde guarda seus pertences, onde lê seus livros, onde passa a maior parte do seu tempo, correto? E quando passamos mais tempo na cozinha que em qualquer outro lugar, o que isso faz da cozinha? Nosso cômodo mais querido, relegando o quarto a "second best". Não existe lugar da casa que seja mais convidativo, com aromas que nos atraem como ratazanas em busca do saco de lixo mais oloroso da quadra. Nem mais abrangente, englobando todos na conversa. Nem mais ofensivo, pois qualquer detalhe vira controvérsia. Não, não se preocupe... tenha certeza de que as contendas serão resolvidas quando os talheres subirem às bocas.

Tenho cozinhado bastante, tirado poucas fotos e anotado poucas receitas, perdoem-me. O que tenho para mostrar-lhes são alguns bolos de aniversário, que têm sido o enfoco do meu eterno aprimoramento culinário. O ponto mais interessante é que sempre há um aniversário na família e você sempre terá a chance de praticar suas habilidades de mestre confeiteira. Isso é, desde que o dono da festa deposite confiança nessas suas ditas habilidades...

Bolo Floresta Negra


Este foi para o aniversário da minha progenitora (que delicadeza, hahah) em agosto, e foi feito às pressas como sempre. A massa era um pão-de-ló de chocolate (que não me agradou por sua insipidez) regado com calda ao marrasquino. O recheio era creme Chantilly com cerejas ao marrasquino picadas e a cobertura era um buttercream de chocolate ao leite (muito bom!).


Bolo Kit-Kat


Este bolo-gordice-máster-foda-se-eu-gosto-de-kit-kat-mesmo foi para o aniversário de 16 aninhos da minha priminha neste mês. Resolvi experimentar uma massa nova de bolo chiffon de chocolate (com fermento, pois há chiffons sem fermento), vulgarmente conhecido como bolo maionese. Um recheio de morango inventado e que nunca vou conseguir repetir, iniciei com uma base de cream cheese frosting de morangos à qual adicionei chocolate branco, sorbet de morango e ágar-ágar para firmar.


Bolo de Cerveja


Este bolo de proporções gigantescas foi para o aniversário do amigo do meu namorado em maio. Um bolo macho, digamos. A massa branca era de cerveja, com recheio de brigadeiro de cerveja e ganache de chocolate ao leite (que também era a cobertura).


Bolo Ópera







Não comentem a qualidade das fotos, eu sei. O bolo ópera tradicional é feito com um biscuit joconde de amêndoas em vez de camadas de bolo, fica numa altura de uns 5 centímetros, e é cortado em retâgulos para ser servido. Essa é a versão bolo ópera de aniversário para a minha avó. A massa é a mesma do bolo kit-kat, mas com cacau, regada com calda de café. Os recheios são ganache de chocolate ao leite e chantilly de chocolate branco com café e licor Káhlua. Além disso fiz aquelas decorações de chocolate, que podem parecer raspas, mas não o são.


As tortinhas de limão também foram para vovó, com pâte sucrée que você encontra aqui (Pâtes et Bananes) e o recheio clássico de leite condensado e creme de leite que você encontra aqui (Torta rápida de limão com biscoitos e o primeiro desastre). Nossa, pode intralinkar meu próprio blog me dá orgulho, sabe?

Para terminar o post, uma foto graciosa da árvore em frente à casa da minha avó aqui em Santos. Não sei o nome da árvore, mas também há uma aqui perto de casa. Ela floresce por uma semana e depois deixa um tapete de pétalas rosadas na calçada. Para qualquer uma se sentir uma rainha passando por entre pétalas que caem.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Um ano de bloguice e uma receita comemorativa: macarons de amendoim com creme de chocolate (peanut macarons with chocolate buttercream)

Quem poderia acreditar que esse blog duraria mais que algumas semanas? E que de fato eu publicaria textos com regularidade (ainda que tenha a periodicidade semanal original tenha desandado)? Desde que digitei aquelas primeiras palavras, já se passaram 73 posts, com uma média de 6,08 posts por mês. Dá um orgulho, sabe, ver seu filhinho, de quem você cuidou com tanto carinho e dedicação, bem crescido e saudável. Deixe-me enxugar as lágrimas...

Muitas coisas mudaram na minha vida nesse intervalo e posso dizer que foi para melhor. E saber que escrever nesse blog me auxiliou a limpar os pensamentos turbulentos e tomar uma das decisões mais importantes da minha vida, definindo qual seria o caminho futuro. Animada e com a mente aberta, posso afirmar com certeza que será um caminho com muitas facas e panelas!

E, para comemorar essa data tão importante, não poderia escolher uma receita menos complexa. Porque vocês sabem que quanto mais intimidadora a receita, mais me sinto tentada a testá-la. Venho travando batalhas com os macarons há algum tempo e, portanto, decidi comprar farinha de amendoim para fazer meus testes por ser incomparavelmente mais barata que a farinha de amêndoa. E não que os suspirinhos franceses ficaram bons? O amendoim confere muito mais sabor que a amêndoa, embora não seja um sabor tão delicado quanto o da amêndoa.

Essa daqui é uma adaptação da receita da École du Grand Chocolat Valrhona, feita com merengue italiano e que é muito parecida com a receita do Pierre Hermé. O creme de chocolate é um buttercream que leva chocolate derretido em vez de cacau em pó, uma dessas receitas obtidas pela internet que anotamos num caderno e depois não nos lembramos de onde a conseguimos.


Macarons de amendoim

125g de farinha de amendoim
75g de açúcar de confeiteiro
75g de açúcar impalpável
150g de açúcar refinado
50mL de água
100g de claras (50g + 50g) (aprox. 3 claras)
25g de amendoim torrado granulado (opcional)

Processe rapidamente a farinha de amendoim com o açúcar de confeiteiro e o açúcar impalpável, para que o amendoim não solte óleo. Peneire para retirar os pedaços maiores de amendoim. Em uma panela grossa, misture o açúcar refinado e a água. Leve ao fogo médio e, quando a calda se aproximar dos 80ºC, comece a bater metade das claras (50g) na batedeira. Quando a calda alcançar 110ºC, as claras deverão estar em ponto de neve. Desligue o fogo e despeje a calda em fio sobre as claras em neve com a batedeira ligada. Deixe esse "marshmallow" amornar até 45ºC, então acrescente o restante das claras não batidas (50g) e os ingredientes secos peneirados. Misture vigorosamente até atingir o ponto de fita (esse passo, conhecido como "macaronage" é o mais importante, uma misturada a mais ou a menos pode ser o fator determinante para seus macarons não saírem como deveriam).


Coloque a massa num saco de confeitar com bico redondo e disponha círculos de massa de aprox. 3 cm de diâmetro numa assadeira forrada com papel-manteiga ou silpat. Deixe um espaço bom entre seus macarons, lembrando que vão espalhar um pouco. Bata a assadeira com força na bancada e estoure bolhas visíveis. Se desejar, cubra metade das casquinhas com um pouco de amendoim granulado para decorar. Deixe os macarons secarem em temp. ambiente por 30 min a 1h (dependendo da umidade da sua cidade). Quando as casquinhas estiverem firmes, leve uma forma por vez ao forno pré-aquecido a 140ºC por aprox. 12 minutos. Tente não encher demais as formas se o seu forno estiver um pouco desregulado, pois isso pode fazer os macarons das pontas estourarem, por exemplo. É melhor fazer quantidades menores e várias fornadas.

Se usar papel-manteiga, nunca retire os macarons com as mãos, pois as bases vão grudar. Leve à geladeira por 30 minutos e retire com auxílio de uma espátula. Recheie as casquinhas com o creme de chocolate abaixo e reserve na geladeira. Os macarons ficam melhores consumidos no dia seguinte, pois os sabores se desenvolvem e o centro das casquinhas fica mais pegajoso.






Creme de chocolate

200g de manteiga em temperatura ambiente
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1/2 xícara de chocolate meio-amargo derretido
1 colher de sopa de extrato de baunilha

Derreta o chocolate no microondas ou em banho-maria. Bata a manteiga na batedeira até atingir uma textura cremosa de pomada. Acrescente o açúcar de confeiteiro e a baunilha e bata até homogeneizar. Cheque a temperatura do chocolate, pois ele deve estar levemente morno para não derreter a manteiga. Pare a batedeira, acrescente metade do chocolate e torne a bater. Pare novamente e coloque o chocolate restante. Bata até estar completamente homogêneo. Coloque num saco de confeitar e recheie.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Coursera e relatos salivantes

Nessas férias, estou tomando um tempo para me desvirtuar da culinária. Isso não vai implicar um abandono da cozinha, não se preocupem, queridos leitores. Embora, devido à minha mente leve como pluma, abster-se de um atividade seja perigoso, pois posso me deixar levar por outros ares. Mas, não, não. Estou me mantendo ocupada com atividades familiares e seguras como leitura, desenho, filigranas, filmes, dança, patinação (e culinária, claro!), sem aprofundar-me por regiões artísticas obscuras e tentadoras.

Na última semana, iniciei um curso no Coursera, uma organização que faz parcerias com universidades e faculdades reconhecidas para trazer à rede gratuitamente cursos à distância das mais diversas áreas de estudo. Recomendo que espiem o site e se encontrarem algo que lhes chame a atenção, inscrevam-se.Os cursos relacionados à gastronomia são um pouco restritos e escassos, mas pelo menos estão lá. Se se interessar por administração ou algo assim, cursos para atender às suas necessidades não faltarão.

Os cursos são compostos por vídeo-aulas e lições a serem entregues nas datas especificadas e toda a comunicação é em inglês. Além disso, há fóruns para discussão com outros alunos e recebe-se nota pelas entregas e certificado ao final do curso. Atualmente, estou cursando "The Science of Gastronomy" pela The Hong Kong University of Science and Technology. Passou apenas uma semana (1/6), mas estou adorando! Já aprendemos sobre transferência de energia por condução, convexão e radiação e sobre como funciona a conexão entre cérebro e aparelho digestivo, como o inconsciente influencia a apreciação de um prato, etc.

Esses cursos me animaram e acabei por me inscrever em outros dois, heheh. Também no Coursera farei "The New Nordic Diet - from Gastronomy to Health" da University of Copenhagen. E no edX, participarei de "SPU27x Science and Cooking: From Haute Cuisine to Soft Matter Science" da Harvard. É, vocês leram direito, Harvard! Que divertido! Hihihih

Não pretendia, mas vou contar o que andou rolando aqui em chez Marcela para deixá-los com gostinho na boca.

Assado de sobrecoxas de frango com alecrim, couve-de-Bruxelas, mandioquinha, abóbora japonesa, tomates, dentes de alho e cebolas-pérola
Digo apenas "apetitoso".

Sauerkraut
Me joguei no chucrute e parece que deu certo. Depois de uns dois dias, o sabor da fermentação estava bom para mim, então o enfiei na geladeira. Incrementei-o com umas cebolas-pérolas, cominho, mostarda, sementes de anis e acho que só.

Bolo de chocolate com azeite (sem glúten) e Sorvete de café
Tudo da Nigelissima. Vi o episódio em que prepara essas duas guloseimas na sexta-feira. Não me aguentei e sábado fui preparar os benditos. O bolo (aqui está a receita) é delicioso, mas achei muito oleoso e pouco doce. Ficou perfeito servido com uma compota de kumquat ou com morangos assados. A Nigella (e creio que eu também) anda com essas manias de bolo sem lactose e sem glúten, sempre com bastante ovos, gordura e farinha de amêndoa (vide Bolo de fubá com calda de limão siciliano).
Alterei a receita do sorvete (link para a receita), pois não iria usar creme de leite fresco e queria descobrir se o creme de soja comum batia em ponto de Chantilly. E descobri que não bate. Mas o sorvete ficou delicioso, a diferença é que tive de tirá-lo da geladeira repetidamente para quebrar os cristais de gelo. Só faltou comê-lo como um sanduíche em pão de brioche para completar a experiência italiana heheh.

Somen em caldo de especiarias com fatias de fraldinha, shitake, acelga chinesa, brotos de feijão e cebolinha
Foi uma versão mistureba Japão/Vietnã, utilizando o caldo congelado daquele pho do mês passado.

Brigadeirão de soja
1 lata de leite condensado de soja, 2 ovos, 1 xícara de chocolate em pó, 1/2 xícara de leite de soja, 3 colheres de sopa de manteiga, 4 colheres de chá de amido de milho. Bater tudo no liquidificador, assar em forma untada em banho-maria a 120ºC por 20 minutos e aumentar para 180ºC por mais 20 minutos. Deixer esfriar, levar à geladeira, desenformar e cobrir com granulado.
Tãdã! A receita mais rápida da minha vida. E é um brigadeirão falso, pois não queria abrir uma lata de creme de soja.

Cupcakes de baunilha com morangos assados com cobertura de cream cheese e geléia de morango
Preparei-os ontem à tarde para que meu pai os levasse para meu irmão, hoje é aniversário dele. Parabéns, Gu! ;)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Rocambole de chocolate com buttercream de laranja

Venha cá, seu lindo
Uma massa fofinha de chocolate entremeada com um creme de manteiga (buttercream) feito com geleia em vez de açúcar de confeiteiro e recoberta com raspas de chocolate e de laranja. E aí, quem encara toda essa obscenidade? Confira a receita desse Rocambole de chocolate com creme de laranja!


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Dias dos namorados e suflê afundado

Por que incumbimos tanto significado a datas? Se pararmos para pensar, muitos dos melhores momentos e recordações da vida não acontecem em datas que vêm marcadas em calendários comerciais. Acontecem pois tudo colaborou para que acontecessem em tal dia a tal horário e, a partir de então, aquela data se tornará especial. O momento especial determinou a data e não o inverso.

Essas datas de festas comerciais nos levam a criar muita expectativa pelos eventos do dia e já se sabe o que geralmente sucede as expectativas excessivas; decepção. Marcamos tudo com antecedência, embelezamo-nos, acertamos detalhes, tudo para garantir que a planilha milimétrica seja seguida. E quando é chegada a hora, parece que falta aquela magia da imprevisão e da imperfeição.

Não me entendam mal, meu dia dos namorados não foi tão desastroso quanto minhas divagações fazem parecer. Sim, os ânimos ficaram um pouco agitados no fim da noite, mas não posso culpar nosso relacionamento. Creio que assim seja menos preocupante. Porém, quando algo dá errado, parece que o resto do dia, em que tudo correu incrivelmente bem e sem planos, é esquecido. Então, esqueçamos as discussões e relembremos os 90% de maravilha restante. Incluo o suflê na contagem de maravilha, pois ficou magnífico em toda sua imperfeição. Talvez já fosse uma advertência do que se seguiria à noite.

Restaurantes foram abolidos das comemorações de dia dos namorados naquele dia. Recuso-me a pagar, ou deixar meu namorado pagar, a quantia exorbitante que os proprietários se vêem no direito de cobrar pela simples data de "dia dos namorados".

No almoço, preparei esse delicioso pho vietnamita com contrafilé, macarrão, moyashi, cebolinha, coentro e um caldo aromático divino. A receita sairá no Yahoo em breve.

A sobremesa acabou como lanche da tarde, pois não houve tempo. Fiz o suflê de chocolate com creme de arroz em vez do creme de leite. Fui a culpada pelo afundamento... confundi o tempo de forno... 

E uma cervejinha Sapporo para festejar com o meu amor.

domingo, 19 de maio de 2013

Bolo de chocolate com damasco e gengibre (e marzipã)

A cada vez, sinto-me mais certa e segura para afirmar que a leitura e a escrita são indissociáveis. Bem, quero dizer que a boa leitura e a boa escrita andam juntas, assim como a má leitura e a má escrita, a falta de leitura e a falta de escrita, e por aí vai. Ora, pois, chegamos aonde eu pretendia. 

Não tenho quase lido, por isso não tenho tido a inclinação de escrever. Só me presto a pôr esses neurônios desgastados para funcionarem em textos exclusivamente relacionados à faculdade. E como me têm desgastado esses estudos... decerto tudo fica mais exaustivo quando temos de controlar tudo e todos e quando não se pode confiar nas funções delegadas aos outros. 

Então, falta-me inspiração e principalmente vontade e me sobra a preguiça aniquiladora da criação. Quase um mês sem escrever sobre o que me inspira, quase um mês sem dar aos meus neurônios o prazer de ruminar sobre um tema qualquer que não lhes foi imposto; de escolher as palavras com calma, sem uma data de entrega determinada; de pôr no papel outras palavras, visto que essas coisas escritas por obrigação tendem a sair numa linguagem débil e automática. 

Acabou o momento das lamentações, juro. Em breve, estarei livre para escrever o quanto quiser, aguardem! Hihih.

Para compartilhar com todos, trago uma receita que já fiz há alguns meses e pretendi repetir logo que conseguir fazer minha dieta voltar ao normal. Embora goste de bolos densos, esse bolo de chocolate é um pouco demais para meu gosto. As fatias têm que ser bem finas, pois senão não sobra espaço nem para o cafézinho. Creio que foi por causa da marzipã caseira que fiz e ficou um bom tempo armazenada na geladeira antes de usá-la no bolo. Quanto ao sabor, não posso negar que foi um dos melhores bolos de chocolate dos últimos tempo da última semana, heheh. Da próxima vez, vou usar uma marzipã fresquinha ou comprar pronta.

Retirei do livro "Chocolate Desserts" do Pierre Hermé. É a receita inaugural. Não vou passar a receita em xícaras como o original, porque as xícaras deles são de 240 mL enquanto as nossas são de 200 mL e isso pode causar uma confusão danada. Realmente, recomendo que invistam em balanças caseiras se gostam de preparar bolos e doces. Ou utilizem como referências de medidas padrões que se encontram na rede, como 1 xícara de farinha = 100 g e 1 xícara de cacau = 90 g. Prometo que, com meu tempo livre durante as férias, vou organizar uma relação de medidas confiáveis para colocar aqui.


Bolo de chocolate com gengibre e damasco

Apricot and Ginger Chocolate Loaf Cake (de "Chocolate Desserts", Pierre Hermé)


180 g de farinha de trigo
40 g de cacau em pó
1/2 colher de chá de fermento em pó (talvez eu aumente para 1 colher de chá na próxima tentativa)
125 g de damascos secos picados em cubos
165 g de açúcar
140 g de marzipã cortada em cubos
4 ovos grandes em temperatura ambiente
150 g de leite integral em temperatura ambiente
70 g de chocolate meio amargo em gotas ou partido em pedaços pequenos
55 g de gengibre seco (encontra-se em empórios)
180 g de manteiga sem sal derretida, em temperatura ambiente


Unte e enfarinhe uma forma de bolo inglês de 28cm e pré-aqueça o forno a 180ºC. Peneire a farinha, o cacau e o fermento juntos. Despeje um pouco de água fervente sobre os damascos, o suficiente para cobri-los, isso fará com que amaciem e liberem mais sabor. Deixe de molho por 1 minuto, escorra e seque os damascos.

Bata a marzipã em cubos com o açúcar na batedeira em velocidade média até que pareça areia. Então, adicione os ovos, um por vez, deixando bater por 2 minutos antes de adicionar o próximo ovo. Em seguida, bata por 8 a 10 minutos na velocidade alta até que alcance a textura de maionese.

Reduza a velocidade, acrescente o leite. À mão, junte os ingredientes secos e misture até homogeneizar. Acrescente a manteiga derretida, o gengibre, o chocolate e o damasco.

Despeje a massa na forma, coloque a forma de bolo inglês sobre outra forma maior e leve ao forno por aproximadamente 1 hora até estar completamente assado. Espere 10 minutos para desenformar e deixe esfriar sobre uma grade.

Damascos, gengibre e gotas de chocolate

A marzipã caseira



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Bolo de Chocolate com Cerveja Stout (receita atualizada) e Chantilly de Chocolate Branco

Persistente que sou, lá fui eu preparar aquele bolo de chocolate com cerveja stout novamente. Certo, certo, vocês me pegaram, usei a velha desculpa de aprimorar a receita. Se houvessem provado esse bolo, tenho certeza de que também estariam maquinando motivos para assá-lo mais uma vez.

Dessa última vez, usei good ol' Guinness em vez de aquela Young's Double Chocolate Stout, diminui a proporção de manteiga e de farinha e troquei a cobertura de cream cheese (que, confesso, pode ser um pouco enjoativa) por um divino chantilly de chocolate branco. Além disso, usei creme de leite comum e não creme azedo (sour cream), razão pela qual troquei o bicarbonato de sódio pelo fermento químico.

Não se desesperem com essa enxurrada de explicações. O que importa é que agora, é só seguir a receita abaixo que o seu bolo ficará ainda mais saboroso e não afundará no centro, prometo! Caso não se lembrem, o último ficou erodido no meio, heheheh.

Bolo de Chocolate com Cerveja Stout

Adoro esse contraste ebony and ivory

250 mL de cerveja stout
200 g de manteiga sem sal
3/4 xícara (75g) de cacau em pó
2 xícaras de açúcar cristal
100 mL de creme de leite
2 ovos
1 colher de sopa de extrato de baunilha
2 xícaras de farinha de trigo
2,5 colheres de chá de fermento químico


Clarifique a manteiga*. Em uma panela grande, leve a cerveja e a manteiga clarificada ao fogo médio . Acrescente o cacau e o açúcar, misture bem e deixe esfriar um pouco. Bata separadamente os ovos, o creme de leite e a baunilha e vá acrescentando a mistura de cerveja. Por último, peneire a farinha e o fermento e incorpore aos poucos à massa (que é bem líquida mesmo). Unte e polvilhe com farinha uma assadeira redonda de 25 cm, despeje a massa e e asse no forno pré-aquecido a 180º C por 45 minutos ou 1 hora.

* Esse passo é extremamente importante, pois o que causou o afundamento do bolo foram os sólidos de leite na manteiga derretida, ahá! Para clarificar, faça o seguinte:
  • Esquente a manteiga em fogo baixo numa panela pequena. Vá escumando a espuma branca que se forma na superfície enquanto a manteiga borbulha por cerca de 20 minutos. Cuidado para que os sólidos que vão se formando no fundo não queimem e deixem sua manteiga com gosto de queimado. Quando adquirir uma coloração levemente dourada, desligue o fogo e coe.



Chantilly de Chocolate Branco

185 g de chocolate branco (do bom!)
2 e 2/3 (520 mL) xícaras de creme de leite fresco

Derreta o chocolate no microondas. Ferva em um bule 2/3 de xícara do creme de leite fresco e despeje sobre o chocolate derretido. Deixe esfriar até alcançar uma temperatura entre 27 e 30ºC. Em outra vasilha, bata o restante do creme de leite resfriado até alcançar a textura de chantilly. Por último, incorpore a mistura de chocolate ao chantilly delicadamente.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Floresta Negra: essencial no repertório da Dona Maria

Essa vida de faculdade é mais difícil do que aparenta. Todos dizem: "Ah, ela está só estudando. Agora que não trabalha mais, tem tempo para tudo". É, bem que queria horas e horas sobrando num dia para se fazer exata e somente o que quisesse, aí eu escolheria o fim mais estúpido e despropositado simplesmente porque posso. Se quisesse dedicar um dia ao ato de coçar minha redonda barriga e assistir episódios daquele seriado da loja de penhores no History Channel, eu o faria.

Contudo, não me sobram essas horas, na verdade parecem mais escassas do que quando trabalhava oito horas por dia... estranha matemática. Acho que boa parte se deve ao curso que escolhi, que por ser tecnólogo, é mais corrido e puxado que os outros. Comento mais sobre ele num post que logo segue, com fotos e mais fotos do que já se preparou nas aulas práticas.

Hoje, decidi falar sobre meu aniversário que já passou há mais de um mês, que vergonha. Foi no dia 21 de fevereiro, mas a comemoração foi no dia 24, domingo. Pela primeira vez, desde que a minha memória permite, não se comprou um bolo para um aniversário nessa residência. Tínhamos o costume de encomendar tudo - bolo, docinhos, salgadinhos -, mas com uma intolerante a lactose aniversariante, a estratégia mudou um pouco. Preparei o bolo e os docinhos, encomendamos apenas os salgados (dentre os quais alguns eram de fato sem leite, valeu, Dona Ondina! heheh).

Os docinhos foram trufas saudáveis, uma oportuna descoberta culinária. À base de tâmaras e ameixas, também levam sementes de linhaça, cacau em pó, leite de soja em pó (ou leite integral em pó) e amêndoas trituradas para uma crocância opcional. Ou seja, a receita é sem lactose, sem glúten, sem açúcar refinado, sem creme de leite e sem chocolate. Com todas essas exclusões, muitos hão de pensar que é insossa e posso responder-lhes antecipadamente que não, não são insossas. São deliciosamente saborosas, macias e doces, sem ter de recorrer a ingredientes que deprimem o organismo. A receita logo mais sairá no Yahoo e, então, compartilho aqui o link com todos já está no Yahoo, acessem Trufas saudáveis: sem creme de leite, chocolate ou açúcar refinado!
Encontrei essas tâmaras do tipo Medjoul de Israel no Sacolão Hayama. Muito utilizadas no exterior, são maiores, mais claras, carnudas e úmidas do que as que costumamos comprar por aqui.

A massa perfeita para enrolar. E não vai ao fogo!
Trufinhas prontas cobertas com cacau e coco ralado.




Mas a grande estrela da noite foi o bolo. Ah, sim, agora me lembro, o bolo. Foi um bolo Floresta Negra sem lactose, é claro.

É uma daquelas figurinhas carimbadas no repertório de qualquer confeiteira, doceira ou pâtissier. Mas também deveria ser essencial no repertório da Dona Maria! Ou, só porque é dona de casa, não pode fazer "bolo chique"? Há essa diferenciação entre doces de casa (como o bolo de brigadeiro, nega maluca, pudim de leite, bolo de coco) que são feitos pela Dona Maria e que ninguém faz tão bem quanto a Dona Maria - estejam certos disso! - e os bolos de festa, aqueles que encomendamos, com mousse e trufa e chantilly e raspas de chocolate e cerejas.

Pois tenho certeza de que, se a Dona Maria se pusesse a fazer um bolo de festa, o quitute ficaria mais delicioso do que aquele que ela encomenda na loja ou com a senhora do prédio da esquina que faz doce para fora.

A minha versão do Floresta Negra (bolo clássico nomeado pela Floresta Negra do sudoeste da Alemanha) é mais rústica e deixa à mostra as camadas, um bolo "pelado". Leva creme de chantilly Hulalá em vez de creme de leite fresco e creme de soja em vez de creme de leite para o ganache. Queria ter feito com cerejas amargas e licor Kirsch como manda o protocolo, mas o orçamento e tempo limitado me restringiram.

Ordem das camadas:
  1. Massa de bolo de cacau embebida em licor de cereja
  2. Chantilly (sem lactose da Hulalá)
  3. Mistura de geleia de cereja amarga com frutas vermelhas cozidas em calda
  4. Massa de bolo de cacau embebida em licor de cereja
  5. Ganache de chocolate amargo (com creme de soja)
  6. Frutas vermelhas sortidas (cerejas, morangos, framboesas, mirtilos e amoras)

O que passo aqui é a receita da massa de cacau, pois para o resto não tenho receita e assim vocês podem adaptar e criar suas próprias versões. Essa massa não é muito seca e pode servir como base para diversos outros bolos de chocolate. Apenas não recomendo que se façam bolos de várias camadas, porque não é muito sólida e resistente a peso excessivo.


Massa de cacau

5 ovos
5 colheres de sopa de açúcar
5 colheres de sopa de farinha
250 mL de água
2 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de sopa de fermento em pó
2 colheres de sopa de óleo vegetal

Unte uma forma redonda de 26 cm de diâmetro e fundo removível. Separe as claras e gemas. Bata as claras em neve, adicione as gemas e o açúcar e bata até homogeneizar. Em seguida, à mão, alterne colheradas de farinha e água, mexendo com um pão-duro. Acrescente o cacau, o óleo e, por último, o fermento. Misture bem e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 30 minutos.

Mon gâteau Fôret-Noire


Esse cara essa garota sou eu, não se deixem enganar pelo aspecto nada imponente e cara de pateta



Já havia feito essa massa de bolo no aniversário da minha mãe, mas numa forma menor e com uma cobertura de creme de manteiga (ou buttercream). Também fica incrível!

Agosto/2012
Agosto/2012