quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Um ano de bloguice e uma receita comemorativa: macarons de amendoim com creme de chocolate (peanut macarons with chocolate buttercream)

Quem poderia acreditar que esse blog duraria mais que algumas semanas? E que de fato eu publicaria textos com regularidade (ainda que tenha a periodicidade semanal original tenha desandado)? Desde que digitei aquelas primeiras palavras, já se passaram 73 posts, com uma média de 6,08 posts por mês. Dá um orgulho, sabe, ver seu filhinho, de quem você cuidou com tanto carinho e dedicação, bem crescido e saudável. Deixe-me enxugar as lágrimas...

Muitas coisas mudaram na minha vida nesse intervalo e posso dizer que foi para melhor. E saber que escrever nesse blog me auxiliou a limpar os pensamentos turbulentos e tomar uma das decisões mais importantes da minha vida, definindo qual seria o caminho futuro. Animada e com a mente aberta, posso afirmar com certeza que será um caminho com muitas facas e panelas!

E, para comemorar essa data tão importante, não poderia escolher uma receita menos complexa. Porque vocês sabem que quanto mais intimidadora a receita, mais me sinto tentada a testá-la. Venho travando batalhas com os macarons há algum tempo e, portanto, decidi comprar farinha de amendoim para fazer meus testes por ser incomparavelmente mais barata que a farinha de amêndoa. E não que os suspirinhos franceses ficaram bons? O amendoim confere muito mais sabor que a amêndoa, embora não seja um sabor tão delicado quanto o da amêndoa.

Essa daqui é uma adaptação da receita da École du Grand Chocolat Valrhona, feita com merengue italiano e que é muito parecida com a receita do Pierre Hermé. O creme de chocolate é um buttercream que leva chocolate derretido em vez de cacau em pó, uma dessas receitas obtidas pela internet que anotamos num caderno e depois não nos lembramos de onde a conseguimos.


Macarons de amendoim

125g de farinha de amendoim
75g de açúcar de confeiteiro
75g de açúcar impalpável
150g de açúcar refinado
50mL de água
100g de claras (50g + 50g) (aprox. 3 claras)
25g de amendoim torrado granulado (opcional)

Processe rapidamente a farinha de amendoim com o açúcar de confeiteiro e o açúcar impalpável, para que o amendoim não solte óleo. Peneire para retirar os pedaços maiores de amendoim. Em uma panela grossa, misture o açúcar refinado e a água. Leve ao fogo médio e, quando a calda se aproximar dos 80ºC, comece a bater metade das claras (50g) na batedeira. Quando a calda alcançar 110ºC, as claras deverão estar em ponto de neve. Desligue o fogo e despeje a calda em fio sobre as claras em neve com a batedeira ligada. Deixe esse "marshmallow" amornar até 45ºC, então acrescente o restante das claras não batidas (50g) e os ingredientes secos peneirados. Misture vigorosamente até atingir o ponto de fita (esse passo, conhecido como "macaronage" é o mais importante, uma misturada a mais ou a menos pode ser o fator determinante para seus macarons não saírem como deveriam).


Coloque a massa num saco de confeitar com bico redondo e disponha círculos de massa de aprox. 3 cm de diâmetro numa assadeira forrada com papel-manteiga ou silpat. Deixe um espaço bom entre seus macarons, lembrando que vão espalhar um pouco. Bata a assadeira com força na bancada e estoure bolhas visíveis. Se desejar, cubra metade das casquinhas com um pouco de amendoim granulado para decorar. Deixe os macarons secarem em temp. ambiente por 30 min a 1h (dependendo da umidade da sua cidade). Quando as casquinhas estiverem firmes, leve uma forma por vez ao forno pré-aquecido a 140ºC por aprox. 12 minutos. Tente não encher demais as formas se o seu forno estiver um pouco desregulado, pois isso pode fazer os macarons das pontas estourarem, por exemplo. É melhor fazer quantidades menores e várias fornadas.

Se usar papel-manteiga, nunca retire os macarons com as mãos, pois as bases vão grudar. Leve à geladeira por 30 minutos e retire com auxílio de uma espátula. Recheie as casquinhas com o creme de chocolate abaixo e reserve na geladeira. Os macarons ficam melhores consumidos no dia seguinte, pois os sabores se desenvolvem e o centro das casquinhas fica mais pegajoso.






Creme de chocolate

200g de manteiga em temperatura ambiente
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1/2 xícara de chocolate meio-amargo derretido
1 colher de sopa de extrato de baunilha

Derreta o chocolate no microondas ou em banho-maria. Bata a manteiga na batedeira até atingir uma textura cremosa de pomada. Acrescente o açúcar de confeiteiro e a baunilha e bata até homogeneizar. Cheque a temperatura do chocolate, pois ele deve estar levemente morno para não derreter a manteiga. Pare a batedeira, acrescente metade do chocolate e torne a bater. Pare novamente e coloque o chocolate restante. Bata até estar completamente homogêneo. Coloque num saco de confeitar e recheie.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Receita de Apfelstrudel

Depois de mais um hiato, eis que estou de volta. Dá uma ideia de entrada triunfal, certo? Heheh, não está para tanto. Ando cozinhando bastante, mas infelizmente continuo tendo um relacionamento enrolado com câmeras fotográficas. Na realidade, não tenho problema algum com câmeras, o detalhe é que não me lembro de usá-las para tirar fotos dos pratos. Seguem algumas fotos para lhes atualizar...

Ainda da última visita a sumpaulo: Lámen com nirá, ovo de pata no chá, carne, shitake e brotos. E o melhor guiozá de todos os tempos. Até me inspirei a fazer os guiozás (ou jiaozi, já que o restaurante era chinês) em casa, massa e tudo. Saíram muito bons, mas ficou faltando algum tempero... E ando meio obcecada com comida chinesa, alguém conhece um restaurante chinês decente em Santos? Não serve pasteleria, gente.
Mini éclairs recheadas com creme de confeiteiro e cobertas com glaçage de chocolate amargo.
Digo apenas que foram bombásticas.

Essa foi a primeira produção de nossas aulas de panificação. Cinnamon rolls e pãezinhos de festa (com presunto, queijo, tomate e orégano). Culpem o forno desregulado, e não as cozinheiras, pelos pães tostados na ponta! Heheh

Bom, vamos à receita do dia, strudel! Sim, eu sei que estou trapaceando quando uso massa filo pronta nessa receita. O correto seria preparar uma massa de strudel tradicional (se alguém estiver com tempo e paciência, esta aqui publicada no Guardian parece interessante) empregada nos países em que essa delícia se originou, Áustria, Hungria, República Tcheca, Alemanha e toda aquela banda da Europa Centro-Oriental. Outros apressadinhos como eu preferem usar massa folhada, mas escolhi a filo por considerá-la mais leve e também porque a massa do strudel supostamente derivou da massa árabe usada para preparar a baklava, ou seja a massa filo.

E por que maçã, quando existem tantos outros sabores interessantes? Para os novatos em termos de strudel, como eu mesma, as variações são infinitas, mas os recheios tradicionais são: maçã, creme, queijo topfen, cerejas azedas ou doces, nozes, damascos, ameixas, sementes de papoula, abóbora, espinafre, carne, chucrute e outros. Os recheios famosos e brasilíssimos incluem banana, palmito, requeijão e goiabada, calabresa, doce de leite. Já deu para entender por onde a imaginação pode fluir, certo? Por qualquer lugar. Não há e não devem haver restrições.

Se desejar se ater ao tradicional antes de navegar por águas mais turbulentas, comece com o queridinho apfelstrudel. Garanto que o aroma combinado de maçã com uvas passas, amêndoas, rum e canela completará o clima invernal.

Strudel de maçã

300 g de massa filo pronta
5 colheres de sopa de manteiga clarificada derretida
2 maçãs verde Granny Smith pequenas (pode misturar com maçãs mais doces, se preferir)
1/3 de xícara de açúcar refinado
1/3 de xícara de uvas passas
½ xícara de amêndoas trituradas
1 colher de sopa de farinha de trigo (ou pão amanhecido ralado)
½ colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de rum
Suco de limão
Açúcar demerara e manteiga


Descongele a massa filo conforme as instruções da embalagem. Unte um tabuleiro e corte as folhas em retângulos de 25 cm por 35 cm. Disponha uma folha na forma untada e pincele com a manteiga clarificada, cubra com outra folha e pincele com manteiga novamente. Repita essa operação até acabarem as folhas de massa e reserve.



Deixe as uvas passas de molho no rum. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Descasque e retire o miolo das maçãs e corte-as em fatias finas. Se necessário, use algumas gotas de limão sobre as fatias para que não escureçam enquanto você corta o restante. Misture as fatias de maçã com o açúcar, as uvas passas, o rum, as amêndoas, a canela em pó e a farinha de trigo. Se o recheio estiver soltando muito líquido, acrescente um pouco mais de farinha.

Coloque o recheio sobre metade do retângulo da massa filo, deixando uma borda com distância de três centímetros das laterais. Feche essas bordas sobre o recheio e enrole o strudel na direção da outra metade da massa. Centralize o strudel na assadeira, girando-o para esconder a borda da massa sob o strudel.

Pincele o topo com manteiga e polvilhe açúcar demerara. Se preferir, pincele com um ovo batido (nesse caso, sirva polvilhado com açúcar de confeiteiro). Asse a 200ºC por 10 minutos, abaixe a temperatura para 180ºC e asse por mais 30 minutos.




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Casa Mathilde, doçaria tradicional portuguesa e objeto do meu afeto

Existem amores que demoram a se desenrolar e a criar laços e raízes e que, mesmo então, parecem nunca ter conquistado nosso âmago. Por outro lado, e é certo que sempre há um outro lado, existem amores à primeira vista que chegam avassaladores varrendo tudo que havia antes... sim, sim, clichê é comigo mesmo.

Ontem pela manhã - saindo do metrô São Bento e revivendo o caminho que repeti durante quase um ano de trabalho em São Paulo - encontro, oras pois, um local inédito na esquina da Praça Antônio Padro, moderno e iluminado, com vidros que se estendem por dois andares, exibindo como joias raras nas vitrines seus charmosos pastéis de nata . Com tal ambiente convidativo, meu cérebro foi lento demais para pensar duas vezes ("Será que é muito caro, devo entrar?") e minhas pernas seguiram o caminho da minha vontade.

Fonte: Página da Casa Mathilde no Facebook
Posso afirmar que não me arrependi, na verdade fiquei encantada com esse recinto de doces portugueses - mistura de café, confeitaria, padaria. A loja é longa e levei uns cinco minutos para percorrê-la até o final, observando o balcão repleto de delícias. Primeiramente, há alguns salgados recheados como se encontra em um café, não tenho mais detalhes a dar porque realmente não prestei-lhes muita atenção. Depois, vêm os mais variados doces, biscoitos, bolos, rocamboles, pasteis, pães... ai ai. Em frente ao balcão, há mesas e bancos acolchoados para se sentar e também há um segundo andar com mais mesas e cadeiras. No fundo da loja, fica a cozinha que é visível aos clientes com um enorme vidro. E pelo que entendi, a fábrica própria fica no terceiro piso.

Uma das coisas que mais me cativou nessa loja - sem mencionar os doces incríveis - foi o tamanho. É simplório da minha parte, mas dá uma sensação de importância entrar num desses lugares grandes e arejados, iluminados, com teto alto. Os preços também foram essenciais para estabelecermos nosso amor. Não são absurdos, pelo contrário, senti que a qualidade do produto valeu o preço.

A Casa Mathilde é uma doçaria tradicional de Portugal fundada em 1850 em Sintra e que ficou famosa por se tornar a fornecedora oficial de queijadinhas à Casa Real depois que D. Fernando II se apaixonou pelo quitute em uma viagem à cidade. A doçaria portuguesa fechou em 1974 e agora veio ao Brasil pelas mãos de um dos herdeiros da Dona Mathilde. Segundo o Estadão, o investimento na loja foi de 5 milhões, e já pretendem abrir filiais em outros bairros paulistas. Além disso, teriam trazido da terra-mãe dois mestres pasteleiros a quem cabe o segredo dos cremes e recheios (que são preparados separadamente na "casa dos cremes" ou "casa dos segredos", pois nem os sócios podem entrar lá!).

Na minha visita, fui modesta e escolhi uma Noz de Galamares, um docinho de gemas e amêndoas coberto com caramelo e nozes. E tomei um cafézinho Segafredo, muito bem tirado por sinal. Trouxe para casa biscoitinhos de azeite e mel e biscoitinhos de canela, também aprovados!


Lembro-me de ver pastéis de nata, cones com recheio de chocolate, bolos de arroz, queques, torta de amêndoas, biscoitinhos variados, salaminhos (ou salamões, pois eram enormes!), croissants, bolas de Berlim (massa frita recheada com creme de confeiteiro), travesseiros de Sintra, paulmiers monstruosos cobertos com fondant, e queijadas (que me arrependo de não ter provado, já que ainda não conhecia a história). Ah, sim, e muitos suspiros, porque não só de gema se faz um ovo, minha gente...

Pastéis de Belém e Travesseiros de Sintra  - Fonte: Página da Casa Mathilde no Facebook
Só me arrependo de não haver tirado mais fotos, mas procurem pela rede que encontrarão diversas. Abertos há dois meses, já estão indicados ao prêmio Comer e Beber da Veja na categoria doceria. Funcionam das 9h às 19h30 durante a semana e das 9h Às 15h30 aos sábados. Confiram a Casa Mathilde - Doçaria Tradicional Portuguesa e sua página no Facebook.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sopas e caldos

Mandem o frio de volta para os Andes com essas cinco receitas de sopas. Sim, a matéria está completamente mal diagramada, mas isso independe de mim, apesar de ser o meu nome que aparece na autoria. De qualquer forma, não deixem de ler "Delicie-se com cinco sopas saborosas para espantar o frio" no Yahoo!



Borscht, pho, caldinho de feijão, caldo verde e canja

sábado, 27 de julho de 2013

Pode pão sem farinha? O pão essênio diz que pode

A cada dia que voa, sinto com mais veemência que algo me impele com força em direção à pâtisserie. Sim, adoro a cozinha, adoro preparar refeições, principalmente asiáticas e vegetarianas, mas isso já é assunto para outros textos. O que mais preparo, no entanto, são pães e doces e não tenho muitas medidas a tomar com relação a isso. Adoro um bom doce, não posso negar, e, indubitavelmente, acabo preparando esse tipo de comida com mais frequência porque é o que mais sinto vontade de apreciar, mas será que também acabarei trabalhando com isso? Só o tempo dirá, não é mesmo? Ah, mas os sonhos têm inconsciência própria e decerto têm as ideias mais bem colocadas do que as nossas consciências atribuladas com insignificâncias cotidianas, e eles me pintam preparando massas numa boulangerie ou docinhos numa confeitaria... ai, ai.


Este ano fui ao Tanabata Matsuri de São Paulo no dia 7/7. Não sabíamos de nada e como havia ido visitar meu irmão e cunhada, acabamos dando uma passadinha na Liberdade à tarde antes de voltar ao território praiano. Lá nos deparamos com uma multidão de otakus assistindo a bandas cover desafinadas (produção, faça-me o favor de consertar isso?) e pessoas comuns como nós que tentavam caminhar desajeitadamente. A feirinha estava montada na praça e pode se imaginar a bagunça. Dificuldades a parte, a decoração estava muito graciosa com as lanternas e fitas coloridas e as tiras de papel com pedidos e desejos penduradas em árvores e bambus.

Singela pochete
Depois de visitar as lojas de sempre e encontrar a Itikiri Bakery como se houvesse sido saqueada (juro, não havia nada na vitrine), levei meus pais para tomar um bubble tea ou pobá, como queiram, na Tea Station Drinks ali na Rua da Glória. Também lá os otakus saqueadores haviam passado a rapa (no offense) e não havia mais pobá, portanto nada de bolinhas de tapioca nos nossos chás... :( Tomei um oolong com caramelo e gelatina de coco, se a memória não me falha.

Odeio cardápios complexos...

Bom, o que mais andou rolando e circulando e redondando por acá? Eu vos mostro:

Projeto de quilling inacabado, darei de presente atrasado de aniversário a meu maninho querido do coração s2 s2 
Uma moreninha americana suada e orgânica que veio do Mercadão
Frutas da semana: peras d'anjou, cerejas, limões, um kiwi solitário, pêssegos achatados do paraguai (adoráveis, não?) e maçãs pink lady (juro que não estourei a cor no photoshop, é natural)

E o que tudo esse asiatismo e exagero de fotos para compensar o post anterior tem que ver com a receita de hoje? Absolutamente nada. A receita-explicação de hoje é de um pão essênio, um pão das antigas, lá da época do nosso amigo Jesus, preparado com grãos de trigo brotados. Usem grãos de trigo orgânicos por favor, já que eles não serão cozidos e você vai consumir toda a casca. Eu fiz com 300 g de trigo e obtive um pão pequeno, não recomendo quantidade menor do que essa, mas não há medidas


Pão essênio

Lave os grãos e deixe de molho durante a noite com pelos menos o dobro de água filtrada. Lave novamente pela manhã, escorra e ponha para brotar em uma peneira ou em um vidro. Use um tipo de redinha para cobrir a boca do vidro ou a peneira, para que os grãos fiquem arejados. Durante o dia, deixe em local iluminado, mas não sob o sol direto. Repita o processo de lavagem (sempre escorrendo bem) a cada 4 horas aproximadamente, durante dois dias. Diminua ou aumente o intervalo conforme a temperatura ambiente: se estiver muito calor, lave mais frequentemente e vice-versa. Quando os narizinhos de broto começarem a despontar, triture os grãos no processador até formar uma massa. Cubra essa massa com plástico filme e deixe na geladeira durante 2 dias para desenvolver o sabor e a acidez. Molde como desejar, enfeite com as sementes preferidas (usei gergelim e umas folhinhas de manjericão) e seque ao sol (se o seu clima permitir) ou num forno baixinho em forma untada durante uma meia hora.

Narizinhos
Trança circular moldada

Pão prontinho, ficou com aquela textura granulosa de pão de centeio, adorei.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Coursera e relatos salivantes

Nessas férias, estou tomando um tempo para me desvirtuar da culinária. Isso não vai implicar um abandono da cozinha, não se preocupem, queridos leitores. Embora, devido à minha mente leve como pluma, abster-se de um atividade seja perigoso, pois posso me deixar levar por outros ares. Mas, não, não. Estou me mantendo ocupada com atividades familiares e seguras como leitura, desenho, filigranas, filmes, dança, patinação (e culinária, claro!), sem aprofundar-me por regiões artísticas obscuras e tentadoras.

Na última semana, iniciei um curso no Coursera, uma organização que faz parcerias com universidades e faculdades reconhecidas para trazer à rede gratuitamente cursos à distância das mais diversas áreas de estudo. Recomendo que espiem o site e se encontrarem algo que lhes chame a atenção, inscrevam-se.Os cursos relacionados à gastronomia são um pouco restritos e escassos, mas pelo menos estão lá. Se se interessar por administração ou algo assim, cursos para atender às suas necessidades não faltarão.

Os cursos são compostos por vídeo-aulas e lições a serem entregues nas datas especificadas e toda a comunicação é em inglês. Além disso, há fóruns para discussão com outros alunos e recebe-se nota pelas entregas e certificado ao final do curso. Atualmente, estou cursando "The Science of Gastronomy" pela The Hong Kong University of Science and Technology. Passou apenas uma semana (1/6), mas estou adorando! Já aprendemos sobre transferência de energia por condução, convexão e radiação e sobre como funciona a conexão entre cérebro e aparelho digestivo, como o inconsciente influencia a apreciação de um prato, etc.

Esses cursos me animaram e acabei por me inscrever em outros dois, heheh. Também no Coursera farei "The New Nordic Diet - from Gastronomy to Health" da University of Copenhagen. E no edX, participarei de "SPU27x Science and Cooking: From Haute Cuisine to Soft Matter Science" da Harvard. É, vocês leram direito, Harvard! Que divertido! Hihihih

Não pretendia, mas vou contar o que andou rolando aqui em chez Marcela para deixá-los com gostinho na boca.

Assado de sobrecoxas de frango com alecrim, couve-de-Bruxelas, mandioquinha, abóbora japonesa, tomates, dentes de alho e cebolas-pérola
Digo apenas "apetitoso".

Sauerkraut
Me joguei no chucrute e parece que deu certo. Depois de uns dois dias, o sabor da fermentação estava bom para mim, então o enfiei na geladeira. Incrementei-o com umas cebolas-pérolas, cominho, mostarda, sementes de anis e acho que só.

Bolo de chocolate com azeite (sem glúten) e Sorvete de café
Tudo da Nigelissima. Vi o episódio em que prepara essas duas guloseimas na sexta-feira. Não me aguentei e sábado fui preparar os benditos. O bolo (aqui está a receita) é delicioso, mas achei muito oleoso e pouco doce. Ficou perfeito servido com uma compota de kumquat ou com morangos assados. A Nigella (e creio que eu também) anda com essas manias de bolo sem lactose e sem glúten, sempre com bastante ovos, gordura e farinha de amêndoa (vide Bolo de fubá com calda de limão siciliano).
Alterei a receita do sorvete (link para a receita), pois não iria usar creme de leite fresco e queria descobrir se o creme de soja comum batia em ponto de Chantilly. E descobri que não bate. Mas o sorvete ficou delicioso, a diferença é que tive de tirá-lo da geladeira repetidamente para quebrar os cristais de gelo. Só faltou comê-lo como um sanduíche em pão de brioche para completar a experiência italiana heheh.

Somen em caldo de especiarias com fatias de fraldinha, shitake, acelga chinesa, brotos de feijão e cebolinha
Foi uma versão mistureba Japão/Vietnã, utilizando o caldo congelado daquele pho do mês passado.

Brigadeirão de soja
1 lata de leite condensado de soja, 2 ovos, 1 xícara de chocolate em pó, 1/2 xícara de leite de soja, 3 colheres de sopa de manteiga, 4 colheres de chá de amido de milho. Bater tudo no liquidificador, assar em forma untada em banho-maria a 120ºC por 20 minutos e aumentar para 180ºC por mais 20 minutos. Deixer esfriar, levar à geladeira, desenformar e cobrir com granulado.
Tãdã! A receita mais rápida da minha vida. E é um brigadeirão falso, pois não queria abrir uma lata de creme de soja.

Cupcakes de baunilha com morangos assados com cobertura de cream cheese e geléia de morango
Preparei-os ontem à tarde para que meu pai os levasse para meu irmão, hoje é aniversário dele. Parabéns, Gu! ;)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Ultimato

Está decidido, consegui tirar um peso de minhas costas. A partir de hoje, publico somente as receitas daquilo que me pareça realmente relevante, inovador e para o qual não se encontre receitas em português confiáveis. O resto ficará relegado a menções e fotos. Assim, não fico me torturando com receitas que tenho que repassar incessantemente e posso me dedicar ao que mais me interessa num blog, escrever e com qualidade!

Então, vamos a mais uma sessão de descarrego, antes que possa me dedicar a escrever novamente:

Tapioca de leite de coco com baunilha com calda quente de manga e cúrcuma