domingo, 16 de março de 2014

Delícias veganas - Cheesecake crudívoro de maracujá, Tagliarini de pupunha, Dahl de lentilha vermelha, Amanteigados veganos, Muffins de centeio e chocolate

Não me recordo se cheguei a comentar aqui, se sim me perdoem pela repetição. Estou trabalhando (quer dizer, estagiando) em um restaurante japonês aqui em Santos, chamado Okumura desde novembro do ano passado. Ando tão cheia de preocupações com faculdade e trabalho que mal resta tempo para cuidar de mim mesma, imaginem para escrever no blog...

Também ando desandando com a alimentação... comendo muitos doces, engordando, comendo laticínios que não me fazem bem. Tudo isso porque não tenho tempo de fazer os doces que posso comer, e acabo ficando tentada com outros quitutes (especialmente os da faculdade). Essa semana me mantive bem na dieta sem lactose, tive apenas um deslize ontem com um bolo do aniversário da minha cunhada que estava na geladeira clamando por ser mastigado por essa boca aqui. Os efeitos foram piores que os de costume, parece que minha intolerância anda mais agravada.

Estas lindas fotos abaixo foram o que fiz quando tive tempo. Sinto que cada vez me sinto mais inclinada à confeitaria vegana, a aprimorá-la e torná-la cada vez mais deliciosa para todos!

Cheesecake crudívoro de maracujá (Raw Passionfruit Cheesecake)
(nevermind the foil paper)

A base é de tâmaras, nozes e cacau, o creme do meio é de castanha de caju e baunilha, e o creme superior é de castanha de caju e geleia de maracujá caseira. O bom desse doce é que ele deve ser congelado e as sobras podem (e devem) ser mantidas no congelador, ou seja ele dura um bom tempo para saciar as lombrigas intolerantes dessa que vos escreve


Tagliarini de pupunha com molho de tomate e manjericão
(Heart of palm tagliarini with tomato basil sauce)


Comprei um pupunha outro dia, deveria ter 60 cm. A parte interna, mais macia, assei e servi com azeite e ervas. Com as partes um pouco mais dura, mas comestíveis, preparei esse taglarini. É só passar o pupunha no mandoline, branquear em água fervente com sal por uns 2 min e servir com o molho de sua preferência.


Bife vegetal, arroz integral, repolhos refogados com kümmel e dahl de lentilha vermelha com pasta de tamarindo
(Vegan steak, whole grain rice, cabbage with kümmel, and red lentil dahl with tamarind paste)


Parece uma mistura maluca, mas devo dizer que os preparos se complementaram tanto em cor quanto em sabor. Usei pela primeira o bife vegetal da marca Quebra-Cabeça e devo dizer que a textura não me agradou tanto quanto o sabor. Fica um tanto gelatinoso no centro, acho que é muita goma xantana, mas o sabor de feijão e pimenta-do-reino passa bem como carne.

O dahl de lentilha vermelha é um prato que está na minha listagem há tempos. Vou passar umas instruções básicas aqui: sue 1 cebola pequena e 2 dentes de alho em brunoise no azeite (ou no ghee), acrescente 1 colher de chá de cúrcuma, 1 colher de chá de cominho, 1 colher de chá de páprica, 1 colher de chá de coentro,1 colher de chá de gengibre em pó (ou um pedaço de 1 cm de gengibre descascado), uma pitada de pimenta caiena. Frite bem os temperos (sem queimar), adicione 1/2 xícara de lentilha vermelha, 1 tomate concassé, 80 mL de extrato de tomate e 2 xícaras de caldo de legumes caseiro. Cozinhe por 20 minutos com a panela tampada. Acrescente uma colher de sopa de pasta de tamarindo (aquela que é líquida, não é o tamarindo seco, nem a polpa, nem o concentrado). Deixe reduzir com a panela aberto por 10 minutos até ganhar uma consistência mais espessa. Corrija o sal e sirva.


Amanteigados veganos com lavanda e chocolate - método de pâte sucrée
(Vegan lavander butter cookies drizzled with chocolate)


Esses lindos biscoitinhos acima são segredo de estado, heheheh, ainda não acertei a receita como queria. Posso liberar a informação de que são feitos com uma manteiga batida vegana à base de óleo de coco extravirgem e azeite de oliva extravirgem (50/50).


Muffins de centeio e cacau - com gengibre cristalizado ou com pedaços de chocolate orgânico
(Chocolate rye muffins - with candied ginger or organic chocolate chunks)




A farinha de centeio combinada ao cacau é uma combinação inesperada que funciona perfeitamente, o amargor do centeio, do cacau e do azeite se complementam e não são sobrepujantes, casando com a maciez do bolinho. Quando encontrei essa receita, descobri que é costume nos países nórdicos comer uma fatia de pão de centeio com uma plaquinha de chocolate amargo finíssima vendida especialmente para esse propósito. Imaginem, essa plaquinha - chamada pålægschokolade - derretendo libertinosamente sobre o pão de centeio quente... omfg.

Omiti a flor de sal da receita original, não por não gostar de chocolate e sal, pelo contrário, eu adoro a combinação. No entanto, como a combinação de centeio e cacau já era algo novo, quis limitar as inovações gastronômicas para não confundir meu paladar heheh. A alguns muffins, adicionei fatias de gengibre cristalizado que conferiram um oomph diferenciado. Por sinal, não é uma receita vegana, apenas sem lactose. Aos muffins com pedaços de chocolate, usei o Chokolah 60% e, infelizmente, arrependi-me de usar essa marca de chocolate. Esse chocolate especificamente contém muitos traços de outros produtos que ficam notáveis no paladar, especialmente hortelã. Uma observação; se você quiser ver meu sorriso amarelo, dê-me uma mentinha de chocolate - urgh.

Por fim, umas fotos do meu bolo de aniversário - que em nada se assemelha aos preparos anteriores - repleto de ovos e creme de leite. Seguindo uma receita da Lenôtre, fiz uma Sachertorte divina. A massa do tipo biscuit levava marzipã e havia dois recheios, um ganache amargo e um purê de damascos. Essa também foi a minha primeira tentativa com glaçage, tudo correu bem. Decorei com uns desenhos de chocolate e corante dourado em pó.


Maçarico caseiro - aforma mais rápida de se acender velas de aniversário
Os brigadeiros também era brigadeiros comuns, hahah.
Ganhando uma máquina de abrir e cortar massas dos meus pais. É uma Atlas 150 da Marcato, uma das melhores que existem :D (eles receberam a dica da minha cunhada gourmet heheh)
Aguardem muitas receitas de massas! :)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Pão de mandioquinha com fermento natural - Arracacha sourdough challah

Estou mantendo um fermento natural, sim, mais uma vez. Deixe-me descrever o meu mais novo Mr. Hyde para vocês: 50% farinha de centeio, 50% farinha de trigo, hidratação de 80% com um pouquinho de melado de cana para ajudar na reprodução desses monstrinhos.

Fiz diversos pães bem sucedidos, mas em todos adicionei um pouco de fermento biológico seco, porque não confio completamente na potência desse meu fermento. Fiz pão integral, pão de erva-doce com limão e pão de mandioquinha, todos avec ma pâte fermentèe para adicionar textura, leveza e sabor.

Abaixo segue a receita do meu pão de mandioquinha com fermento natural, que engendrei a partir da receita do pão de mandioquinha tradicional da minha avó Terezinha. É um pão bem adocicado, que ainda leva açúcar cristal por cima, e possui uma cor linda. Fiz duas versões, uma com e outra sem ovos. A diferença de textura não precisa sequer de menção; o pão com ovos fica macio, mais saboroso, mas também mais pesado; o pão sem ovos tem um miolo mais gelatinoso, e é mais leve.

O que me veio à mente é como a mandioquinha pode ser uma ótima alternativa para pães do tipo challah veganos, motivo pelo qual decidi trançar um dos meus pães. Além de contribuir com sabor e textura, o purê de mandioquinha conferirá a cor tão desejada de um pão repleto de ovos. Uma pena que os judeus veganos novaiorquinos não tenham acesso à esse tubérculo brasileiro.


Pão de mandioquinha com fermento natural (levain, pâte fermentèe) (opção  tradicional ou vegana)

Arracacha sourdough challah (traditional or vegan)


250 g de purê de mandioquinha
100 g de pâte fermentèe (centeio e trigo, 80%)
5 colheres de chá de açúcar refinado
2 gemas
3 colheres de sopa de manteiga
150 mL leite morno
5 g de fermento biológico seco
450 g de farinha de trigo
1/4 colher de chá de sal
Para pincelar, 1 ovo batido com 1 colher de sopa de leite
Para polvilhar, açúcar cristal

Na batedeira, com o gancho, misture a pâte ao purê. Adicione o açúcar, a gema, a manteiga e bata. Dissolva o fermento no leite morno e adicione ao bowl da batedeira, bata em velocidade baixa. Vá acrescentando a farinha aos poucos até a massa dar ponto. Sove à mão ou na batedeira (se a sua batedeira aguentar, claro). Por último, incorpore o sal.

Boleie a massa, cubra e deixe fermentar em local aquecido. Molde da forma que preferir, deixe fermentar uma segunda vez (aprox. 30 min). Passe a eggwash, cubra com açúcar cristal, faça cortes decorativos (se desejar) e leve ao forno pré-aquecido a 200ºC por 5 minutos. Abaixe o forno para 190ºC e asse por mais 15 minutos.

Obs.: Essa temperatura é para pães grandes, use 180ºC e 175ºC para pães individuais. Para pães veganos, retire as gemas da receita, substitua o leite por um leite vegetal, e pincele apenas com o leite vegetal.


Challah e Zepelim
Tight, soft crumb



Versão individual sem ovos. Esse é o formato mais tradicional.
Vejam a textura mais gelatinosa
(Overfermented, I know...)


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Redescobrindo ingredientes brasileiros: Picolés de coco e cupuaçu e o Cupulate

O novo livro de Atala me prendeu pelas papilas e pela aparante, talvez real, simplicidade. O chef menciona que sua cozinha se despiu das técnicas e que as utiliza a fim de alcançar o ponto de sabor necessário, desvencilhando-se de etapas frívolas. Não sei como eram suas receitas anteriormente, mas estas me parecem simples, não as tomem por fáceis, de serem reproduzidas mesmo em ambiente e com equipamentos domésticos.

Um dos fatos que me saltou aos olhos é que o D.O.M. foi aberto em 1999 primeiramente para gerar bufunfa e não nasceu como um restaurante gastronômico (por mais absurda que essa denominação soe), essa sua característica brasileiríssima veio evoluindo ao longo dos anos. Agora percebo que o primeiro fato não deveria ter me espantado, pois esse é o objetivo primordial de qualquer comércio de alimentos. Além disso, descobri que o restaurante possui um menu degustação vegetariano para atender à demanda paulistana. Pensando bem, nada faz mais sentido em um país no qual parece haver mais frutas e hortaliças que qualquer outro alimento.

As fotos e imagens do nosso país são ricas e bem emolduradas, pergunto-me se ele realmente tirou algumas dessas fotos em suas inúmeras incursões como os Bandeirantes ou se todas são produto da treinada equipe por trás do homem. O livro é dividido por grupos de ingredientes como "Laticínios e carnes", "Peixes e frutos do mar", "Vegetais", etc. Em cada capítulo, são apresentados ingredientes brasileiros aos quais seguem as receitas que contém os tais ingredientes. Atala prega a relação entre o urbano e o rural, a valorização do pequeno produtor, o conhecimento de onde vem o nosso alimento, prega o frescor e a sustentabilidade, e todas as histórias que estamos acostumados a ouvir de cozinheiros ao redor do planeta.

As receitas, em geral, são simples, mas não para os não iniciados em gastronomia. Nota-se claramente a base de culinária europeia de Atala. Alguns ingredientes nunca serão encontrados no seu supermercado mais próximo, desista. Esse não é um livro para seguir as receitas tanto quanto é um livro para se deixar inspirar pelas receitas.

Não, não vou gastar um quilo de sal grosso para cozinhar 200 g de mandioquinha e não vou ficar enfiando lecitina de soja para fazer uma espuma de amendoim. Não, não vou comprar uma Thermomix, nem um desidratador. Mas a sua combinação de peixe com amendoim e mandioquinha muito me atraiu. Também quero sair catando umas saúvas para comer, depois que você me informou de que as ditas formiguinhas têm sabor de gengibre e capim-limão. Quero comer mangarito, priprioca, jambu, tucupi, pequi, bacuri, castanha do baru, jambo rosa e, ah, a baunilha brasileira... como te desejo. Devo confessar que a coxinha negra também atiçou essa lombriga irrequieta que dorme cá na minha barriga.

Concordo que os ingredientes brasileiros estão começando a mostrar seu apelo para os próprios brasileiros, que querem exaltar o que há de bom e saboroso em nossa terra, mas ainda é um grupo muito restrito. Às vezes, temo que nossa culinária com ingredientes um pouco bizarros jamais cairá no gosto da gastronomia mundial como a culinária japonesa, tailandesa, chilena, etc. 

O que vos trago não é receita, apenas algo que preparei nessa minha onda brasileira.

Picolés de coco e cupuaçu 

Rende 6 mini picolés 

Doce de cupuaçu:
200 g de polpa de cupuaçu
2 colheres de chá de açúcar refinado 
Picolé de coco:
4 colheres de chá de açúcar refinado
50 mL de água
75 mL de nata de coco (igual a creme de coco)
150 mL de leite de coco
15 mL de óleo de coco extravirgem 
Apure em fogo baixo o cupuaçu com o açúcar por 5 minutos, ou por mais tempo de acordo com seu gosto. Disponha o doce de cupuaçu na ponta dos moldes de picolé. Misture o açúcar e água em fogo médio e deixe ferver. Quando alcançar um ponto de calda rala, adicione a nata de coco e o leite de coco. Em seguida, acrescente o óleo de coco líquido e misture bem até homogeneizar (gotículas de óleo não devem ficar visíveis). Derrame nos moldes de picolé até preenchê-los, coloque os palitos e leve ao congelador por pelo menos 6 horas. Tadã, estão prontos. E são deliciosos.
Sugestão de finalização:
Triture um pouco de castanha-do-Pará e toste numa frigideira, reserve. Derreta um pouco de cupulate  80% Amma* e reserve. Desenforme os picolés, mergulhe no cupulate derretido e passe na castanha imediatamente. E, o mais importante, coma imediatamente.





O cupuaçu (Theobroma grandiflorum) é do mesmo gênero que o cacau (Theobroma cacao). As amêndoas do cupuaçu, quando passam pelo mesmo processo que o cacau, resultam no cupulate, um "chocolate de cupuaçu". O cupulate já era tradicional no Norte do país, mas agora pode ser encontrado sob forma industrializada nas grandes cidades e futuramente nas pequenas cidades também graças a Diego Badaró do Amma Chocolate. Esse cupulate é uma das minhas novas paixões, com um rico aroma frutado e floral completamente diferente de qualquer coisa, traz notas de cacau, não é tão amargo ou ácido, sentem-se pequenos grânulos, e o cupulate tem uma textura mais macia, derretendo com mais facilidade.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Resoluções e uma ode à gordice natalina

Neste primeiro post do ano, trago para vocês, meus queridos, uma citação muito interessante de Jane Eyre. Acabei o livro há uns dois meses, mas havia me esquecido de compartilhar esse excerto que me é curioso, ao menos do ponto de vista gastronômico e também espiritual.

"Well had Solomon said, 'Better is a dinner of herbs where love is,  than a stalled ox and hatred therewith'" (EYRE, 1994, p. 76)

Carregando essa frase nos ombros, espero mudar minha relação com a comida no próximo ano. Eu e a comida sempre tivemos momentos de discórdia e de amor, uma relação conturbada e ambígua. Houve épocas em que me restringia muitos sabores e delícias - quando me sentia fisicamente ótima, com energia e bem disposta. Contudo, também houve épocas em que me esbanjava no prazer de comer, pouco me importando com saúde e bem estar.

No último ano, essa relação foi agravada com a descoberta da minha intolerância à lactose, com uma suposta alergia à soja (que foi negada pelos exames de sangue), uma definitiva alergia ao psyllium (não lhes contei sobre isso, desculpem), perambulações pelo vegetarianismo, retorno às carnes, empanturrações em aulas de gastronomia, descoberta de novos paladares, e momentos de mergulho no mundo lácteo (e um grande "foda-se" ao meu intestino) e conseguinte arrependimento. Ah, olvidei-me do colesterol nas alturas e do ganho de peso para completar o pacote, o laço do presente.

A conclusão que chega tardia é de que preciso me alimentar com mais consciência, sabendo o que devo limitar ou até excluir da minha dieta. Essas resoluções soam tão cristalinas quando lidas numa página da rede, tão fáceis de serem alcançadas e retidas, mas não tenho dúvidas de que tomarão boa quota de dedicação e empenho e força de vontade.

No início do ano, enchemo-nos de resoluções idealizadas, das quais sabemos que algumas são impossíveis de se alcançar. Seres esperançosos que somos, não desistimos de criar novas resoluções a cada ano passa, abandonadas sem remorsos por volta de dois meses depois. Parece estupidez, mas juro que essa não será só mais uma, essa será um novo modo de viver. Veremos no que dá esse grande falatório quando chegarmos a dezembro de 2014...

Por fim, uma despedida à gordice das festas natalinas:

Maamoul de tâmaras (com massa de semolina)
Semifreddo de pistache e framboesas com água de rosas e de flor de laranjeira com casquinha de chocolate
(Sintam a tensão)
Bûche de Noël: massa de cacau, recheio de castanhas portuguesas, cobertura de ganache, cogumelos de suspiro e terra de castanhas


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Minha versão do clássico Stollen

Mais um ano se passa e cá chego eu, na véspera do Natal, publicando receitas como se algum ser pensante fosse prepará-las a tempo da ceia de hoje ou fosse ter a divina paciência de colocar os pés na cozinha no dia de amanhã. Excetuando-se o fato de que eu me daria o trabalho de preparar algo amanhã - ou melhor de que vou de fato preparar algo amanhã -, sinto-me inclinada a afirmar que verdadeiros escritores nunca escreveram para agradar a algum possível público, escreveram porque queriam. Então, eu digo, publico porque quero. Fi-lo porque qui-lo (sim, sei que é gramaticalmente incorreto, mas a máxima de Jânio Quadros caiu tão bem no contexto...)

Quanto ao Stollen querido (a.k.a. Christollen), não me canso de repetir a todos os familiares a quem apresento ou presenteio com um pãozinho desses que o formato do pão doce alemão representa Cristo enrolado na sua manta. Quem lê, imagina-me uma católica fervorosa assando pães para presentear as suas comadres. Pelo contrário, apenas gosto de contar as histórias por trás da comida. Dá profundidade à experiência.


Fiquem à vontade para criar sua própria combinação de frutas secas ou cristalizadas, apenas não utilizem aquela mistura de frutas cristalizadas vendida pronta para panetones. E não ousem acrescentar essência de panetone, ou vocês não são merecedores dessa receita. Devo avisar que a receita rende muito, muito mesmo, 6 pães de 400 g cada. Se pretende preparar apenas para você e sua família, sugiro que  faça a terça parte. Segue a minha versão da receita do livro "Técnicas de Padaria Profissional" de Paulo Sebess.


Esse foi feito com 800 g de massa crua.

Stollen

Frutas secas maceradas durante a noite:
Uvas passas sultanas - 85 g
Uvas passas corintos - 85 g
Damasco seco - 50 g
Gengibre cristalizado - 40 g
Cranberries secas - 50 g
Laranja cristalizada - 10 g
Limão cristalizado - 10 g
Cidra cristalizada - 10 g
Conhaque - 100 mL
Licor de uísque Bailey's - 20 mL
Extrato de baunilha - 15 mL
Água de flor de laranjeira - 15 mL

Esponja:
Leite integral - 200 mL
Farinha de trigo - 200 g
Fermento seco - 8 g

Massa:
Farinha de trigo - 1 kg
Canela em pó - 10 g
Esponja - 408 g
Açúcar - 40 g
Sal - 10 g
Raspas de limão siciliano - 5 g
Raspas de laranja - 5 g
Ovos - 180 g (4 unidades)
Manteiga - 210 g
Água - 180 mL
Marzipã - 150 g

Cobertura:
Manteiga clarificada derretida - 100 g
Açúcar de confeiteiro - 100 g


Pique as frutas secas e cristalizadas e misture com o conhaque, o licor, a baunilha e água de flor. Conserve em um pote hermético na geladeira durante a noite.

Prepare a esponja dissolvendo o fermento seco no leite morno e acrescentando a farinha. Deixe fermentar em local aquecido por cerca de uma hora. Ela está boa para utilizar quando estiver desinflada.

Peneire a farinha com a canela, o açúcar e o sal. Bata na batedeira a esponja com os ovos, as raspas, a manteiga, e cerca de três colheres de sopa da mistura dos ingredientes secos. Depois que estiver homogêneo, vá acrescentado à mão a água e a farinha restante. Quando a massa estiver dura demais para mexer com o pão duro, vire em uma superfície limpa e seca. Incorpore toda a farinha restante enquanto sova. A massa poderá parecer um pouco dura, mas o líquido das frutas maceradas vai amaciá-la. Quando estiver bem sovada em ponto de véu, acrescente as frutas secas e sove para distribuí-las bem.

Divida em porções de 400 g ou 800 g. Boleie e deixe fermentar por uma segunda vez em local aquecido. Depois que dobrar de tamanho, abra com um rolo em formato oval, disponha um cilindro de marzipã do centro e dobre a massa sobre o cilindro. Deixe descansar mais 15 minutos e leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 30 minutos.

Quando estiver dourado, retire o Stollen do forno, pincele com manteiga derretida e deixe esfriar sobre uma grade. Polvilhe com açúcar de confeiteiro antes de servir.


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Mais algumas fotos pré-Natal para vos alegrar.
Muita paz, saúde e felicidade neste dia especial entre as famílias, ho ho ho!

Arancini di riso :)
O que era um risoto de bacalhau, com um cubo de mussarela, e empanado numa farinha de rosca temperada com ervas, alho e cebola

"Iniciando os trabalhos de verão", repetindo as palavras de papai.
Poucas coisas são tão boas na vida quanto um pedaço de pão italiano mergulhado naquele caldinho de caranguejo.

Gingerbread cookies, não poderiam faltar, certo? Para mim, já são tradição.
Esse ano usei fava tonca, ou cumaru, entre as especiarias.

Esse é novo na área.
Marshmallows de chocolate com rodamoinhos (e sem ovos!).
Simplesmente impossível comer um só, juro.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Panificação, como te adoro, eu como e eu te adoro

Pão é uma coisa dos deuses, essa frase poderia resumir o que penso sobre a panificação. Muitos ingredientes têm recepção negativa pelo público em geral, não o pão. Nunca conheci alguém que desgostasse de pão e creio que nunca conhecerei tal pessoa. De certa forma, o pão é um alimento que nos une como humanos, pois em qualquer parte do planeta a que for, da comunidade mais isolada de um deserto africano ao epicentro do capitalismo em Nova Iorque, o pão está presente. Obviamente, em um curso de gastronomia não poderia faltar a disciplina de Panificação, embora eu pense que os temas deveriam ter sido melhor explorados.

Aqui vão as fotos da avaliação prática final, em que cada grupo apresentou pães tradicionais de um país específico. Seguem também as receitas dos pães que meu grupo preparou, o Nikuman e o Melon Pan, do Japão. O Nikuman é um pãozinho no vapor com recheio de carne de porco moída com shiitake, cebolinha, e gengibre, lembra bastante um guioza. Geralmente consomem esses pães no café da manhã e são muito populares também na China. Já o Melon Pan é um pão doce simples que recebe esse nome porque a camada de biscoito que reveste o pão craquela enquanto assa e fica parecida com um melão.

Itália - Bruschettas e Grissini

Argentina - Empanadas doces e salgadas

Brasil - Pão de queijo e pão recheado com doce de banana

Portugal - Broas de milho e bolinhos de arroz

Líbano - Esfihas fechadas de carne, esfihas abertas com zaatar, Baba ganoush e Homus
Estava tudo delicioso, foi o melhor grupo, sem dúvidas!

Hungria - Não me lembro o nome dos doces, mas eram uns pães recheados com nozes, chocolate e coco

Espanha - Os pães salgados eram a Coca Salada, um tipo de pizza. O doce não apareceu na foto, era a Tarta de Santiago
Os docinhos de tâmara que aparecem na frente são do Líbano, chamados Mamul




Japão - Melon pan de chá verde e com gotas de chocolate e Nikuman

Melon Pan

Pão de leite com cobertura de biscoito
(ZOJIRUSHI. Breadmakers recipe: Melon-pan)


Massa:
Fermento biológico seco: 5 g
Leite integral: 210 mL
Ovo: 1 unidade
Manteiga: 28 g
Açúcar refinado: 46 g
Sal: 5 g
Farinha de trigo 3 : 425 g

Biscoito:
Farinha de trigo : 280 g
Fermento químico: 3,5 g
Manteiga: 115 g
Açúcar refinado: 100 g
Ovo: 1 unidade
Essência de baunilha: 5 mL
•Opcionais:
Chá verde em pó (matchá): 4,5 g, ou
Mini gotas de chocolate: 80 g

Modo de preparo do biscoito
Combine a farinha e o fermento (opcional: e o matchá) e reserve. Na batedeira, bata a manteiga com o açúcar até ficar cremoso. Adicione o ovo e a baunilha e bata novamente. Incorpore os ingredientes secos (opcional: e as mini gotas de chocolate) com uma espátula. Molde em formato de tronco, cubra com plástico filme e leve à geladeira por 30 minutos.
Modo de preparo da massa
Dissolva o fermento no leite morno e junte o açúcar, o ovo, a manteiga em ponto pomada. Misture bem e vá acrescentando a farinha de trigo. Por último, adicione o sal. Sove bem até atingir o ponto de véu. Transfira para um bowl untado, cubra e deixe fermentar até dobrar de tamanho. Divida a massa em 16 pedaços de peso idêntico. Boleie e reserve. Divida a massa do biscoito em 16 partes iguais e, com um rolo, abra em círculos que cubram o tamanho do pão. Cubra cada pão com o círculo de biscoito e faça cortes rasos para imitar uma rede. Disponha em forma untada e deixe fermentar por mais 30 minutos. Salpique açúcar por cima dos biscoitos e leve ao forno a 175ºC por 15 minutos.

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Nikuman

Pão no vapor com recheio de carne de porco


Massa:
Água morna: 180 mL
Fermento biológico seco: 10 g
Açúcar refinado: 35 g
Farinha de trigo: 300 g
Óleo vegetal: 15 mL
Sal: 2 g

Recheio:
Coxão mole suíno moído: 250 g
Molho de soja: 45 mL
Molho de ostra: 5 mL
Saquê: 15 mL
Pimenta-do-reino preta: q.b.
Sal: 2 g
Açúcar: 5 g
Óleo de gergelim: 30 mL
Cogumelos shiitake desidratado: 3-5 unidades
Gengibre ralado: 1 colher de sopa
Cebolinha: q.b.
Amido de milho: 1 colher de sopa
•Opcional: Acelga picada: 100 g

Molho:
Molho de soja: 15 mL
Vinagre de arroz: 30 mL
Gengibre ralado: ¼ de colher de chá


Modo de preparo da massa
Dissolva o fermento na água morna e junte o açúcar e duas colheres de sopa da farinha. Deixe fermentar em local aquecido por 15 minutos ou até espumar. Peneire a farinha restante numa tigela e sobre ela vá despejando a esponja, trabalhando a massa. Quando toda a farinha estiver incorporada, acrescente o óleo e o sal e sove bem. Transfira para um bowl untado, cubra e deixe fermentar até dobrar de tamanho. Divida a massa em duas partes e divida cada metade em 6 pedaços. Boleie, abra com um rolo, recheie e feche as pontas, apertando bem. Deixe fermentar novamente e cozinhe no vapor por 15 minutos sobre folhas de papel manteiga.
Modo de preparo da massa
Reidrate os cogumelos em água morna por 25 minutos. Escorra bem e corte em brunoise. Rale o gengibre e corte a cebolinha em brunoise. Misture a carne com os molhos de soja e de ostra, o saquê, a pimenta, o sal, o açúcar, o óleo de gergelim e o gengibre. Junte os cogumelos, a cebolinha e o amido (opcional: e a acelga picada) e misture bem. Reserve.
Modo de preparo do molho
Misture o molho de soja, o vinagre e o gengibre.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Oficinas de culinária japonesa e crudívora

Desde o início de novembro, estou fazendo um estágio em um restaurante japonês aqui em Santos bem próximo à minha casa. Não esconderei identidade, o restaurante se chama Okumura e este é o segundo estabelecimento na cidade - o primeiro é uma temakeria. Por isso, ando, ou andava, tão ocupada e sem tempo para me dedicar ao meu querido brogui, heheh. Uma vez que trabalho à noite, tive de mudar de turma na faculdade e passei a estudar no período vespertino logo no último mês de aulas, aquele mês repleto de provas e trabalhos, ai ai. O bom é que praticamente acabou o semestre, só estou esperando pelas notas enquanto roo as unhas.

Tornando públicas as atualizações, começo por uma que está dois (dois!) meses atrasada. São as oficinas aconteceram na universidade durante a jornada de ciência e saúde, participei de duas (não fui à do André Ahn), aqui estão as fotos:


"Novas tendências da culinária japonesa", Márcio Okumura

Camarão ao pesto com ponzu e sal rosa do Himalaia
Atum selado com ponzu e cebolinha
Avocado envolto com salmão

























































Salmão selado com tarê


"Culinária Detox", Daniel Francisco de Assis

"Spaghetti" de abobrinha e abóbora ao sugo crudívoro
"Cuscuz" de couve-flor com pimentas


"Energy balls" de uvas passas



Saladas com abacate, tofu e molho cremosos


Torta crudívora de chocolate








































































Cada uma dessas preparações tinha incontáveis ingredientes, não me lembro de todos, já fazem dois meses :/ Logo mais volto com fotos do jantar no Guaiaó e do trabalho final de panificação. Hasta luego!