terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Biscoitos Recheados de Figo (com massa de chia e aveia)


Sou mentalmente inquieta, meus pensamentos não sossegam um segundo. Às vezes, tenho dificuldade para pregar o olho, porque há tantas coisas interessantes para ler e aprender e descobrir e me inteirar... Quem me conhece jamais diria isso, diria: “Não conheço garota mais sossegada, você é muito calma e zen”. E eu retrucaria com toda polidez: “Imagina, não sou calma, sou normal”. Obviamente, estaria mentindo, pois normal nunca fui, sempre fui inquieta na mente. É o que é ser normal, mesmo?

Bom, tudo isso para dizer que as receitas me atormentam, são como fantasmas arrastando correntes cujos ruídos não me deixam dormir e como diabinhos e anjinhos nos lóbulos de minhas orelhas atravancados num eterno bate-boca. “Mas e se substituísse por farinha de arroz?”, “Uhm, essa massa está muito líquida”, “Em que usar aquelas amêndoas lá no fundo da despensa?”, “Dá para fazer como naquela receita do Jamie, não é?”.

Certo, certo, chega de ladainha. Tudo isso para dizer que essa receita de biscoito recheado de figo com massa de chia e aveia (Ufa! Que comprido! Heheh) foi uma das que mais repercutiu nos côncavos do meu cérebro ultimamente e que estou completamente obcecada pelo blog da criadora dessa receita. Sarah Britton é uma nutricionista e chef holística, e o seu blog é o My New Roots. Também há um quê de ayurveda e todas as receitas são vegetarianas, sem açúcar refinado e outros produtos químicos e várias sem lactose e sem glúten. Ou seja, me ganhou.


Esses biscoitinhos recheados de figo são uma versão natureba dos biscoitos Fig Newtons da marca Nabisco, que por sua vez são uma versão americanizada e industrializada dos “fig rolls” do Egito Antigo, país que até hoje é o maior produtor mundial de figo.

A minha versão infelizmente não contém o chá rooibos (conhecido como chá vermelho na África), mas ainda pretendo comprá-lo para experimentar. Substitui por chá preto Darjeeling da Dilmah, que é delicioso, o melhor chá preto que já tomei. A receita rende pouco, cerca de 15 biscoitos.

Biscoitos Recheados de Figo

Massa:
1 xícara de aveia integral prensada
¼ de xícara de açúcar demerara (a original pede açúcar de palma)
¼ de colher de chá de bicarbonato de sódio
1/8 de colher de chá de sal
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de mel (original pede maple/ vegetarianos estritos podem substituir por melado)
1 colher de sopa de sementes de chia (servem como substitutas dos ovos em diversas preparações veganas, pois dão liga à massa)
4 colheres de sopa de chá preto forte
5 colheres de sopa de óleo de coco extravirgem
1 colher de chá de extrato de baunilha

Recheio:
1 xícara de figos secos picados
½ xícara de chá preto forte
½ fava de baunilha
2 colheres de chá de suco de limão
Uma pitada de sal

1. Prepare 1 xícara de chá preto bem forte. Leve uma xícara de chá de água ao fogo numa chaleira. Quando começar a ferver, acrescente uma colher de sopa de chá preto, ou despeje sobre dois saquinhos de chá preto. Deixe em infusão por 15 minutos e coe ou retire os saquinhos. Num pires, coloque a chia e 2 colheres de sopa do chá preto.



2. No processador, triture a aveia até obter uma farinha fina*. Acrescente o açúcar, o bicarbonato, o sal e a canela e processe para misturar. Em seguida, acrescente o mel, o óleo de coco, o extrato de baunilha, mais duas colheres de sopa de chá preto e as sementes de chia (que devem ter gelificado no líquido). Triture até a massa começar a formar uma bola. Enrole-a em plástico filme e deixe na geladeira enquanto prepara o recheio**.




3. Coloque os figos, o restante do chá preto (cerca de ¾ de xícara), o suco de limão e o sal numa panela pequena sobre fogo médio. Corte ao meio e raspe as sementes de meia fava de baunilha; adicione as sementes e a fava à panela. Cozinhe por aprox. 15 minutos mexendo de vez em quando até os figos derreterem e a mistura engrossar como uma geleia. Retire a fava, deixe esfriar um pouco e triture no processador até homogeneizar.


4. Sobre uma folha de papel manteiga ou plástico filme, abra a massa com um rolo no formato de um retângulo comprido. Divida visualmente em três tiras verticais e disponha o recheio na tira central. Dobre as tiras laterais sobre o recheio e aperte levemente para fechar. Corte em fatias e coloque sobre uma assadeira forrada com papel manteiga.


5. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 20 minutos ou até que estejam dourados. Deixe esfriar e guarde em potes herméticos.


Esses bebezinhos só ficam crocantes assim que saem do forno, mas não ficam menos apetitosos com o passar dos dias. Contudo, como é uma receita que rende pouco, recomendo consumi-los todos em um café da tarde com a família.

*Deveria ter triturado mais a minha aveia para não despedaçar na hora de abrir a massa.
**Acho que esse passo pode ser omitido, pois em meu caso não funcionou. A massa abriu melhor em temperatura ambiente.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Focaccia de Alecrim

Havia algum tempo que estava querendo preparar uma focaccia, desde que vi o pão ilustrado numa coleção de livros de culinária italiana, isso, esses que vendem na banca junto ao jornal de domingo. Recentemente, ganhei da minha vó no amigo secreto de Natal o livro "A Arte da Comida Simples", da Alice Waters, e lá me deparo novamente com a danada da focaccia. E, dessa vez, saiu.

Acabei optando pela receita da Alice por mera preguiça de folhear os vinte livros da coleção atrás da bendita receita de focaccia da Silva Percussi. Não me arrependi, criou uma casquinha crocante e era macio por dentro. Aromático para incitar os sentidos, mas não exageradamente a ponto de não poder ser apreciado com outros sabores. De fato, é ótimo para rechear com frios e salada, porque retém a forma quando é cortado horizontalmente e não esfarela.

Por sinal, o livro da Alice é um guia excelente para iniciantes na cozinha como eu, foi exatamente por esse motivo que o preferi a mais um livro de receitas qualquer. Com explicações detalhadas de ingredientes, utensílios, itens de despensa e organização de cardápios, a restaranteur do Chez Panisse explica não somente a melhor forma de preparar sua comida, mas a importância de priorizar ingredientes frescos e sazonais de produtores locais.

Estou amando, porque encontro refletidas algumas de minhas principais crenças, como a rechaça a eletrodométiscos supérfluos; são máquinas de panquecas, de arroz, de pão, de assar frango, de derreter chocolate, de fondue, de raspadinha, pipoqueiras, fritadeiras, sorveteiras, grills...

Voltando à temática de pães, ela mencionou algo que considero absoluta verdade e me faz repetir que vale  muito mais fazer seu próprio pão caseiro do que comprar aquelas borrachas insípidas em pacotes plásticos. Ela diz que um pão caseiro é sempre gostoso, pouco importa se queimou nas pontas ou se já está ressecado, não há quem resista a um pão caseiro. Como poderia negar isso? Em um dia, essa focaccia evaporou da mesa.


Focaccia de Alecrim


2 colheres de chá de fermento biológico seco
1/2 xícara de água morna

1/4 de xícara de farinha de trigo orgânica
1/4 de xícara de farinha de centeio orgânica

1 xícara de farinha de trigo orgânica + 2 e 1/4 xícaras de farinha de trigo integral orgânica
1 colher de chá de sal
3/4 de xícara de água fria
1/4 de xícara de azeite de oliva

Azeite
Sal marinho
Folhas de alecrim fresco

Misture o fermento e a água morna, acrescente 1/4 de farinha de trigo e 1/4 de farinha de centeio e deixe descansar até borbulhar e dobrar de volume (cerca de 30 minutos). Junte o resto da mistura de farinha de trigo comum e farinha de trigo integral, o sal, a água fria e o azeite. Trabalhe em uma superfície enfarinhada até a massa ficar macia e elástica por uns 5 minutos. A massa deve ficar apenas um pouco grudenta e úmida.  

Como iniciei o preparo à noite, coloquei na geladeira neste ponto e retirei na manhã seguinte para chegar à temperatura ambiente por cerca de uma hora. Aconselho que façam isso, pois a fermentação lenta da massa na geladeira proporciona um sabor mais desenvolvido. Caso não haja tempo, simplesmente ponha em um tigela grande, cubra e deixe crescer por 2 horas. Coloque papel manteiga numa assadeira de 25 x 30 cm e unte-o generosamente com azeite. Coloque a bola de massa no centro e vá abrindo com os dedos até as laterais da forma, tentando não retirar todo o ar da massa. Faça covinhas com os dedos (essa é marca registrada da focaccia), cubra e deixe crescer novamente por 2 horas. Pré-aqueça o forno a 250º C e derrame azeite a gosto sobre a massa, para ficar retido nas covinhas, polvilhe com sal marinho e folhas de alecrim. Asse por 20 a 25 minutos e esfrie em uma grade.

Obs.:
  • Sálvia também é uma ótima opção de erva para focaccia.
  • Um azeite de qualidade é essencial para conferir perfume e untuosidade à massa.
  • A farinha de centeio traz um sabor diferente à massa, usei a Mais Vita da Yoki. Se não encontrá-la, substitua por farinha integral.
  • Quanto ao fermento, usei um comprado em padaria e devo dizer que não me arrependi quanto à qualidade ou ao preço. Fui buscando o fresco, mas tinham apenas o seco e acabei comprando de qualquer forma. Paguei 90 centavos em 60 g de um fermento importado alemão, não me lembro da marca, mas vou perguntar da próxima vez. O melhor é que ainda têm fermentos específicos para doces ou salgados. Até o momento, parece-me muito superior àqueles de supermercado. (Dou mais informações no futuro, enquanto meu levain não atinge a maturidade, hihih)
  • Primeiro post do ano, uhuu! Mas as fotos são do ano passado, viu gente...


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Panetone Caseiro (Receita do Rogério Shimura)

Mais uma da série Yahoo. Dessa vez, aventurei-me na terra dos panetones. Depois da seguir a receira básica, assei mais um panetone com massa integral, gotas de chocolate, nozes e cascas de laranja cristalizadas. Diliça.



segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Biscoitos de Gengibre (Gingerbread Cookies)

Está um pouco em cima da hora, mas creio que o que vale é a intenção. Talvez ainda haja tempo para você assar seus próprios biscoitos de gengibre para enfeitar sua mesa de natal ou presentear seus amigos. Embalados em saquinhos decorados e fechados com fita, são uma lembrancinha perfeita. Na verdade, estes não são bem biscoitos; devido à grande quantidade de mel e melado, eles não tem aquela crocância e acabam parecendo mais pães-de-mel. Bom, afinal, o gingerbread tradicional e o pão-de-mel são primos que seguiram por caminhos diferentes.

Fiz a receita triplicada para presentear e congelei uma parte dos biscoitos depois de cortados para assar mais próximo ao Natal e funcionou perfeitamente.

Biscoitos de Gengibre

3 xícaras de farinha de trigo
2 colheres de chá de gengibre em pó
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/4 de colher de chá de noz moscada (cuidado que é alucinógeno, hein, minha gente)
1/4 de colher de chá de sal
3/4 de xícara de manteiga em temperatura ambiente (uns 100 g)
3/4 de xícara de açúcar mascavo
1/2 de xícara de melado de cana (substitua por mel se não tiver)
1 ovo
1 colher de chá de extrato de baunilha

Em uma vasilha, peneire farinha, gengibre, canela, bicarbonato, noz moscada, sal. Bata na batedeira a manteiga e o açúcar até ficar bem fofo e acrescente o melado, o ovo e a baunilha. Vá adicionando gradualmente os ingredientes secos e misture bem até se tornar uma massa homogênea. Cubra com plástico filme e deixe resfriar por 4 horas ou de um dia para o outro. Preaqueça o forno a 180º C e coloque papel manteiga em duas ou três assadeiras. Com um rolo, abra a massa gelada até alcançar 0,5 cm de espessura em uma superfície muito bem enfarinhada (não poupe farinha, porque isso te poupará trabalho) e a cada vez que abrir a massa coloque mais farinha para não grudar. Asse por 10-15 minutos até começar a corar nas bordas. Retire das assadeiras e deixe esfriar em grelhas. Confeite com glacê real, receita aqui, e decore à gosto.

E, é claro, não poderia faltar a minha casa de biscoitos, muito trabalhosa btw.

Ali do lado, uns biscoitinhos embalados para presente, um vidro com biscottis de pistache e cranberry e outro vidro com chutney de framboesa e maçã


domingo, 23 de dezembro de 2012

Muffins de Doce de Banana (extremamente molhadinhos!)

Tentando fugir de muffins industrializados com gosto de massa pronta e cupcakes transbordando de coberturas e recheios calóricos, você procura em vários sites de receitas um muffin que satisfaça o seu paladar. Porém, na primeira mordida, descobre que seu suado bolinho ficou seco e farelento.


Não se preocupe, depois dessa receita de muffins doce de banana, você não vai querer saber de outros muffins no seu café da manhã. Sim, são um pouco mais trabalhosos, mas o resultado não desaponta, eles são incrivelmente úmidos e cremosos por dentro. Aconteceram por acaso, numa necessidade impetuosa de assar um doce para a festa anual de amigo secreto dos meus colegas de acampamento e na falta de ingredientes adequados. Agarrei a primeira receita de muffins de banana que apareceu no Google. Desculpe-me, Nigella, mas tenho certeza de que os meus ficaram melhores os seus, modéstia à parte. Por ter o sabor de banana mais concentrado, o doce acaba conferindo essa mesma qualidade aos muffins, e a calda do doce ajuda no fator "molhadinho".


Muffins de Doce de Banana


Brilho nunca é demais, só uma decoração básica de Natal :)

150 g de farinha de trigo
110 g de farinha de trigo integral
2 colheres de chá de fermento
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de canela
1/4 colher de chá de noz moscada
2 xícaras de doce de banana (receita abaixo)
75 g de manteiga derretida (talvez um pouco mais, grudaram um pouquinho no papel)
115 g de açúcar mascavo
1 colher de chá de mel
2 ovos
125 mL de leite

Peneire os secos em uma vasilha grande (farinha, fermento, bicarbonato, sal, canela e noz moscada). Amasse o doce de banana num prato. Noutra vasilha, bata delicadamente o doce de banana, a manteiga (já em temperatura ambiente, pois não queremos cozinhar os ovos), o mel, os ovos, o leite e o açúcar mascavo. Coloque de uma vez sobre os secos e misture bem. Pré-aqueça o forno a 190ºC. Disponha forminhas de papel em assadeiras para muffins e despeje colheradas nas forminhas. Leve ao forno por 25 minutos até assarem completamente. Rende 12 muffins comuns ou 24 mini muffins.


Doce de Banana

10 bananas nanicas descascadas e inteiras
1 e 1/2 xicara de açucar
5 cravinhos da índia
5 colheres de sopa de água

Em uma panela de fundo largo despeje o açúcar, arrume as bananas e coloque os cravinhos. Em seguida ascenda o fogo e espalhe nos cantinhos da panela a água. Deixe cozinhando em fogo baixo até que as bananas fiquem moreninhas e caramelizadas. Rende mais do que o necessário para os muffins, mas acho que ninguém se incomoda com excesso de doce de banana na geladeira, não é?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Doces inspirados em coquetéis (Piña Colada, Vinho Quente e Cosmopolitan)

Vejam uma matéria com receitas completamente originais pour moi. Um cheesecake de piña colada, um brigadeiro de vinho quente e uma mousse cosmopolitan.




domingo, 9 de dezembro de 2012

Torta Integral de Legumes com alcachofra e molho de tomate

Buenos dias, mi compañeros! Nessa correria de fim de ano, mal tive tempo de vir aqui compartilhar mais receitas deliciosas, modéstia à parte, com todos vocês. No entanto, não se preocupem, as receitas não param de sair do forno aqui na fábrica da Dona Marcela, apenas demoram um pouco mais para chegar às suas mesas. Além disso, as receitas para o Yahoo também andam consumindo uma certa parte do meu tempo. De qualquer forma, vocês também saem no lucro, pois as receitas não param! Heheh.

A receita base desta torta é para liquidificador, mas me parece que ela fica incrivelmente mais macia e fofa quando batida à mão, pois dessa forma incorporamos mais ar à massa. É uma dessas de origem desconhecida, que estão anotadas no surrado caderninho de receitas da sua mãe desde tempos imemoriais, entre páginas manchadas de óleo e escritos inintelegíveis de empadinhas da Ana Maria Braga, obviamente copiadas às pressas das indicações ditadas da televisão.

A receita foi modificada nos seguintes aspectos: integral, legumes variados, molho de tomate e requeijão. Por favor, sintam-se à vontade para alterá-la ainda mais conforme a disponibilidade de suas despensas:

Torta Integral de Legumes


Massa:
3 ovos inteiros
2 xícaras de chá de leite
1 xícara de chá de óleo vegetal
1 pacote (50g) de queijo parmesão ralado
4 colheres de sopa de molho de tomate peneirado
1 colher de sobremesa de fermento biológico
12 colheres de sopa de farinha de trigo integral
Sal à gosto

Recheio:
1/2 cenoura crua ralada
1 lata de milho verde escorrido
150 g de alcachofra em conserva cortada em cubos
Azeitonas verdes picadas a gosto
6 colheres de sopa de requeijão
Queijo parmesão ralado para cobrir

Misture os ovos, o leite, óleo vegetal, queijo ralado e o molho de tomate. Peneire a farinha, o fermento e o sal e incorpore à mão. Despeje em uma forma grande untada e polvilhada com com farinha. Por cima, despeje a cenoura, o milho verde, a alcachofra em cubos, as azeitonas e colheradas do requeijão. Finalize com queijo parmesão ralado. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por cerca de 30 min ou até dourar.